29 abril 2007

Lugares de Conforto



Em Lisboa, já descobri o meu. A Cultura do Chá, no Bairro Alto. Onde posso passar a tarde a ler, a comer quiche ou scones, e a beber chá mate gelado. Porque faz muito calor para bebidas quentes!

28 abril 2007

Crónica A Porteira

Quando estou em Lisboa, fico alojada num apartamento antigo, como já não se constroem mais. Sete assoalhadas, uma marquise e cozinha enormes, cheio de sol. Chão em madeira e quarto dos fundos que serviria para uma empregada residente. Se nos esquecemos de fechar as portas de correr, os vizinhos não podem chamar o elevador que tem toda a estrutura e cabos à vista.
Este prédio tem mais uma característica muito típica dos prédios antigos de Lisboa: uma Porteira que ocupa o apartamento do rés-do-chão.
Desconheço por completo a necessidade de uma Porteira num prédio como este, e é uma função um pouco salazarista. A senhora senta-se numa cadeira à entrada, a controlar quem entra e quem sai. Já me viu várias vezes a entrar e sair do prédio mas mesmo assim não é capaz de me reconhecer. A idade não perdoa e as capacidades espiatórias já não são o que eram.
Esta manhã saí cedo e cumprimentei-a. Regressei pouco tempo depois e quando procurava as chaves na carteira para abrir a pesada porta de ferro e vidro, a Porteira deixa-me entrar. Estava nas escadas a bisbilhotar.
- Obrigada.
E sigo a subir as escadas.
- Desculpe, a menina vai para onde?
- Vou para o 1º esquerdo...
- Entra assim sem dizer nada e eu não a conheço. Preciso saber para onde vai.
- Então...mas, ainda agora a cumprimentei, quando ia a sair.
- ah pronto! Não me recordo...
Eu também não me recordo de ter que dar justificações quando entro com a minha chave no meu prédio. Também não me recordo do tempo em que o quarto dos fundos era ocupado pela empregada residente que vinha da provincia. Nem de prédios com porteira.
Parece-me algo que faz falta na América do Sul ou em Nova Iorque. Faz-me lembrar as histórias do tempo do Salazar, quando se trabalhava em troca de tecto e comida.
Não gosto da Porteira. E acho que ela também não gosta de mim.

Amor a Fazer de Conta

temporariamente removido pelo autor!

27 abril 2007

Manuel de Escrita Criativa

Posso até ler os livros todos de todas as bibliotecas e todos os Manuais de Escrita Criativa disponíveis nas livrarias. Mas a minha inspiração criativa há-se sempre vir dos homens.

Música para Sexta-feira



Athlete - Wires

Plágio

Para o viajante que chega de Comboio a Lisboa, vista pela janela, a cidade abre-se como uma visão decadente e escura, sobressaindo contra o azul do céu, que a luz do fim-do-dia e as nuvens entristecem.
As casas velhas e por pintar, os armazéns à beira-rio, e as ruas desordenadas, encavalitam-se por baixo da grandiosidade dos edifícios histórico.
Homens encostados à parede bebem cervejas à porta das tascas. À conversa esperam que chegue a hora de recolher a casa, onde o jantar anuncia o fim do dia de descanço. Amanhã é dia de trabalho. E eu digo-lhes adeus através do vidro. Amanhã também vou trabalhar.
Comecei a ler um livro sobre escrita criativa. Apesar de saber que os livros não são santos milagreiros, tenho esperança de aprender qualquer coisa.
Este texto não é plágio, é apenas um exercício do livro, uma adaptação minha de um texto do Fernando Pessoa.
Amanhã transcrevo o original.

Complicado

...

Amiga: Às oito da manhã mandei-o embora. Fiquei confusa.
Eu: Mandaste-o embora? Assim cedo de manhã?
Amiga: Mandei. É complicado. Fiquei confusa. Não sei se me deva sentir mal...
Eu: Não sintas..
Amiga: Pois, o problema é esse, não sinto nada...

...

25 abril 2007

23 abril 2007

As maçãs com minhoca são as mais doces

A campanha de abstinência do presidente Bush foi considerada um fracasso. Gastaram-se milhares de dólares para convencer a juventude americana que a única forma eficaz de evitar uma gravidez indesejada ou uma doença é a abstinência. Esqueceram-se dos contraceptivos, da educação sexual, do acompanhamento dos pais, e da sensibilização para uma sexualidade mais saudável.
Pelo que entendi, os jovens que optaram por juntar-se a um "grupo de abstinência", iniciam a sua vida sexual 18 meses mais tarde dos que os que não escolheram essa opção. Mas mesmo assim, os resultados da campanha não foram animadores.

Com slogans como "Would you eat a cookie that already had a bite out of it?" não convenceram ninguém. Mas fizeram-me rir.

Já dizia o meu pai, quando me via a apanhar fruta nas macieiras do nosso quintal: "Apanha as que têm minhoca. Se elas escolheram essas maçãs para dar umas dentadas, é porque são as mais doces."

22 abril 2007

A Caminho de Lisboa

Estou quase a partir para a terra sem Internet, e não consigo escrever nem uma linha para uma crónica de despedida. Regresso em Maio. Até lá vou visitando o Cyber Café do Picoas Plaza e espero que a viagem de comboio e a estadia em Lisboa me inspirem para escrever qualquer coisinha. Cada vez é mais difícil manter o Claudipédia. Principalmente porque a partir desta semana começo a fazer turnos à noite.

Até breve.

Música para Domingo à tarde



Thirteen Senses - Into the fire

There are only two kinds of people who are really fascinating: people who know absolutely everything, and people who know absolutely nothing. Oscar Wilde

21 abril 2007

Fazer Cerimónia

Não há nada que me irrite mais do que alguém que me diga “ não faça cerimónia”. "Fazer cerimónia” é daquelas expressões que me custa a entender e que duvido que exista em mais alguma língua que não no português.

Facilmente se confunde boa educação com “fazer cerimónia”. Se não falo alto para não incomodar quem está à minha volta, se como de garfo e faca, se cumpro com as regras que a minha mãe me ensinou em casa, não estou a fazer cerimónia. Estou a ser educada (ou a tentar!). Pelo menos de acordo com os standards da minha casa. E são coisas que saem com naturalidade se sempre as fizemos.

“Espero que não se importem, mas vou fazer de conta que estou em casa e vou comer só com o garfo.” Epá! Come lá como tu quiseres, não me incomoda nada. Mas em casa, a minha mãe não me deixava descansar o braço esquerdo quando estávamos à mesa.

Em algumas situações posso sentir-me desconfortável, desadequada, constrangida, tímida, envergonhada, insegura, acanhada. Mas muito dificilmente estarei a “fazer cerimónia”. Até porque não sei bem o que isso é.

20 abril 2007

Crónica Sabedoria Popular

Cheguei a uma fase em que já nem tudo parece ser vivido pela primeira vez. Começam a repetir-se muitas coisas. E não me refiro apenas a lugares ou a pessoas mas a emoções e experiências. Começo a sentir cada vez mais, em algumas situações, que já lá estive e que já passei por aqui. Já são menos as surpresas.
É bom? É mau? É bom. É já saber o que fazer e que resposta dar.
Estas repetições fazem-me sentir confortável e compensam de certa forma todas as coisas novas que me estão a acontecer.
Deve ser por isso que é bom envelhecer. Sabemos cada vez mais e cada vez mais também, estamos preparados para enfrentar situações em que não sabemos nada.

19 abril 2007

Música para a sexta-feira



Nick Cave- into my arms

Viagens ao Passado

Podem ser boas e podem ser más. Podem ser uns lençóis de baixo brancos com bolinhas verdes e de cima, com riscas verdes.
Os mesmos onde dormi algumas noites em Coimbra. Os mesmos que fui encontrar em Lisboa, sete anos mais tarde. É bom encontrar quem não vemos há muito tempo e sentir o que está diferente. Mas há o que nos dá conforto porque ficou na mesma.
Esta noite não vou dormir debaixo de um céu cheio de estrelas, como sonho tantas vezes. Vou dormir com riscas e bolinhas verdes. As mesmas que dormiram comigo muitas vezes, há muitos anos atrás.

17 abril 2007

Crónica Não Crónica

Não tenho tido tempo.

Passo muito tempo de pé, a aprender muita coisa ao mesmo tempo, a conhecer muita gente nova por dia. Já aprendi a colar preços, fazer descontos, a fazer o scan de produtos na caixa, técnicas de vendas de móveis, gama de produtos, logística...

Chega o fim do dia e tenho que jantar com os colegas porque é importante ficar a conhecê-los, tenh oque me encontrar com os amigos da faculdade que já não vejo há mais de sete anos, tenho que procurar super-mercados, fazer e desfazer malas...

Ontem mudei de casa e agora fico, até Julho, a morar ao lado do parque Eduardo Sétimo. Tenho muitas "amigas" à porta de casa e ontem, enquanto procurava as chaves para entrar, abrandaram muitos carros para me ver. Pensaram que era carne fresca. Aperceberam-se que não era quando repararam que não tinha as pernas à mostra.

Já me encontrei com dois amigos que não via há imensos anos. É fantástica esta sensação de se ter criado amizades que duram para sempre. Fui ter com uma no Domingo e com outro ontem à noite. Foi como se o tempo não tivesse passado. Estamos mais velhos, mais sábios, mais seguros. O que está na mesma é a amizade.

Olhem só a sorte que eu tenho!

15 abril 2007

Eu vim para casa

Sábado à noite no Bairro Alto:

L - Eu quero ir ao Buddha...
V - Mas nem sabemos onde fica!
L - Tenho uma amiga que foi e gostou muito.
Eu - Perguntamos a alguém.
V - Pergunto já aqui a este tipo encostado à parede. És de cá?
Rapaz Encostado à Parede (REP) - Sou.
V - Sabes onde fica o Buddha?
REP - Não conheço...
V- É a discoteca da Maya.
REP - Na Damaia?? Epá! Isso é longe!
V- Damaia??!! Não!! A discoteca da-Maya. A Maya, conheces?
REP - A Damaia fica na Amadora e isso fica longe. Não conheço bem.
V - Oh carago! A Maya é uma pessoa, não é a cidade!
REP - Não sei. Para ir para a Damaia ainda pagam um bocado de taxi...
V - Eu estou a falar da Maya, a relações públicas!
REP - Não estou a perceber...
V - Esquece...

14 abril 2007

Roupa à Janela


Sempre que vejo roupa estendida, lembro-me de um disco muito velhinho que o meu pai tinha quando eu era pequena e que punha muitas vezes a tocar no gira-discos. O Vasco Santana a dizer poesia e quadras populares. Havia uma que era mais ou menos assim:
Oh sua descaradona
Tira a roupa da janela
Que ver a roupa sem dona
Me lembra a dona sem ela!
Fotos: Alfama, Lisboa

Dia de passeio por Lisboa

O meu nível de felicidade continua em alta. Interrompido apenas por breves momentos de pânico, quando olho para o calendário. Sempre que me lembro que daqui a três meses assumo a minha função em pleno, a minha testa começa a franzir. Mas isso agora não interessa nada. Estou em Lisboa, está sol e espero que a L******, a S***** e a D*** acordem para ir para a baixa e depois ao Castelo de S. Jorge e à Graça.
Continuo a não conseguir escrever crónicas. Preciso de mais tempo sozinha para ter ideias. Descobri que a solidão é fundamental para manter um blog "up and running".

Crónica Mais uma viagem ao passado

Estou a ter formação na mesma loja onde costumava ir, como cliente, com o meu ex-namorado. Esta semana já vi o candeeiro que tinhamos ao lado da mesa de jantar, a caixa do pão, o tapete do quarto, os edredons e almofadas...
Gostava de ser menos agarrada ao que já foi, mas não consigo evitar as viagens ao passado. Estou sempre a lembrar-me das tardes que passamos a comprar o recheio da casa.
O mais estranho é que não fico triste. Fico com mais vontade de repetir a experiência. Mas desta vez já sei que poderá não ser a casa onde vou ficar para sempre.

12 abril 2007

Crónica Dores nos Pés

Aqui estou eu em Lisboa. Andei a pé uma hora à procura de um internet café e finalmente descobri um no Picoas Plaza.
Ainda não tive tempo para escrever uma crónica a sério. E também não vai ser esta noite porque há festa lá no apartamento.
Ontem à meia noite e meia tive que expulsar os tipos que resolveram fazer da minha sala a tasca da esquina. Depois fiquei a sentir-me mal. Sou a chata lá de casa (estou a partilhar o apartamento com 3 colegas de trabalho que se deitam bastante mais tarde que eu e que convidam os amigos todos sem perguntar se eu me importo).
Já sei tudo sobre estantes, camas, tapetes e móveis em geral. O que é interessante para quem vai ser chefe de restaurante!!
Agora a sério. Estou a aprender muito mas passo o dia todo de pé e doem-me muito as pernas. Vou acabar a semana de rastos mas feliz, que é o que interessa.
Não gosto nada de crónicas a descrever o meu dia, mas perdoem-me lá esta vez. A próxima já será mais como as do costume. Já tenho papel e caneta na mesinha de cabeceira. Só preciso de encontrar uns minutos de sossego, que até ao momento foi impossível e tão cedo não vai acontecer.
Fica prometida uma crónica para Sábado.

10 abril 2007

Intolerância à Lactose

Sou intolerante à lactose. Depois de dois anos de dores de barriga constantes e depois da minha mãe sugerir uma ida ao psiquiatra “porque ninguém normal tem tantas dores de barriga e isso só pode ser psicossomático”, descobri que tinha que deixar a minha bebida preferida. Custou-me mudar os meus hábitos alimentares mas depois de uns anos, habituei-me. Posso beber meio copito de leite de vez em quando, que não me acontece nada. Mas se beber uma meia de leite todas as manhãs no café Canal 11, em frente ao centro de congressos onde tive formação esta semana e a passada, acontece qualquer coisa…

Estou verde de dores de barriga.

09 abril 2007

Crónica Comprida Demais

Quarta-feira começo a trabalhar em Lisboa. Vou lá ficar 2 a 3 meses e a empresa arranjou-me um apartamento bem no centro da cidade, perto de tudo. Já ando a sonhar com o que quero fazer nos meus dias de folga. Quero ir ao teatro, à Gulbenkian, a cafés bem decorados e a exposições. Quero aproveitar a vida numa cidade grande. Quero ir beber um sumo de laranja e comer uma torrada ao miradouro da Graça, passear pelas ruelas que vão dar ao castelo e tirar muitas fotografias.

Morei um ano em Lisboa há uns anos atrás e foi o período mais solitário da minha vida. Tenho más recordações daqueles meses de angústia. Passei muito tempo sozinha e assustada porque me sentia desconfortável numa cidade tão grande. Mas por haver tanta coisa para fazer, vim embora com boas recordações também.

Seis anos mais tarde, volto com uma atitude diferente. De certeza que já não vou achar a cidade tão grande e apesar de saber que vou continuar a fazer muita coisa sozinha, sei que não me vai incomodar tanto.

Estes meses vão ser uma quebra na minha rotina. Não gosto de morar em Espinho e estas mudanças, mesmo que temporárias, trazem alguma aventura à minha vida.

Espero arranjar inspiração para escrever muitas crónicas. E espero que o bom humor das últimas semanas se mantenha. Gosto mais de mim assim.

ShinyStat

O ShinyStat está de volta. Estava a fazer-me falta. Peço desculpa a quem me demonstrou desagrado por ter este contador no blog, mas a minha intenção não é saber quem acedeu mas sim quantas pessoas.

De qualquer forma, de quarta-feira, dia 11 de Abril, até Sábado, dia 21 de Abril, eu vou estar em Lisboa sem internet, nem em casa nem no trabalho. Com um bocado de sorte encontro um sítio com internet perto da minha residência temporária.

08 abril 2007

Três dias com demasiado tempo para pensar

1) Passei o fim-de-semana a ler um livro péssimo, sem interesse nenhum, e estou irritada com o tempo que perdi a aprender nada.

2) Estou cansada de ir às compras e chegar à conclusão que estou absurdamente gorda e que não há nada que me fique bem. Passar dois meses fora de casa não me vai ajudar a perder peso. Comer como um alarve também não.

3) Quando será que vou poder ver os Mão Morta ao vivo outra vez?

4) Ter que deixar de publicar crónicas diariamente e desistir das três sessões semanais no ginásio deixa-me desgostosa.

5) O desconhecido causa-me ansiedade.

6) Instalar banda larga foi a melhor coisa que me aconteceu.

7) Não gosto de conduzir para o trabalho no meio de transito infernal. Por outro lado, não quero ter que me mudar para Matosinhos.

8) O ipod que recebi no meu aniversário melhorou a minha qualidade de vida.

9) Dói-me a alma.

10) Alphaville é a melhor banda do mundo.

11) Tenho que me conter para que as pessoas que vier a conhecer a partir de agora não se apercebam que tenho a mania que sei tudo. Deve ser aborrecido ter que lidar todos os dias com alguém como eu.

12) Há alguém que me explique onde posso ir buscar força de vontade para parar de comer tanto?

13) Li um artigo no suplemento de um jornal qualquer sobre o Pedro Mexia e descobri que consigo achar as pessoas interessantes mesmo sendo muito diferentes de mim. Até podem ser de direita e achar que as férias ideais são uma viagem algures na Europa e ter exactamente o mesmo que temos cá, mas melhor e com mais variedade e qualidade. Descobri que o Pedro Mexia seria a pior companhia para as minhas férias, mas mesmo assim acho que é um personagem interessante. Não que ache que o Pedro Mexia quisesse ir de férias comigo. E ainda bem porque eu não queria ir de férias com ele.

14) Se calhar devia parar de pensar em férias, até porque férias, só para o próximo ano.

Páscoa

Esta manhã acordei com o sino do compasso que passava na minha rua. As meninas com os trajes minhotos e o padre passaram cedo de manhã e disseram adeus à família Antunes. Não temos flores à porta de casa mas aqui em Moledo, o padre gosta de toda a gente.

07 abril 2007

Chocolate, eu preciso é de chocolate! (e vinho tinto)

Estou a ler um livro chato e estúpido, a Time da semana passada não tem nenhum artigo interessante, só consigo pensar em trabalho, estou a passar a Páscoa na aldeia, não tenho banda larga e parece que ultimamente não me cruzo com ninguém digno de ser mencionado.

De tarde vou passear pela montanha e procurar inspiração. Porque assim, é impossível lembrar-me de temas para uma crónica.

05 abril 2007

Zero 7 "Destiny"

Os homens da minha vida

Gosto muito dos homens da minha vida e queria falar-vos sobre eles. São homens que se cruzaram por mim por acaso, nalgum momento da minha vida. Alguns ainda eram rapazes quando os conheci. Não fazem ideia que os considero como os homens da minha vida. Nunca lhes disse e nunca fomos mais do que amigos. E muitas vezes nem sequer muito próximos. Mas secretamente desejo que um dia casem comigo e desejo ser mãe dos filhos deles. Para poder replicar tudo de bom que vejo neles. De forma muito lírica, esqueço-me que na realidade não devia considerá-los meus, porque só podemos chamar nossos àqueles que por vontade própria, querem ser nossa pertença.

Têm todos em comum o facto de estarem bem longe de mim, o que reforça ainda mais o lirismo deste conceito. Estão longe, sei muito pouco sobre eles, são interessantes, aparentemente diferentes da maioria e nunca me considerariam como mulher da vida deles. Mas é suficiente que me dêem atenção mesmo que seja esporadicamente.

No topo da lista está alguém que conheci há muitos anos e que sei que nunca mais vou esquecer. Uma vez por ano recebo um telefonema dele e durante uma semana carrego um sorriso na cara que nenhuma situação, por mais adversa, consegue eliminar. É importante saber que ainda se lembram de mim. Gosto de saber que mesmo estando mais velhos, diferentes e a viver numa parte do mundo a que não tenho acesso fácil, continuam a ser os homens da minha vida. Gosto de saber que gente assim existe e que de cinco em cinco anos há uma grande probabilidade de eu conhecer mais um.

Pergunto-me por vezes se sabem quantas vezes preencheram os meus sonhos.

03 abril 2007

Enganem-me que eu gosto

Pausa para almoço. Sentadas numa mesa do Café 11:

Colega de 22 anos: Acho tão estranho tratarmos toda a gente por tu…estou habituada a tratar os chefes e as pessoas que não conheço bem por “você”. Pelo menos as pessoas mais velhas. A partir dos trinta praí…

Cláudia. Oooh…

Colega de 22: Tens 30???????????!!!!!!

Colega de 23: É verdade, tu disseste isso na apresentação e eu nem queria acreditar. Espero chegar aos trinta com a tua aparência!

Cláudia: Opá! A partir de agora és a minha melhor amiga! (*abraço* em pensamento) (*Já ganhei o dia. Pago já aqui o almoço a estas duas* em pensamento)

Também me lembro de ter 20 anos e achar que quando chegasse aos 30 ia ser uma velha caquéctica…

Lavagem Cerebral

É impressionante como chego a casa tão cansada depois de um dia inteiro sentada numa cadeira a ouvir os outros a falar. Deve ser porque me estiveram a moldar para que encaixe bem na empresa onde comecei a trabalhar. A minha sorte é que acho que não preciso de muitos “amassos” para me sentir bem lá dentro.

Estou naquela fase inicial por onde passamos todos quando começamos um emprego novo e nos fazem aquilo a que chamo lavagem cerebral. É para nos custar menos acordar com o despertador todas as manhãs, porque afinal, somos os maiores e trabalhamos no sítio mais indicado para a nossa atitude para com a vida!

Hoje tive que assinar o contrato e fiquei assustada. Foi a primeira vez que assinei um contrato para um cargo de chefia. Estou convencida que propositadamente põem lá umas cláusulas para nos assustar “O colaborador exerce funções de elevado grau de exigência, complexidade e confiança…” Como não estou habituada aos contratos e à legislação de trabalho portuguesa tudo me mete confusão.

Depois de me fazerem a proposta de trabalho, há umas semanas atrás, fiquei horas na internet a tentar perceber o que me tinham acabado de oferecer. E até agora não tenho bem a certeza. São só pormenores, mas eu gosto de perceber tudo. Eu hoje fui a última, de um grupo de 25 pessoas, a entregar o contrato assinado porque queria ler tudo com atenção e fiz perguntas sobre tudo.

Acho que até ao fim da semana, não vou ter mais nada para contar para além de histórias de trabalho. Mas tenho esperança que o chocolate da Páscoa me dê inspiração para outras coisas. Que isto está a ficar muito pouco criativo.

02 abril 2007

Berlim (morreu a nove)

Berlim, Berlim morreu a nove.

Cenário:Yorckstr... sucessão de viadutos de ferro
Enegrecidos pela ferrugem,
Onde as velhas linhas para leste,
Entregues à voracidade do tempo,
Se equilibram, sobranceiras,
Os carris retorcidos pelo matagal.

De quando em vez
O crepúsculo é rasgado pelo S-Bahn para Mariendorf,
Fila de janelas iluminando prostitutas de couro e lingerie
Em carícias obscenas

Hordas de guerreiros em latex vermelho,
Silhuetas recortadas no lusco-fusco,
Movimentam-se junto ao descampado.

Conan, o Bárbaro, montado no seu Camaro de 70
Cuspindo fogo estrepitosamente,
Vem ver se está tudo bem com as suas pequenas.

Do imbiss do turco
Ouve-se a rádio anunciar que em Postdamerplatz o muro está a cair.

Que faço eu aqui
Com as mãos manchadas de sangue?

Berlim, Berlim: morreu a nove.

Mão Morta [Adolfo Luxúria Canibal / Carlos Fortes]

Quem vê blogs não vê corações

Li um artigo escrito por Pedro Mexia no Diário de notícias sobre o livro da Maria Filomena Mónica – Bilhete de Identidade:

“Nada tenho contra a literatura intimista (muito pelo contrário) e não me considero especialmente puritano. Mas creio que (como dizia o outro) não havia necessidade de alguns comentários íntimos que aqui encontramos [..]

O intimismo em causa própria é inteiramente legítimo o intimismo que implica terceiros é terreno mais melindroso. Tenho por isso alguma pena que este desassombrado testemunho seja um sucesso de vendas pelas razões mais básicas: porque as pessoas querem saber quem dormiu com quem (e como correu).”

Não me estou a tentar comparar com a Maria Filomena Mónica, nem a comparar o meu blog com um livro que é um sucesso de vendas. Mas acho que me exponho demais e às pessoas que conheço. Acho também que, se alguém que não me conhecesse pessoalmente lesse o meu blog, ficava com a ideia errada.

Apenas cerca de 15 pessoas lêem o Claudipédia, e só o escrevo porque é uma forma de passar o tempo. Mas mesmo assim, se calhar chegou a altura de parar de escrever disparates e coisas que não interessam a ninguém (a não ser a mim mesma). Se calhar devia arranjar outro passatempo, devia parar de passar uma imagem de mim que não corresponde à realidade.
Espero que ninguém se esqueça que quem vê blogs não vê corações.

01 abril 2007

Pode-se escrever sem sabermos nada

Actuação Escrita

Pode-se escrever

Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar na caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever
caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada

Pode-se não escrever

Pedro Oom
Actuação Escrita
Lisboa, & Etc., 1980


Pequenos Momentos de Auto-Comiseração

Rejeição é a minha palavra de auto-comiseração preferida. É o que, ultimamente, me acaba sempre por acontecer quando decido arriscar. Acabo sempre por ouvir coisas que me deixam triste. Da última vez disseram-me “Não sou capaz de ir para a cama com uma mulher quando estou sóbrio” e eu obviamente interpretei “Não sou capaz de ir para a cama contigo quando estou sóbrio”. Em qualquer outra situação, preferia que a primeira fosse a verdade, porque a rejeição deixava de ser pessoal. Mas neste caso, e porque gosto muito do rapaz em causa, espero que seja mesmo só comigo que isto se passa. Porque de outra forma seria muito triste. Tive vontade de lhe explicar que não sabe o que está a perder. E até seria estranho estas palavras virem de alguém como eu, que gosta muito de beber e de se sentir levezinha e que tem tantos complexos. Mas a verdade é que, uma vez atraída por alguém, como era o caso com este amigo, não sinto necessidade de esconder nada com álcool, lençóis ou luzes apagadas. Suponho que sejam estas as vantagens de ter trinta anos. Já sabemos o que vamos encontrar por debaixo da roupa das pessoas e assumimos que os outros também sabem. E assim já não há surpresas nem desilusões.

No fundo, sei que foi só uma desculpa. Porque aos trinta, já ouvimos todo o tipo de justificações.