Quando andava no primeiro ano da escola primária, ficava toda contente quando a professora nos dizia que podíamos tirar as fichas de Religião e Moral da pasta. Era altura de pintar e eu adorava marcadores e lápis de colorir. Pintava anjinhos, senhores de barba vestidos com túnicas, estrelas, reis magos…
Em anos mais avançados, as fichas de Religião e Moral não eram apenas para colorir. Já sabíamos escrever e a ficha da semana antes do Natal tinha também umas linhas no fundo da folha. Tínhamos que escrever uma composição com os nossos pedidos de Natal a deus. “O que quero pedir a deus este natal? Eu não sei que tipo de coisas se pede a deus!”
Aos meus pais tinha pedido a cozinha das Barriguitas e roupinhas para as vestir, mas havia qualquer coisa que me dizia que não era bem bonecas que eu devia pedir a deus. Olhei à minha volta e estava tudo empenhado a escrever a composição. Tinha as palmas das mãos transpiradas e o coração a bater com tanta força que tinha medo que se ouvisse no silêncio da sala. “Não sei o que escrever!”. Foi a primeira vez que copiei. Inclinei-me para a esquerda e li o que a S. estava a pedir a deus. “Quero que Ele me dê amor e paz para a minha família e para todos”, ou assim qualquer coisa semelhante. Quero que Ele me dê….Ele com E maiúsculo! Eu copiei letra por letra, para não cometer nenhuma falha. Entreguei a ficha à professora com as mãos a tremer e com a sensação que era mentirosa e hipócrita.
Passei o resto da manhã com o coração apertadinho e muito mal disposta. Porque não tinha tido coragem de dizer que não queria, nem tinha que escrever a composição.
Em anos mais avançados, as fichas de Religião e Moral não eram apenas para colorir. Já sabíamos escrever e a ficha da semana antes do Natal tinha também umas linhas no fundo da folha. Tínhamos que escrever uma composição com os nossos pedidos de Natal a deus. “O que quero pedir a deus este natal? Eu não sei que tipo de coisas se pede a deus!”
Aos meus pais tinha pedido a cozinha das Barriguitas e roupinhas para as vestir, mas havia qualquer coisa que me dizia que não era bem bonecas que eu devia pedir a deus. Olhei à minha volta e estava tudo empenhado a escrever a composição. Tinha as palmas das mãos transpiradas e o coração a bater com tanta força que tinha medo que se ouvisse no silêncio da sala. “Não sei o que escrever!”. Foi a primeira vez que copiei. Inclinei-me para a esquerda e li o que a S. estava a pedir a deus. “Quero que Ele me dê amor e paz para a minha família e para todos”, ou assim qualquer coisa semelhante. Quero que Ele me dê….Ele com E maiúsculo! Eu copiei letra por letra, para não cometer nenhuma falha. Entreguei a ficha à professora com as mãos a tremer e com a sensação que era mentirosa e hipócrita.
Passei o resto da manhã com o coração apertadinho e muito mal disposta. Porque não tinha tido coragem de dizer que não queria, nem tinha que escrever a composição.














