28 fevereiro 2007
Café
27 fevereiro 2007
Um Dia em Coimbra
Fui passar o dia a Coimbra (em trabalho) e descobri que não tenho saudades nenhumas daquilo. Descobri que gosto de recordar mas não gosto de reviver. Voltar aos locais do passado deixa-me angustiada. Saí de Coimbra há 6 anos cheia de planos que não se concretizaram. Voltar lembrou-me que não se vão concretizar nunca. Não gosto de viagens ao passado. Talvez regressar a Edimburgo não seja boa ideia. Ultimamente ando a descobrir o que não devo fazer mas parece que não há maneira de descobrir o que fazer.Quanto a Coimbra, faz parte do passado e está bem assim.
Crónica Fungo
Agora não consigo deixar de pensar onde estará a unha? Será que saiu durante o banho, estará no fundo da minha cama, dentro da meia que calcei ontem e que ainda está no chão do meu quarto?
Esta minha unha afectada por um fungo é mais uma recordação de Edimburgo que fica perdida. Acredito que o fungo que se alojou no meu pé veio da piscina que frequentava todas as semanas. Já perdi o anel que adorava e que comprei na Rose Street. Já acabaram as caixas de chá inglês que trouxe comigo. A minha vida em Edimburgo vai-se apagando lentamente.
Só espero que vá desaparecendo pelo ralo da banheira. É mais limpinho.
25 fevereiro 2007
Shi Gan - Filmes que me fazem sonhar
23 fevereiro 2007
Crónica You´ve Got Mail!
É importante vermos o lado positivo de tudo. Mesmo quando nos parece ser o mais negro possível. Ontem consegui aperceber-me do lado positivo de deixar amigos espalhados pelo mundo. Preferia que estivessem todos do outro lado da rua, mas não estão e não posso fazer nada em relação a isso.
Como nunca ninguém sabe ao certo quanto tempo demora enviar um embrulho pelos correios, ontem comecei a receber postais e prendas de aniversário. E foi esta descoberta que eu fiz ontem relativamente ao lado positivo de ter amigos longe demais para virem beber uma taça de espumante e comer uma fatia de bolo connosco. Recebemos prendas umas semanas antes e talvez umas semanas depois do nosso aniversário, prolongando assim as celebrações.
E tenho a agradecer ao meu amigo Kenny (e à comiseração que o meu trigésimo aniversário causa nas outras pessoas) a seguinte lista de CDs que vieram enriquecer os meus conhecimentos musicais, ultimamente tão pobrezinhos:
Amy Whitehouse - Back to Black
The Killers - Hot Fuss
The Hedrons - One More Won´t Kill us
Doll by Doll - Revenge of Memory
The Good, The Bad & the Queen
The Hours - Narcissus Road
The Shins - Wincing the Night Away
Razorlight
Jarvis Cocker - Jarvis
Wolfmother
The Earlies - The Enemy Chorus
Kasabian - Empire
The View - Hats off to the buskers
Estes vão direitinhos para o ipod que a os meus pais me vão oferecer! Afinal é bom fazer 30 anos.
22 fevereiro 2007
21 fevereiro 2007
(Falta de) Sabedoria de uma Solteira aos Trinta
"Porque é que estás sozinha há tanto tempo?"
"Porque sou comunista, feminista e ateia num país conservador, machista e católico."
Resposta a uma pergunta estúpida que de forma trocista esconde o facto de ser chata, ciumenta e de ter muito mau feitio.
Gosto de acreditar que a mentira da resposta faz de mim uma pessoa mais interessante do que a verdade.
20 fevereiro 2007
Love - Things Wong Kar-wai Taught Me About Love
You will fall in love only once. Obstacles will prevail. The rest of your life is spent recovering.
Eroticising their possessions will be the pinnacle of your sexual fulfilment.Anything that distracts you from the pain of your loss is good. Some people are more successful in this regard than others.
Hook up with someone. Live with them. Sleep with them. Tag along. Don't be fooled. You are only a transitory distraction. Ask for commitment. Declare your love. Watch the set up evaporate.
The most potent way to exist is to occupy someone else's imagination.
Desire is kept eternally alive by the impossibility of contact.
Modern communication enabling technologies will only heighten your sense of desolation by making you more keenly aware of the fact that no one is trying to call.
by Alice Dallow
Alice Dallow is a long time fan of Wong Kar-wai's films. In her spare time she makes shorts films and music clips.
http://www.sensesofcinema.com/
19 fevereiro 2007
Decência
18 fevereiro 2007
17 fevereiro 2007
O meu lado piroso
Nos tempos de Edimburgo, num sábado à noite, convidei para sair o espanhol que dividia o apartamento comigo, e que por ter acabado de chegar à cidade não conhecia ninguém.
Levei-o a um bar com música ao vivo, o Binkies, uma cave escura e pequena na North Bridge. Nessa noite tocava a minha banda de Edimburgo preferida: os Big Hand, tocavam um Ska muito bem disposto.
Estamos de pé com a habitual cerveja na mão, quando uma mesa alta e algumas cadeiras ficam disponíveis. Apoderamo-nos de duas cadeiras (daquelas altas, tipo cadeira de bar) e ao nosso lado sentou-se um grupo de três raparigas e dois rapazes.
Olhei para o lado e o tipo sentado no banco à minha direita era-me familiar. De onde é que conheço esta cara, pensei eu. Inevitavelmente, ouvia a conversa entre estes rapazes e raparigas. Engate!!
- Hi, I am Daniel (apertos de mão, as raparigas apresentam-se, etc, etc.)
- Blá, blá blá… (e eu sempre a tentar lembrar-me de onde conhecia o gajo)
- I am from New Zealand blá blá
Acende-se uma luz!
- Hi, I am sorry to interrupt but, your name is Daniel and you are from New Zealand…
O tipo então dá-me um aperto de mão puxa-me para o lado e diz:
- Ok, you recognized me but please don´t tell these girls who I am. I just want to have a normal night out in Edinburgh!
Perguntou-me de onde era, contou que tinha estado em Portugal recentemente a dar um concerto mas que ninguém sabia quem ele era e que a irmã era mais famosa (Natasha Bedingfield).
No fim do concerto saiu com as raparigas para outro bar de Edimburgo e disse-me um adeusinho com um sorriso.
Fiquei toda entusiasmada por ter conhecido o autor do meu lado piroso ao vivo. Mesmo que depois, quando contava a história a toda a gente, ninguém soubesse de quem estava a falar.
15 fevereiro 2007
Crónica Hi5
Quando regressei a Portugal, recebi uma série de convites para me registar no hi5. Enquanto estive na Escócia, não sabia sequer que existia. Em Abril do ano passado, registei-me e adorei fazer umas pesquisas para “encontrar” alguns ex-colegas que já não via há imenso tempo. Fiquei admirada (e até chocada) com as fotos que algumas pessoas escolhem para por no seu perfil e com os disparates que escrevem.
Um estudo recente feito por uma empresa de Executive Search (ou Headhunting ou Caça Talentos, como queiram chamar-lhe), veio a mostrar que 77% por cento das empresas de recrutamento (nos EUA) fazem pesquisas dos seus candidatos na internet como método de selecção. 35% dessas empresas admitiu ter eliminado candidatos baseados na informação que descobriram.
Uma consultora de uma dessas empresas (que faz parte das Fortune 500) diz que ficou surpreendida com o que encontrou quando pesquisava os candidatos na Internet. Estava indecisa entre dois candidatos e encontrou o perfil de um deles no MySpace. Tinha uma foto deitada numa rede e estava vestida com um bikini, na lista de interesses “having a good time” e no campo para sexo dizia “yes, please”. Não era exactamente a candidata que procurava e foi eliminada!
Numa outra ocasião encontrou o site pessoal de um candidato com comentários e piadas racistas. Também aconteceu um candidato dizer-lhe que estava empregado numa determinada empresa e no perfil que encontrou na Internet o senhor dizia que tinha sido horrível ter sido despedido mas que era super divertido estar desempregado!!!
Este artigo foi escrito nos EUA, mas acreditem porque eu sei, as empresas de recrutamento podem fazer o mesmo em Portugal. Principalmente porque os portugueses parecem ser tão fãs deste tipo de sites - hi5 e afins.
Tenham cuidado pois nada é privado. Sejam discretos e certifiquem-se que amigos vossos não põem comentários nos vossos sites que vos possam comprometer. É um conselho para que não se arrependam de coisas estúpidas que escrevem na Internet.
Quem lê o Claudipédia regularmente sabe que sou a pior pessoa para dar este tipo de conselhos. Eu vou repensar o meu perfil no Hi5 e vou repensar o conteúdo do meu blog.
14 fevereiro 2007
Conversas aos dois anos de idade
Eu: mas tu já jantaste…
João: vamos fazer uma torrada na cozinha!
Eu: ok, vamos fazer uma torrada. Mas tenho a certeza que não a vais comer…
(enquanto esperamos pela torrada)
Eu: estás tão grande!
João: é..um menino gande!
Eu: E eu sou uma menina grande!
João: não..a Cacá não é menina!
Eu: Não sou menina?! Eu sou menina João! Ou sou menino?
João: Não…
Eu: Então sou menina…
João: Não! A mamã é que é menina. E o João é menino..
Eu: Então e eu sou o que?
João: (silêncio) Cacá, a torrada já está pronta…
13 fevereiro 2007
Crónica A Minha Avó

A minha avó nasceu em 1908 no dia do Espírito Santo, na aldeia de Cebolais-de-Cima, distrito de Castelo Branco. Deram-lhe o nome de Maria do Espírito Santo, sem o nome da família da mãe e sem o nome da família do pai.
No primeiro dia de escola, a minha avó regressou a casa e pediu à mãe para não voltar mais. Os outros meninos gozavam com as saias rodadas de menina de aldeia. A minha bisavó disse-lhe então que ela não precisava de ir à escola no dia seguinte nem nunca mais. Uma mulher não precisa de ir à escola nem de aprender a escrever. Tem é que aprender a costurar.
Depois da ceifeira passar nos campos, a minha avó ia com um saco apanhar os grãos que ficavam no chão. Vendia-os na feira e juntava dinheiro para pagar uma máquina de costurar Singer. Custou 20 mil reis que a minha avó pagava a prestações mensais de 18 tostões.
Essa máquina foi restaurada a pedido da minha mãe e está agora na sala de jantar.
What exactly is love? - Artigo do jornal The Independent

Falling in love may feel like a meeting of hearts and minds. But really it's a kind of temporary insanity driven by hormones, scientists say. Julia Stuart reports
Published: 13 February 2007
Love can be divided into three entities: lust, romance and attachment, according to anthropologist Dr Helen Fisher, who has been studying the subject for 32 years. These three brain systems can operate in any order and in any combination. You can fall in love with someone before you sleep with them; you can become deeply attached to somebody and then fall in love with them; and you can have a sexual relationship, fall in love and then become deeply attached.
Lust is a craving for sexual gratification, which you can feel for a whole range of people. Those caught up in romantic love focus all their attention on the object of their affection. Not only do they crave them, but they are highly motivated to win them, they obsessively think about them and become extremely sexually possessive. Perhaps illogically, if things go wrong. they are attracted to them even more. During this state the brain is driven by dopamine, a neurotransmitter central to the reward system.
Romantic love is much more powerful than sex drive, says Dr Fisher, of Rutgers University, New Jersey. And she believes it to be a drive, rather than an emotion. "It doesn't have any facial expression, it's very difficult to control and it's one of the most powerful neural systems that has evolved," she says.
The third brain system is attachment - that sense of calm and security you can feel for a long-term partner. It is associated with the hormones vasopressin and oxytocin, which are probably responsible for the sense of peacefulness and unity felt after having sex. Holding hands also drives up oxytocin levels, as does looking deeply into your loved one's eyes, massage, and simply sitting next to them.
12 fevereiro 2007
Crónica Coisas Bonitas que Nos Dizem os Homens
- Tens um corpo tão parecido com o da minha namorada!
11 fevereiro 2007
Do ponto de vista feminista
10 fevereiro 2007
Faltam 25 dias
Realmente, é bom chegar aos trinta com as mamas bem no sítio.
Lisboa é tão bonita!
Ontem devo ter dito isto dezenas de vezes dentro dos táxis que me levavam de um canto de Lisboa para o outro.Uma vez por mês mais ou menos, tenho que ir a Lisboa em trabalho. Apanho o alfa das 6h29 da manhã e lá vou eu para a capital. A maior parte das vezes marco as reuniões no hotel Tivoli mesmo ao lado da gare do Oriente e acabo por não ver nada para além da estação e centro comercial Vasco da Gama.
Mas ontem tive reuniões espalhadas pela cidade e tive a oportunidade de “passear” e ver um bocadinho de Lisboa. Comecei com uma reunião às dez da manhã num prédio antiguinho e remodelado, no Saldanha, fui almoçar uma salada maravilhosa numa esplanada nas Docas, bebi uma água das pedras num hotel na rua das Janelas Verdes e lanchei numa casa de chá no Bairro Alto.
Como a última reunião se atrasou, tive que fazer uma maratona no metro. No sprint final na estação da Alameda, e enquanto corria, só conseguia pensar no meu rabo mole a abanar debaixo do meu fato preto. Aqueles trajes não foram feitos para quem tem 15 minutos para apanhar o comboio. Lisboa, para além de ser fantástica, é também uma cidade onde ando na rua com a sensação que ninguém me conhece. Vantagens de uma cidade grande.
08 fevereiro 2007
Emoções Fortes
Preciso de conhecer pessoas, de um ritmo de trabalho acelerado, de sentir que estou a aprender e de ver lugares diferentes e ultimamente as únicas viagens que faço são ao passado. Algumas são muito engraçadas mas a maioria deixa-me entediada.
Situações que criam emoções fortes criam histórias para recordar e para contar. Gosto muito de contar a viagem de táxi que fiz na Tunísia. É um bom exemplo de uma emoção forte que gostava de voltar a sentir. Apesar desta não ser muito positiva…
Fiz a viagem de Tunes a Gabés de autocarro. Ia com uma amiga para um hotel nas portas do deserto e ainda faltavam cerca de 200 kms para lá chegar. Apanhamos um táxi de longas distâncias e fizemos a segunda parte da viagem ao início da noite.
A minha amiga foi o percurso todo a fazer perguntas ao motorista. Má ideia. Disse-lhe quinhentas vezes para parar e não dar trela ao tipo. Mas ela não se lembrou que eu tenho SEMPRE razão, e continuou a tagarelar! A certa altura o tunisino perguntou se podia ir ter connosco ao bar do hotel beber um chá. Fez-se silêncio no banco de trás. “Não, Não! Não queremos beber chá no bar do hotel!” (de notar que esta conversa passou-se toda no nosso francês macarrónico e no inglês muito pobre do motorista). "Vá lá! Eu levo um amigo e vamos lá ter com vocês!" “Não, não e não!” – Dizíamos as duas. Subitamente o motorista fica muito agressivo e começa a insultar-nos. Silêncio. O táxi pára no meio do nada e entra outro tunisino muito gordo. Durante uns longos quilómetros, falam os dois em árabe. Eu e a minha amiga arrastámos o traseiro para o centro do banco de trás do carro e agarramos o braço uma da outra. Não conseguíamos falar e nem era preciso. Tínhamos o pânico pregado na cara. Tenho a certeza que pensamos as duas o mesmo sobre o que nos podia acontecer naquela estrada escura onde não passava nenhum veículo.
Passamos por uma aldeia e o táxi pára. Os tunisinos saem e atiram as nossas malas para a rua. “Apanhem outro táxi!”.
Que alívio! Apanhamos outro táxi (apesar de já termos pago adiantado ao outro para nos levar à porta do hotel) e suspiramos de alívio assim que nos vimos dentro do quarto. Que susto.
Como dizia Jane Austen:
If adventures do not befall a young lady in her own town, she must seek them abroad.
Prometo que vou tentar escrever uma Crónica Emoções Fortes Parte II que esteja relacionada com pessoas e não com viagens. Essas são bem mais interessantes mas mais raras e mais difíceis de descrever.
07 fevereiro 2007
Época Negra Oficialmente Aberta
O Claudipédia entra hoje em época negra oficial. Porque fazer de conta que está tudo bem só funciona até certa altura. Depois não dá mais.Já tentei de tudo: imaginar passarinhos a cantar e flores coloridas nos campos, tentar lembrar-me de alturas em que me senti feliz, isolar-me para não poder comparar a minha vida à de mais ninguém, dormir muito para passar pouco tempo acordada, ler livros e ver filmes para fazer de conta que vivo a vida de outra pessoa qualquer, comprar coisas que não preciso, fazer viagens ao passado...
Não consigo identificar a causa. E assim torna-se difícil encontrar uma solução.
A única coisa que me animou foi ler o seguinte, no site de onde tirei esta foto:
Black Holes Found To Be Green By NASA's Chandra
E o verde é a cor da esperança.
05 fevereiro 2007
Eremita? Eu?
Há dias em que me apetecia emigrar para um sítio isolado e passar o resto dos meus dias a ler. Mas depois lembro-me que também me faz falta ter a companhia de gente, e mudo de ideias.Se calhar era mais fácil arranjar um sítio para ler onde a TV não me incomodasse.
A televisão é o ópio do povo.
Isto não faz muito sentido, mas hoje não me lembro de mais nada para escrever e ainda quero acabar as 30 páginas que faltam para chegar ao fim do que estou a ler para começar um livro do Dominique Lapierre que supostamente me vai convencer a ir para um sitio qualquer cheio de pobrezinhos e trabalhar como voluntária (e sim, é verdade, vou ler um livro francês em inglês…calhou assim).
04 fevereiro 2007
Crónica Fim-de-semana Terapêutico
Sexta-feira ao fim da tarde convenci-me que ia ter um fim-de-semana horrível. Estava já de mala feita para ir até à capital, quando foi tudo cancelado. Era a terceira vez que me sentia rejeitada no espaço de um mês e meio e fiquei mesmo mal-humorada.Decidi que não ia ficar em casa a matutar nas coisas todas que correm mal na minha vida. Acabei por ter um dos melhores fins-de-semana desde que regressei a Portugal. Mesmo tendo passado a maior parte do tempo a dormir para curar as dores de cabeça.
Na sexta-feira fui jantar à minha pizzaria preferida com a minha irmã. Telefonei a uma amiga para lhe perguntar se queria ir comigo ao Porto. Vimos uma peça de teatro e depois encontramo-nos com outra amiga. Bebemos muito gin, pusemos a conversa em dia, fomos assediadas por homens de meia-idade, gozamos com homens de meia-idade… (e depois lembrei-me porque é que sou tão pouco boémia!). Quando, às cinco da manhã, chegamos à porta de minha casa, a minha amiga disse que não conseguia conduzir mais. Fiz-lhe um cházinho e umas torradinhas e dei-lhe o meu pijama às risquinhas azuis, cor-de-rosa e cor-de-laranja.
No sábado acordei às duas da tarde e na cozinha tinha uma mensagem em cima da mesa. Qualquer coisa do género. “Não consegui tirar o pijama e fui para casa com ele vestido. Dou-to amanhã depois de o lavar. Obrigada por seres minha amiga. E não te esqueças, a rejeição não existe. Beijinhos. A.”
03 fevereiro 2007
01 fevereiro 2007
Quando podemos fazer mais
Fico sempre bem impressionada com as pessoas que fazem mais do que aquilo que é esperado.Numa aula de Introdução à Economia, virado de costas para o anfiteatro, o professor escrevia gatafunhos no quadro. Fórmulas que comprovavam uma teoria qualquer. Subitamente fez uma pausa, virou-se para trás e perguntou: Conhecem o Jacques Tati? Já alguém viu um filme dele? E fez uma pausa para nos descrever os filmes que gostava de ver. E retomou a lição de economia.
Eu nunca tinha ouvido falar do Jacques Tati e por coincidência, umas semanas depois vi um cartaz na associação de estudantes a anunciar a projecção de Jour de Fête. Fui ver o filme e adorei. Nunca teria reparado no cartaz, se não fosse a pausa do professor para partilhar o que sabe, para além da teoria económica.
Ontem fui a uma consulta de planeamento familiar. Não sei bem porque razão, faço parte do grupo de risco de mulheres que têm que ir a estas consultas regularmente.
Depois do exame médico, salto da marquesa e enquanto me visto, a médica, do outro lado do biombo pergunta-me: “Quais são os seus planos para o futuro?”
- O que é que quer dizer? Planos de futuro para quê? A nível profissional ou pessoal?
- Os dois! O que quer fazer a nível profissional? E quer ter família e filhos?
- Bem, para ter filhos tenho que ter alguém com quem os ter…
- Sim, dá jeito. Para si e para a criança.
- Eu não sei se quero ter filhos. Aliás já pensei nisso e acho que não quero. Mas tenho medo de me arrepender, daqui a 10 anos.
- Mas diga-me. Eu sei que é uma aventureira. Essas suas viagens são por opção ou está a fugir de alguma coisa. Não quer ter filhos, ou não os tem porque não tem essa opção? É que se está sempre a mudar de residência, torna-se difícil ter uma família.
E falamos sobre as angústias de quem tem medo de ter feito uma opção que implica assumir um papel que não é normalmente atribuído a uma mulher. Uma opção que eu tinha medo de não ser reversível.
- Pode ter filhos até ao 40. Isso quer dizer que ainda tem 10 anos para decidir. E mesmo que não tenha, pode adoptar. Não se gosta mais ou menos de um filho por ser ou não biológico.
Saí de lá com a alma mais tranquila. Porque não tenho muitas oportunidades de falar sobre isto com alguém que tem ouvidos disponíveis para ouvir.
Eu gosto muito de ver filmes antigos. E não sou só eu a gostar de sentir empatia do outro lado de lá. Queria um dia agradecer ao meu professor para que soubesse que pode fazer mais do que ensinar economia. E gostava de agradecer à minha médica para que soubesse que pode fazer mais do que me curar de uma doença física.






