Gosto imenso de ir ao cinema. Principalmente de ir a cinemas antigos, sem Surround Sound System nem pipocas, com ecran pequeno, cadeiras de veludo surrado, e com meia dúzia de alminhas solitárias a pairar de forma dispersa pela sala.Costumava ter um cartão de sócio do Cameo, o primeiro cinema da cidade de Edimburgo. Descontos de uma libra e meia e entrada gratuita nas Doses Duplas de Domingo à tarde. Assisti a muitas sessões sem saber sequer o que ia ver. E fazia quase sempre o caminho de volta a casa, pelo meio do campo de golf dos Meadows, com um sorriso de satisfação na cara.
Ir ao cinema pode preencher uma necessidade de entretenimento. Ver a Bridget Jones para descontrair e rir durante duas horas. É aquilo a que eu chamo filme chiclet. Mas ir ao cinema pode ser também uma forma de aprendizagem.
O fim-de-semana passado fui ao Festival de Cinema Luso-Brasileiro em Santa Maria da Feira.
Vi um documentário sobre o Movimento dos Sem Teto em São Paulo e outro sobre adolescentes de favelas que são mães em idades em que eu nem sabia sequer de onde vinham os bebés. São mais duas provas de como as mulheres têm uma vida muito dura. O realizador perguntou a uma responsável por um dos Movimento dos Sem Teto porque é que havia tantas mulheres na liderança destes grupos organizados. Ela respondeu que era por necessidade: “Os homens vão fazendo filhos por aí e depois desaparecem. As mulheres é que ficam com a responsabilidade de cuidar deles”. É obvio que a culpa é da ignorância e da falta de perspectivas de futuro tanto dos homens como das mulheres. Mas a verdade é que quem fica com um bebé nos braços e a precisar de um tecto, são as mães. É caso para se dizer que a necessidade faz o líder. E que líderes admiráveis e duras de roer!
Vi dois documentários sobre gente cheia de problemas, com vidas difíceis, num país onde parece não existir justiça social. Mas, pela primeira vez, fiquei cheia de vontade de ir de férias ao Brasil. E o principal motivo para lá querer ir, fica para o próximo post. Que este já vai longo.
1 comentário:
Eu tenho saudades dessas salas de cinema obsoletas. Sem cheiro a pipocas, mas a mofo.
E lembro-me de ver sessões ao ar livre, em noites de Verão, no Cinema Jardim - i.e., o terraço das traseiras de uma casa antiga no Porto. Foi onde vi pela 2ª vez o Delicatessen (a 1ª tinha sido no Fastasporto). Era engraçado.
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