09 novembro 2006

Crónica Nos Tempos de Coimbra

Nos primeiros anos de Coimbra, passei muitas noites sentada nos cafés de Celas ou da Praça da República a beber finos com a minha irmã. E foi num desses serões que surgiu a nossa banda. Eu era a baterista, a minha irmã a vocalista e tínhamos mais duas gajas na guitarra e baixo.

Era nesses cafés que criávamos os temas do nosso reportório. Alguns são agora considerados os clássicos da nossa banda, como a versão death metal do Caracol Caracol põe os Corninnhos ao Sol. Foi numa dessas noites, e depois de muita cerveja, que surgiu a ideia para o nosso primeiro Hit, que deu também origem ao nome do nosso primeiro álbum:
Palavras de Ordem
(cantado aos gritos pela voz heavy metal da minha irmã)
Destruição!
Mutilação!
Frustração!
Alienação!
Amputação!

As noites de quinta-feira na Cave das Químicas serviam-nos de inspiração. Foi aí que surgiu a ideia para os nossos concertos apocalípticos, onde uma vaca morta, pendurada no tecto pelas patas, era esquartejada e o sangue corria pelo palco até ao público. A ideia de usar um lança-chamas para queimar o pelo à vaca teve que ser abandonado por motivos financeiros. O napalm estava pela hora da morte!

Ai é tão bom ser estudante e ter sonhos. Usar calças elásticas pretas, casacos da tropa em segunda mão comprados na Rua Escura no Porto e Doc Martens com biqueira de aço trazidas de Londres.

E foi por sempre ter sonhado em ser baterista numa banda violenta de metal que fui estudar para a Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

8 comentários:

Cláudia disse...

Era isso!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

As incêndio florestal!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

nem imagina as horas que estive a para me tentar lembrar do nome!! E a Gijas também não se lembrava!!!

Cláudia disse...

Que memória de elefante!

Não consigo tirar um sorriso estupido da cara a lembrar-me disto! Que galhofa meu!

Anónimo disse...

Bons velhos tempos... O quanto a gente se divertiu.
Acho que ainda há uma incêndio florestal dentro de mim. Um dia destes vou para o vondelpark cantar um dos nossos hits, nao sei porquê algo me diz que vou encontrar fãs por lá.
Gijas

Anónimo disse...

Eu também tive varias Bandas e depois de ler o teu Post lembrei-me dos vários festivais de musica moderna que corri e as saudades que tenho desse tempo passar a vida a viajar por Portugal a tocar em locais sai condições mas sempre com os amplificadores e o meu Baixo as costas
Muitas Saudades

Cláudia disse...

Pois Tamagoxi, com a única diferença que a tua era real e a minha fictícia!

Anónimo disse...

Incêndio Florestal...
Depois de uma semana daquelas, e com a perspectiva de uma sexta-feira das outras, só uma recordação destas para me dar energia para continuar.
Muito e muito obrigado...
Eu também tive (e acho que continuo a ter) a minha banda fictícia.
Como me dizia um amigo brasileiro, "coisa bonita essa, o sonho"
A minha nunca teve nome, mas chegaram a ser gravados no W.C. em K7 dois Hits, "Anabela", o qual eu ainda hoje considero como sendo o Stairway to Haven da musica portuguesa e "Sol de Verão"...
Coisa bonita essa, o sonho.

Eva Antunes disse...

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

de António Gedeão

Cláudia disse...

Alcebíades, sempre com palavras simpáticas.

É bom saber que não somos os únicos com delírios. Mas estes sonhos de adolescente incosnciente é do melhor que há!

Quem é a Anabela??