31 dezembro 2006

O que é Claudipédia?

É um exercício introspectivo.

Comunicar o que nos preocupa, é meio caminho andado para resolver problemas. Quando era adolescente, escrevia diários. Era uma maneira de pôr em palavras a confusão dos meus sentimentos e desta forma conseguir lidar com eles. Mas eram palavras privadas. Coisas que não queria que ninguém soubesse e das quais tinha vergonha.

Agora que sou adulta, a vergonha já não existe. O meu diário está aberto ao público. Continuo a ter conflitos internos que preciso resolver e continuo a precisar de me compreender. Como adulta, gosto também de contar histórias do passado. Porque me traz conforto recordar.

Tenho muito pouco jeito para mostrar o que sinto pelas outras pessoas. A minha “comfort distance” é o dobro da das pessoas normais e custa-me o contacto físico. Como tenho dificuldades em expor com confiança o que sinto sobre mim e sobre os outros, vejo este blog como um exercício de aperfeiçoamento sentimental.

É uma enciclopédia sobre mim mesma. Disponível para consulta a todos aqueles que me querem conhecer.

29 dezembro 2006

Hoje estou assim meia coisa e tal

Hoje telefonei ao A., um canadiano com pais indianos, que estava a fazer o pós-doutoramento em Edimburgo e que era muito meu amigo. Contou-me que os pais estão a tentar um daqueles casamentos combinados, tão comuns na Índia.

Ele foi de férias ao Canadá e acabou por passar o Natal em New Jersey, onde foi conhecer a filha de um amigo do pai.

Vou começar a fazer poupanças. Acho que lá para 2008 vou a um casamento a Nova Iorque.
Será que fico bem de Sari?

Começo a ter pena de em Portugal não haver tradição de casamentos combinados. Ele parecia-me tão feliz.

28 dezembro 2006

As aventuras do ano de 2006 – por ordem (quase) cronológica;

- Embalar quatro anos de vida em duas caixas de 30 kg, uma mala de 20 kg e uma de mochila de 10 kg. Entregar o que não coube à loja Oxfam da minha rua. Carregar as caixas para o posto do correio, discutir no aeroporto para não pagar excesso de peso, insultar a vaca do balcão da Ryanair e acabar por pagar na mesma;

- Fazer uma festa de despedida no Pancake Day. Convidar toda a gente que conheço, a contar que só aparecesse metade, e acabar por passar a tarde toda com a barriga colada ao fogão, três frigideiras a produzir ao mesmo tempo, fazer panquecas para mais de 25 pessoas e não falar com ninguém (na minha própria festa de despedida Buáaaaaaaaaa!);

- Passear pelo Taj Mahal no dia do meu vigésimo nono aniversário;

- Receber no aeroporto de Edimburgo uma prenda de despedida de grande valor sentimental;

- Esperar dois dias no aeroporto de Stanstead por causa da greve dos controladores de tráfego aéreo. Finalmente chegar a casa e ter vontade de dormir 24 horas seguidas;

- Voltar para casa dos meus pais e conseguir uma convivência pacífica;

- Ir a 500 entrevistas de emprego…por semana!

- Comprar um carro (ou Aquela Lata Inútil, como eu gosto de lhe chamar, transferindo-lhe a principal característica da dona quando está ao volante) e paga-lo todo com o suor do meu rosto;

- Aprender um ofício novo;

E já chega. Que agora até fiquei cansada.

27 dezembro 2006

O que fazer nas férias?

Passo a vida preocupada e quando não tenho nada com que me preocupar, invento qualquer coisa.

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever
Ter um cheque prenda da fnac para usar
E não o fazer
Escolher é maçada
Procurar nas prateleiras é nada
O sol doira
Em www.fnac.pt


Versão original aqui

26 dezembro 2006

Andamos aqui enganados!

Tenho um amigo que, quando terminou uma relação de três anos, repetia para si próprio: "Andamos aqui enganados! Andamos todos enganados!" E eu, a tentar animá-lo, fui dizer-lhe que não, que não me acreditava nisso. Nessa altura ainda acreditava que eram possíveis os relacionamentos baseado na confiança. E de certa forma, ainda acredito. Mas se fizéssemos um estudo matemático, o resultado seria uma probabilidade muito magrinha. Acontecimentos recentes vieram provar que tudo aquilo em que acreditava estava errado. Andei 10 anos enganada. E só com esta idade toda me apercebi como funcionam as relações – de amizade, de paixão ou de amor, que mesmo sendo diferentes, são afectadas da mesma forma pelas diferenças homem vs mulher. Percebi que temos de tolerar muitas coisas que vão contra os nossos princípios. Que temos de perdoar muitas mentiras. Que temos que aceitar o facto de nunca conhecermos realmente ninguém. Por muita que tenha sido a intimidade partilhada. Conhecemos apenas aquilo que nos dão a conhecer. Descobri também que ainda me vou desiludir muitas vezes porque sou muito crédula e porque acho que tudo o que me dizem é verdade. Percebi que por vezes me mentem porque sabem que sou assim.

Acredito que uma amizade sobrevive a qualquer coisa. E que a falar nos entendemos. Se não houver abertura para uma conversa, e se nem a falar se resolver o conflito, é porque na realidade, nunca houve amizade.

Se calhar, andamos todos a enganarmo-nos.

imagem: Everything You Know Is Wrong: The Disinformation Guide to Secrets and Lies
Um Livro de Russ Kick, publicado por Disinformation Books

23 dezembro 2006

Natal Antunes 2002 - Parte I

Natal Antunes 2002 - Parte I

Feliz Natal para a minha família!!! Porque tenho das melhores que há!!

Espero que não me excluam da ceia de Natal por causa deste vídeo.

(ver parte I e parte II - não consegui pôr o filme inteiro)

Natal Antunes 2002 - Parte II

Natal Antunes 2002 - Parte II

21 dezembro 2006

Cláudia Alienada Do Mundo À Sua Volta

Seguindo o conselho de um amigo que várias vezes me serve de filtro de bom senso, este post foi apagado. F******! Já perdi a conta ás crónicas que não posso publicar, por motivos vários.

Quem me dera ter um blog anónimo. Humpf!

20 dezembro 2006

Crónica Cláudia Azeda

Esta tarde escrevi uma crónica a enxovalhar uma pessoa que me é bastante próxima. Porque senti necessidade ou de me vingar ou de mostrar a toda a gente que tinha o orgulho ferido. De repente, lembrei-me da ex-namorada do dirigente do FCP (comparação estapafúrdia, eu sei!). Escrever uma crónica a expor pormenores da intimidade partilhada com alguém de quem se gostou tanto, é muito errado: 1) É moralmente repreensível e certamente existem outras formas de chamar a atenção; 2) Ainda me saía o tiro pela culatra, e um outro blog desta blogosfera tão pequena, poderia estar a enxovalhar-me a mim, expondo pormenores da minha privacidade.

Eu tenho uma auto estima muito baixa e preciso constantemente de ser elogiada. Não receber comentário nenhum, deixa-me insegura. Interpreto o silêncio como descontentamento. Se me dizem que faço tudo mal quando me esforço por agradar, fico destroçada para todo o sempre.

Uma frase dita na altura errada pode fazer mais danos do que palavras lançadas com a intenção de magoar. Há pessoas com sentido de oportunidade nulo. Hoje sinto que nunca mais vou recuperar. Ainda bem que amanhã é outro dia.

17 dezembro 2006

¿con que follan los hombres?

Lembram-se do Cinco Dias Cinco Filmes no canal 2?

Gravei os cinco filmes do Almodovar e ainda tenho as cassetes de video. Sim video, na altura ainda não havia muita gente com leitor de DVD.

Nunca perco um filme do Pedro Almodovar nem do Woody Allen. Raramente me desiludem. Deve ser porque são homens que conseguem interpretar muito bem as angústias das mulheres.

16 dezembro 2006

Mais Edi Cavalcanti

Nu e Figuras

14 dezembro 2006

Glauber Rocha, Edi Cavalcanti, Meninas mães e o Movimento dos Sem Teto - Parte II

Rio de Janeiro Noturno

As coisas surpreendentes que podemos aprender numa sala de cinema! Pulsar Glauberiano, sessão de sexta-feira à tarde no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, veio acrescentar à minha lista de destinos de férias desejadas, o Brasil. Glauber filmou o funeral de Edi Cavalcanti. Glauber Rocha? Nunca ouvi falar, pensei eu. Isto enquanto o apresentador do festival nos dizia que tinham decidido não apresentar longas-metragens de Glauber Rocha porque não eram novidade para ninguém. Ai não?? Ok. Eu sei. Sou ignorante. Vi três documentários. O primeiro, Di-Glauber foi censurado pelas autoridades brasileiras no ano em que foi filmado (1977). Di Cavalcanti num caixão. Di Cavalcanti?? Nunca ouvi falar. Fui ver o site do artista na Internet. Mas como é possível eu nunca ter visto um quadro deste senhor. São tão bonitos!! Mas onde posso ver uma pintura destas ao vivo?! No Rio de Janeiro certamente!! E a minha imaginação pôs-se desenfreadamente a trabalhar! Férias no Rio de Janeiro. Galerias de Arte. Museus. Festas com mulheres meias vestidas a roçarem-se em homens à caça! Música e samba. Muita fruta. Tenho que lá ir! Espero no entretanto não descobrir que um museu qualquer em Madrid tenha em exposição obras deste artista plástico. É que assim estragam-me os sonhos!!

E como eu estou farta de dizer: Sonhar é tão bom!

"Moço continuarei até a morte porque, além dos bens que obtenho com minha imaginação, nada mais ambiciono." Di Cavalcanti

13 dezembro 2006

Glauber Rocha, Edi Cavalcanti, Meninas mães e o Movimento dos Sem Teto - Parte I

Gosto imenso de ir ao cinema. Principalmente de ir a cinemas antigos, sem Surround Sound System nem pipocas, com ecran pequeno, cadeiras de veludo surrado, e com meia dúzia de alminhas solitárias a pairar de forma dispersa pela sala.

Costumava ter um cartão de sócio do Cameo, o primeiro cinema da cidade de Edimburgo. Descontos de uma libra e meia e entrada gratuita nas Doses Duplas de Domingo à tarde. Assisti a muitas sessões sem saber sequer o que ia ver. E fazia quase sempre o caminho de volta a casa, pelo meio do campo de golf dos Meadows, com um sorriso de satisfação na cara.

Ir ao cinema pode preencher uma necessidade de entretenimento. Ver a Bridget Jones para descontrair e rir durante duas horas. É aquilo a que eu chamo filme chiclet. Mas ir ao cinema pode ser também uma forma de aprendizagem.

O fim-de-semana passado fui ao Festival de Cinema Luso-Brasileiro em Santa Maria da Feira.

Vi um documentário sobre o Movimento dos Sem Teto em São Paulo e outro sobre adolescentes de favelas que são mães em idades em que eu nem sabia sequer de onde vinham os bebés. São mais duas provas de como as mulheres têm uma vida muito dura. O realizador perguntou a uma responsável por um dos Movimento dos Sem Teto porque é que havia tantas mulheres na liderança destes grupos organizados. Ela respondeu que era por necessidade: “Os homens vão fazendo filhos por aí e depois desaparecem. As mulheres é que ficam com a responsabilidade de cuidar deles”. É obvio que a culpa é da ignorância e da falta de perspectivas de futuro tanto dos homens como das mulheres. Mas a verdade é que quem fica com um bebé nos braços e a precisar de um tecto, são as mães. É caso para se dizer que a necessidade faz o líder. E que líderes admiráveis e duras de roer!

Vi dois documentários sobre gente cheia de problemas, com vidas difíceis, num país onde parece não existir justiça social. Mas, pela primeira vez, fiquei cheia de vontade de ir de férias ao Brasil. E o principal motivo para lá querer ir, fica para o próximo post. Que este já vai longo.

12 dezembro 2006

Adoro:

Tirar sonecas no sofá da sala, chegar à última página de um bom livro, estar sentada no escuro da sala de cinema, jantar bem acompanhada, ouvir música muito alto, um copo de vinho à sexta-feira à noite, cantar no chuveiro, o cheiro dos eucaliptos, os meus amigos, fazer bolos e bolachas pela noite dentro para relaxar, dar um mergulho no mar, sentir pena de mim própria, ter dores nas pernas depois do ginásio, estar sentada com a minha família a beber chá e comer bolachas, comprar coisas que não preciso, mascar chiclets e fazer bolinhas, dançar no meu quarto ao som de “Big in Japan” dos Alphaville, chocolate com avelãs ou bolo de chocolate com morangos, o humor britânico, recordar os “bons velhos tempos”, fazer festinhas nos pelos dos braços de homens latinos, tomar banho de água tão quente que me faz ficar toda vermelha, fazer compras no supermercado, que me contem histórias para adormecer, discutir com uma pessoa inteligente, comer tarte de maçã num café de Amsterdam, tomar o pequeno-almoço no Bombar ao Domingo de manhã, sonhar acordada, a Internet, os beijinhos do meu sobrinho. Adoro escrever listas das coisas que detesto.

11 dezembro 2006


Movida pelos discursos de Che Guevara, fui para a rua protestar.

"O verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor."

10 dezembro 2006

Crónica O que é que correu mal?

Sábado à noite um amigo meu telefonou-me e perguntou porque é que eu estava a chorar. Eu respondi: mais de meia garrafa de vinho tinto, desemprego daqui a um mês e meio, 5 quilos a mais, trinta anos daqui a 3 meses, saudades dos amigos, a conta bancária a zero e dores de coração. Já desde a escola primária que as minhas irmãs me chamam “a torneira com a borracha avariada”. Qualquer coisita me faz chorar.

09 dezembro 2006

Síndrome Imigrante – Lá Fora É Tudo Melhor Parte III

Jornalista da TVI: "Quatrocentos e três euros é o salário mínimo para 2007. Governo e parceiros sociais acabaram de selar, esta terça-feira, o acordo que actualiza o salário mínimo para os próximos três anos. O executivo prevê que em 2011, daqui a 5 anos, o valor da remuneração mínima chegará aos 500 euros."

500 euros?? Em 2011??????????

Mais valia não revelar os valores para os anos seguintes. Assim pelo menos ainda podíamos ter esperança num futuro melhor. Abaixo o governo e os parceiros sociais porque não nos deixam sonhar!!

Nota: Esta crónica não pretende fazer uma análise da situação económica do país, nem pretendo lançar uma discussão sobre a produtividade das empresas e/ou sobre a possibilidade dos empresários portugueses fazerem face a estes aumentos. Pretende sim mostrar como estou deprimida por ter regressado de um pais que me pagou 1300 euros de salário mínimo quando trabalhava como empregada de mesa. Este blog fala de mim e quando escrevo é esta a minha única preocupação.

E eu pergunto aos economistas políticos,
aos moralistas, se já calcularam o número
de indivíduos que é forçoso condenar à miséria,
ao trabalho desproporcionado, à desmoralização,
à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível,
à penúria absoluta, para produzir um rico?
Almeida Garrett

08 dezembro 2006

Detesto:

Condutores que não dão o pisca, dias de chuva, pessoas que levam a boca à colher em vez da colher à boca, empregados de mesa com as unhas sujas, esperar em aeroportos, o barulho do aspirador, chegar atrasada, os homens que eu amei e que não me amaram de volta, despir-me em frente aos médicos, tomar banho de água fria, pão com manteiga, roupa castanha, receber contas de telefone, ouvir músicas da Alanis Morrisette na rádio, esperar nas filas dos Correios, homens que batem nas mulheres, falar mal francês, livros de auto-ajuda, arrumar o meu quarto, cuecas que se vêm a sair das calças, camisolas que picam, ser assim, mosquitos a zumbir ao meu ouvido, ter que me levantar mal toca o despertador, pagar bem e comer mal, sopa fria, livros aborrecidos com mais de trezentas páginas, filmes com mais de duas horas e meia, o meu ex-professor de cálculo financeiro, peixe cozido, pessoas que comem de boca aberta, uma torneira a pingar, não poder comprar a colecção dos livros do Asterix em francês. Detesto quem me responde às perguntas com o que pensa que eu quero ouvir.

05 dezembro 2006

O Crime do Padre Mouret

"Hora de volúpia divina. Os livros de devoção à Virgem ardiam em suas mãos. Falavam-lhe uma linguagem de amor, que cheirava a incenso. Maria já não era a adolescente velada de branco, com os braços cruzados, de pé, a alguns passos da cabeceira do seu leito; chegava no meio de um esplendor, tal como João a viu, vestida de sol, coroada de doze estrelas, tendo a lua aos pés; embalsamava-o com o seu belo aroma, inflamava-o até no calor dos astros flamejando na sua fronte. Prostrava-se diante dela, dizia-se seu escravo; e nada havia mais doce do que esta palavra «escravo», que ele repetia, que saboreava mais, na sua boca balbuciante, à medida que ele se esmagava a seus pés, para ser a sua coisa, o seu nada, o pó aflorado pelo voo do seu vestido azul. Dizia como David: «Maria nasceu para mim». Acrescentava como o Evangelista «Tomei-a para meu único bem». Chamava-lhe «Minha querida soberana», faltando-lhe palavras, chegando a um balbuciar de criança e de amante, tendo apenas o sopro entrecortado da sua paixão."

La faute de l'Abbé Mouret
Émile Zola

Com um agradecimento especial aos alfarrabistas que me permitem comprar os clássicos da literatura francesa por um euro e meio. Mesmo este que, para quem leu o Crime do Padre Amaro, não traz nada de novo.

04 dezembro 2006

Crónica Boneca Barbie


Quando era pequena tinha imensas bonecas. Mas não tinha a que mais queria: a Barbie. A minha mãe, lá em casa, sempre fez “campanha anti-Barbie”. Os ensinamentos feministas começaram subtilmente cedo! Não gostava da boneca porque era um símbolo daquilo que não queria que as filhas ambicionassem ser. Para além disso, a minha mãe achava que a boneca transmitia às raparigas novas um ideal de beleza em que ela não acreditava. Porque verdadeiramente importante é a beleza que vem de dentro! No fundo, a minha mãe achava a boneca feia, desproporcionada e fútil.
Quando tinha uns sete anos, mais coisa menos coisa, a minha mãe foi visitar a família à Holanda e levou-me a mim e às minhas duas irmãs. Antes de irmos, o meu pai deu-nos dinheiro. E só a nós cabia a decisão de como o íamos gastar!

Fomos ao Bijenkorf em Amsterdam, a Department Store que ainda hoje é a preferida da minha mãe. As minhas irmãs foram procurar alguma coisa em que gastar o dinheiro delas. Como eram mais velhas que eu, suponho que o tenham gasto em roupa, mas não me lembro. Eu, que me aborrecia a fazer compras, fiquei horas a subir e descer escadas rolantes!! Até que…chegámos à secção dos brinquedos. E lá estava ela, numa prateleira muito alta, enfiada numa caixa cor-de-rosa: a Barbie!! Pus a mão ao bolso, contei as notas que o meu pai me tinha dado e descobri que tinha o suficiente para levar a boneca comigo. Fiquei ali parada, a olhar para cima, para aquela prateleira tão alta, de ombros caídos e cara angustiada, a ganhar coragem para dizer à minha mãe que sabia como queria gastar o meu dinheiro. Sentia uma bola no estômago e um nó na garganta. Porque sabia que o que pretendia fazer ia contra a vontade da minha mãe. – “Mamã, eu sei que não gostas muito mas eu queria mesmo ter uma Barbie e o dinheiro que o papá me deu dá para comprar uma que está ali em cima! A minha mãe sorriu, olhou para as minhas irmãs, que também tinham reparado que eu estava constrangida, e foram todas comigo ver a prateleira das Barbies. Nesse dia fui para casa do meu tio com um sorriso enorme na cara. Agarrada a uma caixa com uma Barbie de cabelos encaracolados e um vestido roxo!! E a minha mãe não mostrou ódio nenhum ao meu brinquedo preferido. Até costurou uns fatos de saia-casaco iguais ao que costurava para ela própria. E eu adorava ter uma Barbie que se vestia como a minha mãe. Colar de pérolas e tudo!

É incrível que até ao dia de hoje continuo a ter imensas dificuldades em contar à minha mãe que quero fazer coisas que sei que ela não gosta. E ainda sinto um nó na garganta quando tenho de o fazer. Como há umas semanas atrás, quando tive que lhe contar que não ia dormir a casa nessa noite. Mesmo depois de ter morado dez anos fora de casa dos meus pais. Mesmo sabendo que somos de gerações diferentes e que não concordamos em tudo. Mesmo sabendo que ela também sabe isso.

02 dezembro 2006

XRay

Descobri uma coisa que é quase tão má como uma dor de dentes: estar cheia de saudades de alguém.

30 novembro 2006

Sons Em Transito - Teatro Aveirense


Quando morava em Edimburgo era frequentadora assídua dos concertos de World Music do Usher Hall. Era também uma forma de matar saudades da terra, porque inserido no programa fui ver a Mariza, a Cesária Évora e os Madredeus.

Quando me convidaram para ir a Aveiro a um festival de música do mundo não fui capaz de resistir. Mesmo sabendo que havia a possibilidade de, no dia seguinte, ir cheia de sono para o trabalho.

Fui ver Cristobal Repetto (Argentina) e Ludovico Einaudi & Ballake Sissoko (Itália/Mali).

O Repetto é um rapazito novo com ar de janado, um fato cinzento dois tamanhos acima, cara de anjo que precisa de tomar banho e cortar o cabelo. Tentava dar um ar de homem experiente, mas com aquela cara de puto, não enganava ninguém. O concerto foi fantástico. Tinha uma voz maravilhosa e um Espanhol do sul da América muito enrolado e doce. Cantou uns tangos antiguinhos acompanhados por histórias que nos contavam de onde vinham. Tangos dos pueblos chiquititos do distrito de Buenos Aires.

O segundo acto pareceu-me um concerto de Michael Nyman Meets Africa for the original soudtrack “It´s Like Dying A Slow Death”. Mas recebeu muitos aplausos. Ainda bem que não gostamos todos do mesmo.

E acho que acabei de descobrir um talento. Que bem que iam ficar as minhas críticas musicais num jornal de grande tiragem!

28 novembro 2006

Uma Gaija do Nuorte!

Nunca tive muito jeito para ser menina. Os dois cromossomas X com que nasci não foram suficientes para fazer de mim uma mulher de aparência frágil e delicada. Pelo contrário. Tenho um ar compacto e sou muito espaçosa. Mesmo quando era catraia e magrita, sempre ocupei muito espaço. Tinha razão um amigo meu quando me disse, enquanto viamos um canal de desporto qualquer, que se eu fosse tenista, seria a Serena Williams. Nunca a Kournikova.

Para além da aparência, também sou de maneiras meias abrutalhadas. Não sou mal-educada, mas sou…pouco menina. Sempre tive mais amigos homems que mulheres, nunca pedi a um rapaz que me ajudasse a mudar os casquilhos velhos do meu apartamento de estudante, carrego malas pesadas sem ajuda, não calço sapatos com salto, raramente me vêm num vestido, nunca gostei de cor-de-rosa nem da Kitty, sou muito desengonçada a dançar e não me faço passar por mulher parva e indefesa para conseguir favores de homens (excepto aquela vez em que a polícia me mandou parar na Amadora à noite, porque ia na faixa do BUS!).

Não sou menina. Sou “gaija”! E do Norte!! Que é de onde vêm as melhores gajas deste país!

27 novembro 2006

Plano de Negócios

Conversa via MSN a propósito do meu post anterior:

X diz: you need a husband?
Cláudia diz: não! Mas se fosse alugado...depois quando estivesse farta...mandava-o de volta
X diz: ah então...assim já é falar! Quanto é que estás disposta a pagar?
Cláudia diz: sei lá! Depende das tarefas que realizar
X diz: então qual é o teu caderno de encargos?
Cláudia diz: passar a ferro, levar-me a jantar e escolher um bom vinho, levar-me ao teatro ou a um concerto, pregar pregos para pendurar quadros. E acho q é só isto. Nem peço muito...
X diz: espera, não queres um marido queres um empregado...só falta dizer que também queres que seja inteligente
Cláudia diz: Não quero empregado. Não se vai jantar nem ao teatro com um empregado...
X diz: e fazer bolos, não?
Cláudia diz: Isso faço eu! Sou mestre boleira!
X diz: então queres um homem caniche?
Cláudia diz: opa, é alugado...não é a sério
X diz: É tipo pastilha elástica
Cláudia diz: pois... ele depois passa para outra, que até se calhar lhe pede coisas diferentes. O que faz com que o seu emprego não seja aborrecido
X diz: claro, deve ser demais
Cláudia diz: sei lá, deve haver quem não se importe
X diz: é, é, tou a imaginar!
Cláudia diz: tens que admitir que nem pedi nada assim tão mau
X diz: pois não, nem pediste sexo...o que hoje em dia não é mau
Cláudia diz: sexo n faz parte do caderno de encargos, o prazer seria dele também. Acho que sexo não devia fazer parte do contrato.

25 novembro 2006

24 novembro 2006

"O Direito a Errar" ou Cláudia, a Defensora das Liberdades Individuais

Gore Vidal em entrevista para a Time de 20 de Novembro de 2006:

Time: What do you think of gay marriage?
Gore Vidal: Since heterosexual marriage is such a disaster, why on earth would anybody want to imitate it?

1º: Há um milhar de respostas diferentes para a mesma pergunta, não é preciso dizer sempre concordo ou discordo, sim ou não.
2º: Era bom viver num mundo onde nos dão a oportunidade de decidir se queremos cometer certos erros. Principalmente quando não têm implicações negativas para terceiros.

23 novembro 2006

Um Caldo Verde e Uma Mini


Quando estamos longe da terra, é disto que sentimos saudades!

Crónica A Mal Amada

Quando era adolescente tive uma paixão doentia por um rapaz da minha escola. Passei três anos a suspirar por ele. Um verdadeiro desperdício de tempo.

Porque sempre tive a mania de escrever piroseiras e idiotices, quando a associação de estudantes organizou um concurso de Cartas de São Valentim, eu entendi que devia participar. A carta vencedora seria afixada nos placards da escola e o autor ganhava um jantar para dois.

No dia 14 de Fevereiro, a minha carta foi afixada para toda a gente ler. Com o nome do destinatário apagado com corrector branco, para garantir a confidencialidade de uma identidade que toda a gente conhecia.
Nessa noite fui jantar sozinha.

21 novembro 2006

Na Defensiva


Ontem, numa conversa com uma amigo meu, ele dizia-me que de vez em quando lia o meu blog, e pelo meio percebi erradamente que ele também tinha um blog: “Então também tens um blog e nunca me disseste!”. “Não, não tenho um blog, mas a julgar pelo teu, até eu, que tenho muito pouco tempo, podia começar um.” Assim a dar-me entender que o meu Claudipédia era tão fraquinho que até sem esforço ele conseguia fazer melhor.

Ora vamos cá a ver uma coisa. Há blogs sobre tudo e mais alguma coisa. Há blogs de fotos de família, há blogs a descrever viagens de finalistas, blogs sobre os filmes preferidos de alguém, os livros preferidos de outro, as citações preferidas do não sei quem. Há blogs muito interessantes sobre política, sociedade, poesia, sexo, saúde, desporto. Há blogs muito pouco interessantes sobre estes mesmos temas. Há Bloggers que escrevem bem, outros que nem por isso. Há Bloggers que escrevem para a família, outros para os amigos outros para a população em geral. Há Blogs que têm muitos visitantes porque também têm qualidade. Há Blogs onde ninguém passa muito tempo.

Mas uma coisa todos os Bloggers têm em comum. Não têm medo de serem criticados, nem de serem enxovalhados em praça pública. Ossos do Ofício.

Se calhar (e quase de certeza) o meu amigo escreveria um Blog melhor que o meu. Mas uma coisa parece-me que não tem. Coragem para expor as suas limitações.

Escrever no meu Blog dá-me prazer e nunca tive intenções de criar uma obra prima. Quem quer lê, quem não quer, passa à frente.

E cintado um escritor que admiro muito:

I don't give a damn what other people think. It's entirely their own business. I'm not writing for other people.
HAROLD PINTER, Dez. 1971


19 novembro 2006

Crónica Apeteceu-me Partilhar Isto Com o Mundo

É a vantagens de escrever cónicas e guardá-las para "quando um dia fizerem falta"!!! Aqui vai disto:

Lembro-me de quatro ocasiões na minha vida em que me senti bonita. A primeira foi quando tinha 17 anos e apresentei o Baile de Finalistas da minha escola no Casino aqui da terra. A minha mãe costurou-me um vestido de seda preta e azul escura que me fez sentir a rapariga mais elegante da festa. A segunda e terceiras vezes foram os meus dois namorados que me fizeram sentir assim. E é para isso mesmo que os namorados servem. Para nos fazerem sentir bem.

A última vez foi numa aula de Salsa onde apareceram 30 mulheres e 3 homens. Quando me estava a preparar para ter que dançar agarrada à escocesa gorda que estava ao meu lado, o homem mais bonito da sala perguntou-me se eu queria fazer a aula com ele. Nesse dia, regressei a casa com um sorriso imbecil na cara. Não por ter dançado coladinha a um rapaz alto e musculado que se mexia bem, mas simplesmente porque ele me tinha escolhido a mim.

Ultimamente ando a fazer um esforço para me conter e comer menos. Com a esperança de perder peso e assim começar a gostar mais de mim. Pura ilusão. Às vezes a vida não nos corre tão bem como devia e arranjamos um bode expiatório. Como se a causa dos meus problemas fosse o diâmetro das minhas coxas!

18 novembro 2006

Chico Buarque,Tom Jobim & Telma Costa - Eu Te Amo

Já escrevi uma crónica sobre a inveja que tenho em relação a quem sabe escrever. Desta vez, sinto inveja de quem sentiu coisas que eu nunca senti. Penso que as duas estão relacionadas, sentir e escrever. Ou escrever sobre o que fingimos sentir. De qualquer forma, não sei nada nem sobre uma nem sobre a outra.

Na primeira crónica deste blog disse que não as posso escrever quando estou triste porque me saem negras. Descobri que para além de negras são entediantes. Vou tirar férias. Volto quando me sentir melhor.

16 novembro 2006

Hoje Sinto-Me Muito Tony Carreira



Tony Carreira - Depois De Ti

Depois de tantos anos, nossa história teve um fim
Foi um amor sem planos tinha que acabar assim

No fundo já esperava, um adeus tinha que ver
Somente não contava, sem ti não poder viver
Saiu-me tudo errado, e só quando te perdi
É que eu entendi, que depois de ti

Depois de ti mais nada
Nem sol nem madrugada
Sem ti não há amor
A vida não tem cor

Depois de ti mais nada
Apenas dor na alma
Nem paz para me acalmar
Mais nada em teu lugar

Depois de tanto tempo só agora dou valor
Tu levas sofrimento, mas o meu é bem maior
Como fui inocente foste embora e eu deixei-te ir
Porque que é que eu não vi que depois de ti

Depois de ti mais nada
Nem sol nem madrugada
Sem ti não há amor
A vida não tem cor

Depois de ti mais nada
Apenas dor na alma
Nem paz para me acalmar
Mais nada em teu lugar

15 novembro 2006

Crónica Prendas

Como se está a aproximar o Natal, lembrei-me que tinha que começar a pensar nas prendinhas que quero oferecer aos meus entes queridos. Adoro comprar prendas e pensar no que vou dar a cada uma das pessoas na minha lista.

Também gosto de receber prendas claro. Acho este dar/receber prendas uma actividade muito interessante.

Principalmente quando me ponho a imaginar as pessoas a comprá-las!!

Um amigo meu ofereceu-me recentemente um dromedário de peluche que trouxe da Tunísia. Não consigo parar de rir cá para dentro a imaginar este verdadeiro macho latino num souk de Gabés a negociar a compra de um boneco felpudo!!

Também foi muito giro o Natal em que o meu pai ofereceu uma camisa de dormir à minha mãe. A reacção inicial das manas Antunes foi silencio por alguns segundos e depois aposto que nos deu vontade de rir a todas (eh eh pensei eu)!! Não consigo mesmo imaginar o meu pai, esse senhor tão conservador e guardião das intimidades da sua vida, numa das lojas de roupa interior antiquadas daqui da Aldeia, a comprar uma camisa de dormir com estilo de velhota para a minha mãe.

Mas cómico mesmo foi quando fui a uma dessa lojas bafientas de roupa interior aqui da terra, na semana a seguir ao Natal, altura em que se trocam muitas prendas indesejadas. Estava eu na Bela Meia, loja do centro da cidade que não muda de aspecto desde os anos 70 e onde trabalham as mesmas senhoras desde que me lembro, quando ouço a conversa dos clientes que estavam à minha frente. Era um casal no final dos 40, com meio metro de altura e meio metro de largura que tentava trocar a langerie que o marido tinha oferecido à esposa, no tamanho errado. E dizia-lhes a senhora baixota da loja: "Pois, este tipo de lingerie não é muito confortável, mas também não é para usar no dia-a-dia. É mesmo só para ocasiões especiais". E mostrava em cima do balcão algumas peças de roupa interior sexy (dependendo do gosto de cada um!!). Eu assim a modos que fiquei meia mal disposta uns segundos a imaginar aquelas peças rendadas e reduzidas em tamanho, numa senhora tão baixa e gorda. Depois deu-me vontade de rir e depois…fiquei enternecida e até me senti culpada por ter rido.

Espero que daqui a 20 ou 30 anos haja algum senhor que, apesar de eu já não ter a forma física que tinha aos vinte, me compre prendas assim e que ainda goste de olhar para mim vestida com uma lingerie vermelha, com renda em nylon.

10 novembro 2006

Crónica Essas Patetices Que Nos Fazem Recordar

Quando fui morar para Reading, essa bela localidade do sul de Inglaterra, e quando tive que decidir onde morar, resolvi ir para uma casa com 4 andares onde moravam 5 rapazes. Escolhi esta casa porque achei que numa cidade estranha ia precisar de companhia. E sempre me dei melhor com homens.

A minha escolha foi das mais acertadas que fiz nesse ano. Conheci Ingleses de gema, que me apresentaram ao estilo de vida do Inglês típico do subúrbio. Mas não é disto que vos quero falar.

Como ando em revival mood, e como adoro recordar “os bons velhos tempos” como se fossem melhor do que o presente, resolvi contar mais uma história da minha vida.

Como já vos disse várias vezes, sempre gostei de um copito ou dois. Então de cerveja, nem se fala. Fui parar ao país certo, onde esse néctar dos deuses é servido em pints. Mais de meio litro de puro prazer, borbulhante e bem fresquinho.

Foram muitas as noites em que fui sair com os meus flatmates. Íamos para o Purple Turtle, um bar alternativo que servia as melhores snake bite and black do mundo (cerveja, cidra e groselha, uma mistura explosiva). Depois íamos para uma discoteca chamada Poo Na Na, que era decorada em estilo marroquino. Música fantástica. Até eu que sou pouco dançante, abanava as ancas.

No caminho para casa comíamos kebabs e batatas fritas. E….aqui vem a parte que vos queria contar. Telefonávamos para a nossa casa e deixávamos mensagem muito estúpidas no voicemail. Quando chegávamos a casa era a galhofa total. Íamos ouvir as mensagens que tínhamos deixado. E quando as ouvíamos no dia seguinte, quando já estávamos sóbrios, ainda nos riamos mais.

Os ingleses podem ter muitos defeitos, mas são malta muito divertida. Opá, que saudades!!

09 novembro 2006

Crónica Nos Tempos de Coimbra

Nos primeiros anos de Coimbra, passei muitas noites sentada nos cafés de Celas ou da Praça da República a beber finos com a minha irmã. E foi num desses serões que surgiu a nossa banda. Eu era a baterista, a minha irmã a vocalista e tínhamos mais duas gajas na guitarra e baixo.

Era nesses cafés que criávamos os temas do nosso reportório. Alguns são agora considerados os clássicos da nossa banda, como a versão death metal do Caracol Caracol põe os Corninnhos ao Sol. Foi numa dessas noites, e depois de muita cerveja, que surgiu a ideia para o nosso primeiro Hit, que deu também origem ao nome do nosso primeiro álbum:
Palavras de Ordem
(cantado aos gritos pela voz heavy metal da minha irmã)
Destruição!
Mutilação!
Frustração!
Alienação!
Amputação!

As noites de quinta-feira na Cave das Químicas serviam-nos de inspiração. Foi aí que surgiu a ideia para os nossos concertos apocalípticos, onde uma vaca morta, pendurada no tecto pelas patas, era esquartejada e o sangue corria pelo palco até ao público. A ideia de usar um lança-chamas para queimar o pelo à vaca teve que ser abandonado por motivos financeiros. O napalm estava pela hora da morte!

Ai é tão bom ser estudante e ter sonhos. Usar calças elásticas pretas, casacos da tropa em segunda mão comprados na Rua Escura no Porto e Doc Martens com biqueira de aço trazidas de Londres.

E foi por sempre ter sonhado em ser baterista numa banda violenta de metal que fui estudar para a Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

08 novembro 2006

Serge Gainsbourg


Entrevista para a France-Soir, 11 de Março 1976:

F.S : Vous aimez-vous ?

S.G : Non, je n’aime pas mettre dans ma bouche ce que je viens de sortir de mon nez. […]

06 novembro 2006

Cláudia Z

Estou farta de ser gorda e feia. Não vou beber cerveja nem comer bolachas de chocolate durante três semanas. Começa hoje. Depois conto-vos como foi.

05 novembro 2006

Claudipédia Sentimental



By Hugh McLeod

04 novembro 2006

Malagueta

O picante da malagueta deve-se à presença da capsaicina. A capsaicina têm propriedades medicinais comprovadas, actua como cicatrizante de feridas, antioxidante, dissolução de coágulos sanguíneos, previne a arteriosclerose, controla o colesterol, evita hemorragias, aumenta a resistência física. Além disso, influencia a libertação de endorfinas, causando uma sensação de bem-estar muito agradável.

03 novembro 2006

Crónica Só Me Resta o Degredo

Eu, como toda a gente, fui aprendendo ao longo da vida um conjunto de valores que regem a minha forma de ser e de estar.

Vivi toda a minha vida sem religião e sei de muita gente que pensa que isso significa não ter moral. Ora, eu de religião não preciso e moral sempre me ensinaram em casa. Todos temos a nossa noção de bem e mal. A única diferença é a minha não estar relacionada com deus.

Vou-me deitar muitas vezes a pensar no que acredito e na possibilidade de poder estar errada. As horas de sono que estas dúvidas me tiram eram suficientes para ir à Nova Zelândia de bicicleta e voltar.

Se os nossos amigos mais próximos fazem alguma coisa que vai contra os nossos princípios e valores, o que é que nós fazemos? Deixamos de ser amigos? Aceitamos o facto de não sermos todos iguais? Fazemos de conta que não se passa nada e pedimos para não nos falarem sobre o que nos incomoda? Pedimos para nos explicarem os motivos, e talvez até consideramos a hipótese de mudar de opinião?

Descobri que sou muito intolerante. Descobri também que se continuar assim, vou acabar isolada de toda a gente de quem gosto.

31 outubro 2006

Crónica A Culpa Nunca é Minha

Hoje demorei 1 hora e 20 minutos a fazer o percurso do trabalho para casa. 17 quilómetros que normalmente faço em 15 minutos. Estou com um mau humor atroz. Já insultei toda a gente: o ministro, o presidente da câmara, os deputados, a polícia, os santos, os automobilistas, os tipos das empresas de reboques, os directores de programas da TSF e da Antena 1, o Fernando Alvim e mais o programa estúpido que ele apresenta, o dono do ginásio onde vou (porque acabei por faltar à única aula que consigo chegar a horas a semana toda), a malta da piscina que não quer trabalhar nos feriados, os pasteleiros que fazem os húngaros para o café onde almoço, a Artiachi por causa das bolachas de chocolate, a Unicer por causa da Super Bock, os tipos responsáveis pelo servidor de internet no trabalho porque pela milésima vez não consegui enviar e-mails depois das 6 da tarde, a RTP1 porque está sempre a dar jogos de futebol quando eu quero ver as séries estúpidas da SIC Mulher ou da SIC Comédia.

Quando alguma coisa corre mal tenho que encontrar um culpado. Nem que a culpa seja minha e nem que a culpa não seja de ninguém.

30 outubro 2006

Chaiyya Chaiyya (Dil Se)

A malta lá de Holiwood e arredores devia aprender com estes indianos! Qual Beyonce e Jay-Z. Estes dois tipos ganham-lhes por muitos pontos!!

Devem conhecer esta musica do filme Inside Man do Spike Lee. Não percebo bem o que é que uma música Indiana tem a ver com um filme Norte Americano, mas enfim. Teve o impacto desejado.

Esta música é cantada em Urdu por Sapna Awasthi e Sukhwinder Singh e o clip foi tirado do filme Dil Se.

O YouTube tem uma versão deste clip com legendas. A letra ganhou um prémio (tipo óscares da India). Ou então podem ir a http://bollywhat.com/lyrics/dilse_lyr.html

Untitled

Há dias em que sinto que ninguém gosta de mim, os outros meninos não querem brincar comigo no recreio, servem-me sempre a fatia de bolo mais pequena para a sobremesa e os brinquedos dos outros são mais divertidos que os meus.

Há dias assim.

27 outubro 2006

85 year old Abu Hamid Omar - Darfur


The Theory of Moral Sentiments
Adam Smith 1759

How selfish soever man may be supposed, there are evidently some principles in his nature, which interest him in the fortune of others, and render their happiness necessary to him, though he derives nothing from it except the pleasure of seeing it. Of this kind is pity or compassion, the emotion which we feel for the misery of others, when we either see it, or are made to conceive it in a very lively manner. (…) As we have no immediate experience of what other men feel, we can form no idea of the manner in which they are affected, but by conceiving what we ourselves should feel in the like situation. Though our brother is upon the rack, as long as we ourselves are at our ease, our senses will never inform us of what he suffers. They never did, and never can, carry us beyond our own person, and it is by the imagination only that we can form any conception of what are his sensations. Neither can that faculty help us to this any other way, than by representing to us what would be our own, if we were in his case. It is the impressions of our own senses only, not those of his, which our imaginations copy. By the imagination we place ourselves in his situation, we conceive ourselves enduring all the same torments, we enter as it were into his body, and become in some measure the same person with him, and thence form some idea of his sensations, and even feel something which, though weaker in degree, is not altogether unlike them. His agonies, when they are thus brought home to ourselves, when we have thus adopted and made them our own, begin at last to affect us, and we then tremble and shudder at the thought of what he feels. For as to be in pain or distress of any kind excites the most excessive sorrow, so to conceive or to imagine that we are in it, excites some degree of the same emotion, in proportion to the vivacity or dulness of the conception (…)

Photo: This is 85-year-old Abu Hamid Omar. Not only was he burned and branded in an attack by the Janjaweed and Sudanese Government forces, but his village was burned to the ground. Abu Hamid Omar was the ONLY villager to survive the persecutory assault. Photographed October 11, 2004, by Benjamin Lowy

25 outubro 2006

Cláudia “HomoBacchus”


Um dia perguntaram ao Cutileiro porque é que ele fazia esculturas de mulheres nuas. Ele respondeu que começou a esculpir quando era rapaz novo e que os artistas, normalmente, escolhem temas que lhes interessam para as suas obras. Ora quando ele era novo, as mulheres nuas interessavam-lhe muito!!

O meu blog não é, de facto, uma escultura em mármore de uma menina rechonchuda sem roupa e eu estou longe de ser o Cutileiro. Mas mesmo assim, também escolho falar de temas que me interessam. E, mais cedo ou mais tarde, quem me conhece bem ia começar a estranhar eu não falar de uma característica que me será sempre associada: o meu amor por uma bejeca bem fresquinha, um copo de vinho tinto (ou dois ou três!), uma taça de Champagne (ou espumante que desde que seja bom, eu não sou esquisita).

Gosto de beber cerveja. Numa mesa de café, a acompanhar uma boa conversa com os amigos. Gosto de beber vinho tinto. Às sextas-feiras à noite a ver TV e a comer gelado de chocolate ou tostas com paté. Gosto de beber Champagne. Acompanhada ou sozinha, tanto faz.

Baco era o filho do deus olímpico Zeus e da mortal Semele. Deus do vinho, representava seu poder embriagador, as suas influências benéficas e sociais. Promotor da civilização, legislador e amante da paz.

Grande senhor esse Baco!!!

22 outubro 2006

KS Makhan - Bille Bille Naina Wali

Hoje sinto-me muito em baixo. Isto às vezes acontece-me. Normalmente porque perco a capacidade de sonhar acordada.

Quando assim é, esforço-me por voltar a ter sonhos.

Imagino-me a ir num carro com motorista para um clube em Delhi, depois de ter jantado no Karim´s na parte velha da cidade. Ouvir musica, rodeada pelos previlegiados da India.

ww.bbc.co.uk/radio1/listen
Bobby Friction and Nihal - Radio 1 Asian Beat Show
O meu programa de rádio preferido

20 outubro 2006

Crónica O Gigante e o Anão

Ontem fui à EGP assistir à entrega do Prémio Empreendedor 2006 ao Comendador Américo Amorim.

Num auditório maioritariamente preenchido por homens de fato e gravata, e onde a fila da frente estava ocupada pelo Board of Directors do Grupo Amorim (todos homens, claro, ou havia alguma dúvida em relação a isso??!) ouvi este gigante falar, sem ponta de modéstia, da sua vida e da economia mundial desde o início de uma carreira impressionante.

O Américo Amorim é um colosso. Um senhor espaçoso, com um nariz grande e uma presença que mete medo. Começou por dizer que lhe tinham pedido para falar 45 minutos mas que se tinha decidido ficar pelos 15 porque preferia que lhe fizessem perguntas.

Mas quem é que tem coragem de fazer perguntas ao Américo Amorim? Eu já tinha ido às quintas-feiras à noite da EGP, e da última vez até coloquei uma questão ao orador e muitos alunos do MBA fizeram o mesmo, mas ao Américo Amorim??! Que pergunta podiamos fazer sem que ele se risse porque a pergunta é estúpida e uma perda de tempo?

Também não ajudou ele ter dito que, quando vai de férias, prefere ler o jornal ou um livro a ter conversas inúteis com as pessoas que o rodeiam. Porque o tempo todo que ele tem é para aprender. E se não está a aprender nada….não vale a pena desperdiçar palavras.

A palavra irreverência foi repetida vezes sem conta. Porque é uma característica que falta aos portugueses. Também nos deu uma lição sobre como em Portugal se fala demais. Pelos vistos vivemos no país onde mais tempo se passa a falar ao telemóvel. O parque de estacionamento da Católica também foi criticado. Porque os pais portugueses facilitam muito a vida aos filhos e acabam por estar a criar inúteis.

“Conhecer” o Américo Amorim foi uma surpresa. Eu pensava que não ia gostar nada dele. Mas acabei por concordar com a maior parte das coisas que ele disse.

Quanto a fazer-lhe perguntas, as únicas coisas que eu tinha mesmo vontade de saber eram:

- Sr. Américo Amorim, tendo em conta que começou há 54 anos atrás, acha que se fosse mulher, tinha tido as mesmas oportunidades de viajar para conhecer o mundo e de construir o império que tem hoje?

Ou então:

- Sr. Comendador, o que me tem a dizer sobre a sua reputação de pagar mal aos seus funcionários e de construir um império às custas da miséria dos outros?

Mas não me parece que ele tenha tempo para discussões com feministas comunistas. Ainda se punha a ler o jornal…

18 outubro 2006

Crónica "De que nos queixamos? Até nos deixam votar!"






Estava eu a navegar na internet, à procura de combustível para alimentar um dos meus temas de conversa preferidos – falar mal dos homens – quando descobri que existem 18 tipos de feminismo:


- anarca-feminismo
- ecofeminismo
- feminismo cultural
- feminismo descontrutivista
- feminismo de gênero
- feminismo espiritual
- feminismo francês
- feminismo pop
- feminismo liberal
- feminismo individualista
- feminismo mágico
- feminismo materialista
- feminismo marxista
- feminismo radical
- feminismo de libertação sexual
- feminismo separatista
- feminismo terceiro-mundista
- transfeminismo

Tanto quanto eu sei, só há um tipo de machismo. E a minha conclusão imediata foi a seguinte:

- há só um tipo de machismo mas é tão ruim que precisamos de muitas variantes de feminismo como forma de contra-ataque;
ou
- somos bem mais complexas que os homens.

Eu associo sempre a imagem de uma feminista a uma mulher intelectual, idealista, lutadora e sofredora (Simone de Beauvoir, Emmeline Pankhurst, Virginia Woolf, Maria Teresa Horta…). A imagem que tenho de um machista é de um piolhoso seboso que por ter falta de inteligência usa o facto de ser homem para se dar bem, e ter uma vida mais cómoda – (o Estebes, o Bispo de Braga, o Manuel Ribeiro do JN…).

Uma pesquisa no Google para feminismo, produz uma lista de sites que falam de sufragistas, escritoras, jornalistas…se fizermos a pesquisa para machismo, temos uma série de páginas com anedotas muita básicas…

Já me têm dito que ser feminista é tão mau como ser machista. Eu sou da opinião que, um homem é machista porque é estúpido, ignorante e porque sim. Uma mulher é feminista para se defender dos machistas e porque está farta de ser explorada pelos homens.

Bora aí queimar uns soutiens!!


16 outubro 2006

Da Prateleira Mais Alta da Estante da Minha Mãe


Estou a ler um livro da Simone de Beauvoir pela primeira vez. Estou um bocado desiludida porque estava à espera que fosse mais como um livro do Sartre.
O que é completamente estúpido. Não há motivo nenhum para ela ter escrito como ele. Foi uma associação que eu fiz baseada não sei muito bem em quê.

O livro é da minha mãe e ela leu-o quando era mais nova que eu. Na primeira página ainda diz que que a Simone de Beauvoir mora no Quartier Latin…

A senhora devia ser muito prá frente na altura dela mas agora, um bando de mulheres que fumam, vão dançar à noite sozinhas e têm vários namorados, não me parecem ser um grande exemplo da emancipação das mulheres.

A minha mãe é que devia ser muito para a frente. Não estou a ver o Salazar a deixar a mocidade deste Portugal ler livros de feministas francesas. Vantagens de ser ter nascido na Holanda.

Ainda estou com esperança que o livro melhore. Ainda só li alguns capítulos. Levo alguns livros muito a sério. Hoje adiei a ida ao ginásio e ao cinema para ler. Acontece-me às vezes passar o dia todo a pensar na altura em que vou poder voltar à minha leitura.
É porque não tenho mais nada à minha espera quando chego a casa.
(foto de Henri Cartier-Bresson)

15 outubro 2006

Crónica Os Hábitos dos Outros

Durante mais de 10 anos partilhei apartamentos com flatmates de vários géneros e feitios. Tenho histórias suficientes para dedicar um blog só a este tema. Porque os hábitos dos outros nos parecem sempre estranhos: o que comem, as horas que dormem, os livro que lêem, as relações com as famílias, os namorados(as), os ruídos que fazem, os hábitos de higiene (ou a falta de)…

Uma das minhas ex-flatmates deixou-me mais recordações que todos os outros.

Caracterização geral: Era muito boa aluna e tinha uma cultura geral bastante impressionante. Um bocadinho estouvada. Tinha um metro e meio e pesava 90 quilos. Morria de amores por um vizinho nosso que não a tratava muito bem.

Às quintas-feiras, dia de copos e noitadas para a comunidade estudantil, ela convidava umas amigas lá para casa, emburcava uma garrafa de vodka e ia já bem quentinha abanar as banhas para os bares e discos da cidade de Coimbra. Vestia sempre umas lycras bem apertadas, um ou dois tamanhos abaixo daquilo que a silhueta lhe permitia, com o cabelo pintado de cores estranhas e mais maquilhagem do que as tipas que estão de perna alçada na esquina da rua 41 com a avenida 24.

Por volta das 4 ou 5 da manhã, voltava para casa, batia à porta do meu quarto e sem esperar resposta, entrava. Debruçava-se sobre a minha cama e perguntava-me ao ouvido: "Estás a Dormir?" Enquanto eu recuperava os sentidos, principalmente o olfacto, porque o bafo a álcool era capaz de me pôr a dormir outra vez, ela sentava-se ao fundo da cama. Contava-me as peripécias da noite, queixava-se do vizinho que a ignorava, e pedia-me para lhe tirar dúvidas do foro sexual: “Cláudia, já alguma vez fizeste um broche com preservativo?" (Garanto que esta é a mais soft de todas as perguntas que ela me fez. As outras, nem as podia publicar em tão decente blog como o meu).

Era por volta desta altura que eu perdia a paciência e a mandava para a cama com a promessa de a acordar no dia seguinte com um cházinho para a ressaca.

Também batia à porta do meu quarto depois da visita do tal vizinho mau carácter. Estas visitas normalmente envolviam lágrimas. O gajo tocava à campainha a altas horas da madrugada, ficava uma horita, e depois ia embora. No dia seguinte não a cumprimentava na rua. O que se passava no quarto dela na hora em que ele lá estava, eu não sei. Não consigo dizer se o que ela me contava era verdade ou fruto da imaginação de alguém que procurava amor onde ele não existia. De qualquer forma, não lhe fazia bem à auto-estima.

Não sei de quem era a culpa nesta situação. Se dela que o deixava entrar lá em casa ou dele que não a tratava como uma mulher merece ser tratada. Mas esta situação deixava-me mal disposta.

As pessoas passam pela nossa vida e depois vão embora. Ouvimos e contamos segredos a pessoas que depois nunca mais vemos. A consequência de mudar de casa muitas vezes é nunca ficar a saber o fim da história.

14 outubro 2006

Síndrome Imigrante - Mais um capítulo: A Culpa é das Mães



No último ano que estive em Edimburgo partilhei um apartamento com dois Escoceses. Durante algum tempo tivemos um outro quarto vazio. Decidimos alugá-lo a um Espanhol, advogado, 28 anos, que durante seis meses foi aprender inglês e trabalhar num hotel.

Estava eu e os dois escoceses na cozinha uma noite, quando entra o Espanhol com um cesto de roupa suja. Cláudia, could you teach me how to use the washing machine?!(isto com um sotaque espanhol muito cerrado).De repente, os escoceses largaram tudo, e fixaram os olhos esbugalhados no desgraçado! Depois de lhe ter ensinado essa ciência complicadíssima que é usar uma máquina de lavar a roupa e depois de ele ter saído da cozinha, estive cerca de uma hora a tentar explicar porque é que um homem de 28 anos nunca tinha usado uma máquina de lavar. E acho que mesmo assim eles não perceberam muito bem. Também me pediram para lhes explicar porque é que um homem adulto, financeiramente independente, morava com os pais. Morava com os pais no segundo andar, trabalhava no escritório do pai no rés-do-chão, e a irmã, que era casada e tinha um filho, trabalhava com eles também, e morava no primeiro andar desse mesmo prédio.

Foi mesmo MUITO complicado explicar-lhes que isto é normal em países como Portugal e Espanha. Mas isso não evitou que o rapaz fosse violentamente gozado nos meses que lá esteve. O murcão nunca tinha feito nada em casa.

Obviamente que ele não se aguentou muito tempo longe da mãe, e não chegou a ficar os seis meses em Edimburgo. Tinha saudades do jambon e do chorizo, e voltou para Pamplona.

O facto dos homens portugueses ficarem em casa da mãe até tão tarde é muitas vezes uma questão financeira. Mas muitas vezes é pura preguiça. Porque é que haviam de sair de casa se a mães lhes cozinham, passam a ferro e lavam a roupa? Depois quando casam, a mulher faz-lhes o mesmo.

Os homens portugueses são machistas (e inúteis) porque as mulheres que os educam são machistas também.

Se alguém casar comigo a achar que eu vou fazer a lida doméstica, comprar-lhe as meias, passar camisas a ferro e tratá-lo como se ele fosse atrasado mental, ele que arranje uma empregada doméstica e uma prostituta.

Que eu tenho mais que fazer.

11 outubro 2006

Crónica Sonhar Acordado é Tão Bom

Pior do que ser pouco inteligente, é não ter falta suficiente de inteligência para não me aperceber disso.

Se eu encontrasse o génio da lâmpada, um dos meus desejos seria saber escrever (os outros dois seriam provavelmente uma dispensa cheia de filipinos – as bolachas, não os naturais das Filipinas – e um ginásio no rés-do-chão do prédio).

Tenho tanta inveja de quem consegue escrever o que pensa. Eu penso muitas coisas, mas não as consigo explicar.

Tenho um livro do Mia Couto autografado: “À Cláudia, que sabe quanto dói escrever”. Depois de esperar numa fila da feira do livro de Coimbra, estendi o braço para pedir um autógrafo e o escritor moçambicano perguntou-me porque é que eu tinha uma tala no pulso. E eu respondi que, por escrever muito, tinha ficado com tendinite. Ele sorriu e escreveu a dedicatória na minha cópia do “Cada Homem é uma Raça”. Só não lhe expliquei que tinha o pulso ligado por ter copiado à mão as mais de 2000 páginas do meu livro de contabilidade. Era a única maneira de decorar aquela seca para o exame. A minha dor não tinha nada a ver com escrita criativa…tinha a ver com falta de criatividade.

2 ANOS!!


Parabéns da tia Cacá, Joãozinho!!!

09 outubro 2006

“My Right Hand” – Time, October 2, 2006

Cover article:

“Specialist Hilario Bermanis, 21, had been built like a fullback when he left his home in Micronesia to join the Army. Now he was hunched in a wheelchair, a thick neck and broad shoulders the only reminder of his once muscular body. He had lost his left hand and both his legs above the knee to a rocket-propelled grenade in Baghdad.
Specialist James Fair, 22, had the cruelest of all fates; not only had he lost his sight, he had no hands for Braille or a cane. Still recovering from a brain injury in late December, he was wheeled into OT for sensory perception tests. He rolled his head back and forth, unresponsive to the therapists.”

Why do America youngsters join the army? Were they promised to be welcomed by 72 virgins in heaven?

08 outubro 2006

Sunday Morning Liquid Detox


Detox Juice:
5 Carrots
4 stalks Celery
4-5 leaves Spinach
1/4 head Cabbage
3 sprigs Dill
1 Lemon (no rind)

07 outubro 2006

Crónica "O Shoping é o Ópio da Cláudia"



Sim, eu gosto de falar de comida. Depois de falar sobre mim própria, é o meu assunto preferido (e o tamanho do meu traseiro, confirma-o). Estes são dois assuntos que me ocupam bastante tempo…e o outro é fazer compras. Ou melhor dizendo, tentar fazer compras. Passo HORAS nas lojas e nunca compro nada. Não tenho jeito nenhum. É um combinar de falta de jeito com falta de gosto. Quando vejo uma miúda toda catita pergunto-me sempre: Como é que ela faz aquilo??

Já tentei dar a volta a este handicap de várias formas: vestir-me toda de preto e assim evitar ter que combinar cores, vestir-me com cores mas todas muito pardas, vestir cores muito garridas e assim dar a entender que, apesar das cores não darem umas com as outras, foi de propósito…

Está na hora de assumir o meu mau gosto. Sim eu gosto de sandálias brancas com flores vermelhas e borboletas azuis!! Camisolas cor-de-laranja com riscas brancas! Blusas vermelhas e verdes!! Túnicas que me fazem parecer o Demis Roussos, calças um tamanho acima e de preferência cor de beringela. T-shirts velhinhas, velhinhas, quase em estado de desintegração! Sapatos com buracos na sola (porque sapatos novos são muito desconfortáveis).

Hoje vou à festa de despedida do meu “miguinho” Miguel. Eu queria ir apresentável. Afinal de contas é o meu melhor amigo e vai estar longe de mim quatro anos. Fui ao shopping com a ideia de comprar uma fatiota própria de uma senhora respeitável de quase trinta anos. Com acessórios discretos, cores pastel e materiais agradáveis ao toque. Afinal, a ocasião merecia o esforço.

Não preciso descrever o que veio no saco das compras, pois não?? É isso mesmo: o avental de uma mulher-a-dias dos anos sessenta.

Não faz mal…

05 outubro 2006

Crónica “Um jarro de vinho verde e uma sandes de presunto”

Penso que esteja na altura de revelar os sintomas do Sindrome Imigrante – Lá Fora É Tudo Melhor, mesmo correndo o risco de ferir susceptibilidades e até o ego do português orgulhoso deste cantinho à beira mar plantado.

- 1º Sintoma: a comida portuguesa não é a melhor do mundo e há, de facto, países em que se come melhor que aqui (obviamente não me refiro ao Reino Unido, onde se deve comer pior do que em qualquer parte do mundo, com excepção talvez, dos Estados Unidos). Sempre que ouço “em lado nenhum se come tão bem como em Portugal” eu passo-me da cabeça. Obviamente que o farnel a que estamos habituados nos vai saber melhor que qualquer outro, cozinhado com métodos, ingredientes e de apresentações diferentes. Mas por ser diferente, quer dizer que é pior?

Ainda estou para perceber o interesse de um cozido à portuguesa: esse requintado prato tipicamente português que mais não é q um monte de carne gordurosa, enfiada com pouca arte numa panela, com meia dúzia de cenouras e algumas folhas de couve.

Não me interpretem mal, eu gosto muito da culinária portuguesa, mas garanto-vos que qualquer estrangeiro critica a comida do país que visita ou se não o faz, continua a achar que “É bom mas na minha terra é melhor”.

Na Escócia conheci umas tipas gregas que, quando iam de férias à terra, até sal para temperar traziam na mala de volta!!!!!!!! Diziam que sabia melhor que o sal inglês. Durante o meu período de acasalamento com um escandinavo, perdi conta às vezes que fui ao IKEA. E não fui comprar mobília porque não tinhamos onde a pôr. Íamos à secção de comida!! Porque as bolachas e o salmão fumado sueco são melhores que o britânico!!!!!! Pffffffffff! Que treta!!!!!!!! Os inglêses expatriados (que imigram para países com mais sol) chegam a levar Hovis, que é um pão de forma nojento, tipo panrico, cheio de químicos e que nem se devia chamar “pão” de tão diferente que é dessa mistura de farinha, água e sal que se me acumula nas ancas, de tanto que tenho comido desde que regressei.

O que eu estou a tentar dizer é, bem, já perceberam...

Há umas semanas atrás tive o prazer de ir muito bem acompanhada a Melgaço, comer um sandes de presunto e beber um jarro de vinho verde. Ai que fiquei tão bem disposta. E não só por causa do binho!! Fiquei bem disposta porque, como gaja simples que sou, estes pequenos prazer da vida, são por vezes suficientes para eu me lembrar porque estou de volta.

Mas voltando ao assunto anterior...

Um outro sintoma deste síndrome é eu estar-me sempre a passar da cabeça por não haver um único restaurante com opções vegetarianas. Ai! Que as minhas veias vão entupir com tanta carne que ando a comer!!!!!!!!!! Mas isto é completamente estúpido. Nunca houve nem nunca vai haver opções vegetarianas nos restaurantes portugueses (até porque, homem que é homem não come legumes, que isso é para maricas). Eu sei disso, mas mesmo assim não consigo parar de reclamar e de ter imensas saudades de uma caril de legumes, servida com uma salada e um arrozinho branco!!!


Próximo episódio: “Como tive que explicar aos Britânicos que o homem português com mais de 25 anos não sabe por a máquina a lavar e é a mãe que lhe compra as meias.”

04 outubro 2006

Crónica Opel Corsa Swing

Comprei um carro. Não foi porque quisesse mesmo ser proprietária de um. Foi apenas para ter alguma qualidade de vida.

Comprei-o em segunda mão, com 9 anos de estrada e muitos quilómetros. Como se está mesmo a ver, não tive que pagar muito pelo “privilégio” de ter este meio de transporte sempre ao meu dispor (e eu que sou tão apologista do transporte público!).

Na noite antes de fazer a compra, estava já deitada na cama, quando me pus a pensar. Pela primeira vez ia ser proprietária. Nunca tinha comprado nada que me tivesse custado mais do que 100 euros – o meu leitor de DVDs (resolvi excluir peças de vestuário porque…porque sim e porque não duram muito; considerei-as como bens perecíveis no curto prazo).

Tenho 29 anos. Não tenho casa nem poupança reforma. Não tenho faqueiro de prata, tachos em aço inoxidável, nem serviço de pratos Vista Alegre. Não tenho electrodomésticos, sistema de som, sofás a combinar com os cortinados, ferro de engomar, conjuntos de lençóis bordados, toalhas de banho felpudas. Nunca comprei um telemóvel ou uma televisão (e agora estão todos a pensar porque é que eu comprei um leitor de DVDs sem ter comprado uma TV!). Não tenho filhos. Não tenho a responsabilidade de ter que pagar dívidas.

Não gostei nada da sensação de comprar um carro. Aquela coisa pode avariar, precisar de mudar o óleo, ir a revisões. Ai que trabalheira!!! Tenho a certeza que isto me vai causar daqueles pesadelos em que se me apodrecem os dentes todos e se esfarelam dentro da boca. E que me obrigam, a meio da noite, ir ver ao espelho se ainda tenho alguma coisa presa às gengivas.

Humpf!!

01 outubro 2006

Delhi

É difícil dizer se gosto ou não de Delhi. É caótico, sujo, desorganizado. As pessoas tratam da higiene pessoal na rua, comem na rua, cagam e mijam na rua, cozinham na rua, trabalham na rua…Há imensos deficientes a arrastarem-se pelo chão, crianças a pedir, gente incrivelmente suja. Por outro lado as mulheres usam saris lindíssimos e há cores por todo o lado. No Chandi Chowk vimos um senhor a fazer yoga no meio do caos e do barulho. Há mesquitas ao lado de templos sikh e de igrejas cristãs. Estou a ver um mundo que não sabia que existia. Sinto-me feliz por ser Europeia. Que sorte tenho e nunca me tinha apercebido. Tenho a certeza que nunca me habituaria à vida de cá.

Hoje comecei a chorar quando uma criança me pedia esmola. E quando cheguei ao hotel a minha única preocupação eram as baratas. Ainda chorei mais. Por ter baratas a passear no meu quarto e por não saber o que sentir em relação à pobreza. Parece que não temos mais nada a fazer a não ser aceitar o estado do mundo. E aceitar o facto de que vou ter que passar a noite rodeada de baratas.

06/03/2006

30 setembro 2006

Himmel über Berlin (1987)


Gott weiß ich will kein Engel sein

Why am I me, and why not you?
Why am I here, and why not there?
When did time begin, and where does space end?
Is life under the sun not just a dream?
Is what I see and hear and smell not just an illusion of a world before the world?
Given the facts of evil and people. does evil really exist?
How can it be that I, who I am, didn’t exist before I came to be, and that, someday, I, who I am, will no longer be who I am?

Warum bin ich ich und warum nicht du?
Warum bin ich hier und warum nicht dort?
Wann begann die Zeit und wo endet der Raum?
Ist das Leben unter der Sonne nicht bloß ein Traum?
Ist was ich sehe und höre und rieche nicht bloß der Schein einer Welt vor der Welt?
Gibt es tatsächlich das Böse und Leute, die wirklich die Bösen sind?
Wie kann es sein, daß ich, der ich bin, bevor ich wurde, nicht war, und daß einmal ich, der ich bin, nicht mehr der ich bin, sein werde?

Peter Handke

29 setembro 2006

Crónicas Lusas

Sempre gostei de escrever e-mails muito longos aos meus amigos. Adoro falar sobre mim e sobre a minha vida. É um assunto que me interessa e sobre o qual tenho sempre qualquer coisa a dizer. Deve ser por isso que quando, numa entrevista de emprego, me fazem a pergunta “Fale-me de si”, eu esboço um sorriso e penso “esta gaja está fudida” . Eu sou capaz de falar ininterruptamente sobre mim durante 45 minutos (e se calhar é por isso que estou desempregada – quem é q quer uma egocêntrica como colega de trabalho?). Se me pedem para falar sobre a evolução do preço do barril de petróleo, aborreço-me e até sou capaz de dizer q agora “deve estar por volta dos 5 euros”. São coisas que desconheço e que não me interessam. Agora, a mim própria, conheço eu bem e é tema que merece muitas horas de dedicação e reflexão (mesmo as horas em que devia estar a dormir).

Quando fui para a Inglaterra, faz agora 4 anos e 4 meses, escrevia crónicas. Para não perder contacto dos meus amigos e para que soubessem o que andava a fazer naquela cidade (Reading) que era uma das localidades mencionadas num livro entitulado “Britain´s worse shit holes”, ou algo semelhante. Tentava pôr-lhes algum humor para não aborrecer o leitor. E avisava sempre que quem não tem tempo para patetices, podia não ler o email, que não perdia grande coisa.

Durante 3 anos nunca mais escrevi crónicas. Só as consigo escrever quando me sinto feliz. De contrário, saem-me negras. E para desgraças, basta ver a hora e quinze minutos de notícias com que os canais portugueses nos fustigam todos as noites à hora de jantar.

Estou de volta a Portugal. Fartei-me de ver o tempo a passar e achei que em Portugal ia ter uma vida mais a sério (o que quer que isso seja). Mas voltei a Portugal com o Síndrome Imigrante – Lá Fora É Tudo Melhor. Ando-me a passar violentamente da cabeça. Só me restam os pequenos consolos que este país me proporciona e que infelizmente só dão satisfação temporária de curta duração: lanchar uma meia de leite morna e escura com um croissant, beber finos a um euro, ver passar machos latinos de cabelo compridote e pele cor de azeitona, comer folhados de carne ao almoço, sentir o sol aquecer-me as costas.

Começo a duvidar que consiga ser feliz aqui também. Ando a descobrir que o motivo da minha infelicidade não era geográfico.

Queria dedicar a minha primeira crónica lusa aos meus amigos que, se calhar sem se aperceberem, tomaram conta de mim neste primeiro mês. Não sei o que tería feito sem esses miminhos.


Para deixar de receber estas crónicas por favor faça reply e escreva “Não Tenho Tempo Para Estas Merdas” no campo do assunto.

Maracujá

Maracujá - Valor Nutricional por 100 gramas:
Calorias: 90
Hidratos de Carbono: 21 gr
Lípidos: vestígios
Proteinas: 0.2 gr
Rico em potássio e vitamina C