"Hora de volúpia divina. Os livros de devoção à Virgem ardiam em suas mãos. Falavam-lhe uma linguagem de amor, que cheirava a incenso. Maria já não era a adolescente velada de branco, com os braços cruzados, de pé, a alguns passos da cabeceira do seu leito; chegava no meio de um esplendor, tal como João a viu, vestida de sol, coroada de doze estrelas, tendo a lua aos pés; embalsamava-o com o seu belo aroma, inflamava-o até no calor dos astros flamejando na sua fronte. Prostrava-se diante dela, dizia-se seu escravo; e nada havia mais doce do que esta palavra «escravo», que ele repetia, que saboreava mais, na sua boca balbuciante, à medida que ele se esmagava a seus pés, para ser a sua coisa, o seu nada, o pó aflorado pelo voo do seu vestido azul. Dizia como David: «Maria nasceu para mim». Acrescentava como o Evangelista «Tomei-a para meu único bem». Chamava-lhe «Minha querida soberana», faltando-lhe palavras, chegando a um balbuciar de criança e de amante, tendo apenas o sopro entrecortado da sua paixão."La faute de l'Abbé Mouret
Émile Zola
Com um agradecimento especial aos alfarrabistas que me permitem comprar os clássicos da literatura francesa por um euro e meio. Mesmo este que, para quem leu o Crime do Padre Amaro, não traz nada de novo.
4 comentários:
Uma gaja tem que aturar cada um...
Maria: da próxima vez que quiser fazer comentários que não têm a ver com o tema dos meus posts e do meu blog em geral, agradeço que o faça para o meu e-mail provado claudia_antunes@hotmail.com
Terei todo o gosto em responder. Aqui no meu blog, tenho imensa pena, mas não lhe respondo!
Realmente...
Esta rapariga tem algum problema. só pode!
É preciso ter lata!
Adiante... E desculpe Cláudia a intromissão.
Sissi?!?! Maria?!?!?
Meus Deus, anda tudo louco...
Enfim, era só para dizer que o Mouret é pouco original, mas não há melhor sensação do que a da compra de velharias.
Eu por exemplo sou um coleccionador da famosa publicação "Menina Moça".
P.S. Maria é nome de bolacha.
Nossa hahahahaha... Eu estava pesquisando sobre O É.Zola, livro "O Crime do Padre Mouret". Ai pensei... Bacana aqui vão ter comentários bons... Que nada, um papinho nada com nada...
O padre se apaixonou pela senhorita que cuidava dele enquanto estava doente e febril, seu pecado foi quebrar o celibato. Arrependido foi embora deixando a moça morrer de saudades dele... Um dos melhores livros do Zola e não existem comentários sobre a obra... E o pior não encontro quase nada por aqui, por ali, por acolá... Mas.
Termino aqui com a frase do autor de O Crime de outro Padre... hehehehe...
“Por um gesto julgamos um caráter; por um caráter julgamos um povo”
Eça de Queiroz
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