31 janeiro 2015
Meninos
Se eu achava que educar uma menina era complicado, bastou levar os meus dois sobrinhos à ToysRUs para perceber que é tão difícil como educar meninos. Ufa! Que raio de pressão exerce a estereotipação dos géneros.
As lojas de brinquedos metem nojo. E mais nada!
30 janeiro 2015
28 janeiro 2015
Silêncio
Recebi hoje uma dica genial:
Tem atenção ao que te entra na boca e ao que sai de dentro dela.
E se hoje me apetece pouco escrever sobre os alimentos que meto à boca, apetece-me mais escrever sobre o discurso que sai dela.
Foi em silêncio que comecei a ouvir uma voz dentro da cabeça que não é nada simpática. Decidi que é melhor deixar de a ouvir.
É em silêncio que me apercebo da importância que o silêncio tem. Obriga-me a ouvir meus pensamentos. Causa desconforto mas traz algumas soluções.
Faz-me ter vontade de ficar em silêncio todas as vezes que falei com os lábios demasiado perto do coração. Faz-me também vontade de ficar em silêncio quando me apercebo que tenho que ter cuidado com os meus pensamentos pois estou sempre a ouvi-los e mais importante ainda, quando falo, os outros ouvem-nos também. É o metafísico a manifestar-se no físico. Ninguém precisa de comunicação negativa. O silêncio permite-me parar antes de falar e pensar se vale mesmo a pena dizer o que estou a sentir.
O silêncio pode ser tantas coisas e servir para outras tantas. Uma vingança, a ignorância ou uma defesa. Agora é uma questão de sobrevivência. É cansaço com uma pontinha de desistência ou renúncia. Há tanto que eu não posso mudar que desisti de argumentar. Mesmo correndo o risco de ser mal interpretada.
Com grande pompa e solenidade diz-me uma voz cá dentro: "Silêncio que se vai cantar o fado!". E fico calada. Em silêncio a ouvir a dor disfarçada de alguém.
22 janeiro 2015
Estranha forma de vida
Não sei se é sabido, mas gosto muito de Amália. Gosto de fechar os olhos e ouvi-la cantar. Imagino-me numa sala de espetáculos a sentir a sua voz. Nunca tive essa sorte. Conta-me a minha mãe como foi bom ter tido essa oportunidade.
Gosto de ouvi-la e sinto qualquer coisa semelhante ao que sente. Tem qualquer coisa que me faz sentir acompanhada. Têm este poder os grandes artistas. Os grandes pintores, escultores, escritores e os outros todos.
Lembro-me de um questionário que preenchi um dia na Faculdade para ajudar a tese de alguém. Perguntava entre outras coisas se, quando olhava para um quadro ou uma escultura me sentia emocionada, se chorava. Respondi obviamente, que sim, tantas vezes me tinha sentido assim. Ouvi mais tarde uma conversa de corredor, dois colegas de turma a gozar com a pergunta, como se fosse absurda ou ridícula. Enchi o peito de orgulho. Que sorte tinha. De ver e sentir tanta coisa na sensibilidade dos outros.
É consolo dos não-artistas saber apreciar a arte dos outros, já que não temos nada de nosso. Saber ler um livro com prazer, ouvir uma música como se fosse cantada com a nossa alma, ou ver num quadro magnífico tudo o que a vida tem dentro dele.
Não tenho nenhum dom. Sei pouco sobre quase nada. Vivo perdida no meio da gente, cheia de paixão e sigo um coração que não comando. Perdida, desisto às vezes de deixar o coração bater.
Bebo um copo de vinho, leio qualquer coisa e ouço uma canção. E zango-me porque não consigo deixar de correr, mesmo que me faça mal, e o coração não pare de sangrar. Perdi-me já há muito por não reconhecer quem sou. Por ver no espelho uns olhos estranhos fixados nos meus. Alguém que passsou por cá e partiu sabe-se lá para onde, sonhando os meus sonhos, deixando os olhos nos meus, dormindo na minha cama.
Sou como a Amália mas tenho uma convicção. Que o meu cançaso vem apenas pela certeza do que faço é feito apenas por mim.
Gosto de ouvi-la e sinto qualquer coisa semelhante ao que sente. Tem qualquer coisa que me faz sentir acompanhada. Têm este poder os grandes artistas. Os grandes pintores, escultores, escritores e os outros todos.
Lembro-me de um questionário que preenchi um dia na Faculdade para ajudar a tese de alguém. Perguntava entre outras coisas se, quando olhava para um quadro ou uma escultura me sentia emocionada, se chorava. Respondi obviamente, que sim, tantas vezes me tinha sentido assim. Ouvi mais tarde uma conversa de corredor, dois colegas de turma a gozar com a pergunta, como se fosse absurda ou ridícula. Enchi o peito de orgulho. Que sorte tinha. De ver e sentir tanta coisa na sensibilidade dos outros.
É consolo dos não-artistas saber apreciar a arte dos outros, já que não temos nada de nosso. Saber ler um livro com prazer, ouvir uma música como se fosse cantada com a nossa alma, ou ver num quadro magnífico tudo o que a vida tem dentro dele.
Não tenho nenhum dom. Sei pouco sobre quase nada. Vivo perdida no meio da gente, cheia de paixão e sigo um coração que não comando. Perdida, desisto às vezes de deixar o coração bater.
Bebo um copo de vinho, leio qualquer coisa e ouço uma canção. E zango-me porque não consigo deixar de correr, mesmo que me faça mal, e o coração não pare de sangrar. Perdi-me já há muito por não reconhecer quem sou. Por ver no espelho uns olhos estranhos fixados nos meus. Alguém que passsou por cá e partiu sabe-se lá para onde, sonhando os meus sonhos, deixando os olhos nos meus, dormindo na minha cama.
Sou como a Amália mas tenho uma convicção. Que o meu cançaso vem apenas pela certeza do que faço é feito apenas por mim.
09 janeiro 2015
Desentendimentos
Estavam duas chupetas em cima da mesa da cozinha. A Sara apontou para as chupetas toda contente porque lhe pareceram muitas! Entretanto lembrei-me que uma das chupetas estava velha e estragada e sem lhe dizer nada, deitei-a ao lixo. A Sara Pegou na chupeta boa, abriu uma gaveta e atirou-a lá para dentro. Foi ao caixote do lixo buscar a velha, muito zangada, a olhar para mim com cara de má.
Para lhe explicar que a chupeta estava estragada, mostrei-lhe o rasgão. Ela olhou para mim, pegou na chupeta velha e voltou a deitá-la ao lixo. Abriu a gaveta, tirou a chupeta boa e foi para a sala.
Fim da história. É muito mais complexa do que parece à primeira vista.
06 janeiro 2015
O primeiro dia
Ontem foi o primeiro dia. E os primeiros dias são difíceis mas são também os dias em que há mais empenho.
No meu primeiro dia pensei antes de falar. Fiz silêncio sempre que me apetecia dizer o que não era importante. Escolhi sorrir sempre que me apetecia dizer algo desagradável. Falei apenas quando as minhas palavras me iam ajudar a chegar a algum lado. Evitei criticar sem saber a verdade. Encontrei uma situação em que alguém merecia um elogio e perguntei a opinião de um colega em relação a uma decisão que eu tomei, ouvi e gostei da resposta.
Parar de reclamar é MUITO difícil. Perguntei ao colega que partilha o escritório comigo se lhe incomodava muito que eu cantasse. Fico agitada quando estou de boca calada. Não tenho voz de rouxinol mas é bom saber que tenho colegas de trabalho que já me conhecem tão bem que me dão espaço para cantar. Afinal era o meu primeiro dia e apesar de ninguém saber que era o meu primeiro dia, o resultado já se fez ver. Houve alguém que se deixou torturar por saber que eu precisava de relaxar. Ou que preferiu o meu cantar ao reclamar. E considerando que canto mesmo mal, o reclamar deve ser ainda pior.
No segundo dia vou tentar fazer o mesmo. Vou procurar pelo menos uma pessoa que merece um elogio, pedir opinião a alguém, pensar antes de falar e tentar falar o menos que puder. Só não consigo prometer que deixo de cantar. Mas isso hoje não é tão importante. Tenho o escritório só para mim!
04 janeiro 2015
Momentos Extraodinários
E foi assim esta manhã se tornou tudo mais leve, num momento extraordinário, e porque as circunstâncias permitiram.
Volto a sentir a importância de estar sozinha. Não consigo voltar ao modo de funcionamento normal com pessoas à minha volta. E volto mais uma vez a notar que a presença da minha filha não me perturba a necessidade de solidão. Ai!***suspiro*** Que bem foi feita a natureza. Uma mãe que gosta tanto do seu buraco solitário não consegue ver a paz perturbada pela cria. Consigo inclui-la no espaço que tinha criado só para mim. E é assim que fico cada vez mais feliz. Por saber que está tudo muito bem pensado, fomos todos feitos para não nos perturbarmos uns aos outros.
Decidi esta manhã que amanhã vou ser diferente. Pelo menos até ficar cansada outra vez e a precisar de outro Domingo sossegado. Amanhã não vou estar cansada e vou-me lembrar que, já que não consigo ajudar ninguém, pelo menos não os vou prejudicar, que a minha paz depende da paz que dou aos outros e que o silêncio é quase sempre a melhor resposta.
Obrigada Dalai Lama. Hoje já fiz muita coisa. Até amanhã.
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