Tenho um amigo que, quando terminou uma relação de três anos, repetia para si próprio: "Andamos aqui enganados! Andamos todos enganados!" E eu, a tentar animá-lo, fui dizer-lhe que não, que não me acreditava nisso. Nessa altura ainda acreditava que eram possíveis os relacionamentos baseado na confiança. E de certa forma, ainda acredito. Mas se fizéssemos um estudo matemático, o resultado seria uma probabilidade muito magrinha. Acontecimentos recentes vieram provar que tudo aquilo em que acreditava estava errado. Andei 10 anos enganada. E só com esta idade toda me apercebi como funcionam as relações – de amizade, de paixão ou de amor, que mesmo sendo diferentes, são afectadas da mesma forma pelas diferenças homem vs mulher. Percebi que temos de tolerar muitas coisas que vão contra os nossos princípios. Que temos de perdoar muitas mentiras. Que temos que aceitar o facto de nunca conhecermos realmente ninguém. Por muita que tenha sido a intimidade partilhada. Conhecemos apenas aquilo que nos dão a conhecer. Descobri também que ainda me vou desiludir muitas vezes porque sou muito crédula e porque acho que tudo o que me dizem é verdade. Percebi que por vezes me mentem porque sabem que sou assim.Acredito que uma amizade sobrevive a qualquer coisa. E que a falar nos entendemos. Se não houver abertura para uma conversa, e se nem a falar se resolver o conflito, é porque na realidade, nunca houve amizade.
Se calhar, andamos todos a enganarmo-nos.
imagem: Everything You Know Is Wrong: The Disinformation Guide to Secrets and Lies
Um Livro de Russ Kick, publicado por Disinformation Books
4 comentários:
Pois é
A vida é mais complicada do que parece
Mas tem que levar as coisa com calma e ter sempre a certeza do que tu queres
Aos 35 anos e depois de algumas cabeçadas, continuo a achar que um pouco de ingenuidade nos faz falta (misturadito com uma pitada de cepticismo). Temos que partir do príncipio que as pessoas são boas, senão ficamos seres amargos e cínicos. E de outra forma, nunca estamos receptivos às coisas boas - que também as há. Se alguém nos desiludir, então vai para a lista "NÃO".
Opá, mas a minha lista NÃO é tão curtinha!!
Andei a pensar nisso desde o jantar "sui generis" a k fomos, e no fundo nós próprios é nos enganamos, pois não conhecemos realmente bem a outra pessoa. Ganha cada vez mais força o k o Prof. Agostinho da Silva dizia "nunca me desiludi com nada nem ninguém, porque nunca andei iludido"...
Ao iniciar um novo ano, k certamente será melhor k este, não nos devemos esqueçer do mote, Prá frente k para trás mija a burra!!!
Bjs e um ano mitico
O amigo
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