Se me pedissem para explicar como é estar deprimido não ia saber o que dizer. Pelo menos não o sei fazer de forma a que os outros compreendam. É estar triste e angustiado “no matter what”. É atingir alguns pequenos objectivos que temos na vida, pensar que nos vão fazer sentir melhor, e final não trazerem satisfação nenhuma. Ter uma casa só para mim, comprar um carro confortável pela primeira vez, apaixonar-me. Neste ano consegui aquilo a que me tinha proposto. Mas nada disto me conseguiu trazer felicidade. Ainda custa sair da cama de manhã e enfrentar as tarefas do dia-a-dia, ainda tenho vontade de chorar sempre que vou para a cama à noite, os dias arrastam-se e a maior parte das vezes que sorrio é com esforço e não reflecte o que realmente sinto.
É ter falta de energia para fazer o que gosto, é só estar bem no escuro a pensar como podia ser feliz, é perder a criatividade, é sentir-me mal com o corpo que arrasto, e ter a sensação que, todos os dias, ficou qualquer coisa por fazer: a louça por lavar, a roupa por passar a ferro, o telefonema ao amigo que não vemos há muito tempo, o corte no cabelo, a conversa importante com o colega de trabalho, a ida ao ginásio.
Tive uma recaída. E seguramento porque estamos naquela fase em que fazemos um balanço do ano. O meu foi desperdiçado a dormir horas sem fim. E é isto que significa para mim estar deprimido. Saber que “there is more to life than this” mas não ser capaz de sair do estado de letargia que se apoderou de mim.
Neste momento tenho medo. De passar por outro ano igual. Mas pelo menos sinto que algo mudou desde o início de 2008. Pelo menos sei que a vida pode ser melhor do que foi até agora. E é com a pensar nisto que vou entrar em 2009. It can´t get any worse.