Comprei umas botas e quando as calço sinto-me outra, super poderosa, e, com elas nos pés, ponho-me a dançar com uma camisolinha vermelha. É como se de repente me transformasse na Nancy Sinatra!!
30 setembro 2007
Domingo
Estar lá sem de facto estar. É assim que me sinto. No meu primeiro fim-de-semana de folga telefonaram-me porque houve uma pequena emergência no trabalho. Fiquei a hesitar se devia ir trabalhar ou não e decidi não ir. Tenho os apartamentos para ir ver, e venho de oito dias de trabalho seguidos. Decidi não ir. Mas esta decisão não veio sem algum peso na consciência.
É Domingo e estou de folga. Mas é como se não estivesse. Às vezes os nossos pensamentos arrastam-nos para sítios onde não queremos estar.
É Domingo e estou de folga. Mas é como se não estivesse. Às vezes os nossos pensamentos arrastam-nos para sítios onde não queremos estar.
29 setembro 2007
Sábado
E no meu primeiro fim-de-semana de folga eu fiz o meu primeiro telefonema para alugar uma casa. Amanhã vou ver um To e um T1.
Para além disso fui almoçar uma salada de frango, maçã e amêndoas ao Corte Inglês e saí de lá com um par de botas geox.
Agora tenho que decidir o que fazer como sobremesa para o jantar da minha amiga logo à noite.
E é assim o meu sábado. Não muito interessante.
Para além disso fui almoçar uma salada de frango, maçã e amêndoas ao Corte Inglês e saí de lá com um par de botas geox.
Agora tenho que decidir o que fazer como sobremesa para o jantar da minha amiga logo à noite.
E é assim o meu sábado. Não muito interessante.
28 setembro 2007
O meu quarto 10/01/2003 - 25/02/2006
Cláudia no País das Maravilhas
Hoje, depois de ter acordado deprimida e de ter passado a manhã toda angustiada, chego ao trabalho de tarde e lembro-me que me tinha inscrito para fazer um workshop sobre Trabalho de Equipa. Um tipo que faz Coaching, e que o aprendeu a fazer no Estados Unidos, esteve a tentar ensinar chefias intermédias a motivar equipas e desenvolver o potencial dos colaboradores. Saí do workshop bem mais animada e até à meia noite e meia estive a trabalhar cheia de energia, a implementar regras de HACCP e a dar formação on the job. Não faço ideia (e tenho dúvidas) que esta noite tenha conseguido pôr em prática o que me ensinaram no workshop, e que tenha motivado alguém na minha equipa para desenvolver o seu potencial. Mas, porque passei o resto do dia tão frenética, a correr para trás e para a frente, para conseguir acabar a tarefa antes da meia-noite, motivei-os a pôr-me uma alcunha. A partir de agora sou o White Rabbit, da Alice no País das Maravilhas. Para uma descrição da personagem, clique aqui
27 setembro 2007
Hoje acordei deprimida
O meu sobrinho começou a ir para o infantário e está a causar-lhe alguma confusão. Hoje implorou à mãe para ir embora. Não quis lá ficar. Veio para minha casa, para a avó tomar conta dele, porque a mãe tem que ir trabalhar. Está a chorar e soluçar desalmadamente. Queria sentar-me ao lado dele a fazer o mesmo.
25 setembro 2007
Um Moleskine não é para ser deixado em branco
“[O Moleskine] é um pequeno caderno com capa negra que levo comigo para todo o lado, no qual escrevo os meus anseios, os meus pensamentos, dúvidas e questões do dia-a-dia. E também pequenos artigos, capítulos de romances, receitas, declarações de intenção e compromissos de que geralmente me esqueço. Numa breve cerimónia de adeus antes de iniciar um novo, releio o que escrevi e percebo que não perdi a capacidade de assombro. Relê-lo é como que um rebobinar da minha vida e vê-la, fugazmente, fotograma a fotograma.”Luís Sepulveda, escritor [Ovalle, Chile, 1949]
Um Moleskine não é para ser deixado em branco, esquecido em cima de um banco qualquer no quarto-de-banho.
23 setembro 2007
All Blacks Haka Parte II
Nos anos em que vivi em Edimburgo tive a sorte de ter uma amiga da Nova Zelandia que me levou a ver o meu primeiro jogo de rugby. Depois desse, seguiram-se muitos outros, acompanhados de lições sobre regras e estratégias. Nunca gostei de futebol mas fiquei fascinada pelos jogos de rugby que via no estádio de Murrayfield. Tive também a oportunidade de ser responsável pelo alojamento e catering da equipa Escocêsa, quando os jogos internacionais eram em Edimburgo. Entrei no espírito da competição, muito mais civilizada do que num estádio de futebol. (Os adeptos das duas equipas assitem ao jogo juntos na bancada, sem confrontos).
Sem dúvida que o melhor jogo a que assiti foi Escócia - Nova Zelandia. O maior espetáculo desportivo da minha vida. Tenho a agradecer à minha amiga (entre muitas outras coisas), ter sido apresentada a um desporto um pouco ignorado em Portugal.
O entusiasmo recente pelo rugby por cá, fez-me lembrar que há muito tempo que não pegava num telefone para falar com a minha amiga, que me fez companhia na maioria dos Domingos à tarde em Edimburgo.
No dia em que vim embora da Escócia definitivamente, foi ela que me levou ao aeroporto. Mesmo antes de entrar para o voo, tirou do pescoço o colar de jade com formato de anzol que sempre usava. Um símbolo Maori que tinha pertencido ao parceiro de quase 20 anos e que morreu de leucemia. Pôs-me o colar ao pescoço no meio de muitas lágrimas.
Tenho a certeza que um dia o colar regressa à terra de onde veio, no meu pescoço, e vou poder ver a Haka em solo Neo Zelandês.
Sem dúvida que o melhor jogo a que assiti foi Escócia - Nova Zelandia. O maior espetáculo desportivo da minha vida. Tenho a agradecer à minha amiga (entre muitas outras coisas), ter sido apresentada a um desporto um pouco ignorado em Portugal.
O entusiasmo recente pelo rugby por cá, fez-me lembrar que há muito tempo que não pegava num telefone para falar com a minha amiga, que me fez companhia na maioria dos Domingos à tarde em Edimburgo.
No dia em que vim embora da Escócia definitivamente, foi ela que me levou ao aeroporto. Mesmo antes de entrar para o voo, tirou do pescoço o colar de jade com formato de anzol que sempre usava. Um símbolo Maori que tinha pertencido ao parceiro de quase 20 anos e que morreu de leucemia. Pôs-me o colar ao pescoço no meio de muitas lágrimas.
Tenho a certeza que um dia o colar regressa à terra de onde veio, no meu pescoço, e vou poder ver a Haka em solo Neo Zelandês.
22 setembro 2007
1:20 - Cheira a sono, hora de dormir
Gosto de fotografias que me recordem alguma coisa. Mas às vezes também é bom não tirar fotografias. É melhor ficar com as recordações da nossa memória. Que incluem mais pormenores do que a lente da câmara consegue captar. A nossa memória esquece muita coisa que uma foto pode relembrar mas por outro lado, há muita coisa na nossa memória que não pode ser arquivada por uma fotografia.
Sou obsessiva com cheiros e esses não ficam gravados em papel. Tenho um canto especial na minha memória onde ficam alojados. Lembro-me do cheiro do meu sobrinho dias depois de nascer, do mofo da casa da minha avó, do cheiro da cozinha da minha tia, tão semelhante ao cheiro de tantas cozinhas na Holanda, a manteiga derretida, mas este com um odor especial, adicionado pela importância emocional que tem. Conheço bem o cheiro do ombro das minhas irmãs, os cremes da minha mãe antes de ir dormir, o cheiro do mar de Espinho, a peixe, da relva acabada de cortar, das algas a secar nas praias do Minho, do pescoço do N. depois de tomar banho, dos lençóis acabados de lavar em casa da minha mãe, muitos meses depois de ter estado longe deles. Lembro-me do cheiro das montanhas a arder, dos vários quartos onde dormi, e das manhãs após noites de excessos.
Não há fotografia que os possa guardar, os cheiros da minha memória.
Sou obsessiva com cheiros e esses não ficam gravados em papel. Tenho um canto especial na minha memória onde ficam alojados. Lembro-me do cheiro do meu sobrinho dias depois de nascer, do mofo da casa da minha avó, do cheiro da cozinha da minha tia, tão semelhante ao cheiro de tantas cozinhas na Holanda, a manteiga derretida, mas este com um odor especial, adicionado pela importância emocional que tem. Conheço bem o cheiro do ombro das minhas irmãs, os cremes da minha mãe antes de ir dormir, o cheiro do mar de Espinho, a peixe, da relva acabada de cortar, das algas a secar nas praias do Minho, do pescoço do N. depois de tomar banho, dos lençóis acabados de lavar em casa da minha mãe, muitos meses depois de ter estado longe deles. Lembro-me do cheiro das montanhas a arder, dos vários quartos onde dormi, e das manhãs após noites de excessos.
Não há fotografia que os possa guardar, os cheiros da minha memória.
21 setembro 2007
18 setembro 2007
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Não gostos de hotéis. Não gosto da decoração impessoal, de ter alguém a abrir-me a cama e pôr um bombom na almofada. São sítios sem carácter.
Quando tinha 25 anos apercebi-me que já não suportava camaratas de pousadas da juventude. Foi em Belfast, num quarto onde dormi num beliche, partilhado com 3 gordos bebados que não lavavam as meias há vários dias. Desde essas férias, decidi que tinha que ter um quarto só para mim. Continuei a pasar férias em pousadas de juventude, com um quarto individual mas sem casa-de-banho. Foi assim em Londres e em Dublin. Mais uns anos passaram e a necessidade de sossego fez-me passar a reservar quartos em pensões.
Guardo de todas as férias recordações dos sítios onde fui dormindo. Como o quarto com carpélio azul turquesa e paredes rosa no Lake District e a coleção de memorabília da família real na Ilha de Skye. No Reino Unido encontramos as pensões mais inacreditáveis. Piroso mais piroso, não há. Mas é familiar, têm chá e bolachas em todos os quartos e senhoras gordas com caracóis louros pintados na recepção. Um toque sempre muito pessoal.
Detestei Paris e não consegui perceber porque é considerada uma cidade muito romântica. Mas os meus vizinhos de quarto de pensão de uma estrela na Rue Oberkampf, todas as noites me fizeram lembrar, através das paredes finas como folhas de papel, com sons do amor, tive que admitir que talvez eu é que estivesse errada. Só eu não tinha visto o romanticismo da cidade.
Estas pensões com preços da mesma grossura das paredes ensinam-nos muito sobre as cidades que visitamos. Como as baratas que me subiam pelos braços durante a noite em Deli no Hotel palvi, ou o cheiro a tabaco impregnado nos lençois da pensão Beira Minho na Praça da Figueira, em Lisboa.
Da janela do Hostal Luis XV vejo os telhados de Madrid se olho para cima, e as prostitutas na rua, se olho para baixo. O rapaz na recepção pergunta-me se já acabei de jantar, quando me levanto do sofá, amassando o saco de papel que embrulhava o bocadillo de jambon.
- "Sim. Já acabei"
- "Buenas noches"
- "Buenas noches"
São assim as pensões onde fico a dormir. O recepcionista faz-me companhia silenciosa enquanto janto. Ele sabe que é melhor jantar na recepção a ver os hóspedes a entrar e sair, do que sozinha no quarto.
Ainda bem que não gosto de hóteis de luxo. Porque não os posso pagar e porque há coisas que não se pagam.
16 setembro 2007
Rua das couves
15 setembro 2007
Nao me sei desenrascar
Sexta-feira à noite, depois de alguns dias de férias sozinha, comecei a sentir-me aborrecida. Decidi ir jantar uma salada e um falafel à Calle Hortaleza e depois sentar-me numa esplanada a beber cañas. Durante uma hora distrai-me a ver passar as pessoas mais estranhas na Gran Via, sempre movimentada qualquer que seja a hora do dia.
Quando nao consigo dormir à noite vou para a varanda ver o movimento da rua. Esta noite, em vez de ver o movimento do oitavo andar, fui para a esplanada em frente ao hotel. Fiquei alojada no bairro vermelho de Madrid, num edifício que faz esquina com a Gran Via. Estou habituada a ver as prostitutas em Espinho, na esquina da rua 41 com a Avenida 24. Muito encolhidas com as maos nos bolsos à espera que um carro pare e as leve com elas. Aqui é bem mais agressivo. Sao tantas mulheres a caminhar a rua que a clientela tem que ser disputada e angariada. É decandente ver as mulheres a puxar pelos braços dos homens que passam.
O empregado de mesa, um sul americano gordo, nao se limitou a pôr a cerveja que lhe pedi na mesa. Serviu-a no copo " Una cerveza para una chica tan guapa". Trouxe-me um prato de azeitonas e reparei que nao o fez em mais nenhuma mesa. Acabei de beber a cerveja e quando tirei a carteira para pagar, o tipo põe outra na mesa. "Ofereço-te esta". Eu tirei dez euros e disse que pagava as duas, mas ele trouxe o troco de uma só. Fiquei sem saber o que fazer e bebi a cerveja o mais rápido que pude, levantei-me e entrei na porta do edifício do hotel.
Às vezes sou tao ingénua que nao devia ir de férias sózinha.
Quando nao consigo dormir à noite vou para a varanda ver o movimento da rua. Esta noite, em vez de ver o movimento do oitavo andar, fui para a esplanada em frente ao hotel. Fiquei alojada no bairro vermelho de Madrid, num edifício que faz esquina com a Gran Via. Estou habituada a ver as prostitutas em Espinho, na esquina da rua 41 com a Avenida 24. Muito encolhidas com as maos nos bolsos à espera que um carro pare e as leve com elas. Aqui é bem mais agressivo. Sao tantas mulheres a caminhar a rua que a clientela tem que ser disputada e angariada. É decandente ver as mulheres a puxar pelos braços dos homens que passam.
O empregado de mesa, um sul americano gordo, nao se limitou a pôr a cerveja que lhe pedi na mesa. Serviu-a no copo " Una cerveza para una chica tan guapa". Trouxe-me um prato de azeitonas e reparei que nao o fez em mais nenhuma mesa. Acabei de beber a cerveja e quando tirei a carteira para pagar, o tipo põe outra na mesa. "Ofereço-te esta". Eu tirei dez euros e disse que pagava as duas, mas ele trouxe o troco de uma só. Fiquei sem saber o que fazer e bebi a cerveja o mais rápido que pude, levantei-me e entrei na porta do edifício do hotel.
Às vezes sou tao ingénua que nao devia ir de férias sózinha.
14 setembro 2007
12 setembro 2007
Madrid
Ai que bem me estao a saber as ferias! Relaxe total. Ate ja adormeci num parque (El Retiro). Historias e Cronicas ficam para amanha. Agora tenho que ir apanhar o comboio de Toledo de volta a Madrid,
09 setembro 2007
05 setembro 2007
Emancipação das imagens da razão masculina
As mulheres vistas pelo olhar e imaginário dos homens num blog que gosto de visitar: http://www.edeuscriouamulher.blogspot.com/. A publicidade, a moda, o cinema, mostrando a imagem comummente aceite do feminino.
Por oposição, artistas como Helena Almeida, Ana Mendieta, Cindy Sherman, Francesca Woodman ou Nan Goldin, com obras que podemos ver no Centro Cultural de Belém, proporcionam um ponto de vista diferente, em paralelo com reivindicações feministas. Fugir do cliché fotográfico e dos padrões do corpo da mulher a que fomos habituados
Autonomia, no CCB
Por oposição, artistas como Helena Almeida, Ana Mendieta, Cindy Sherman, Francesca Woodman ou Nan Goldin, com obras que podemos ver no Centro Cultural de Belém, proporcionam um ponto de vista diferente, em paralelo com reivindicações feministas. Fugir do cliché fotográfico e dos padrões do corpo da mulher a que fomos habituados
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