
Quando era pequena tinha imensas bonecas. Mas não tinha a que mais queria: a Barbie. A minha mãe, lá em casa, sempre fez “campanha anti-Barbie”. Os ensinamentos feministas começaram subtilmente cedo! Não gostava da boneca porque era um símbolo daquilo que não queria que as filhas ambicionassem ser. Para além disso, a minha mãe achava que a boneca transmitia às raparigas novas um ideal de beleza em que ela não acreditava. Porque verdadeiramente importante é a beleza que vem de dentro! No fundo, a minha mãe achava a boneca feia, desproporcionada e fútil.
Quando tinha uns sete anos, mais coisa menos coisa, a minha mãe foi visitar a família à Holanda e levou-me a mim e às minhas duas irmãs. Antes de irmos, o meu pai deu-nos dinheiro. E só a nós cabia a decisão de como o íamos gastar!
Fomos ao Bijenkorf em Amsterdam, a Department Store que ainda hoje é a preferida da minha mãe. As minhas irmãs foram procurar alguma coisa em que gastar o dinheiro delas. Como eram mais velhas que eu, suponho que o tenham gasto em roupa, mas não me lembro. Eu, que me aborrecia a fazer compras, fiquei horas a subir e descer escadas rolantes!! Até que…chegámos à secção dos brinquedos. E lá estava ela, numa prateleira muito alta, enfiada numa caixa cor-de-rosa: a Barbie!! Pus a mão ao bolso, contei as notas que o meu pai me tinha dado e descobri que tinha o suficiente para levar a boneca comigo. Fiquei ali parada, a olhar para cima, para aquela prateleira tão alta, de ombros caídos e cara angustiada, a ganhar coragem para dizer à minha mãe que sabia como queria gastar o meu dinheiro. Sentia uma bola no estômago e um nó na garganta. Porque sabia que o que pretendia fazer ia contra a vontade da minha mãe. – “Mamã, eu sei que não gostas muito mas eu queria mesmo ter uma Barbie e o dinheiro que o papá me deu dá para comprar uma que está ali em cima! A minha mãe sorriu, olhou para as minhas irmãs, que também tinham reparado que eu estava constrangida, e foram todas comigo ver a prateleira das Barbies. Nesse dia fui para casa do meu tio com um sorriso enorme na cara. Agarrada a uma caixa com uma Barbie de cabelos encaracolados e um vestido roxo!! E a minha mãe não mostrou ódio nenhum ao meu brinquedo preferido. Até costurou uns fatos de saia-casaco iguais ao que costurava para ela própria. E eu adorava ter uma Barbie que se vestia como a minha mãe. Colar de pérolas e tudo!
É incrível que até ao dia de hoje continuo a ter imensas dificuldades em contar à minha mãe que quero fazer coisas que sei que ela não gosta. E ainda sinto um nó na garganta quando tenho de o fazer. Como há umas semanas atrás, quando tive que lhe contar que não ia dormir a casa nessa noite. Mesmo depois de ter morado dez anos fora de casa dos meus pais. Mesmo sabendo que somos de gerações diferentes e que não concordamos em tudo. Mesmo sabendo que ela também sabe isso.
Fomos ao Bijenkorf em Amsterdam, a Department Store que ainda hoje é a preferida da minha mãe. As minhas irmãs foram procurar alguma coisa em que gastar o dinheiro delas. Como eram mais velhas que eu, suponho que o tenham gasto em roupa, mas não me lembro. Eu, que me aborrecia a fazer compras, fiquei horas a subir e descer escadas rolantes!! Até que…chegámos à secção dos brinquedos. E lá estava ela, numa prateleira muito alta, enfiada numa caixa cor-de-rosa: a Barbie!! Pus a mão ao bolso, contei as notas que o meu pai me tinha dado e descobri que tinha o suficiente para levar a boneca comigo. Fiquei ali parada, a olhar para cima, para aquela prateleira tão alta, de ombros caídos e cara angustiada, a ganhar coragem para dizer à minha mãe que sabia como queria gastar o meu dinheiro. Sentia uma bola no estômago e um nó na garganta. Porque sabia que o que pretendia fazer ia contra a vontade da minha mãe. – “Mamã, eu sei que não gostas muito mas eu queria mesmo ter uma Barbie e o dinheiro que o papá me deu dá para comprar uma que está ali em cima! A minha mãe sorriu, olhou para as minhas irmãs, que também tinham reparado que eu estava constrangida, e foram todas comigo ver a prateleira das Barbies. Nesse dia fui para casa do meu tio com um sorriso enorme na cara. Agarrada a uma caixa com uma Barbie de cabelos encaracolados e um vestido roxo!! E a minha mãe não mostrou ódio nenhum ao meu brinquedo preferido. Até costurou uns fatos de saia-casaco iguais ao que costurava para ela própria. E eu adorava ter uma Barbie que se vestia como a minha mãe. Colar de pérolas e tudo!
É incrível que até ao dia de hoje continuo a ter imensas dificuldades em contar à minha mãe que quero fazer coisas que sei que ela não gosta. E ainda sinto um nó na garganta quando tenho de o fazer. Como há umas semanas atrás, quando tive que lhe contar que não ia dormir a casa nessa noite. Mesmo depois de ter morado dez anos fora de casa dos meus pais. Mesmo sabendo que somos de gerações diferentes e que não concordamos em tudo. Mesmo sabendo que ela também sabe isso.
1 comentário:
é crónico, sim. também tenho uma dificuldade imensa em dizer certo tipo de coisas à minha mãe. Uma vez, devia ter uns oito anos, descobri num supermercado em França, durante as férias do Verão um conjunto de brinquedos de polícia (pistola, distintivo, algemas... tudo ). Ao contrário de ti, nunca ganhei a coragem e nunca o cheguei a trazer comigo. Hoje acho uma parvoíce como é q algum dia me interessei por tal brinquedo, mas como tu, mantenho a dificuldade em dizer que não durmo nessa noite.
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