Hoje tinha duas hipoteses, (a) ia numa excursao ver as mulheres pescoco de girafa (b) ficava nesta terrinha. Escolhi a opcao (b), sem nada para fazer. Entao toca de arrnjar coisas para me entreter. Tomei o pequeno almoco (panqueca com mel e lassi de manga), aluguei uma bicicleta chunga (sou mesmo burra, escolhi a pior), dei uma passeio de hora e meia debaixo de calor torrido, tive que parar porque a asma assim mandou, tirei montes de fotos de vacas, vim ver os emails. Agora vou fazer uma massagem. Estou so a escolher um sitio com ar limpinho. Tambem tenho que escolher se quero massagem Tailandesa, com oleo, aos p'es ou com ervas.
Ai vida dura esta!!
Amanha vou a Sukotai (antiga capital do Siao) e depois vou tentar arranjar um voo que me leve para a praia. Isto se ainda tiver tempo.
Nao ponho mais fotos porque descobri que as fotos que ponho aqui a partir da maquina fotografica, desaparecem dando File Error. Agora estou com medo de por mais fotos e ficar sem elas.
Beijinhos, vou voltar a pedalar no meu chasso com nome de bicicleta.
PS - maezinha, continuo bem de saude, ainda nao fiz asneirs (a nao ser andar de mota sem capacete mas isso nao conta) e estou a descancar muito. Diverte-te em Londres
29 fevereiro 2008
28 fevereiro 2008
Claudia, A Teimosa
Depois do mergulo nas cascatas do rio Kwai, depois de ver uma das escavacoes feitas pelos prisioneiros de guerra para a linha de caminhos de ferro que os Japoneses queriam construir entre Tailandia e Burma, depois de andar no comboio que vai sobre tal caminho e depois de duas fotos 'a Death Bridge, uma daquelas ideias tipicas da Claudia veem ao ar!!!
E se eu assim de repente apanhasse o autocarro das 18h de volta para Bangkok (eram 17h30), e apanhasse o autocarro da noite para Chiang Mai (norte da Tailandia)?
Sem tomar banho, pego na mala, vou para a estacao de autocarro compro o bilhete, compro um pao e um leite com chocolate e enfio-me no autocarro de volta a bangkok. Se tudo corresse bem e a viagem durasse duas horas como previsto, ainda apanhava o ultimo autocarro para Chiang Mai. Mas houve um atraso de 30 minutos. E eu cheguei 'a estacao sul de Bangkok atrasada. E o autocarro para Chiang Mai era na estacao Norte. Meto-me num taxi toda stressada, com um condutor todo Zen a ouvir musica Tailandesa e chego 'a estacao norte dez minutos antes do ultimo autocarro sair para Chiang Mai. Apanhei o das 21h30.
10 horas de viagem num autocarro VIP que so' descrito! Bancos quase camas, cobertores, almofadinhas, cortinadinhos na janela...tudo muito Kitch e com rendinhas. Um funcionario vai distribuindo agua, um caixinha com bolinhos, mais tarde uns toalhetes refrescantes e de manha, um cafe. Mas que luxo. Fez-se bem a viagem apesar de ter pago um bocadinho mais do que queria.
Ora ja somava 13 horas de viagem e chegando a Chiang Mai decido ir directamente para Pai. Depois de perguntar em varios das centenas de guichets onde podia comprar um bilhete, descobri que uma carrinha saia para Pai 'as 7h30 da manha. 134 km que demoraram 4 horas porque era uma estrada serpente. Chego a Pai mais morta que viva e vou procurar hotel. O primeiro nao me agradou. Muito escuro. O segundo...super relax!!! Tenho um quarto enorme com almofadas no chao, um jardim cheio de tapetes para relaxarmos debaixo das arvores...so visto. Tudo isto na margem do rio.
Dormi um bocadinho no jardim, ate acabarem de me limpar o quarto, tomei banho e fui comer um green curry e beber um mango lassi. Ja com mais algumas forcas, decido que quero ir ver um templo no cimo da montanha. E forcas nas pernas??? Nao havia. Perguntei numa agencia de excursoes como havia de fazer. O senhor chamou uma mota-taxi, e la fui eu de mota, com um tailandes simpatico a levar me ao templo e a uma aldeia muito pitoresca Valeu mais o passeio de mota que o destino. Foi divertido, fresquinho (porque quase se morre de calor) e agora nao consigo pentear o cabelo.
Desconfio que o cansaco me vai atacar em breve. Ja estou a sonhar com o colchao debaixo da arvore no jardim do meu hotel.
Vou deitar-me. Mais uma vez o calor esta a moer-me o corpo. Amanha vou fazer uma massagem.
PS - para quem perguntou sobre as mulheres girafa, decidi que nao vou ve-las. Nao me apetece ir a um jardim zoologico humano.
26 fevereiro 2008
E 'ha vezes que parece que l'a de cima querem que descance
'Esta manha, meti-me na mini van que me ia trazer para Ranchanaburi. Dormi a maior parte da viagem. O que nao admira porque ando sempre com sono, ja comeca a chatear.
Sai' da carrinha depois de duas horas de viagem e, estando na rua mais turisitica pus-me 'a procura de um hotel que viesse mencionado no lonelyplanet. 'E sempre uma escolha segura porque mesmo sendo maus, nunca sao assim tao maus que nao se consiga la dormir. Andava 'a procura de um hotel que se chamava Bamboo house e que ficava mesmo em cima do rio Kwai. Mas mal comecei a caminhar vi uma seta para o Jolly frog cuja descricao do lonelyplanet era algo assim: o melhor relvado com vista para o rio apesar dos quartos serem pouco limpos, assim como os backpackers que l'a ficam a dormir.
Resolvi entrar e ...tcharam...relvado paraiso com arvores cheias de flores, quartos todos virados para o patio e cadeiras de praia espalhadas por todo o lado. Pedi para ver o quarto antes de me comprometer em ficar no Jolly Frog. Ok, a casa de banho de facto nao e das mais limpas e vou ter que usar o meu lencol-cama para onseguir dormir, porque os lencois que estao na cama...enfim...certamente que os clientes que la dormiram antes nao se queixaram (nao sei se se lembram desta anedota).
E foi assim que...mal pousei a mochila no chao, vesti o bikini e apanhei um solzinho maravilha com vista para as montanhas que rodeiam Kanchnaburi e que servem de pano de fundo para o rio Kwai. So fui perturbada pelas folhas que caiam das arvores e pelos barcos que passavam de vez em quando.
Ainda decidi caminhar um pouco pela cidade e tentar chegar a estacao de autocarro para pedir informacoes. Mas depois de uma hora a caminhar sob sol torrido, e de ter a blusa de linho colada ao corpo, pedi ajuda a dois hippies americanos que me arranjaram um riquex'o que me levou 'a estacao e depois ao cemiterio dos POW.
Amanha vou nadar nas tais cataratas de que vos falei, depois vou ver um museu sobre prisioneiros de guerra na segunda grande guerra e depois vou andar de comboio e passar por cima da ponte!!!
Depois vou fazer uma coisa super estupida. Vou-me meter num autocarro de volta para Bangkok, sem tomar banho nem nada, para tentar depois apanhar o ultimo autocarro para Chiang Mai, que fica a 10 horas de Bangkok. Quero fazer a viagem durante a noite. Mas digo vos ja que o mais provavel e chegar a bangkok e ter que arranjar um sitio para dormir ja bem tarde, e acabar por fazer a viagem de manha. Mas quem nao arrisca, nao petisca. E eu tou com vontade de fazer coisas assim. Arriscar um bocadinho e preocupar-me apenas com o que 'e realmente importante.
Esta' sempre tanto calor. Que ultimamente a minha melhor amiga e' a garrafa de agua.
T'as a ver maezinha, ando a tirar dias para descancar como te tinha prometido e nao ando para aqui feita doida a fazer coisas. Hoje ja tirei duas sonecas no relvado do hotel e uma no meu quarto. E agora meus caros...vou dormir outra vez. Amanha acordo cedo e o calor moi-me o corpo.
25 fevereiro 2008
A Ilusao das Ferias - 15 dias em que podemos deixar de ser nos.
Vir de ferias sozinha pareceu para muita gente algo anormal. Pois a verdade e' que sabia que nao me ia arrepender. Escolhi bem o destino. Um pais cheio de gente simpatica, organizado, talvez pagando se um pouco mais para ter a tal organizacao, mas valendo a pena.
Para quem estava preocupado com seguranca: Nunca senti perigo nenhum, e' tudo muito pacato, desde que se tenha uma boa dose de bom senso.
Para quem tinha medo que deprimisse com a solidao: ainda nao comi uma refeicao sozinha com a excepcao do noite em que cheguei ca. Ontem passei o dia com o Eric, do Quebec, e hoje fiz uma excursao e conheci uma holandesa e uma canadiana que convidaram para jantar no final da excursao.
Estou a conhecer pessoas simpaticas, normais, interessantes, estou a comer super bem, o tempo esta bom, os tailandeses sao simpaticos, os tuc tuc sao todos novinhos, ja vi mais de um milhao de budas em todas as posicoes possiveis, e ja percebi o fascinio dos homens com as tailandesas. Tem sempre um sorriso e em vez de caminhar, bamboleiam o corpo delgado e fragil. A unica altura em que se acaba a delicadeza e' quando nos torcem todos nas massagens (sim, estou viciada, mas a 5 euros por hora, qualquer um ficaria).
Nao vos consigo explicar porque gosto tanto da Tailandia. Nao ha nada que seja absolutamente "breath taking". Talvez seja por ter vindo com expectativas tao baixas e ter apanhado uma enorme surpresa. Talvez seja porque nao me estou a preocupar com nada, apenas no que vou fazer a seguir....e mesmo assim...
Amanha parto para Kanchanaburi, para ver a ponte que inspirou um dos meus filmes preferidos (The Bridge on the River Kwai) e cheia de esperanca de conseguir um guia que me leve a nadar numa queda de agua com sete cataratas.
E e' este o meu objectivo para amanha. Nadar debaixo de quedas de agua. E continuar a sentir-me feliz.
20 fevereiro 2008
No Sábado
Aconteceu muita coisa esta semana. Estive sempre a sentir-me cansada, com alguma coisa para fazer. Tão ocupada estive que ainda nem tive tempo para começar a fazer a mala para ir para a Tailândia. Sexta-feira saio do aeroporto de Lisboa. No Sábado estou em Bangkok.
11 fevereiro 2008
O Maior Drama da Humanidade
Na opinião de D. José Policarpo, "o ateísmo e a indiferença em relação a Deus constituem o maior drama da humanidade".
Cá eu acho que ele devia fazer umas férias a um campo de refugiados num país longe daqui mas de qualquer forma, sinto me importante por saber que contribuo para um drama desta dimensão. É um bocado como fazer parte do elenco de uma telenovela da noite.
O D. Policarpo diz-nos ainda que "um descrente não pode imaginar o que é viver com Deus." E realmente tem toda a razão. Já vivi com um Sueco e a experiência foi boa. Agora moro sozinha e acho que ainda é melhor, com a desvantagem de não ter com quem dividir as contas. Tenho um quarto vago na minha casinha. Se deus não se importar de pagar metade da renda, terei todo o gosto em recebê-lo. Também gostava de saber como é viver com deus. Deve ser arrumadinho. E aposto que põe a tampa da sanita para baixo.
09 fevereiro 2008
Sempre muita coisa
Sentir alguma coisa forte constantemente. Emoções que me impeçam de pensar, que me ocupem o tempo, não ter tempo para parar, preocupar-me sempre com algo, preocupar-me, stressar, sentir muita coisa, fazer muitas coisas ao mesmo tempo, ter sempre medo, sensações novas, que me façam sentir bem ou que me façam sentir mal, mas que me façam sentir. Ir onde não conheço, fazer o que nunca fiz, ir para casa por uma rua escura, arriscar e mudar muitas vezes. Ter peso na consciência porque não era suposto gostar, ter preconceito contra mim mesma porque foi bom, ou foi mau, mas foi qualquer coisa, sentir-me mais desperta, mesmo sentindo-me pior, sentir-me bem assim, sentir-me culpada, com medo de me arrepender de o fazer, de me arrepender se não o tivesse feito, com medo que fiquem a saber. Que me sinto bem, que me sinto mal, que penso demais, que é tudo pesado, que foi bom, que me senti bem e depois mal mas bem no final. Sentir desejo para não sentir mais nada. Sentir desejo porque prometi não sentir mais além e contentar-me com isso. Nao querer mais afinal. Ter vontade de muita coisa, de saber e de ver mais, do que vem a seguir, não ter medo de ter medo, não deixar de fazer nada por o ter, saber que nunca é tão mau como antecipamos. Afinal não foi assim tão mau. Chegou até a ser bom e valeu a pena. Fizeste-me sentir desejo.
08 fevereiro 2008
07 fevereiro 2008
Música para Quinta-Feira à Noite
Don't you know that I'll be around to guide you
Through your weakest moments to leave them behind you
Returning nightmares only shadows
We'll cast some light and you'll be alright for now
Crosses all over, heavy on your shoulders
The sirens inside you waiting to step forward
Disturbing silence darkens your sight
We'll cast some light and you'll be alright for now
Crosses all over the boulevard
The streets outside your window overflooded
People staring they know you've been broken
Repeatedly reminded by the looks on their faces
Ignore them tonight and you'll be alright
We'll cast some light and you'll be alright
05 fevereiro 2008
Morar na Aldeia
Através do Google Earth, vejo todas as piscinas das casas da vila onde moro. A vista de cima, ao longe, mostra apenas aquilo que normalmente queremos ver. Prosperidade e conforto, um mundo igual ao nosso . Esconde-se a realidade que preferimos não conhecer, escondida atrás de portas onde não entram satélites.
Quando espreito para dentro das casas de porta aberta, vejo interiores escuros, quase lúgrubes. Paredes por pintar, roupas a secar no quintal de terra batida, crianças despenteadas, velhinhos sentados em bancos e mulheres a quem não sei adivinhar a idade.
Hoje, enquanto tentava abrir a fechadura ferrugenta da caixa de correio, a minha vizinha da frente veio falar comigo. Perguntou “vai mudar-se para essa casa?”. Respondi que já me tinha mudado há umas semanas. “Casa grande..:” Sim, é grande para uma pessoa. “Mora sozinha?? Pensei que tivesse marido. Eu também estou sozinha. Estou divorciada. Moro com os meus dois filhos."
Os dois miúdos olhavam para mim, do lado de fora do portão.
Então não mora sozinha, tem os dois filhos. Sempre tem mais que eu.
“É verdade. Mas a minha casa dava era para sí. Um quarto, a sala e a cozinha. Pago 35 contos. A sua deve ser mais cara. Sabe, agora estou desempregada. Recebo o fundo de desemprego. Até há pouco tempo trabalhava e ainda trazia 80 contos para casa. Agora trago um bocadinho menos. Mas então mora aí sozinha...numa casa tão grande...Estamos as duas sozinhas. Eu ainda tive um namoro mas ele não me tratava muito bem. Ainda me manda mensagens de vez em quando. Mas eu...sabe como é. A senhora é que deve ganhar bem, que essa casa ainda deve ser cara para um pessoa. Onde é que trabalha? Aaah, conheço. Pois, aí devem pagar bem.
Fiquei sem saber como se chamava. Disse que se precisasse de alguma coisa podia bater-me à porta, agora que já me conhecia. Não quis saber mais do que já tinha aprendido. Também eu queria ver só as casas com piscina. E não queria que as vidas dos outros entrassem na minha.
Quando comecei a ter vontade de ir embora para outro país, há já muitos anos e porque Portugal sofre de pobreza económica e de espírito, porque as mentalidades são estreitas e porque as oportunidades são poucas, a minha mãe disse que talvez fosse minha obrigação ficar. Em vez de fugir a isto devia fazer alguma coisa para mudar. Voltei e continuo a saber que não vou mudar nada. Mas fico contente por conhecer vários sítios e agora esta aldeia. Porque ficamos a saber e vemos de mais perto, que as vidas dos outros são diferentes das nossas. Às vezes para melhor, às vezes para pior e outras simplesmente diferentes. Não tento mudar nada, mas descrevo o que vejo. E cada um que retire daqui a mensagem que quiser. Sei que não vou ensinar nada a ninguém.
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