31 outubro 2006

Crónica A Culpa Nunca é Minha

Hoje demorei 1 hora e 20 minutos a fazer o percurso do trabalho para casa. 17 quilómetros que normalmente faço em 15 minutos. Estou com um mau humor atroz. Já insultei toda a gente: o ministro, o presidente da câmara, os deputados, a polícia, os santos, os automobilistas, os tipos das empresas de reboques, os directores de programas da TSF e da Antena 1, o Fernando Alvim e mais o programa estúpido que ele apresenta, o dono do ginásio onde vou (porque acabei por faltar à única aula que consigo chegar a horas a semana toda), a malta da piscina que não quer trabalhar nos feriados, os pasteleiros que fazem os húngaros para o café onde almoço, a Artiachi por causa das bolachas de chocolate, a Unicer por causa da Super Bock, os tipos responsáveis pelo servidor de internet no trabalho porque pela milésima vez não consegui enviar e-mails depois das 6 da tarde, a RTP1 porque está sempre a dar jogos de futebol quando eu quero ver as séries estúpidas da SIC Mulher ou da SIC Comédia.

Quando alguma coisa corre mal tenho que encontrar um culpado. Nem que a culpa seja minha e nem que a culpa não seja de ninguém.

30 outubro 2006

Chaiyya Chaiyya (Dil Se)

A malta lá de Holiwood e arredores devia aprender com estes indianos! Qual Beyonce e Jay-Z. Estes dois tipos ganham-lhes por muitos pontos!!

Devem conhecer esta musica do filme Inside Man do Spike Lee. Não percebo bem o que é que uma música Indiana tem a ver com um filme Norte Americano, mas enfim. Teve o impacto desejado.

Esta música é cantada em Urdu por Sapna Awasthi e Sukhwinder Singh e o clip foi tirado do filme Dil Se.

O YouTube tem uma versão deste clip com legendas. A letra ganhou um prémio (tipo óscares da India). Ou então podem ir a http://bollywhat.com/lyrics/dilse_lyr.html

Untitled

Há dias em que sinto que ninguém gosta de mim, os outros meninos não querem brincar comigo no recreio, servem-me sempre a fatia de bolo mais pequena para a sobremesa e os brinquedos dos outros são mais divertidos que os meus.

Há dias assim.

27 outubro 2006

85 year old Abu Hamid Omar - Darfur


The Theory of Moral Sentiments
Adam Smith 1759

How selfish soever man may be supposed, there are evidently some principles in his nature, which interest him in the fortune of others, and render their happiness necessary to him, though he derives nothing from it except the pleasure of seeing it. Of this kind is pity or compassion, the emotion which we feel for the misery of others, when we either see it, or are made to conceive it in a very lively manner. (…) As we have no immediate experience of what other men feel, we can form no idea of the manner in which they are affected, but by conceiving what we ourselves should feel in the like situation. Though our brother is upon the rack, as long as we ourselves are at our ease, our senses will never inform us of what he suffers. They never did, and never can, carry us beyond our own person, and it is by the imagination only that we can form any conception of what are his sensations. Neither can that faculty help us to this any other way, than by representing to us what would be our own, if we were in his case. It is the impressions of our own senses only, not those of his, which our imaginations copy. By the imagination we place ourselves in his situation, we conceive ourselves enduring all the same torments, we enter as it were into his body, and become in some measure the same person with him, and thence form some idea of his sensations, and even feel something which, though weaker in degree, is not altogether unlike them. His agonies, when they are thus brought home to ourselves, when we have thus adopted and made them our own, begin at last to affect us, and we then tremble and shudder at the thought of what he feels. For as to be in pain or distress of any kind excites the most excessive sorrow, so to conceive or to imagine that we are in it, excites some degree of the same emotion, in proportion to the vivacity or dulness of the conception (…)

Photo: This is 85-year-old Abu Hamid Omar. Not only was he burned and branded in an attack by the Janjaweed and Sudanese Government forces, but his village was burned to the ground. Abu Hamid Omar was the ONLY villager to survive the persecutory assault. Photographed October 11, 2004, by Benjamin Lowy

25 outubro 2006

Cláudia “HomoBacchus”


Um dia perguntaram ao Cutileiro porque é que ele fazia esculturas de mulheres nuas. Ele respondeu que começou a esculpir quando era rapaz novo e que os artistas, normalmente, escolhem temas que lhes interessam para as suas obras. Ora quando ele era novo, as mulheres nuas interessavam-lhe muito!!

O meu blog não é, de facto, uma escultura em mármore de uma menina rechonchuda sem roupa e eu estou longe de ser o Cutileiro. Mas mesmo assim, também escolho falar de temas que me interessam. E, mais cedo ou mais tarde, quem me conhece bem ia começar a estranhar eu não falar de uma característica que me será sempre associada: o meu amor por uma bejeca bem fresquinha, um copo de vinho tinto (ou dois ou três!), uma taça de Champagne (ou espumante que desde que seja bom, eu não sou esquisita).

Gosto de beber cerveja. Numa mesa de café, a acompanhar uma boa conversa com os amigos. Gosto de beber vinho tinto. Às sextas-feiras à noite a ver TV e a comer gelado de chocolate ou tostas com paté. Gosto de beber Champagne. Acompanhada ou sozinha, tanto faz.

Baco era o filho do deus olímpico Zeus e da mortal Semele. Deus do vinho, representava seu poder embriagador, as suas influências benéficas e sociais. Promotor da civilização, legislador e amante da paz.

Grande senhor esse Baco!!!

22 outubro 2006

KS Makhan - Bille Bille Naina Wali

Hoje sinto-me muito em baixo. Isto às vezes acontece-me. Normalmente porque perco a capacidade de sonhar acordada.

Quando assim é, esforço-me por voltar a ter sonhos.

Imagino-me a ir num carro com motorista para um clube em Delhi, depois de ter jantado no Karim´s na parte velha da cidade. Ouvir musica, rodeada pelos previlegiados da India.

ww.bbc.co.uk/radio1/listen
Bobby Friction and Nihal - Radio 1 Asian Beat Show
O meu programa de rádio preferido

20 outubro 2006

Crónica O Gigante e o Anão

Ontem fui à EGP assistir à entrega do Prémio Empreendedor 2006 ao Comendador Américo Amorim.

Num auditório maioritariamente preenchido por homens de fato e gravata, e onde a fila da frente estava ocupada pelo Board of Directors do Grupo Amorim (todos homens, claro, ou havia alguma dúvida em relação a isso??!) ouvi este gigante falar, sem ponta de modéstia, da sua vida e da economia mundial desde o início de uma carreira impressionante.

O Américo Amorim é um colosso. Um senhor espaçoso, com um nariz grande e uma presença que mete medo. Começou por dizer que lhe tinham pedido para falar 45 minutos mas que se tinha decidido ficar pelos 15 porque preferia que lhe fizessem perguntas.

Mas quem é que tem coragem de fazer perguntas ao Américo Amorim? Eu já tinha ido às quintas-feiras à noite da EGP, e da última vez até coloquei uma questão ao orador e muitos alunos do MBA fizeram o mesmo, mas ao Américo Amorim??! Que pergunta podiamos fazer sem que ele se risse porque a pergunta é estúpida e uma perda de tempo?

Também não ajudou ele ter dito que, quando vai de férias, prefere ler o jornal ou um livro a ter conversas inúteis com as pessoas que o rodeiam. Porque o tempo todo que ele tem é para aprender. E se não está a aprender nada….não vale a pena desperdiçar palavras.

A palavra irreverência foi repetida vezes sem conta. Porque é uma característica que falta aos portugueses. Também nos deu uma lição sobre como em Portugal se fala demais. Pelos vistos vivemos no país onde mais tempo se passa a falar ao telemóvel. O parque de estacionamento da Católica também foi criticado. Porque os pais portugueses facilitam muito a vida aos filhos e acabam por estar a criar inúteis.

“Conhecer” o Américo Amorim foi uma surpresa. Eu pensava que não ia gostar nada dele. Mas acabei por concordar com a maior parte das coisas que ele disse.

Quanto a fazer-lhe perguntas, as únicas coisas que eu tinha mesmo vontade de saber eram:

- Sr. Américo Amorim, tendo em conta que começou há 54 anos atrás, acha que se fosse mulher, tinha tido as mesmas oportunidades de viajar para conhecer o mundo e de construir o império que tem hoje?

Ou então:

- Sr. Comendador, o que me tem a dizer sobre a sua reputação de pagar mal aos seus funcionários e de construir um império às custas da miséria dos outros?

Mas não me parece que ele tenha tempo para discussões com feministas comunistas. Ainda se punha a ler o jornal…

18 outubro 2006

Crónica "De que nos queixamos? Até nos deixam votar!"






Estava eu a navegar na internet, à procura de combustível para alimentar um dos meus temas de conversa preferidos – falar mal dos homens – quando descobri que existem 18 tipos de feminismo:


- anarca-feminismo
- ecofeminismo
- feminismo cultural
- feminismo descontrutivista
- feminismo de gênero
- feminismo espiritual
- feminismo francês
- feminismo pop
- feminismo liberal
- feminismo individualista
- feminismo mágico
- feminismo materialista
- feminismo marxista
- feminismo radical
- feminismo de libertação sexual
- feminismo separatista
- feminismo terceiro-mundista
- transfeminismo

Tanto quanto eu sei, só há um tipo de machismo. E a minha conclusão imediata foi a seguinte:

- há só um tipo de machismo mas é tão ruim que precisamos de muitas variantes de feminismo como forma de contra-ataque;
ou
- somos bem mais complexas que os homens.

Eu associo sempre a imagem de uma feminista a uma mulher intelectual, idealista, lutadora e sofredora (Simone de Beauvoir, Emmeline Pankhurst, Virginia Woolf, Maria Teresa Horta…). A imagem que tenho de um machista é de um piolhoso seboso que por ter falta de inteligência usa o facto de ser homem para se dar bem, e ter uma vida mais cómoda – (o Estebes, o Bispo de Braga, o Manuel Ribeiro do JN…).

Uma pesquisa no Google para feminismo, produz uma lista de sites que falam de sufragistas, escritoras, jornalistas…se fizermos a pesquisa para machismo, temos uma série de páginas com anedotas muita básicas…

Já me têm dito que ser feminista é tão mau como ser machista. Eu sou da opinião que, um homem é machista porque é estúpido, ignorante e porque sim. Uma mulher é feminista para se defender dos machistas e porque está farta de ser explorada pelos homens.

Bora aí queimar uns soutiens!!


16 outubro 2006

Da Prateleira Mais Alta da Estante da Minha Mãe


Estou a ler um livro da Simone de Beauvoir pela primeira vez. Estou um bocado desiludida porque estava à espera que fosse mais como um livro do Sartre.
O que é completamente estúpido. Não há motivo nenhum para ela ter escrito como ele. Foi uma associação que eu fiz baseada não sei muito bem em quê.

O livro é da minha mãe e ela leu-o quando era mais nova que eu. Na primeira página ainda diz que que a Simone de Beauvoir mora no Quartier Latin…

A senhora devia ser muito prá frente na altura dela mas agora, um bando de mulheres que fumam, vão dançar à noite sozinhas e têm vários namorados, não me parecem ser um grande exemplo da emancipação das mulheres.

A minha mãe é que devia ser muito para a frente. Não estou a ver o Salazar a deixar a mocidade deste Portugal ler livros de feministas francesas. Vantagens de ser ter nascido na Holanda.

Ainda estou com esperança que o livro melhore. Ainda só li alguns capítulos. Levo alguns livros muito a sério. Hoje adiei a ida ao ginásio e ao cinema para ler. Acontece-me às vezes passar o dia todo a pensar na altura em que vou poder voltar à minha leitura.
É porque não tenho mais nada à minha espera quando chego a casa.
(foto de Henri Cartier-Bresson)

15 outubro 2006

Crónica Os Hábitos dos Outros

Durante mais de 10 anos partilhei apartamentos com flatmates de vários géneros e feitios. Tenho histórias suficientes para dedicar um blog só a este tema. Porque os hábitos dos outros nos parecem sempre estranhos: o que comem, as horas que dormem, os livro que lêem, as relações com as famílias, os namorados(as), os ruídos que fazem, os hábitos de higiene (ou a falta de)…

Uma das minhas ex-flatmates deixou-me mais recordações que todos os outros.

Caracterização geral: Era muito boa aluna e tinha uma cultura geral bastante impressionante. Um bocadinho estouvada. Tinha um metro e meio e pesava 90 quilos. Morria de amores por um vizinho nosso que não a tratava muito bem.

Às quintas-feiras, dia de copos e noitadas para a comunidade estudantil, ela convidava umas amigas lá para casa, emburcava uma garrafa de vodka e ia já bem quentinha abanar as banhas para os bares e discos da cidade de Coimbra. Vestia sempre umas lycras bem apertadas, um ou dois tamanhos abaixo daquilo que a silhueta lhe permitia, com o cabelo pintado de cores estranhas e mais maquilhagem do que as tipas que estão de perna alçada na esquina da rua 41 com a avenida 24.

Por volta das 4 ou 5 da manhã, voltava para casa, batia à porta do meu quarto e sem esperar resposta, entrava. Debruçava-se sobre a minha cama e perguntava-me ao ouvido: "Estás a Dormir?" Enquanto eu recuperava os sentidos, principalmente o olfacto, porque o bafo a álcool era capaz de me pôr a dormir outra vez, ela sentava-se ao fundo da cama. Contava-me as peripécias da noite, queixava-se do vizinho que a ignorava, e pedia-me para lhe tirar dúvidas do foro sexual: “Cláudia, já alguma vez fizeste um broche com preservativo?" (Garanto que esta é a mais soft de todas as perguntas que ela me fez. As outras, nem as podia publicar em tão decente blog como o meu).

Era por volta desta altura que eu perdia a paciência e a mandava para a cama com a promessa de a acordar no dia seguinte com um cházinho para a ressaca.

Também batia à porta do meu quarto depois da visita do tal vizinho mau carácter. Estas visitas normalmente envolviam lágrimas. O gajo tocava à campainha a altas horas da madrugada, ficava uma horita, e depois ia embora. No dia seguinte não a cumprimentava na rua. O que se passava no quarto dela na hora em que ele lá estava, eu não sei. Não consigo dizer se o que ela me contava era verdade ou fruto da imaginação de alguém que procurava amor onde ele não existia. De qualquer forma, não lhe fazia bem à auto-estima.

Não sei de quem era a culpa nesta situação. Se dela que o deixava entrar lá em casa ou dele que não a tratava como uma mulher merece ser tratada. Mas esta situação deixava-me mal disposta.

As pessoas passam pela nossa vida e depois vão embora. Ouvimos e contamos segredos a pessoas que depois nunca mais vemos. A consequência de mudar de casa muitas vezes é nunca ficar a saber o fim da história.

14 outubro 2006

Síndrome Imigrante - Mais um capítulo: A Culpa é das Mães



No último ano que estive em Edimburgo partilhei um apartamento com dois Escoceses. Durante algum tempo tivemos um outro quarto vazio. Decidimos alugá-lo a um Espanhol, advogado, 28 anos, que durante seis meses foi aprender inglês e trabalhar num hotel.

Estava eu e os dois escoceses na cozinha uma noite, quando entra o Espanhol com um cesto de roupa suja. Cláudia, could you teach me how to use the washing machine?!(isto com um sotaque espanhol muito cerrado).De repente, os escoceses largaram tudo, e fixaram os olhos esbugalhados no desgraçado! Depois de lhe ter ensinado essa ciência complicadíssima que é usar uma máquina de lavar a roupa e depois de ele ter saído da cozinha, estive cerca de uma hora a tentar explicar porque é que um homem de 28 anos nunca tinha usado uma máquina de lavar. E acho que mesmo assim eles não perceberam muito bem. Também me pediram para lhes explicar porque é que um homem adulto, financeiramente independente, morava com os pais. Morava com os pais no segundo andar, trabalhava no escritório do pai no rés-do-chão, e a irmã, que era casada e tinha um filho, trabalhava com eles também, e morava no primeiro andar desse mesmo prédio.

Foi mesmo MUITO complicado explicar-lhes que isto é normal em países como Portugal e Espanha. Mas isso não evitou que o rapaz fosse violentamente gozado nos meses que lá esteve. O murcão nunca tinha feito nada em casa.

Obviamente que ele não se aguentou muito tempo longe da mãe, e não chegou a ficar os seis meses em Edimburgo. Tinha saudades do jambon e do chorizo, e voltou para Pamplona.

O facto dos homens portugueses ficarem em casa da mãe até tão tarde é muitas vezes uma questão financeira. Mas muitas vezes é pura preguiça. Porque é que haviam de sair de casa se a mães lhes cozinham, passam a ferro e lavam a roupa? Depois quando casam, a mulher faz-lhes o mesmo.

Os homens portugueses são machistas (e inúteis) porque as mulheres que os educam são machistas também.

Se alguém casar comigo a achar que eu vou fazer a lida doméstica, comprar-lhe as meias, passar camisas a ferro e tratá-lo como se ele fosse atrasado mental, ele que arranje uma empregada doméstica e uma prostituta.

Que eu tenho mais que fazer.

11 outubro 2006

Crónica Sonhar Acordado é Tão Bom

Pior do que ser pouco inteligente, é não ter falta suficiente de inteligência para não me aperceber disso.

Se eu encontrasse o génio da lâmpada, um dos meus desejos seria saber escrever (os outros dois seriam provavelmente uma dispensa cheia de filipinos – as bolachas, não os naturais das Filipinas – e um ginásio no rés-do-chão do prédio).

Tenho tanta inveja de quem consegue escrever o que pensa. Eu penso muitas coisas, mas não as consigo explicar.

Tenho um livro do Mia Couto autografado: “À Cláudia, que sabe quanto dói escrever”. Depois de esperar numa fila da feira do livro de Coimbra, estendi o braço para pedir um autógrafo e o escritor moçambicano perguntou-me porque é que eu tinha uma tala no pulso. E eu respondi que, por escrever muito, tinha ficado com tendinite. Ele sorriu e escreveu a dedicatória na minha cópia do “Cada Homem é uma Raça”. Só não lhe expliquei que tinha o pulso ligado por ter copiado à mão as mais de 2000 páginas do meu livro de contabilidade. Era a única maneira de decorar aquela seca para o exame. A minha dor não tinha nada a ver com escrita criativa…tinha a ver com falta de criatividade.

2 ANOS!!


Parabéns da tia Cacá, Joãozinho!!!

09 outubro 2006

“My Right Hand” – Time, October 2, 2006

Cover article:

“Specialist Hilario Bermanis, 21, had been built like a fullback when he left his home in Micronesia to join the Army. Now he was hunched in a wheelchair, a thick neck and broad shoulders the only reminder of his once muscular body. He had lost his left hand and both his legs above the knee to a rocket-propelled grenade in Baghdad.
Specialist James Fair, 22, had the cruelest of all fates; not only had he lost his sight, he had no hands for Braille or a cane. Still recovering from a brain injury in late December, he was wheeled into OT for sensory perception tests. He rolled his head back and forth, unresponsive to the therapists.”

Why do America youngsters join the army? Were they promised to be welcomed by 72 virgins in heaven?

08 outubro 2006

Sunday Morning Liquid Detox


Detox Juice:
5 Carrots
4 stalks Celery
4-5 leaves Spinach
1/4 head Cabbage
3 sprigs Dill
1 Lemon (no rind)

07 outubro 2006

Crónica "O Shoping é o Ópio da Cláudia"



Sim, eu gosto de falar de comida. Depois de falar sobre mim própria, é o meu assunto preferido (e o tamanho do meu traseiro, confirma-o). Estes são dois assuntos que me ocupam bastante tempo…e o outro é fazer compras. Ou melhor dizendo, tentar fazer compras. Passo HORAS nas lojas e nunca compro nada. Não tenho jeito nenhum. É um combinar de falta de jeito com falta de gosto. Quando vejo uma miúda toda catita pergunto-me sempre: Como é que ela faz aquilo??

Já tentei dar a volta a este handicap de várias formas: vestir-me toda de preto e assim evitar ter que combinar cores, vestir-me com cores mas todas muito pardas, vestir cores muito garridas e assim dar a entender que, apesar das cores não darem umas com as outras, foi de propósito…

Está na hora de assumir o meu mau gosto. Sim eu gosto de sandálias brancas com flores vermelhas e borboletas azuis!! Camisolas cor-de-laranja com riscas brancas! Blusas vermelhas e verdes!! Túnicas que me fazem parecer o Demis Roussos, calças um tamanho acima e de preferência cor de beringela. T-shirts velhinhas, velhinhas, quase em estado de desintegração! Sapatos com buracos na sola (porque sapatos novos são muito desconfortáveis).

Hoje vou à festa de despedida do meu “miguinho” Miguel. Eu queria ir apresentável. Afinal de contas é o meu melhor amigo e vai estar longe de mim quatro anos. Fui ao shopping com a ideia de comprar uma fatiota própria de uma senhora respeitável de quase trinta anos. Com acessórios discretos, cores pastel e materiais agradáveis ao toque. Afinal, a ocasião merecia o esforço.

Não preciso descrever o que veio no saco das compras, pois não?? É isso mesmo: o avental de uma mulher-a-dias dos anos sessenta.

Não faz mal…

05 outubro 2006

Crónica “Um jarro de vinho verde e uma sandes de presunto”

Penso que esteja na altura de revelar os sintomas do Sindrome Imigrante – Lá Fora É Tudo Melhor, mesmo correndo o risco de ferir susceptibilidades e até o ego do português orgulhoso deste cantinho à beira mar plantado.

- 1º Sintoma: a comida portuguesa não é a melhor do mundo e há, de facto, países em que se come melhor que aqui (obviamente não me refiro ao Reino Unido, onde se deve comer pior do que em qualquer parte do mundo, com excepção talvez, dos Estados Unidos). Sempre que ouço “em lado nenhum se come tão bem como em Portugal” eu passo-me da cabeça. Obviamente que o farnel a que estamos habituados nos vai saber melhor que qualquer outro, cozinhado com métodos, ingredientes e de apresentações diferentes. Mas por ser diferente, quer dizer que é pior?

Ainda estou para perceber o interesse de um cozido à portuguesa: esse requintado prato tipicamente português que mais não é q um monte de carne gordurosa, enfiada com pouca arte numa panela, com meia dúzia de cenouras e algumas folhas de couve.

Não me interpretem mal, eu gosto muito da culinária portuguesa, mas garanto-vos que qualquer estrangeiro critica a comida do país que visita ou se não o faz, continua a achar que “É bom mas na minha terra é melhor”.

Na Escócia conheci umas tipas gregas que, quando iam de férias à terra, até sal para temperar traziam na mala de volta!!!!!!!! Diziam que sabia melhor que o sal inglês. Durante o meu período de acasalamento com um escandinavo, perdi conta às vezes que fui ao IKEA. E não fui comprar mobília porque não tinhamos onde a pôr. Íamos à secção de comida!! Porque as bolachas e o salmão fumado sueco são melhores que o britânico!!!!!! Pffffffffff! Que treta!!!!!!!! Os inglêses expatriados (que imigram para países com mais sol) chegam a levar Hovis, que é um pão de forma nojento, tipo panrico, cheio de químicos e que nem se devia chamar “pão” de tão diferente que é dessa mistura de farinha, água e sal que se me acumula nas ancas, de tanto que tenho comido desde que regressei.

O que eu estou a tentar dizer é, bem, já perceberam...

Há umas semanas atrás tive o prazer de ir muito bem acompanhada a Melgaço, comer um sandes de presunto e beber um jarro de vinho verde. Ai que fiquei tão bem disposta. E não só por causa do binho!! Fiquei bem disposta porque, como gaja simples que sou, estes pequenos prazer da vida, são por vezes suficientes para eu me lembrar porque estou de volta.

Mas voltando ao assunto anterior...

Um outro sintoma deste síndrome é eu estar-me sempre a passar da cabeça por não haver um único restaurante com opções vegetarianas. Ai! Que as minhas veias vão entupir com tanta carne que ando a comer!!!!!!!!!! Mas isto é completamente estúpido. Nunca houve nem nunca vai haver opções vegetarianas nos restaurantes portugueses (até porque, homem que é homem não come legumes, que isso é para maricas). Eu sei disso, mas mesmo assim não consigo parar de reclamar e de ter imensas saudades de uma caril de legumes, servida com uma salada e um arrozinho branco!!!


Próximo episódio: “Como tive que explicar aos Britânicos que o homem português com mais de 25 anos não sabe por a máquina a lavar e é a mãe que lhe compra as meias.”

04 outubro 2006

Crónica Opel Corsa Swing

Comprei um carro. Não foi porque quisesse mesmo ser proprietária de um. Foi apenas para ter alguma qualidade de vida.

Comprei-o em segunda mão, com 9 anos de estrada e muitos quilómetros. Como se está mesmo a ver, não tive que pagar muito pelo “privilégio” de ter este meio de transporte sempre ao meu dispor (e eu que sou tão apologista do transporte público!).

Na noite antes de fazer a compra, estava já deitada na cama, quando me pus a pensar. Pela primeira vez ia ser proprietária. Nunca tinha comprado nada que me tivesse custado mais do que 100 euros – o meu leitor de DVDs (resolvi excluir peças de vestuário porque…porque sim e porque não duram muito; considerei-as como bens perecíveis no curto prazo).

Tenho 29 anos. Não tenho casa nem poupança reforma. Não tenho faqueiro de prata, tachos em aço inoxidável, nem serviço de pratos Vista Alegre. Não tenho electrodomésticos, sistema de som, sofás a combinar com os cortinados, ferro de engomar, conjuntos de lençóis bordados, toalhas de banho felpudas. Nunca comprei um telemóvel ou uma televisão (e agora estão todos a pensar porque é que eu comprei um leitor de DVDs sem ter comprado uma TV!). Não tenho filhos. Não tenho a responsabilidade de ter que pagar dívidas.

Não gostei nada da sensação de comprar um carro. Aquela coisa pode avariar, precisar de mudar o óleo, ir a revisões. Ai que trabalheira!!! Tenho a certeza que isto me vai causar daqueles pesadelos em que se me apodrecem os dentes todos e se esfarelam dentro da boca. E que me obrigam, a meio da noite, ir ver ao espelho se ainda tenho alguma coisa presa às gengivas.

Humpf!!

01 outubro 2006

Delhi

É difícil dizer se gosto ou não de Delhi. É caótico, sujo, desorganizado. As pessoas tratam da higiene pessoal na rua, comem na rua, cagam e mijam na rua, cozinham na rua, trabalham na rua…Há imensos deficientes a arrastarem-se pelo chão, crianças a pedir, gente incrivelmente suja. Por outro lado as mulheres usam saris lindíssimos e há cores por todo o lado. No Chandi Chowk vimos um senhor a fazer yoga no meio do caos e do barulho. Há mesquitas ao lado de templos sikh e de igrejas cristãs. Estou a ver um mundo que não sabia que existia. Sinto-me feliz por ser Europeia. Que sorte tenho e nunca me tinha apercebido. Tenho a certeza que nunca me habituaria à vida de cá.

Hoje comecei a chorar quando uma criança me pedia esmola. E quando cheguei ao hotel a minha única preocupação eram as baratas. Ainda chorei mais. Por ter baratas a passear no meu quarto e por não saber o que sentir em relação à pobreza. Parece que não temos mais nada a fazer a não ser aceitar o estado do mundo. E aceitar o facto de que vou ter que passar a noite rodeada de baratas.

06/03/2006