Quantas vezes desejei ter uma vida simples porque há sempre demasiada confusão na minha. E no meio de tanta confusão, alguma criada por mim e outra por outras coisas quaisquer, sinto que a minha vida confusa se tornou demasiado simples. Mas de uma simplicidade que nada tem a ver com a que eu queria.
Eu queria uma vida simples. Que me desse tempo para sonhar, para fazer o que eu gosto e não apenas o que é preciso fazer. Tenho a vida que tenho e aproveito dela o que tem de bom. Mesmo não sendo aquilo que eu queria ter. Aproveito a luz que entra pela sala e o quentinho que sai do corpo da minha filha. Troquei o miminho da minha mãe pelo da Sara. Porque se ela vem para o meu colo eu abraço-a com força. Para que não saia de perto e me continue a dar colinho a mim. Passei a ser menos filha e mais mãe e calor de gente e amor nunca me faltou. Mas a vida tornou-se simples. Tinha pedido simples e saiu uma desilusão.
Escolhi trocar o imenso tempo livre que tinha por dias mais ocupados. Um dia, vão deixar de o ser. E vou ter tempo para fazer o que quero e o que gosto. Falta-me a paciência para esperar. Não devia ser assim. Não devia ser preciso esperar ou então eu não devia ter tanta pressa para tudo mudar.
Acordar às 6h30 passou a ser habitual. Trabalhar, chegar a casa e jantar. Arrumar um pouco, passar uma roupa pequenina a ferro. Fazer listas mentais sobre o que é preciso para que passe mais uma semana. Não é tão diferente o antes e o agora. O que mudou foi esta grande impossibilidade de poder planear os dias em que ia poder fazer o que me dá prazer. E assim se transformou uma vida complicada numa vida simples. Não tenho mais nem menos problemas. Só que perdi o espaço que tinha para sonhar.
Deixei de ser o que queria apesar de ter sido eu a criar a mudança. Sou por dentro casada e mãe. Já fui outras coisas mas não me lembro bem. Posso apenas esperar pelo dia em que me vou lembrar, do que brilhava em mim quando era mais do que este ninguém. Sonhava tão pouco mas esse pedacinho da minha alma era tanto para mim.



