27 outubro 2010
25 outubro 2010
11 outubro 2010
28 setembro 2010
Kathmandu
Hoje foi dia de visita cultural para amanha comecar a aventura pela natureza. Visitamos templos e palacios. No final um crematorio Hindu que me deixou muito chocada. Nao sei se e' cultural mas chocou me imenso ver centenas de turistas a fotografar funerais. Vimos familias a colocar os corpos dos familiares a arder para depois serem lancados ao rio. O fogo e a agua a purificar as almas antes de ir para o alem. E centenas de turistas a fotografar. E se fosse o funeral de um familiar nosso? Um murro era provavelmente o que levava no nariz quem se atrevesse a fotografar o evento. Mas longe de casa os turistas perdem nocao da dor dos outros. Ou sei la'. Se calhar sou eu que nao percebo nada.
Agora vou namorar e descancar para o sossego do hotel.
Finalmente Kathmandu
Cheguei a Kathmandu ontem, muito cansada depois de 24 horas de viagem.
A primeira impressao foi a de um India menos caotica (por ser uma cidade mais pequena que Delhi) mas mesmo assim muito desorganizada.
Ficamos no hotel a descancar e saimos apenas para comprar fruta que depois comemos na varanda do quarto.
Dormi dez horas e o Claudio ainda dorme!!
Hoje vamos fazer a visita a cidade com um guia. Esta a agradar-me imenso ter motorista e guia para tudo. Perde-se algo mas ganha-se um descanso grande. Ja tenho menos paciencia para ferias onde tenho que me desenrascar sozinha no meio do caos.
A primeira impressao foi a de um India menos caotica (por ser uma cidade mais pequena que Delhi) mas mesmo assim muito desorganizada.
Ficamos no hotel a descancar e saimos apenas para comprar fruta que depois comemos na varanda do quarto.
Dormi dez horas e o Claudio ainda dorme!!
Hoje vamos fazer a visita a cidade com um guia. Esta a agradar-me imenso ter motorista e guia para tudo. Perde-se algo mas ganha-se um descanso grande. Ja tenho menos paciencia para ferias onde tenho que me desenrascar sozinha no meio do caos.
28 julho 2010
Solidão
«My mother said that my first word was “alleine” which means alone. Leave me alone.» Lucian Freud
Vergonha
Vergonha:
"A vergonha manisfesta-se fisicamente de diversas formas. Podemos esconder os olhos, baixar o queixo, corar, morder os lábios ou a língua. Mostrar um sorriso forçado. Outras reacções podem incluir irritação, atitude defensiva, o exagero ou a negação. Porque a vergonha interfere com a nossa capacidade de pensar, o individuo pode sentir-se confuso, sem palavras ou com a mente em branco."
Eu não tenho vergonha de nada.
"A vergonha manisfesta-se fisicamente de diversas formas. Podemos esconder os olhos, baixar o queixo, corar, morder os lábios ou a língua. Mostrar um sorriso forçado. Outras reacções podem incluir irritação, atitude defensiva, o exagero ou a negação. Porque a vergonha interfere com a nossa capacidade de pensar, o individuo pode sentir-se confuso, sem palavras ou com a mente em branco."
Eu não tenho vergonha de nada.
09 abril 2010
Nossa truculência - Clarice Lispector
Quando penso na alegria voraz
com que comemos galinha ao molho pardo,
dou-me conta de nossa truculência.
Eu, que seria incapaz de matar uma galinha,
tanto gosto delas vivas
mexendo o pescoço feio
e procurando minhocas.
Deveríamos não comê-las e ao seu sangue?
Nunca.
Nós somos canibais,é preciso não esquecer.
E respeitar a violência que temos.
E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo,
comeríamos gente com seu sangue.
Minha falta de coragem de matar uma galinha
e no entanto comê-la morta
me confunde, espanta-me,
mas aceito.
A nossa vida é truculenta:
nasce-se com sangue
e com sangue corta-se a união
que é o cordão umbilical.
E quantos morrem com sangue.
É preciso acreditar no sangue
como parte de nossa vida.
A truculência.
É amor também.
com que comemos galinha ao molho pardo,
dou-me conta de nossa truculência.
Eu, que seria incapaz de matar uma galinha,
tanto gosto delas vivas
mexendo o pescoço feio
e procurando minhocas.
Deveríamos não comê-las e ao seu sangue?
Nunca.
Nós somos canibais,é preciso não esquecer.
E respeitar a violência que temos.
E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo,
comeríamos gente com seu sangue.
Minha falta de coragem de matar uma galinha
e no entanto comê-la morta
me confunde, espanta-me,
mas aceito.
A nossa vida é truculenta:
nasce-se com sangue
e com sangue corta-se a união
que é o cordão umbilical.
E quantos morrem com sangue.
É preciso acreditar no sangue
como parte de nossa vida.
A truculência.
É amor também.
Etiquetas:
Filosofias de vida a adoptar,
Leituras
24 março 2010
Natureza Claudipédia
Optei por ser mais flores e tons pastel. Pode ser inconstância ou apenas gosto pela renovação. Como os clientes de uma certa loja de móveis, que renovam a casa a cada estação. Agora já nada fica igual por muito tempo. Na minha casa, a sala foi decorada com cores escuras pois é onde estou de noite a jantar com amigos. As cores escuras ligam mais as pessoas, incentivam a discussão de temas que animam um serão. Como se se tratasse de um pub inglês ou um bruin café holandês. Serve também de espaço de lazer quando estou só e preciso de me sentir num lugar que me aconchega. Sempre consegui pensar melhor em locais sombrios. Em Coimbra, estudava num quarto quase às escuras, iluminava os livros apenas com uma lâmpada de secretária. Como se a escuridão do quarto e a luz reservada apenas à circunferência que o candeeiro de estudo criava sobre o tampo da mesa, me obrigassem a concentrar no que era importante, sem as distrações dos outros elementos daquela divisão.
O quarto da minha casa foi pensado para ser o oposto. Com luz, cores claras, tecidos bege e brancos. É onde durmo e traz-me assim sonhos bonitos. Acordo de manhã envolvida pelas pétalas de uma flor amarela do campo. A esperança de começar o dia de bem com a vida.
Não tenham ilusões. Continuo a ser a Cláudipédia a preto e cinzento. Pois se há quem veja sempre céu limpo e sol radiante mesmo com o temporal que assola o mundo, eu continuo a ver as núvens a passar.
Bricolage
Objectivo: Colocar na parede do meu quarto as duas gravuras da Angie Lewin que comprei num museu em Londres.
Passo 1: cortar as gravuras para caberem nas molduras que comprei na IKEA. Se as gravuras me custaram duas libras e meia cada, não vou ter despesas superiores a esse valor para mandar fazer uma moldura à medida. Com uma tesoura bem afiada o passo 1 é completado com sucesso.
Passo 2: fazer dois furos na parede de forma a que as molduras fiquem alinhadas. Decidir a que altura coloco as molduras: 60 cm a partir do tecto. Fazer a marca a lápis onde vou pregar o prego. A primeira marca fica demasiado para a esquerda. Faço outra marca mais para a direita. Martelo o prego que encontro na garagem. O prego entorta. Lembro-me que este prego tinha vindo com a cómoda que foi montada quando me mudei para esta casa e portanto era apropriado apenas para madeira. Escolho outro prego. Apercebo-me que martelei na marca a lápis errada. Fico com vontade de bater com a cabeça na esquina da mesinha de cabeceira. Desta vez na marca certa, volto a martelar apenas para me aperceber que o prego era demasiado grosso e comprido. Vou de novo à garagem, olho para a caixa das ferramentas. Descubro "pregos fáceis". Deslizam como manteiga. Penduro o primeiro quadro. Faço outra marca a lápis. Martelo o segundo prego fácil. Coloco a moldura número dois. Fica demasiado alta em relação à outra, mesmo tendo usado a fita métrica. Retiro o prego e coloco outro mais baixo. Coloco os dois quadros em cima de cada um do seu prego fácil. Sento-me na cama irritada com o buraco que ficou no meio dos dois quadros. Em vez das gravuras só consigo ver o dano que causei à parede. Começa a sair-me fumo negro pelas orelhas. Amuo. Acende-se um fusível e lembro a lata de tinta amarela que ficou guardada na garagem após a casa ter sido pintada.
Passo 3: Cobrir o buraco causado pelo primeiro prego. Com uma colher de sobremesa, retiro da lata uma noz de tinta amarela que coloco num pedaço de cartão. Tapo o buraco com a tinta espessa que, mais parecendo uma massa, disfarça o buraco e devolve a cor à parede no meio dos quadros. Sinto-me feliz. Vou poder acordar a olhar para flores mesmo não tendo habilidade para a bricolage.
22 março 2010
18 março 2010
Opa Vellekoop
Esta moldura está no quarto da minha tia. É o avô da minha mãe - e da minha tia, claro - o Opa Vellekoop. É uma foto de quando era um homem novo. Mas a minha tia não o conheceu assim e a minha mãe não se lembra dele porque ele morreu nos primeiros meses de 1945, antes do fim da segunda guerra mundial, de pneumonia. Mas ele conheceu bem a minha mãe porque viveu na casa da familia delas, no piso de cima. Ele e a sua segunda mulher - que a minha tia chamava "tia Annie". A primeira, a avô da minha mãe e tia, morreu no fim de 1929 ou início de 1930, no primeiro ano do casamento dos pais delas.
A minha tia também tem uma foto da avó, tirada na mesma altura desta foto. Sempre entendeu que não era uma mulher muito simpática - os pais delas não falavam muito sobre ela. Mas as crianças têm as suas antenas, e a minha tia não tem certeza de como ela realmente era. E porque não pode ficar esquecida, colocou a foto dela ao lado da foto do Opa Vellekoop. Não tem o direito de os separar.
O Opa Vellekoop era um homem muito amável. Muito simpático para os netos. A minha tia conta que gostava de ir para os quartos de cima, sentar-se no colo dele e ficar a ver o que fazia: cozinhar - lembra-se de o ver fazer bolachas, preparar mexilhões. Cozinhava de tudo, coisas que a minha tia não sabe o nome em inglês. A minha tia também gostava de o ver a tocar violino. Até ao dia de hoje ainda guarda a mesa que ele lhe ofereceu no seu segundo aniversário. Nos últimos anos, tem a TV em cima dessa mesa.
A minha tia também tem uma foto da avó, tirada na mesma altura desta foto. Sempre entendeu que não era uma mulher muito simpática - os pais delas não falavam muito sobre ela. Mas as crianças têm as suas antenas, e a minha tia não tem certeza de como ela realmente era. E porque não pode ficar esquecida, colocou a foto dela ao lado da foto do Opa Vellekoop. Não tem o direito de os separar.
O Opa Vellekoop era um homem muito amável. Muito simpático para os netos. A minha tia conta que gostava de ir para os quartos de cima, sentar-se no colo dele e ficar a ver o que fazia: cozinhar - lembra-se de o ver fazer bolachas, preparar mexilhões. Cozinhava de tudo, coisas que a minha tia não sabe o nome em inglês. A minha tia também gostava de o ver a tocar violino. Até ao dia de hoje ainda guarda a mesa que ele lhe ofereceu no seu segundo aniversário. Nos últimos anos, tem a TV em cima dessa mesa.
With many thanks to my aunt Anneke. I really love your stories.
17 março 2010
15 março 2010
12 março 2010
Marcas do catolicismo no Português
Contam-se pelos dedos da mão os casamentos que assisti numa igreja. Não tenho muito conhecimento do que poderá ser um sermão típico de um padre. Mas espero que não sejam todos como o último para que me convidaram. Começou-se a falar de divórcio. Não da união de duas pessoas que se amavam e queriam constituir família, ser felizes e pensar num futuro juntos com o consetimento do deus em que acreditavam. O padre decidiu iniciar a cerimónia a falar e dar a pensar nas tentações e perguiças que podem levar um casal a pensar no divórcio. Aquele padre optou por celebrar o casamento de um rapaz com um rapariga de vinte e três anos a lembrar tudo o que podia correr mal. Não os lembrou que aquele era um dia feliz mas alertou-os "tenham cuidado que se não se esforçarem ainda se divorciam. E isso é que não pode ser que deus castiga e fica zangado com vocês. Não é o esforço para serem felizes que interessa aqui, é o esforço para não cairem em tentação e fazerem algo que vai contra a vontade de deus" Que inicio negativo para duas pessoas que tinham começado a pensar na felicidade juntos.
Uns meses depois liguei o radio e falava-se da educação sexual obrigatória nas escolas. A filha da locutora tinha tido a primeira aula de educação sexual e falou-se de ...tcharam!!!! SIDA! A primeira coisa que a turma daquela escola ouviu a professora falar sobre sexualidade foi...o que pode correr mal, o lado negativo. "Vamos assustar estas criancinhas e dar uma conotação negativa ao sexo porque é isso que vai ser bom para elas!" Medo, tenham muito medo!! O sexo é uma coisa terrível que causa doenças.
E é este o legado que o catolicismo deixou nos portuguêses. Somos negativos, deixamos o medo criar obstáculos. Não há abertura para falar do lado bom das coisas e depois alertar para os cuidados a ter na vida.
Vivemos com esta sombra medieval da opressão católica. Ainda temos medo de falar da felicidade, de tudo o que vai correr bem mesmo que alguma coisa pode correr mal, de ter abertura para falar de sexo, que não é mau nem sujo nem serve apenas para apanhar doenças.
Ainda se continua a reinar pelo medo quando ensinar a esperança nos podia levar bem mais longe.
05 janeiro 2010
E agora para algo completamente nojento
Hoje regressei ao ginásio.
Cheguei a casa toda transpirada, o que é bom sinal. Mas ao despir-me para tomar banho, reparei que a minha roupa não cheirava ao meu suor, mas sim a um conjunto de suores desconhecidos. O que não é muito bom sinal...
Cheguei a casa toda transpirada, o que é bom sinal. Mas ao despir-me para tomar banho, reparei que a minha roupa não cheirava ao meu suor, mas sim a um conjunto de suores desconhecidos. O que não é muito bom sinal...
04 janeiro 2010
Trautear
Agora que somos adultas, vejo nas minhas amigas de infância, as mães delas.
Hoje dei por mim a trautear na cozinha, depois de um de um dia solitário passado em casa. Cantarolava a mesma música que tantas vezes ouvi a minha mãe cantarolar. Era bom ouvi-la ao longe, enquanto fazia qualquer coisa sozinha pela casa.
Herdei da minha mãe uma forma de espantar o vazio. E vamos trauteando as duas algo agradável, para afastar o tempo que passa devagar e solitário.
03 janeiro 2010
Age of Enlightenment and Comic Books
Nos meses que vivi em casa do meu tio em 1997, aprendi muita coisa. Ele ensinou-me muito sobre a minha família, sobre o que é importante e o que podia ser diferente na minha vida. Levou-me com ele muitas vezes ao ballet, a concertos e a museus e deu-me livros para ler. Descobri nesse ano que tinha vivido até então num mundo muito pequenino e que ia ter que me esforçar para saber mais.
Como prenda de despedida, levou-me com ele a Berlim. No segundo dia fomos a uma loja de Livros de Banda Desenhada e deu-me alguns marcos (acho que 50 ou 100 mas não tenho a certeza porque já nem sei quanto é que isso vale). Eram dois pisos de perdição. Tinha sido nesse ano apresentada à Banda Desenhada e nunca tinha tido tanta escolha na minha vida. Porque não conhecia livros de Banda Desenhada para além do Asterix e porque nunca tinha tido a oportunidade de gastar dinheiro em livros só para mim, para além dos escolares.
Estava dentro da loja em estado de irritante indecisão. Pegava e largava sem saber o que comprar. "Já decidiste o que vais levar?" perguntou o meu tio. "Compro este". Só esse? Pegaste em tantos livros e demoraste tanto tempo..." Respondeu-me zangado. "Não sou capaz de gastar o dinheiro todo"
Saí da loja com o suficiente para me ocupar umas tardes de leitura.
Demorou algum tempo até voltar a poder sair de uma livraria com o que queria e ainda mais tempo para voltar a ler livros de Banda Desenhada.
Não é nada de especial, mas é um passatempo meu. E ficou decidido que em 2010 ia voltar a fazer o que gosto.
Desde que fui viver uns meses com o meu tio que me tenho esforçado para aprender coisas novas. Não aprendi muito desde então, mas sei que há mais para além do que está imediatamente à minha volta. Pode não ser muito, mas são estas coisas pequeninas que tenho como passatempos, que me fazem sentir bem. Porque das grandes, já desisti.
Como prenda de despedida, levou-me com ele a Berlim. No segundo dia fomos a uma loja de Livros de Banda Desenhada e deu-me alguns marcos (acho que 50 ou 100 mas não tenho a certeza porque já nem sei quanto é que isso vale). Eram dois pisos de perdição. Tinha sido nesse ano apresentada à Banda Desenhada e nunca tinha tido tanta escolha na minha vida. Porque não conhecia livros de Banda Desenhada para além do Asterix e porque nunca tinha tido a oportunidade de gastar dinheiro em livros só para mim, para além dos escolares.
Estava dentro da loja em estado de irritante indecisão. Pegava e largava sem saber o que comprar. "Já decidiste o que vais levar?" perguntou o meu tio. "Compro este". Só esse? Pegaste em tantos livros e demoraste tanto tempo..." Respondeu-me zangado. "Não sou capaz de gastar o dinheiro todo"
Saí da loja com o suficiente para me ocupar umas tardes de leitura.
Demorou algum tempo até voltar a poder sair de uma livraria com o que queria e ainda mais tempo para voltar a ler livros de Banda Desenhada.
Não é nada de especial, mas é um passatempo meu. E ficou decidido que em 2010 ia voltar a fazer o que gosto.
Desde que fui viver uns meses com o meu tio que me tenho esforçado para aprender coisas novas. Não aprendi muito desde então, mas sei que há mais para além do que está imediatamente à minha volta. Pode não ser muito, mas são estas coisas pequeninas que tenho como passatempos, que me fazem sentir bem. Porque das grandes, já desisti.
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