
30 janeiro 2008
25 janeiro 2008
Auto-Estima
Lembro-me de quando tinha dez anos e, sempre que algo se passava no mundo dos adultos que eu não compreendia, de me sentar num canto do meu quarto entalada entre a parede e o armário. Ficava à espera que passasse, com a esperança que alguém me viesse explicar o que estava a acontecer. Mas nunca veio ninguém.
Às vezes ainda sinto que estou enfiada nesse canto, às escuras, com os olhos fechados, a tentar perceber o que devo fazer para os conseguir abrir. Agora já sei não é suposto vir alguém.
22 janeiro 2008
Optimismo
Be kind to me or treat me mean, I make the most of it, I'm an extraordinary machine.
Fiona Apple
Fiona Apple
Feliz por ir às compras escolher o detergente para a roupa, por ter de aspirar, escolher o que vou jantar, pendurar cortinas, por ter muitos cantos vazios mas os cheios estarem cheios de coisas minhas, por ter tulipas a crescer no canteiro ao lado do portão, por ter tempo para ler antes de dormir, por ter louça para lavar, roupa para estender, por sentir falta de um jornal em cima da mesar, por poder deixar a toalha no chão da casa de banho, por acordar com os pássaros a cantar e por ter que me lembrar de levar as chaves para entrar.19 janeiro 2008
15 janeiro 2008
Embrutecida
Quero ler um livro, ir ao cinema, ir jantar com amigos, falar com quem tenha alguma coisa interessante para dizer, aprender alguma coisa nova, desapaixonar-me, ter tempo para não fazer nada, adormecer no sofá, ser mais moderada, ir ao teatro, passar uma tarde no café a beber chá, ver um concerto, beber uma garrafa de vinho e ler o jornal ao fim-de-semana.
11 janeiro 2008
Nunca hei-de chegar a presidente da junta...
Keeping a low profile
Artigo do Guardian, 11 de Janeiro
Aqui está algo que me preocupa...
Mãos no ar quem acha que o meu blog devia ser anónimo.
Artigo do Guardian, 11 de Janeiro
Aqui está algo que me preocupa...
Mãos no ar quem acha que o meu blog devia ser anónimo.
10 janeiro 2008
Rejeição Nº 14938
Arrependo-me mais das coisas que não fiz. Foi a pensar nisso que resolvi ser honesta e ir directa ao assunto. Perguntei-lhe se devia desistir de tentar chamar-lhe a atenção. Mudou de assunto, disse algumas piadas. Mas eu queria mesmo ter a certeza. Para saber se não estava a desistir só por um mal entendido. Mas acabei por ser rejeitada. Mais uma vez. “Tenho medo que queiras algo mais se se passar alguma coisa entre nós. Estou sozinho, gosto de estar assim e não quero uma namorada. Como és uma rapariga séria, não me parece que seja isto que procuras.”
Tive vontade de lhe responder: "O único motivo porque tentei chamar a tua atenção é porque me parecias um rapaz muito pouco sério que de bom grado passaria a noite comigo sem querer namorar no dia seguinte. Estou sozinha, estou bem assim até encontrar alguém de quem goste de verdade e não quero namorar contigo.”
Tive vontade de lhe responder: "O único motivo porque tentei chamar a tua atenção é porque me parecias um rapaz muito pouco sério que de bom grado passaria a noite comigo sem querer namorar no dia seguinte. Estou sozinha, estou bem assim até encontrar alguém de quem goste de verdade e não quero namorar contigo.”
Mas as mulheres querem sempre namorar com os homens com quem se envolvem. Principalmente as mulheres com mais de trinta. E ainda mais as mulheres de aparência normal. Querem ver que vou ter que começar a usar mini-saias, baton vermelho, decotes e pintar o cabelo de louro? Será este o perfil de uma mulher menos séria?
Não respondi o que queria. Disse-lhe que certamente ele preferia uma mulher casada ou uma estrangeira. Porque no dia seguinte não estava lá para o chatear. Ele concordou. E eu concordei com ele. Sou uma rapariga séria. Mas mesmo assim tive vontade de passar algum tempo com um rapaz que não ia querer namorar comigo. Demorou alguns anos para eu entender. Mas querer isto faz com que muita gente ache que sou uma rapariga pouco séria. Logo eu. Que levo as coisas realmente importantes da vida tão a sério.
Ausência
Mais uma vez venho aqui explicar a minha ausência com excesso de trabalho, desta vez juntando-se também cansaço da mudança de casa.
Ainda não estou lá a morar e começa-me a irritar demorar tanto a pôr uma casa em estado habitável.
Ando irritada. Muito irritada.
Ah! Hoje comprei o colchão. Falta montar a cama e comprar o frigorifico e fogão. E aí sim. Posso ir dormir a primeira noite à minha casa nova.
06 janeiro 2008
Terapia Gigi
E foi assim que depois de ter enviado um pedido de companhia para Sábado à noite, fui parar à noite da Gigi no Triplex. É uma festa tão absurda e disparatada que serviu para eu me esquecer do motivo da minha neura. Quando acordei hoje ao meio-dia voltei a lembrar-me dela. Mas não se pode ter tudo. Ontem à noite o que não tive mesmo foi fumo. Nem nos Maus Hábitos, nem no Tropical Burger onde fui comer uma tropical vegetariano às 3 da manhã, nem no Triplex. O que também não tive de manhã foi ressaca nem dores nos pulmões.
Uma noite sem fumo nem alcool. E descobri que é possível divertir-me assim até às 7 da manhã.
05 janeiro 2008
04 janeiro 2008
Candidatos
Preciso de alguém que me leve a sair. Pode ser jantar, beber um copo, dançar, jantar. Qualquer coisa.
Urgente. Para sair deste estado catatónico. E para estrear as minhas botas novas.
Desloco-me a qualquer zona do país.
Relembro que sábado é noite de Gigi no triplex.
claudia_antunes@hotmail.com
Obrigada.
Cláudia
Urgente. Para sair deste estado catatónico. E para estrear as minhas botas novas.
Desloco-me a qualquer zona do país.
Relembro que sábado é noite de Gigi no triplex.
claudia_antunes@hotmail.com
Obrigada.
Cláudia
03 janeiro 2008
Com uma nuvem negra em cima da cabeça
Quando era pequena esquecia-me sempre das chaves de casa. A minha mãe ficava furiosa porque estava sempre a ter que me abrir a porta. Ainda por cima acontecia muitas vezes avariar o intercomunicador e era preciso descer as escadas do prédio para eu poder entrar. Ralhou imenso comigo. Até que um dia em que me esqueci mais uma vez, a minha mãe abre-me a porta furiosa: “Esta rapariga deve ser masoqusita! Começo a achar que não levas as chaves de propósito para eu te ralhar!” Lembro-me de ter ficado muito perturbada porque fiquei a achar que era masoquista. Fui para o quarto com lágrimas nos olhos. Era masoquista e fazia tudo para me ralharem, o que me causava muita ansiedade.
Continuo a achar que sou assim. Tenho um gosto mórbido pelo sofrimento e apesar de saber algumas coisas que posso fazer para o evitar, não o faço. Isto causa-me ansiedade e stress. Nervosa já eu sou que baste, não precisava de me torturar mais.
A maior parte das vezes a ansiedade é causada por um adiar constante do que tenho para fazer. Outras vezes porque tenho muita dificuldade em tomar decisões, e porque a mudança me assusta mas ao mesmo tempo sinto falta dela. Também tenho tendência para sofrer por antecipação. Sofrer pelo sofrimento que tenho receio de vir a ter. Sabendo ou não se de facto o vou sentir.
Não faz muito sentido ter necessidade de estar sempre a mudar (de casa, de emprego, de país, de ginásio...) se isso me causa tanta ansiedade. Não faz sentido e é contraditorio.
Ainda não percebi se gosto tanto de mudança pela mudança em si ou se estou a tentar fugir de mim própria. Não gosto de ser como sou, pessimista, negativa, tímida, introvertida, desajeitada e complexada. Durante muitos anos tive esperança que a mudar de cidade ou de país, podia recomeçar de novo. Ser diferente, fazer menos asneiras e relacionar-me melhor com as pessoas. Mas já me apercebi que mesmo mudando geograficamente, eu continuo na mesma.
Sei que estou melhor do que era. Já não espero sempre o pior, sei que quando faço uma asneira, as consequências nem sempre são tão más como eu imagino, e também sei que mesmo quando me sinto gorda e feia, não posso esconder-me em casa ou debaixo da túnica do Demis Roussos. Há mesmo quem goste de mim assim. Mesmo com estas melhorias, começo a ver os cabelos brancos e as rugas que o estado constante de ansiedade me estão a causar. São raros os momentos em que me sinto descontraída e abstraída da minha própria presença desconfortável.
O último dia do ano passei-o a lembrar-me de todas as coisas que correram mal. Mesmo que as coisas boas fossem em maior quantidade. Passei o primeiro dia do ano a pensar em todas as coisas que podiam correr mal em vez de me lembrar das coisas que certamente vão correr bem. Sou masoquista e tenho medo de deixar de sentir medo.
Continuo a achar que sou assim. Tenho um gosto mórbido pelo sofrimento e apesar de saber algumas coisas que posso fazer para o evitar, não o faço. Isto causa-me ansiedade e stress. Nervosa já eu sou que baste, não precisava de me torturar mais.
A maior parte das vezes a ansiedade é causada por um adiar constante do que tenho para fazer. Outras vezes porque tenho muita dificuldade em tomar decisões, e porque a mudança me assusta mas ao mesmo tempo sinto falta dela. Também tenho tendência para sofrer por antecipação. Sofrer pelo sofrimento que tenho receio de vir a ter. Sabendo ou não se de facto o vou sentir.
Não faz muito sentido ter necessidade de estar sempre a mudar (de casa, de emprego, de país, de ginásio...) se isso me causa tanta ansiedade. Não faz sentido e é contraditorio.
Ainda não percebi se gosto tanto de mudança pela mudança em si ou se estou a tentar fugir de mim própria. Não gosto de ser como sou, pessimista, negativa, tímida, introvertida, desajeitada e complexada. Durante muitos anos tive esperança que a mudar de cidade ou de país, podia recomeçar de novo. Ser diferente, fazer menos asneiras e relacionar-me melhor com as pessoas. Mas já me apercebi que mesmo mudando geograficamente, eu continuo na mesma.
Sei que estou melhor do que era. Já não espero sempre o pior, sei que quando faço uma asneira, as consequências nem sempre são tão más como eu imagino, e também sei que mesmo quando me sinto gorda e feia, não posso esconder-me em casa ou debaixo da túnica do Demis Roussos. Há mesmo quem goste de mim assim. Mesmo com estas melhorias, começo a ver os cabelos brancos e as rugas que o estado constante de ansiedade me estão a causar. São raros os momentos em que me sinto descontraída e abstraída da minha própria presença desconfortável.
O último dia do ano passei-o a lembrar-me de todas as coisas que correram mal. Mesmo que as coisas boas fossem em maior quantidade. Passei o primeiro dia do ano a pensar em todas as coisas que podiam correr mal em vez de me lembrar das coisas que certamente vão correr bem. Sou masoquista e tenho medo de deixar de sentir medo.
01 janeiro 2008
Subscrever:
Mensagens (Atom)
