22 setembro 2009

Quem quer casar com a Carochinha

Era mesmo bom se os namorados viessem como nós queremos, mas não vêm. Eu passo muito tempo a tentar mudar o meu, para mais tarde não me poder censurar por não ter tentado mais cedo. E mais vale ficar a saber, durante esta fase experimental, de grau de comprometimento baixo, o que vou exigir da convivência a dois, numa altura em que é muito mais dificil voltar atrás. Pelo menos já vai avisado que não vai poder deixar a toalha molhada em cima da cama, que vai ter que lavar a louça sem gastar um tanque de água, que o jornal a comprar é o Público e não o o Notícias, que há mais do que uma versão para cada história, e que a culpa não é sempre das mulheres, esses seres ingratos que devem abdicar de tudo para casar e ter filhos. É mudar hábitos, perguiças e mentalidade, para que fique mais parecido com o que eu penso. O que eu penso claro!! Como ainda não cheguei a velha (e de qualquer forma não conheço nenhuma velhinha que me saiba responder a isto), não sei se vale a pena tentar mudá-lo para poder ficar com ele para sempre sem me arreliar, se é melhor deixá-lo ser assim (como é suposto gostar dele) ou se o esforço é em vão e é melhor decidir agora se quero ficar com alguém com defeitos (porque tenho a mania que tenho sempre razão e sou perfeita). Nunca vou encontrar alguém que me agrade totalmente, nunca vou mudar alguém com esta idade toda, nunca vou tolerar certas coisas nos outros.

A verdade é que não consigo ficar calada quando assisto ou ouço algo que acho incorreto. E isso em mim não vai mudar nunca. O melhor é continuar assim e deixar que ele decida se quer ficar igual para sempre e arreliar-me, se quer mudar, o que exige um grande esforço, ou se não quer tolerar o que tento fazer com ele. Porque quem me ler agora fica a pensar que acho que a decisão é só minha.

Se me tentar mudar a mim, sabe de antemão que há coisas que não mudam. E o meu mau feitio é uma delas. É que a namorada não veio como ele queria.

Um momento musical

19 setembro 2009

Oh Joy!

Oh alegria! Vêm aí as avaliações de desempenho. Saco de todas as técnicas de motivação e liderança, deixo alguns contentes e muitos zangados! A mania das comparações, a radio alcatifa e os boatos. E não é que eu até gosto de me sentar com as pessoas, falar sobre elas e ouvir o que têm a dizer sobre si mesmas? Gosto sim, só não gosto daqueles casos em que a mensagem não passa.
Com o dedo indicador, passo pela lista de todos os elementos da equipa: hoje, este não, hmm este fica para depois, e faço mal em deixar para depois os casos bicudos, não deixes para amanhã o que podes fazer hoje. E permito que o alfabeto resolva a questão das prioridades. Começo pelo A de Ana e acabo no Z de Zita, misturando assim os mais óbvios com os mais trabalhosos.
E quando a roda gira e os 360 graus se viram para mim, chega a minha vez de ouvir a minha sentença, e com um aceno de cabeça concordo que realmente sou tímida, para não ter que explicar que timidez se pode confundir com misantropia. E procupação com as pessoas tenho muita, mas se ninguém sabe o que penso, não se pode adivinhar.
É nesta altura do ano em que, a avaliar o desempenho dos outros, me avaliam a minha capacidade de comunicar. Porque só fica admirado com a avaliação que o seu desempenho recebe, quem não pôde ouvir ao longo do ano o que eu estava a pensar.
Chegou a altura do ano do reforço positivo e da boa disposição. Inspirar e estimular. Inspirar e expirar. Contar até 10 sempre que necessário.

12 setembro 2009

E porque não me apetece pensar nisso...


E porque não me apetece pensar na grande burrice que possivelmente fiz esta semana, vou pensar em férias.


Este ano, por terem sido mal planeadas, as férias, ou melhor, a falta delas, foram dolorosas. Já não tenho férias há tantos meses que sinto o cérebro a dar curto-circuito, o mau-humor a tomar conta de mim em diversas situações, falta de paciência para as questões mais normais, e incapacidade para realizar tarefas complexas com a boa dose de positividade que torna a vida mais fácil.


Já tenho os bilhetes de avião marcados e o hotel para as três primeiras noites. E agora estou a fazer contagem decrescente até ao dia 4 de Outubro (faltam 22 dias). Estou quase em estado de hipnose.

Férias, férias, férias... - repetir até se tornarem realidade.

Crónica Uma Semana Emocional

De vez em quando acontecem situações que, obrigando-me a tomar decisões, fazem com que me fique a conhecer melhor. Esta semana fui confrontada com a oportunidade de voltar a ser imigrante. Com a vantagem de ir com despesas de deslocação pagas, emprego seguro, um desafio profissional, ou seja, muito diferente das minhas outras migrações de mala semi-vazia às costas e futuro incerto. E o que eu teria feito há 4 anos atrás? Nem hesitava, era mesmo o que eu queria. O que fiz eu hoje? Disse que não.
Porque me ia custar deixar o meu namorado, porque não sei se é bem isto que eu quero, porque não tenho tempo suficiente para pensar bem na mudança...mas na verdade, não foi por nada disto.
Deitei-me ontem sem saber ainda o que ia decidir e acreditei no poder de iluminação da minha almofada. Acordei de facto cheia de luz, e mesmo sem certeza nenhuma disse que não.
Não perguntei à família nem aos amigos mais próximos. Perguntei a mim mesma o que é que eu quero. E apesar de ter muito medo de me arrepender, sei uma coisa que mudou muito em mim nestes quatro anos: não tenho vontade de viver com a casa às costas, não tenho vontade de fazer amigos outra vez, não tenho vontade de estar sempre sozinha. Tenho muita vontade de comprar uma casa, casar e ter filhos. Pode ser daqui a muito tempo, mas se estou sempre a imigrar, nunca mais tenho estabilidade. E será que a estabilidade geográfica me vai trazer o que eu quero? Não sei.
Estou muito desiludida comigo própria. Eu não era assim. Cheia de medo, sem ambição, a preferir a vida pessoal à profissional. Mas não vale a pena forçar uma decisão que não me apetece tomar.
Prefiro ficar aqui a ganhar menos ao fim do mês, a fazer o mesmo trabalho mais uma porrada de anos, e sem conhecer pessoas novas, uma coisa que me agradava tanto. Prefiro poder ir jantar a casa da Angela sem avisar e chorar no ombro dela quando é preciso, prefiro ficar a fazer o jantar enquanto espero pelo barulho do carro do Cláudio a estacionar à porta de minha casa. Prefiro marcar encontros com a Sara mesmo que seja de vez em quando, ir ao Black Coffee com a Susana, lanchar em casa da mamã com os sobrinhos e a irmã, prefiro ter uma relação que um dia vai acabar e que não me dá garantias nenhumas de no futuro ter a tal casa, filho e marido que eu quero.
Prefiro as incertezas do que tenho cá, às incertezas do que posso vir a ter lá fora. E é fundamentalmente nisto que está a grande descoberta que fiz sobre mim mesma. Sou um embuste. E os sonhos que tinha de migração constante acabam aqui. Ou pelo menos enfraquecem.
Porque sabe-se lá, quando vier a proposta certa, as malas voltem a fazer-se. Por agora fico por cá. Já não sou a Cláudia que era.

04 setembro 2009

E já me começo a aborrecer


Hoje, na revista LER, li o que disse o Miguel Sousa Tavares sobre viagens. O importante é o regresso, o que se encontra, chegar a casa...

Para mim nas viagens conta a viagem em si, a deslocação. Ir de um lugar para outro. Assim como na vida é importante saber que estou num caminho, a ir de um ponto para outro.

Nas viagens é o movimento que me distrai, e deixando-me cansada, impede-me de pensar no que não devo. Na vida seria o movimento a impedir-me de me aborrecer e poderia dar-me esperança de um dia chegar a um sítio qualquer.

Porque até hoje ainda não cheguei a lado nenhum.
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"Não se encontra o que se procura mas o que se encontra."
Miguel Sousa Tavares, sobre o que procura quando viaja.
Revista LER de Setembro 2009