11 maio 2007

Achei o TPCC do bagaço interessante. Ver no blog não compreendo as mulheres. O meu está aqui:

Se fosse uma hora do dia, seria bem cedo de manhã
Se fosse um astro, flamejava
Se fosse uma direcção, estaria sempre errada
Se fosse um móvel, teria sido comprada na Ikea
Se fosse um líquido, seria vinho tinto
Se fosse um pecado, seria um grande bolo de chocolate com natas e morangos e uma garrafa de Champagne
Se fosse uma pedra, seria da calçada
Se fosse uma árvore, seria uma aveleira
Se fosse uma fruta, estaria verde demais
Se fosse uma flor, estaria murcha
Se fosse um clima, seria fresquinha
Se fosse um instrumento musical, estaria desafinada
Se fosse um elemento, seria cloro
Se fosse uma cor, seria o preto
Se fosse um animal, seria um urubu
Se fosse um som, seria um lamento
Se fosse música, seria deprimente e melancólica
Se fosse estilo musical, seria uma ópera
Se fosse um sentimento, seria a insatisfação
Se fosse um livro, queria ter sido escrita pelo Paul Auster
Se fosse uma comida, seria bem apuradinha
Se fosse um lugar, seria o quintal dos meus pais
Se fosse um gosto, seria insípida
Se fosse um cheiro, seria a gel de banho
Se fosse uma palavra, seria mal pronunciada
Se fosse um verbo, seria mal conjugado
Se fosse um objecto, seria uma mulher bem mais feliz
Se fosse peça de roupa, seria a túnica do Demis Roussos
Se fosse parte do corpo, seria um traseiro cheio de celulite
Se fosse expressão facial, seria uma testa franzida de preocupação
Se fosse personagem de desenho animado, seria o Ruca (porque é tão bonzinho e querido!)
Se fosse filme, seria o Blue Velvet
Se fosse forma, seria bem torta
Se fosse número, seria de série
Se fosse estação, seria a de serviço da Mealhada (vai uma sandocha de leitão?)
Se fosse uma frase, seria "Estou cheia de fome."

09 maio 2007

Musica para quarta-feira à tarde



Quanto tinha 18 anos era super fã dos Green Day e tinha um bilhete para ver o concerto no Coliseu em Lisboa. Quando o concerto foi cancelado, fiquei muito desiludida e triste. 10 anos mais tarde, em Edimburgo, ofereceram-me um bilhete para os ver ao vivo no T in the Park (festival na Escócia). Foi como ter 18 anos outra vez. Apesar de tocarem músicas para adolescentes, gosto muito deles. Um concerto memorável.

Adeus Vida Cruel

Depois de um longo perídodo de reflexão (cerca de 5 segundos), resolvi desistir de escrever crónicas no claudipédia. Estou a chatear-me com demasiadas pessoas para valer a pena continuar. Para além disso, trabalho tanto que sobra pouco tempo para escrever sobre temas que realmente interessem.

E já agora, acho que não me lembro da última vez que me senti tão feliz. E o pior de tudo é que estou cheia de medo de durar pouco e da queda ser grande (porque a subida também o foi).

Talvez actualize o blog de vez em quando mas como temas vou evitar escrever sobre a minha vida. Segue-se perídodo de reflexão.

07 maio 2007



Se correr tudo bem para a próxima semana vou ver o Sérgio Godinho ao Maria Matos :)

Aviso

A pedido do meu leitor preferido, o shinystat foi retirado. Já não posso ver quem lê o meu blog.

Quanto mais me bates mais eu gosto de ti

Quando acordei esta manhã numa pensão da baixa de Coimbra, sem me lembrar da noite anterior, pensei "Só posso ter sido atropelada". Levantei-me e olhei no espelho: "Ena, e foi por um camião!!". Quase a engolir a língua de tão seca que tinha a boca, peguei no telemóvel para ver as mensagens que tinha enviado. "Bolas!! Já não tenho coragem para pedir desculpa a este tipo pelas mensagens que lhe envio em noites de estupidificação."
Devia-me ter encontrado com um amigo que não vejo há quase dois anos, mas com a cara naquele estado, sem champô na mala, e a sentir-me a mulher mais gorda e feia do universo, regressei a Lisboa sem o ver.

Segue-se uma quinzena de desintoxicação. Ao corpo e ao telemóvel. É urgente ver-me livre de alguns números e de alguns quilos.
(esta crónica devia ter ido para o ar ontem, mas o cyber café que frequento tinha os computadores todos avariados e não deu)

05 maio 2007

The Book of Human Folly

Estou a ler mais um livro do Paul Auster: The Brooklyn Follies. Nathan Glass, a personagem principal, precisava de um projecto para quebrar a rotina soporífera da vida que levava. Mesmo sabendo que era um projecto humilde, decidiu-lhe dar um nome grandioso: The Book of Human Folly.

Fez-me lembrar uma versão Paul Auster do Claudipédia:

"I called it the Book of Human Folly, and in it I was planning to set down in the simplest, clearest language possible an account of every blunder, every pratfall, every embarassement, every idiocy, every foible, and every innane act I had commited during my long and checkered career as a man. When I couldn´t think of stories to tell about myself, I would write down things that have happened to people I knew, and when that source ran dry as well, I would take on historical events, recording the follies of my fellows human beings down through the ages, beginning with the vanished civilizations of the ancient world and pushing on to the first months of the twenty-first century. If nothing else, I thought it might be good for a few laughs. I had no desire to bare my soul or indulge in gloomy introspections. The tone would be light and farcical throughout, and my only purpose was to keep myself entertained while using up as many hours of the day as I could."

Muitas Coisas

Coisas que chateiam
Ir na rua a comer pão, sentir que vamos espirrar, não ter tempo para tirar um lenço da carteira e …atchimm. Ficar cheia de migalhas mastigadas na palma da mão.

Coisas que não valem a pena
Fazer compras nos saldos da H&M.

Coisas que me deixam triste
Não ter internet quando estou em Lisboa.

Coisas de mau gosto
Homens que nos dão palmadas no traseiro a achar que nos estão a fazer um elogio.

Coisas que relaxam
Depois de dez horas de entrevistas, jantar na ribeira de Gaia, com vista para o Porto e conversar até duas e meia da manhã.

Coisas que deprimem
Não poder dar trabalho a toda a gente.

Coisas que divertem
Jantar num restaurante onde as mesas para dois estão muito juntinhas, e sentir que o casal do lado, porque não tem nada para dizer um ao outro, substitui a falta de assunto com escutas às conversas do casal apaixonado da mesa ao lado.

03 maio 2007

Parar no tempo




Ângulo recto

Quando tinha 18 anos e fui estudar para Coimbra, conheci um rapaz que estava no último ano na minha faculdade e que me ia buscar a casa muitas vezes para sair. Quando me ia levar de volta insistia muito para entrar, mas eu não deixava.

Fui falar com a minha irmã e contei-lhe que não sabia se lhe devia permitir a entrada. E porque as irmãs mais velhas sabem tudo (as minhas, pelo menos) recebi um conselho que não esqueci nunca mais. “Cláudia” disse-me ela num tom muito sóbrio e incomodada pelo tema da conversa, mas sabendo que não devia ignorar os dilemas da irmã mais nova, “esse são o tipo de coisas que se fazem com pessoas de quem gostamos muito. Pessoas especiais”.

Nunca cheguei a deixá-lo entrar. E por nunca ter passado da sala, deixou de me ir buscar para sair.

Confesso que desde então, nem sempre tive em conta o conselho da minha irmã e isso só me fez aperceber quão sábias eram as palavras dela.

Mas o tempo passa e a solidão, às vezes fala mais alto que a razão. Aos 20 encontramos amor em todas as esquinas e temos apenas que descobrir se as pessoas são especiais. Aos 30 os edifícios parecem todos redondos.

Às vezes preferia não perceber nada de geometria para não saber a diferença entre o real e o amor a fazer de conta.

29 abril 2007

Lugares de Conforto



Em Lisboa, já descobri o meu. A Cultura do Chá, no Bairro Alto. Onde posso passar a tarde a ler, a comer quiche ou scones, e a beber chá mate gelado. Porque faz muito calor para bebidas quentes!

28 abril 2007

Crónica A Porteira

Quando estou em Lisboa, fico alojada num apartamento antigo, como já não se constroem mais. Sete assoalhadas, uma marquise e cozinha enormes, cheio de sol. Chão em madeira e quarto dos fundos que serviria para uma empregada residente. Se nos esquecemos de fechar as portas de correr, os vizinhos não podem chamar o elevador que tem toda a estrutura e cabos à vista.
Este prédio tem mais uma característica muito típica dos prédios antigos de Lisboa: uma Porteira que ocupa o apartamento do rés-do-chão.
Desconheço por completo a necessidade de uma Porteira num prédio como este, e é uma função um pouco salazarista. A senhora senta-se numa cadeira à entrada, a controlar quem entra e quem sai. Já me viu várias vezes a entrar e sair do prédio mas mesmo assim não é capaz de me reconhecer. A idade não perdoa e as capacidades espiatórias já não são o que eram.
Esta manhã saí cedo e cumprimentei-a. Regressei pouco tempo depois e quando procurava as chaves na carteira para abrir a pesada porta de ferro e vidro, a Porteira deixa-me entrar. Estava nas escadas a bisbilhotar.
- Obrigada.
E sigo a subir as escadas.
- Desculpe, a menina vai para onde?
- Vou para o 1º esquerdo...
- Entra assim sem dizer nada e eu não a conheço. Preciso saber para onde vai.
- Então...mas, ainda agora a cumprimentei, quando ia a sair.
- ah pronto! Não me recordo...
Eu também não me recordo de ter que dar justificações quando entro com a minha chave no meu prédio. Também não me recordo do tempo em que o quarto dos fundos era ocupado pela empregada residente que vinha da provincia. Nem de prédios com porteira.
Parece-me algo que faz falta na América do Sul ou em Nova Iorque. Faz-me lembrar as histórias do tempo do Salazar, quando se trabalhava em troca de tecto e comida.
Não gosto da Porteira. E acho que ela também não gosta de mim.

Amor a Fazer de Conta

temporariamente removido pelo autor!

27 abril 2007

Manuel de Escrita Criativa

Posso até ler os livros todos de todas as bibliotecas e todos os Manuais de Escrita Criativa disponíveis nas livrarias. Mas a minha inspiração criativa há-se sempre vir dos homens.

Música para Sexta-feira



Athlete - Wires

Plágio

Para o viajante que chega de Comboio a Lisboa, vista pela janela, a cidade abre-se como uma visão decadente e escura, sobressaindo contra o azul do céu, que a luz do fim-do-dia e as nuvens entristecem.
As casas velhas e por pintar, os armazéns à beira-rio, e as ruas desordenadas, encavalitam-se por baixo da grandiosidade dos edifícios histórico.
Homens encostados à parede bebem cervejas à porta das tascas. À conversa esperam que chegue a hora de recolher a casa, onde o jantar anuncia o fim do dia de descanço. Amanhã é dia de trabalho. E eu digo-lhes adeus através do vidro. Amanhã também vou trabalhar.
Comecei a ler um livro sobre escrita criativa. Apesar de saber que os livros não são santos milagreiros, tenho esperança de aprender qualquer coisa.
Este texto não é plágio, é apenas um exercício do livro, uma adaptação minha de um texto do Fernando Pessoa.
Amanhã transcrevo o original.

Complicado

...

Amiga: Às oito da manhã mandei-o embora. Fiquei confusa.
Eu: Mandaste-o embora? Assim cedo de manhã?
Amiga: Mandei. É complicado. Fiquei confusa. Não sei se me deva sentir mal...
Eu: Não sintas..
Amiga: Pois, o problema é esse, não sinto nada...

...

25 abril 2007

23 abril 2007

As maçãs com minhoca são as mais doces

A campanha de abstinência do presidente Bush foi considerada um fracasso. Gastaram-se milhares de dólares para convencer a juventude americana que a única forma eficaz de evitar uma gravidez indesejada ou uma doença é a abstinência. Esqueceram-se dos contraceptivos, da educação sexual, do acompanhamento dos pais, e da sensibilização para uma sexualidade mais saudável.
Pelo que entendi, os jovens que optaram por juntar-se a um "grupo de abstinência", iniciam a sua vida sexual 18 meses mais tarde dos que os que não escolheram essa opção. Mas mesmo assim, os resultados da campanha não foram animadores.

Com slogans como "Would you eat a cookie that already had a bite out of it?" não convenceram ninguém. Mas fizeram-me rir.

Já dizia o meu pai, quando me via a apanhar fruta nas macieiras do nosso quintal: "Apanha as que têm minhoca. Se elas escolheram essas maçãs para dar umas dentadas, é porque são as mais doces."

22 abril 2007

A Caminho de Lisboa

Estou quase a partir para a terra sem Internet, e não consigo escrever nem uma linha para uma crónica de despedida. Regresso em Maio. Até lá vou visitando o Cyber Café do Picoas Plaza e espero que a viagem de comboio e a estadia em Lisboa me inspirem para escrever qualquer coisinha. Cada vez é mais difícil manter o Claudipédia. Principalmente porque a partir desta semana começo a fazer turnos à noite.

Até breve.

Música para Domingo à tarde



Thirteen Senses - Into the fire

There are only two kinds of people who are really fascinating: people who know absolutely everything, and people who know absolutely nothing. Oscar Wilde

21 abril 2007

Fazer Cerimónia

Não há nada que me irrite mais do que alguém que me diga “ não faça cerimónia”. "Fazer cerimónia” é daquelas expressões que me custa a entender e que duvido que exista em mais alguma língua que não no português.

Facilmente se confunde boa educação com “fazer cerimónia”. Se não falo alto para não incomodar quem está à minha volta, se como de garfo e faca, se cumpro com as regras que a minha mãe me ensinou em casa, não estou a fazer cerimónia. Estou a ser educada (ou a tentar!). Pelo menos de acordo com os standards da minha casa. E são coisas que saem com naturalidade se sempre as fizemos.

“Espero que não se importem, mas vou fazer de conta que estou em casa e vou comer só com o garfo.” Epá! Come lá como tu quiseres, não me incomoda nada. Mas em casa, a minha mãe não me deixava descansar o braço esquerdo quando estávamos à mesa.

Em algumas situações posso sentir-me desconfortável, desadequada, constrangida, tímida, envergonhada, insegura, acanhada. Mas muito dificilmente estarei a “fazer cerimónia”. Até porque não sei bem o que isso é.

20 abril 2007

Crónica Sabedoria Popular

Cheguei a uma fase em que já nem tudo parece ser vivido pela primeira vez. Começam a repetir-se muitas coisas. E não me refiro apenas a lugares ou a pessoas mas a emoções e experiências. Começo a sentir cada vez mais, em algumas situações, que já lá estive e que já passei por aqui. Já são menos as surpresas.
É bom? É mau? É bom. É já saber o que fazer e que resposta dar.
Estas repetições fazem-me sentir confortável e compensam de certa forma todas as coisas novas que me estão a acontecer.
Deve ser por isso que é bom envelhecer. Sabemos cada vez mais e cada vez mais também, estamos preparados para enfrentar situações em que não sabemos nada.

19 abril 2007

Música para a sexta-feira



Nick Cave- into my arms

Viagens ao Passado

Podem ser boas e podem ser más. Podem ser uns lençóis de baixo brancos com bolinhas verdes e de cima, com riscas verdes.
Os mesmos onde dormi algumas noites em Coimbra. Os mesmos que fui encontrar em Lisboa, sete anos mais tarde. É bom encontrar quem não vemos há muito tempo e sentir o que está diferente. Mas há o que nos dá conforto porque ficou na mesma.
Esta noite não vou dormir debaixo de um céu cheio de estrelas, como sonho tantas vezes. Vou dormir com riscas e bolinhas verdes. As mesmas que dormiram comigo muitas vezes, há muitos anos atrás.

17 abril 2007

Crónica Não Crónica

Não tenho tido tempo.

Passo muito tempo de pé, a aprender muita coisa ao mesmo tempo, a conhecer muita gente nova por dia. Já aprendi a colar preços, fazer descontos, a fazer o scan de produtos na caixa, técnicas de vendas de móveis, gama de produtos, logística...

Chega o fim do dia e tenho que jantar com os colegas porque é importante ficar a conhecê-los, tenh oque me encontrar com os amigos da faculdade que já não vejo há mais de sete anos, tenho que procurar super-mercados, fazer e desfazer malas...

Ontem mudei de casa e agora fico, até Julho, a morar ao lado do parque Eduardo Sétimo. Tenho muitas "amigas" à porta de casa e ontem, enquanto procurava as chaves para entrar, abrandaram muitos carros para me ver. Pensaram que era carne fresca. Aperceberam-se que não era quando repararam que não tinha as pernas à mostra.

Já me encontrei com dois amigos que não via há imensos anos. É fantástica esta sensação de se ter criado amizades que duram para sempre. Fui ter com uma no Domingo e com outro ontem à noite. Foi como se o tempo não tivesse passado. Estamos mais velhos, mais sábios, mais seguros. O que está na mesma é a amizade.

Olhem só a sorte que eu tenho!

15 abril 2007

Eu vim para casa

Sábado à noite no Bairro Alto:

L - Eu quero ir ao Buddha...
V - Mas nem sabemos onde fica!
L - Tenho uma amiga que foi e gostou muito.
Eu - Perguntamos a alguém.
V - Pergunto já aqui a este tipo encostado à parede. És de cá?
Rapaz Encostado à Parede (REP) - Sou.
V - Sabes onde fica o Buddha?
REP - Não conheço...
V- É a discoteca da Maya.
REP - Na Damaia?? Epá! Isso é longe!
V- Damaia??!! Não!! A discoteca da-Maya. A Maya, conheces?
REP - A Damaia fica na Amadora e isso fica longe. Não conheço bem.
V - Oh carago! A Maya é uma pessoa, não é a cidade!
REP - Não sei. Para ir para a Damaia ainda pagam um bocado de taxi...
V - Eu estou a falar da Maya, a relações públicas!
REP - Não estou a perceber...
V - Esquece...

14 abril 2007

Roupa à Janela


Sempre que vejo roupa estendida, lembro-me de um disco muito velhinho que o meu pai tinha quando eu era pequena e que punha muitas vezes a tocar no gira-discos. O Vasco Santana a dizer poesia e quadras populares. Havia uma que era mais ou menos assim:
Oh sua descaradona
Tira a roupa da janela
Que ver a roupa sem dona
Me lembra a dona sem ela!
Fotos: Alfama, Lisboa

Dia de passeio por Lisboa

O meu nível de felicidade continua em alta. Interrompido apenas por breves momentos de pânico, quando olho para o calendário. Sempre que me lembro que daqui a três meses assumo a minha função em pleno, a minha testa começa a franzir. Mas isso agora não interessa nada. Estou em Lisboa, está sol e espero que a L******, a S***** e a D*** acordem para ir para a baixa e depois ao Castelo de S. Jorge e à Graça.
Continuo a não conseguir escrever crónicas. Preciso de mais tempo sozinha para ter ideias. Descobri que a solidão é fundamental para manter um blog "up and running".

Crónica Mais uma viagem ao passado

Estou a ter formação na mesma loja onde costumava ir, como cliente, com o meu ex-namorado. Esta semana já vi o candeeiro que tinhamos ao lado da mesa de jantar, a caixa do pão, o tapete do quarto, os edredons e almofadas...
Gostava de ser menos agarrada ao que já foi, mas não consigo evitar as viagens ao passado. Estou sempre a lembrar-me das tardes que passamos a comprar o recheio da casa.
O mais estranho é que não fico triste. Fico com mais vontade de repetir a experiência. Mas desta vez já sei que poderá não ser a casa onde vou ficar para sempre.

12 abril 2007

Crónica Dores nos Pés

Aqui estou eu em Lisboa. Andei a pé uma hora à procura de um internet café e finalmente descobri um no Picoas Plaza.
Ainda não tive tempo para escrever uma crónica a sério. E também não vai ser esta noite porque há festa lá no apartamento.
Ontem à meia noite e meia tive que expulsar os tipos que resolveram fazer da minha sala a tasca da esquina. Depois fiquei a sentir-me mal. Sou a chata lá de casa (estou a partilhar o apartamento com 3 colegas de trabalho que se deitam bastante mais tarde que eu e que convidam os amigos todos sem perguntar se eu me importo).
Já sei tudo sobre estantes, camas, tapetes e móveis em geral. O que é interessante para quem vai ser chefe de restaurante!!
Agora a sério. Estou a aprender muito mas passo o dia todo de pé e doem-me muito as pernas. Vou acabar a semana de rastos mas feliz, que é o que interessa.
Não gosto nada de crónicas a descrever o meu dia, mas perdoem-me lá esta vez. A próxima já será mais como as do costume. Já tenho papel e caneta na mesinha de cabeceira. Só preciso de encontrar uns minutos de sossego, que até ao momento foi impossível e tão cedo não vai acontecer.
Fica prometida uma crónica para Sábado.

10 abril 2007

Intolerância à Lactose

Sou intolerante à lactose. Depois de dois anos de dores de barriga constantes e depois da minha mãe sugerir uma ida ao psiquiatra “porque ninguém normal tem tantas dores de barriga e isso só pode ser psicossomático”, descobri que tinha que deixar a minha bebida preferida. Custou-me mudar os meus hábitos alimentares mas depois de uns anos, habituei-me. Posso beber meio copito de leite de vez em quando, que não me acontece nada. Mas se beber uma meia de leite todas as manhãs no café Canal 11, em frente ao centro de congressos onde tive formação esta semana e a passada, acontece qualquer coisa…

Estou verde de dores de barriga.

09 abril 2007

Crónica Comprida Demais

Quarta-feira começo a trabalhar em Lisboa. Vou lá ficar 2 a 3 meses e a empresa arranjou-me um apartamento bem no centro da cidade, perto de tudo. Já ando a sonhar com o que quero fazer nos meus dias de folga. Quero ir ao teatro, à Gulbenkian, a cafés bem decorados e a exposições. Quero aproveitar a vida numa cidade grande. Quero ir beber um sumo de laranja e comer uma torrada ao miradouro da Graça, passear pelas ruelas que vão dar ao castelo e tirar muitas fotografias.

Morei um ano em Lisboa há uns anos atrás e foi o período mais solitário da minha vida. Tenho más recordações daqueles meses de angústia. Passei muito tempo sozinha e assustada porque me sentia desconfortável numa cidade tão grande. Mas por haver tanta coisa para fazer, vim embora com boas recordações também.

Seis anos mais tarde, volto com uma atitude diferente. De certeza que já não vou achar a cidade tão grande e apesar de saber que vou continuar a fazer muita coisa sozinha, sei que não me vai incomodar tanto.

Estes meses vão ser uma quebra na minha rotina. Não gosto de morar em Espinho e estas mudanças, mesmo que temporárias, trazem alguma aventura à minha vida.

Espero arranjar inspiração para escrever muitas crónicas. E espero que o bom humor das últimas semanas se mantenha. Gosto mais de mim assim.

ShinyStat

O ShinyStat está de volta. Estava a fazer-me falta. Peço desculpa a quem me demonstrou desagrado por ter este contador no blog, mas a minha intenção não é saber quem acedeu mas sim quantas pessoas.

De qualquer forma, de quarta-feira, dia 11 de Abril, até Sábado, dia 21 de Abril, eu vou estar em Lisboa sem internet, nem em casa nem no trabalho. Com um bocado de sorte encontro um sítio com internet perto da minha residência temporária.

08 abril 2007

Três dias com demasiado tempo para pensar

1) Passei o fim-de-semana a ler um livro péssimo, sem interesse nenhum, e estou irritada com o tempo que perdi a aprender nada.

2) Estou cansada de ir às compras e chegar à conclusão que estou absurdamente gorda e que não há nada que me fique bem. Passar dois meses fora de casa não me vai ajudar a perder peso. Comer como um alarve também não.

3) Quando será que vou poder ver os Mão Morta ao vivo outra vez?

4) Ter que deixar de publicar crónicas diariamente e desistir das três sessões semanais no ginásio deixa-me desgostosa.

5) O desconhecido causa-me ansiedade.

6) Instalar banda larga foi a melhor coisa que me aconteceu.

7) Não gosto de conduzir para o trabalho no meio de transito infernal. Por outro lado, não quero ter que me mudar para Matosinhos.

8) O ipod que recebi no meu aniversário melhorou a minha qualidade de vida.

9) Dói-me a alma.

10) Alphaville é a melhor banda do mundo.

11) Tenho que me conter para que as pessoas que vier a conhecer a partir de agora não se apercebam que tenho a mania que sei tudo. Deve ser aborrecido ter que lidar todos os dias com alguém como eu.

12) Há alguém que me explique onde posso ir buscar força de vontade para parar de comer tanto?

13) Li um artigo no suplemento de um jornal qualquer sobre o Pedro Mexia e descobri que consigo achar as pessoas interessantes mesmo sendo muito diferentes de mim. Até podem ser de direita e achar que as férias ideais são uma viagem algures na Europa e ter exactamente o mesmo que temos cá, mas melhor e com mais variedade e qualidade. Descobri que o Pedro Mexia seria a pior companhia para as minhas férias, mas mesmo assim acho que é um personagem interessante. Não que ache que o Pedro Mexia quisesse ir de férias comigo. E ainda bem porque eu não queria ir de férias com ele.

14) Se calhar devia parar de pensar em férias, até porque férias, só para o próximo ano.

Páscoa

Esta manhã acordei com o sino do compasso que passava na minha rua. As meninas com os trajes minhotos e o padre passaram cedo de manhã e disseram adeus à família Antunes. Não temos flores à porta de casa mas aqui em Moledo, o padre gosta de toda a gente.

07 abril 2007

Chocolate, eu preciso é de chocolate! (e vinho tinto)

Estou a ler um livro chato e estúpido, a Time da semana passada não tem nenhum artigo interessante, só consigo pensar em trabalho, estou a passar a Páscoa na aldeia, não tenho banda larga e parece que ultimamente não me cruzo com ninguém digno de ser mencionado.

De tarde vou passear pela montanha e procurar inspiração. Porque assim, é impossível lembrar-me de temas para uma crónica.

05 abril 2007

Zero 7 "Destiny"

Os homens da minha vida

Gosto muito dos homens da minha vida e queria falar-vos sobre eles. São homens que se cruzaram por mim por acaso, nalgum momento da minha vida. Alguns ainda eram rapazes quando os conheci. Não fazem ideia que os considero como os homens da minha vida. Nunca lhes disse e nunca fomos mais do que amigos. E muitas vezes nem sequer muito próximos. Mas secretamente desejo que um dia casem comigo e desejo ser mãe dos filhos deles. Para poder replicar tudo de bom que vejo neles. De forma muito lírica, esqueço-me que na realidade não devia considerá-los meus, porque só podemos chamar nossos àqueles que por vontade própria, querem ser nossa pertença.

Têm todos em comum o facto de estarem bem longe de mim, o que reforça ainda mais o lirismo deste conceito. Estão longe, sei muito pouco sobre eles, são interessantes, aparentemente diferentes da maioria e nunca me considerariam como mulher da vida deles. Mas é suficiente que me dêem atenção mesmo que seja esporadicamente.

No topo da lista está alguém que conheci há muitos anos e que sei que nunca mais vou esquecer. Uma vez por ano recebo um telefonema dele e durante uma semana carrego um sorriso na cara que nenhuma situação, por mais adversa, consegue eliminar. É importante saber que ainda se lembram de mim. Gosto de saber que mesmo estando mais velhos, diferentes e a viver numa parte do mundo a que não tenho acesso fácil, continuam a ser os homens da minha vida. Gosto de saber que gente assim existe e que de cinco em cinco anos há uma grande probabilidade de eu conhecer mais um.

Pergunto-me por vezes se sabem quantas vezes preencheram os meus sonhos.

03 abril 2007

Enganem-me que eu gosto

Pausa para almoço. Sentadas numa mesa do Café 11:

Colega de 22 anos: Acho tão estranho tratarmos toda a gente por tu…estou habituada a tratar os chefes e as pessoas que não conheço bem por “você”. Pelo menos as pessoas mais velhas. A partir dos trinta praí…

Cláudia. Oooh…

Colega de 22: Tens 30???????????!!!!!!

Colega de 23: É verdade, tu disseste isso na apresentação e eu nem queria acreditar. Espero chegar aos trinta com a tua aparência!

Cláudia: Opá! A partir de agora és a minha melhor amiga! (*abraço* em pensamento) (*Já ganhei o dia. Pago já aqui o almoço a estas duas* em pensamento)

Também me lembro de ter 20 anos e achar que quando chegasse aos 30 ia ser uma velha caquéctica…

Lavagem Cerebral

É impressionante como chego a casa tão cansada depois de um dia inteiro sentada numa cadeira a ouvir os outros a falar. Deve ser porque me estiveram a moldar para que encaixe bem na empresa onde comecei a trabalhar. A minha sorte é que acho que não preciso de muitos “amassos” para me sentir bem lá dentro.

Estou naquela fase inicial por onde passamos todos quando começamos um emprego novo e nos fazem aquilo a que chamo lavagem cerebral. É para nos custar menos acordar com o despertador todas as manhãs, porque afinal, somos os maiores e trabalhamos no sítio mais indicado para a nossa atitude para com a vida!

Hoje tive que assinar o contrato e fiquei assustada. Foi a primeira vez que assinei um contrato para um cargo de chefia. Estou convencida que propositadamente põem lá umas cláusulas para nos assustar “O colaborador exerce funções de elevado grau de exigência, complexidade e confiança…” Como não estou habituada aos contratos e à legislação de trabalho portuguesa tudo me mete confusão.

Depois de me fazerem a proposta de trabalho, há umas semanas atrás, fiquei horas na internet a tentar perceber o que me tinham acabado de oferecer. E até agora não tenho bem a certeza. São só pormenores, mas eu gosto de perceber tudo. Eu hoje fui a última, de um grupo de 25 pessoas, a entregar o contrato assinado porque queria ler tudo com atenção e fiz perguntas sobre tudo.

Acho que até ao fim da semana, não vou ter mais nada para contar para além de histórias de trabalho. Mas tenho esperança que o chocolate da Páscoa me dê inspiração para outras coisas. Que isto está a ficar muito pouco criativo.

02 abril 2007

Berlim (morreu a nove)

Berlim, Berlim morreu a nove.

Cenário:Yorckstr... sucessão de viadutos de ferro
Enegrecidos pela ferrugem,
Onde as velhas linhas para leste,
Entregues à voracidade do tempo,
Se equilibram, sobranceiras,
Os carris retorcidos pelo matagal.

De quando em vez
O crepúsculo é rasgado pelo S-Bahn para Mariendorf,
Fila de janelas iluminando prostitutas de couro e lingerie
Em carícias obscenas

Hordas de guerreiros em latex vermelho,
Silhuetas recortadas no lusco-fusco,
Movimentam-se junto ao descampado.

Conan, o Bárbaro, montado no seu Camaro de 70
Cuspindo fogo estrepitosamente,
Vem ver se está tudo bem com as suas pequenas.

Do imbiss do turco
Ouve-se a rádio anunciar que em Postdamerplatz o muro está a cair.

Que faço eu aqui
Com as mãos manchadas de sangue?

Berlim, Berlim: morreu a nove.

Mão Morta [Adolfo Luxúria Canibal / Carlos Fortes]

Quem vê blogs não vê corações

Li um artigo escrito por Pedro Mexia no Diário de notícias sobre o livro da Maria Filomena Mónica – Bilhete de Identidade:

“Nada tenho contra a literatura intimista (muito pelo contrário) e não me considero especialmente puritano. Mas creio que (como dizia o outro) não havia necessidade de alguns comentários íntimos que aqui encontramos [..]

O intimismo em causa própria é inteiramente legítimo o intimismo que implica terceiros é terreno mais melindroso. Tenho por isso alguma pena que este desassombrado testemunho seja um sucesso de vendas pelas razões mais básicas: porque as pessoas querem saber quem dormiu com quem (e como correu).”

Não me estou a tentar comparar com a Maria Filomena Mónica, nem a comparar o meu blog com um livro que é um sucesso de vendas. Mas acho que me exponho demais e às pessoas que conheço. Acho também que, se alguém que não me conhecesse pessoalmente lesse o meu blog, ficava com a ideia errada.

Apenas cerca de 15 pessoas lêem o Claudipédia, e só o escrevo porque é uma forma de passar o tempo. Mas mesmo assim, se calhar chegou a altura de parar de escrever disparates e coisas que não interessam a ninguém (a não ser a mim mesma). Se calhar devia arranjar outro passatempo, devia parar de passar uma imagem de mim que não corresponde à realidade.
Espero que ninguém se esqueça que quem vê blogs não vê corações.

01 abril 2007

Pode-se escrever sem sabermos nada

Actuação Escrita

Pode-se escrever

Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar na caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever
caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada

Pode-se não escrever

Pedro Oom
Actuação Escrita
Lisboa, & Etc., 1980


Pequenos Momentos de Auto-Comiseração

Rejeição é a minha palavra de auto-comiseração preferida. É o que, ultimamente, me acaba sempre por acontecer quando decido arriscar. Acabo sempre por ouvir coisas que me deixam triste. Da última vez disseram-me “Não sou capaz de ir para a cama com uma mulher quando estou sóbrio” e eu obviamente interpretei “Não sou capaz de ir para a cama contigo quando estou sóbrio”. Em qualquer outra situação, preferia que a primeira fosse a verdade, porque a rejeição deixava de ser pessoal. Mas neste caso, e porque gosto muito do rapaz em causa, espero que seja mesmo só comigo que isto se passa. Porque de outra forma seria muito triste. Tive vontade de lhe explicar que não sabe o que está a perder. E até seria estranho estas palavras virem de alguém como eu, que gosta muito de beber e de se sentir levezinha e que tem tantos complexos. Mas a verdade é que, uma vez atraída por alguém, como era o caso com este amigo, não sinto necessidade de esconder nada com álcool, lençóis ou luzes apagadas. Suponho que sejam estas as vantagens de ter trinta anos. Já sabemos o que vamos encontrar por debaixo da roupa das pessoas e assumimos que os outros também sabem. E assim já não há surpresas nem desilusões.

No fundo, sei que foi só uma desculpa. Porque aos trinta, já ouvimos todo o tipo de justificações.

31 março 2007

Ter Medo do Escuro

Acordei às quatro e meia da manhã por causa de um pesadelo. Acontece-me muitas vezes ter sonhos muito violentos e não consigo perceber onde vou buscar ideias para histórias assim.

Levantei-me muito incomodada e fui sentar-me na sala. Tinha medo de voltar a fechar os olhos e ver aquelas imagens outra vez. Bebi um copo de água e quando me sentia mais calma fui deitar-me outra vez. Queria ter alguém em casa que se sentasse na minha cama, me desse a mão e que me dissesse que podia voltar a dormir sem receio. Mas não estava ninguém no meu quarto e eu estava com medo do escuro e da casa vazia.

Há alturas em que me sinto sozinha. E não é quando não tenho companhia para ir ao cinema, ou para ir de férias ou para tomar pequeno-almoço à beira-mar ao Domingo de manhã. É quando alguma coisa corre mal ou quando alguma situação difícil me causa ansiedade. É quando não tenho alguém para me fazer uma festinha e para dizer que vai ficar tudo bem.

Às vezes custa ter que passar por tudo desacompanhada. Mas só me faz falta alguém quando estou mal, porque quando está tudo bem, prefiro estar sozinha. E não me parece que seja esta a lógica para procurar companhia. Vou ficar à espera de que conhecer alguém com queira estar quando estou bem e quando estou mal. E até lá, vou ter que conseguir adormecer sozinha depois de um pesadelo.

30 março 2007

Águas de Março



Música para sexta-feira à tarde!

29 março 2007

Artigo de Opinião no The Guardian - 29/03/2007

Sou ateia e porque isso, por vezes, me causa alguma confusão, gosto de ler o que escrevem aqueles que sabem mais sobre o assunto do que eu. Costumo dizer que sou ateia porque nasci assim. Não havia religião em minha casa e eu nunca senti que me fizesse falta.

Mas sou uma ateia muito pouco coerente porque, apesar de não acreditar em deus, gosto daquilo que a religião dos outros me oferece. De outra forma não teria ido ouvir a Paixão Segundo S. Mateus, de Bach, ao Concertgebouw, em Amsterdam. Não podia ir às festas populares de Moledo do Minho, onde ponho sempre uma moeda ao santinho mais bem enfeitado. Não comemorava o Natal, a única altura do ano em que a minha família toda se junta. Não podia sonhar com a viagem que quero fazer a Roma para ver a Capela Sistina.

Hoje li um artigo muito interessante no The Guardian - The anti-God squad, que refutava aquilo em que sempre acreditei: que sem religião, não teríamos as grandes obras de arte que temos no mundo.
“Professor Dawkins was offended by the notion that we need religion for great art. Michelangelo was simply forced to work for whoever had the money, and when he painted the Sistine Chapel, power and wealth were firmly in the hands of the Catholic church. How sweet, he wondered, would Haydn's Evolution Oratorio or Beethoven's Mesozoic Symphony have sounded?”
O artigo começa com a seguinte pergunta:
Would we be better off without religion?

E termina com uma resposta que dou muitas vezes a quem fica admirado por ser uma pessoa "sem fé". A bondade não vem da religião. Vem de dentro de nós.

"The real question is whether the best of humanity is already inside us or whether it needs faith to bring it out. For Mr Hitchens it is possible to have the good without the faith (and hence also without the interfaith wars in Northern Ireland, Bosnia, Iraq and the rest). "It's called culture."
Mas a religião não fará parte da cultura? Eu sinto que a religião católica faz parte da minha, mesmo sendo ateia.

Stone Throwers

The Theory of Moral Sentiments
by Adam Smith, 1759

The causes of pain and pleasure, whatever they are, or however they operate, seem to be the objects, which, in all animals, immediately excite those two passions of gratitude and resentment. They are excited by inanimated, as well as by animated objects. We are angry, for a moment, even at the stone that hurts us. A child beats it, a dog barks at it, a choleric man is apt to curse it. The least reflection, indeed, corrects this sentiment, and we soon become sensible, that what has no feeling is a very improper object of revenge. When the mischief, however, is very great, the object which caused it becomes disagreeable to us ever after, and we take pleasure to burn or destroy it.
[...]
The object, which resentment is chiefly intent upon, is not so much to make our enemy feel pain in his turn, as to make him conscious that he feels it upon account of his past conduct, to make him repent of that conduct, and to make him sensible, that the person whom he injured did not deserve to be treated in that manner. What chiefly enrages us against the man who injures or insults us, is the little account which he seems to make of us, the unreasonable preference which he gives to himself above us, and that absurd self-love, by which he seems to imagine, that other people may be sacrificed at any time, to his conveniency or his humour. The glaring impropriety of this conduct, the gross insolence and injustice which it seems to involve in it, often shock and exasperate us more than all the mischief which we have suffered. To bring him back to a more just sense of what is due to other people, to make him sensible of what he owes us, and of the wrong that he has done to us, is frequently the principal end proposed in our revenge, which is always imperfect when it cannot accomplish this.

Photo: Palestinians throw Molotov cocktails at Israeli border policeman, during clashes in the West Bank city of Hebron, Sunday Feb. 11, 2007. Palestinians clashed with Israeli police in Jerusalem and the West Bank in a new wave of protests against ongoing Israeli construction near a flash point Jerusalem's Old City holy site. (Associated Press Photo/Nasser Shiyoukhi)

28 março 2007

Unter den Linden


Aviso

A pedido de algumas pessoas, retirei o shinystat, esse big brother dos blogs. A partir de agora não vou saber quem me visita.

De qualquer forma, a partir da próxima semana vou deixar de ter tempo para estas coisas do blog.

Também mandei o Claudipédia ao cabeleireiro, mudar de cor de cabelo.

Cláudia Alienada do Mundo à Sua Volta

Hoje à tarde estava no trabalho, em frente ao meu laptop, concentrada a fazer não sei o quê, quando me apercebi que os meus colegas rogavam pragas aos informáticos que nos tinham feito alterações na rede esta manhã. Ouvia uns ruídos de fundo. Mas como vivo tão fechada no meu mundinho, ou a sonhar acordada ou concentrada no que estou a fazer, não percebi bem o problema. Sei que ninguém conseguia imprimir e estava tudo a tentar compreender qual das impressoras funcionava, mas nenhuma delas cooperava. Quando chegaram à conclusão que não sabiam o que fazer, resolveram que iam telefonar ao informático para lá ir resolver o problema.
Foi nessa altura que resolvi levantar a cabeça e tirar o nariz do meu ecran. Levantei-me e pus papel nas impressoras.
Afinal não foi preciso chamar o informático.
Quando estou a trabalhar, presto pouca atenção às conversas que me rodeiam. Acredito que se for do meu interesse, me dirigem a palavra directamente. Isto faz de mim uma péssima coscuvilheira. Sou sempre a última a saber as coisas.

27 março 2007

Para variar do habitual mau humor matinal

Ultimamente sinto-me tão cansada que durmo como uma pedra. Tenho sempre muito frio antes de adormecer e ontem cobri-me com dois edredons, um cobertor, um pijama de Inverno e umas meias grossas. Acordei de manhã e, quase a engolir a língua de tão seca que tinha a boca, o meu primeiro pensamento foi: Estou pronta para ser servida à mesa de alguém, numa bandeja de prata e com uma laranja na boca. Estava muito mal disposta mas mesmo assim, e pela primeira vez na vida, levantei-me e caminhei até ao chuveiro, a rir-me de mim própria.

Cinzento Escuro

Já por duas vezes escrevi crónicas por antecipação. São textos que escrevo de acordo com as expectativas que tenho em relação a alguma situação do futuro próximo. É tipico de quem sonha tanto acordado, especula sobre os possíveis cenários e acredita que o melhor deles vai acontecer.

Da última vez acreditei que, e de acordo com a minha interpretação do Yin Yang, estava a entrar numa fase positiva onde só os cenários óptimos podiam acontecer. Escrevi como sería preferível que as coisas boas e más se alternassem, para que o meu coração sofresse menos picos e baixas emocionais. Pensava que estava a sair de uma fase em que tudo me corria mal e que agora entrava noutra onde tudo corria bem.

Que erro tão grande. Na verdade, algumas coisas começam a melhorar mas outras continuam na mesma. E esse tal acontecimento que provava a minha teoria do "depois de uma época má, uma época boa seguirá" não ocorreu.

Não estou no preto nem no branco. Estou numa fase cinzenta.

26 março 2007

Subtítulo

Aceito sugestões para um novo subtítulo para o Claudipédia. Não gosto do actual – Porque Tenho a Mania Que Sei Tudo – e gostava que, depois de lerem as minhas crónicas, me dissessem qual o mais indicado.

Louisiana Museum for Moderne Kunst - Humlebæk

Exposição temporária - Cindy Sherman
Sherman manipulates her own body by means of make-up, clothes and artificial body parts, and stages herself as various figures that she invents or re-invents, after which she photographs herself in her studio. (…)Her whole idea with the stagings is to explore the cultural and social stereotypes as they are presented for example in magazines, advertisements, films and classic paintings.
(...) In her staged works Sherman questions the male gaze at women; women too look at themselves from a male point of view, as the only point of view that exists in a patriarchal society. The repetition and variation take the form of a subtle analysis of female identity. The fantasies (individual as well as collective) and the forces unleashed by these fantasies, emerge through Sherman’s stagings as sometimes playful, sometimes sombre, repulsive and horrifying.



Vaidade

Esta semana vou vestir um fato todos os dias para ir trabalhar. Vou pôr brincos, uma camisa bem passada a ferro e vou-me pentear. Vou arranjar as unhas, vou hidratar bem a pele e vou às compras. É a última semana que vou ter que escolher o que vou vestir pela manhã.

Já trabalhei muitas vezes de uniforme e sei que não traz nada de positivo à vaidade de uma mulher. Mesmo a uma mulher como eu que se preocupa pouco com a aparência.

Em empregos anteriores adoptei uma técnica para superar o desgosto de me sentir feia todos os dias. Nunca me olhava para o espelho antes de mudar para a minha roupa. Desta vez acho que vou adicionar mais uma. Vou começar a enfeitar-me mais nos dias em que não trabalho.

Não sei porque é que estou tão incomodada com isto. Nem me estou a reconhecer. Desde quando é que a vaidade me levou a algum lado?

24 março 2007

Crónica O Meu Casaco Verde Tropa

Quando era adolescente, passei uma fase em que andava pela casa à procura de coisas para vender na feira da Vandoma, no Porto. Ia com a S. tentar ganhar uns escudos com aquilo que os nossos pais já não queriam. Cheguei a vender discos do meu pai sem ele saber, mas não faz mal porque até ao dia de hoje a coleção de música do meu pai está fechada num armário a ganhar pó. Ele nunca sentiu falta dos discos de vinil, que de qualquer forma já niguém ouve.
Numa dessas manhãs de sábado, depois de vendermos os nossos trastes, seguimos para a Rua Escura, essa zona agradável da Sé do Porto. Fomos a uma loja que vendia roupa da tropa em segunda mão. A S. comprou umas calças e eu um casaco muito roto e sujo.
Chego a casa. "-Olha o que eu comprei!". A minha mãe ia desmaiando mas em vez disso, esticou o braço e mandou por o casaco na ponta da cruzeta que segurava com a mão. Enfiou o casaco na máquina de lavar, sem nunca lhe tocar, e lavou-o três vezes a temperaturas altas.
Lembro-me de levar esse casaco para a faculdade de economia, no meu primeiro ano e de deixar muita gente chocada. Atraía muitos olhares os buracos nos cotovelos daquele casaco.
Li na autobiografia do Marilyn Manson (essa grande obra literária) que é muito fácil chocar as pessoas e que pode ser bastante divertido tentar fazê-lo.
Ainda hoje não consigo deixar de me espantar de como é fácil chocar ou surpreender as pessoas. Mas também é verdade que há muita gente que consegue ver através do roto do casaco, mesmo que outras tantas não o consigam fazer. E é por isso que tenho amigos tão diferentes de mim.

22 março 2007

Hun var aldrig alene (She was never alone)
Kathrine AErtebjerg 1969
Statens Museum for Kunst - Copenhaga

Crónica Sábado à noite em Berlim (versão reduzida)

Queria escrever sobre Sábado à noite em Berlim mas não sei se consigo. Foi tão irreal que não o consigo descrever.

Numa festa em casa de um amigo do M. conheci o Ivan e poucos minutos depois pensei que era amor à primeira vista. Comecei a ver crescer-lhe asas nas costas e uma auréola luminosa. Mas ele tinha que ir a outra festa e eu tinha que ir com o M. Tive que deixar aquele sérvio com cara de anjo e voz de melodia ir embora.

Pedi ao Ivan para ficar com o número do M. e para ir ter connosco mais tarde. Cheguei ao 103, onde tocava uma música irritante e, pouco tempo depois, o meu anfitrião em Berlim atende o telemóvel. Depois de uma conversa em alemão, ele desliga o telefone e diz-me com um sorriso de gozo na cara "-Ele vem aí".

Trocamos beijos com sabor a framboesa, como nos tempos do liceu, tenho a certeza que toda a gente se lembra como são, doces e com a textura do veludo. Quando nos apercebemos que já toda a gente tinha ido embora, ele pergunta-me se quero ir beber um chá "-I have ginger tea, mint tea..." "-I like mint tea..."

Quando saímos já estava a ficar de dia. Ele tinha o carro estacionado à porta e fomos até casa dele com As Bodas de Figaro a tocar no leitor de Cds. Estacionou o carro à porta de casa e perguntou-me "-Would you like to climb this hill? You can see Berlin from the top." Subimos ao topo e ficamos enconstados à estátua, a olhar para o pouco da cidade que se conseguia ver.

Em casa, bebemos chá, ouvimos música e ele leu-me textos do Oscar Wilde. O CD parou de tocar e as minhas pestanas ficaram pesadas. "-You only need six steps to be in bed"

Adormecemos abraçados enquanto o Ivan passava os dedos no meu cabelo e me dava beijinhos. Acordamos de manhã colados um ao outro pelo calor e transpiração do sono.

O Ivan levou-me a casa do M., e explicou-me porque é que gostava da ópera que estavamos a ouvir. Não me lembro de nada do que disse. Sentia que a noite tinha sido terrível e que o Ivan tinha detestado estar comigo.

Agora que penso nisto já não me sinto mal. Ele vai esquecer-se rapidamente desta noite e eu vou lembrar-me dele para sempre.

21 março 2007

Crónica Férias

Chegar a Copenhaga vinda de Berlim é como fazer uma viagem ao século XXII. Aterrei num aeroporto todo limpinho, onde um lourinho extremamente simpático me vende um bilhete de comboio par ao centro. Ao contrário dos alemães que não falam senão alemão, este rapaz explica-me tudo num inglês perfeito e com um grande sorriso deseja-me "have a good evening". E, apesar de um pequeno precalço, acabou mesmo por ser.
Entro no comboio muito moderno, numa estação sem os grafitis e a escuridão das estações de Berlim, e quando chego à estação de Norreport, a minha amiga telefona-me a avisar que uma colega me vai buscar porque ela não pode. Eu só tinha que esperar uns minutos.
1 hora depois
Com as mãos vermelhas e inchadas do frio e a tiritar, desisto de esperar. Faço aquilo que pensava ser impossível e entro no MacDonalds para descongelar e para comer (só as batatas fritas porque os hamburgueres nem que me paguem). Começa a nevar. Nunca gostei tanto do MacDonalds e tão pouco da minha amiga.
1 hora mais tarde...
Parece que agora ela me vem buscar. Uma série de avarias de telemóvel não deixaram que a mensagem chegasse à colega que supostamente me ia buscar.
A S. redimiu-se. Para compensar as horas de espera leva-me a comer uma grande fatia de tarde de framboesas com natas e um chá, num café fantástico numa praça muito bonita.
Conversamos até nos doer a língua, passeamos pelas ruinhas da cidade e voltamos para casa.
O rapaz da estação afinal tinha razão. I did have a good evening!

Berlim (mais uma vez)

O fim-de-semana que passei em Berlim fez-me lembrar a Cláudia que era até há cinco anos atrás.
Digo às vezes na brincadeira que quando começo a achar que me estou a tornar chata e aborrecida, penso na minha tatuagem. Representa a Cláudia que não me quero esquecer que existe. É como um simbolo para mim, porque me lembra de uma altura em que era mais impulsiva e menos preocupada com as consequências.
Estes dias em Berlim fizeram-me ver que a Cláudia de antigamente ainda existe. Agora até pode estar escondida mas assim que passar esta "depressividade", ela sai cá para fora outra vez.
PS - não tenho tempo para rever textos nem erros nas crónicas dos próximos dias.

Já estou em Copenhaga mas com acesso limitado à internet




A Berlim quero voltar em breve e a Copenhaga vou voltar quando ganhar a lotaria.

Em Berlim vou dormir durante o dia e sair à noite. Em Copenhaga vou fazer compras durante o dia e sonhar em fazer compras durante a noite!

18 março 2007

As férias são uma ilusão

Não tenho tido tempo para escrever crónicas porque estou muito cansada.

Mesmo estando de férias não consigo descontrair nem consigo deixar de me sentir triste. Adorei Berlim mas vou sair daqui deprimida. São contradições típicas da Cláudia. Diverti-me imenso mas estive o tempo todo a tentar não chorar. Estou cansada de mim própria e parece que nem de férias consigo descontrair.

Já há muito tempo que me apercebi que a minha tristeza não tem razão geográfica, e talvez já devesse ter aprendendido que posso mudar de lugar mas não me posso mudar a mim.

16 março 2007

Berlim Dia 1




Kaiser-Wilhelm-Gedachtnis-Kirche

Museu Judaico (memorial ao holocausto)

Potsdamer Platz

Março 2007

O mês de Março de 2007 vai ficar marcado como o mês das emoções. Esta semana recebi o primeiro sinal a indicar que o meu regresso a Portugal talvez tenha sido boa ideia.

Um dos muitos motivos que me fizeram regressar foi a insatisfação profissioal. A sensação que podia fazer mais e que as oportunidades disponíveis a uma imigrante portuguesa eram limitadas. Senti que não havia interesse em investir na formação de um trabalhador que a qualquer momento podia ir embora.

Regressei apesar dos avisos dos meus amigos sobre a situação económica em Portugal. Não me acreditava que podia ser tão mau como vim a descobrir que é. Precariedade, salários baixos, a demora dos processos de recrutamento e taxa de desemprego muito alta.

Dia 7 fiz trinta nos e fiquei triste. Não pelas três décadas que já passaram mas pelo pouco que consegui fazer neste período de tempo. Hesitei muitas vezes, tomei algumas decisões erradas e não investi numa carreira. Fui vivendo sem fazer planos para o futuro e deixei as coisas irem acontecendo.

Dia 2 de Abril de 2006 aterrei no aeroporto Francisco Sá Carneiro com 4 anos de vida na mala e muita humidade nos olhos.

Dia 2 de Abril de 2007 começo um projecto profissional novo, com algumas das características que sempre procurei num emprego.

Senti esta proposta de trabalho como um voto de confiança na minha capacidade para aprender e para desenvolver capacidades que sei que tenho.

E foi essa confiança que uma organização teve em mim que me devolveu a esperança de que um dia vou acordar de manhã com a sensação as opções que tomei me levaram onde eu quero ir. Ainda não cheguei lá mas estou a caminho.

PS – Muito poucas coisas acontencem por sorte ou por mero acaso.

(escrito no aeroporto de Londres onde tive que esperar 6 horas pela ligação para Berlim)

14 março 2007

Claudipédia de Férias

Caros leitores,

Estou ausente para férias até dia 25 de Março. Não sei se vou ter acesso ao meu blog ou paciência para procurar um internet café, mas vou tentar actualizar o Claudipédia.

De qualquer forma, tenho a certeza que 10 dias de férias vão dar origem a muitas crónicas.

E quando voltar tenho novidades para contar.

Até dia 25 (ou antes!)! Beijinhos a todos.

13 março 2007

A Gaveta das Meias

Desde que me mudei para casa dos meus pais que sou incapaz de seguir o ciclo da lavagem da roupa. E foi esta a maior alteração na minha vida doméstica. Por não ser eu a tratar da roupa, nunca sei em que fase está aquilo que quero vestir. Pode estar para passar a ferro, no cesto da roupa suja, pendurada a secar...nunca sei. Tenho um acordo com a minha mãe para que a minha roupa não seja guardada dentro do armário. Depois de passada a ferro fica dobradinha em cima da cadeira do meu quarto. E até eu me dar ao trabalho de a arrumar, alí fica ela. E como sou muito desarrumada, tenho a certeza que muitas peças de roupa nunca saíram de lá. Este acordo foi feito para evitar que eu retire tudo do armário para encontrar o que quero. Se sou eu que as guardo, já sei onde estão. Na semana em que este acordo entrou em vigor, tinha dezenas de cruzetas penduradas por todo o lado. A minha mãe não era capaz de deixar tudo espalhado pelo quarto, como eu fazia, e insistia em pendurar tudo, mas, respeitando o nosso acordo, não as punha dentro do armário. Gosto muito da forma como a minha mãe respeita os acordos que lhe imponho, estes pequenos abusos à hospitalidade dos meus pais.

O que me diverte mais são as coisas que encontro dentro da gaveta das meias, e que não me pertencem. Aposto que hoje o meu pai saiu de casa com as minhas soquetes pretas, porque eu fui ao ginásio com umas meias que nunca tinha visto antes e que me ficam grandes.

Gosto de pensar na animação que proporcionei à minha roupa interior quando me mudei para cá. Quando me vou deitar imagino as festas nocturnas dentro da gaveta, onde as minhas cuecas piscam o olho às meias desconhecidas e os soutiens convidam para dançar uns collants nunca vistos. Deve ser fixe morar naquela gaveta, sempre a receber visitas.

12 março 2007

How to Cope With Depression

Crónica Opções de Vida

Em conversas leves sobre sonhos para o futuro, eu digo sempre que se algum dia tiver filhos, se ivão chamar Sara, se fosse menina e Miguel, se fosse menino.

A Sara e o Miguel são os meus melhores amigos. Estão muito distantes agora, não só em distancia fisica mas talvez um pouco distantes porque há muito tempo que deixei de permitir a entrada na minha vida interior. E também porque é assim mesmo. Os adultos vão-se separando naturalmente, sem que com isso deixem de ser amigos e de ter a mesma confiança.

Ainda espero um dia poder homenagear as duas pessoas que mais influencia tiveram, fora da minha família, na minha formação como pessoa. Porque me ensinaram muita coisa. Coisas como música, livros, filmes mas mais importante do que isso ensinaram-me valores que vão ficar comigo para sempre. Ensinaram-me a ser uma pessoa melhor.

Acho que hoje tive a minha primeira crise existencial pós-trinta. Porque tenho medo de, por começarmos a ter vidas cada vez mais diferentes, eu me separe cada vez mais das pessoas que mais gosto.

Às vezes sinto que vou ficando para trás.

10 março 2007

The End of The World As We Know It



Às vezes basta um e-mail e Kabuum! It´s the end of the world as we know it!

Internet Junkie a Ressacar

Estou sem internet em casa e não sei quando me vão resolver o problema. Não sei quando terei oportunidade de pôr aqui outra crónica porque não tenho pen para passar o que escrevo do meu computador para outro.

Vou tentar resolver o problema o mais rapidamente possível porque a vida sem internet não vale a pena ser vivida.

Nem sei o que fazer a mim própria só de pensar num fim-de-semana inteiro sem internet...

O que é que as pessoas normais fazem com o tempo livre?

07 março 2007

Afinal...o melhor foram as prendas

E foi depois da lasagna da Dona Judith, do gelado de bolacha da Eva, do bolo de manteiga com cobertura de chocolate Lindt, de duas garrafas de tinto do Douro e de uma de Espumante Murganheira Reserva Bruto, que a família Antunes se recolheu aos seus aposentos, muito enjoada, mas muito bem disposta.
Amanhã volto à vida normal. Afinal hoje, quando me olhei de manhã ao espelho, estava tudo na mesma: o meu cabelo continua um ninho de ratos, continuo a gostar de ouvir musica, não me saber vestir, continuo com celulite, o meu sinal no peito do lado esquerdo ainda está no mesmo sítio, a balança acusa o mesmo peso, tenho as mesmas rugas nos olhos, as mesmas borbulhas no queixo, o mesmo cobertor branco em cima da cama, os mesmos livros de língua portuguesa na prateleira de baixo e os de língua inglesa na prateleira de cima, o mesmo carro à porta, os mesmos chinelos debaixo da cama, os mesmos bons amigos, as mesmas amarguras, as mesmas angústias, o mesmo prazer em beber um copo de vinho tinto, as mesmas dúvidas, o amor pelos mesmos homens, o mau humor de manhã e os disparates depois da caneca de chá que me desperta e ainda tenho vontade de fazer as mesmas coisas.

Afinal fazer trinta anos é uma grande treta.

06 março 2007

23h - Faltava Uma Hora

- Oh Mãe, temos mesmo que esperar mais uma hora? Se pensarmos bem, em Espanha, mesmo aqui ao lado, já é meia-noite! Não podemos beber uma taça de Champagne agora?

- Pois, e se estivesses na Nova Zelandia, já tinhas quase 31!!!!

O apocalipse prenunciado por e-mail


Hoje recebi um e-mail de uma amiga que se intitulava “O último dia”. Adorei esta visão apocalíptica das minhas últimas horas nos vinte.

Cinéfilos de Café


Sentei-me no Café Ideal, esta manhã, a beber uma meia de leite, a comer uma torrada e a ouvir a conversa das duas senhoras sentadas ao balcão:

- Atão não foi o Udi Álen que adoptou uma chinesa e depois casou com ela?

- Ah pois!

- Olha, eu é que não me importava de o adoptar a ele!

- ah ah!

- E mandava o meu homem apanhar ar, que támém tá a precisar!

Intervenção do senhor sentado a ler o jornal:

- Oh Dona Miquelina, atão o que está para aí a dizer que vai fazer ao seu marido?

- Atão, só disse que bou adoptar o Udi Alen!



(No final deste filme, aposto que o marido da Dona Miquelina fica com a filha adoptiva chinesa com quem o "Udi Alen" casou!)

05 março 2007

Não Consigo Respirar


04 março 2007

Crónica O meu Sistema Respiratório (2)

Ter uns pulmões que funcionam mal põe o meu cérebro em funcionamento.

Passar uma tarde na cama a descansar o meu sistema respiratório, fez-me pensar: Porque será que fantasio tanto sobre os possíveis cenários do futuro da minha vida?

Como não tenho resposta, fui por fim às minhas fantasias com as fantasias dos outros, na sessão das 17h15- Paprika - do último dia do Fantasporto.

Mais Fantasporto

O ano passado consegui bilhetes para a sessão de abertura do Festival de Cinema de Edimburgo e para a festa oficial do festival. Gosto muito destes eventos porque o celebrity spotting é o meu passatempo preferido (estiveram lá a Emily Watson e o Gabriel Byrne. Mais não me lembro). O dia seguinte foi duro e pela primeira (e única) vez na vida tive que telefonar para o trabalho a avisar que me ia atrasar porque a ressaca era violenta demais para conseguir sair da cama. Ir a festas com bebidas a circular livremente, num dia de semana, é má ideia. Mas como foi a minha chefe a dar-me os bilhetes, considerei que a culpa era dela!

Este ano não consegui bilhetes para a abertura do Fantasporto, mas consegui para o encerramento. Consegui um bilhete rejeitado por alguém cinco minutos antes da sessão começar. Estava lá o Ruy de Carvalho, a Rosana Arquette, o miúdo do ET que já não é miúdo nenhum, e muitos estrangeiros a aceitar prémios com discursos em português macarrónico. Incluindo um grego que pediu desculpa pela Grécia ter ganho o Euro 2004. E claro o Mário Dorminsky a cascar no presidente da câmara do Porto, no ICAM e a queixar-se da falta de apoio ao evento cultural do Porto com maior visibilidade no estrangeiro. Gostei. Foi mais divertido do que o filme que mostraram depois – The Fountain. Aborreci-me e talvez não tenha ajudado estar muito desconfortável na segunda fila. Ainda me dói o pescoço.
O cartaz do Isabella é só porque gostei muito do filme.

02 março 2007

Hoje Apetecia-me Estar Aqui (3)

Estação de Comboios de Nova Deli, Paharganj, India

Enfermaria de Mulheres Perturbadas Num Hospital Psiquiátrico

Sala delle agitate a S. Bonifacio- 1985, Telemaco Signorini
Gostava de conseguir escrever sobre sentimentos em vez de contar histórias. Mas não sei escrever sobre o que sinto. Não percebo nada sobre o que as pessoas sentem e confesso ter inveja das pessoas que me parecem tão emocionalmente seguras.

Hoje telefonou-me um amigo com quem não falava (de coisas a sério) há imenso tempo. Esteve a tentar animar-me. Ou se não era essa a intenção, foi isso que acabou por fazer. Considero-o uma pessoa muito sábia. Porque sabe sempre o que dizer, o que sentir e qual a decisão mais correcta. E diz sempre tudo com muita segurança.

Não gostava de ser como ele, porque deixava de ser eu. Mas gostava de ter alguém assim ao meu lado. Porque a estabilidade emocional é contagiosa.

Por isso já sabem. Se houver alguém por aí que seja sossegadinho, emocionalmente estável e calminho, fico à espera de um convite para um café ou para jantar. Ah!! É importante também que tenha muita paciência. Porque de outra forma, não me consegue aturar.

01 março 2007

Hoje Apetecia-me Estar Aqui (2)

Oceanário, Lisboa

Celebrity Spotting

Quando era adolescente, tinha muito pouco dinheiro para férias e queria ir a todos os festivais de música de verão. Para resolver o problema, eu e a minha irmã pusemo-nos a pintar T-shirts e vendê-las no festival de Paredes de Coura. Ganhávamos uns trocos para depois ir gastar ao festival do Sudoeste.

Num desses verões, a organização do festival de Paredes de Coura deu-nos uma barraquinha dentro do recinto dos concertos para vendermos as nossas obras de arte e tivemos também direito a passes que davam acesso à área de concertos o dia todo.

Quando estávamos a expor o nosso trabalho, estava o recinto ainda fechado ao público, vejo passar o Adolfo Luxúria Canibal. Amigos, se há um personagem do mundo da música que admiro, é o Adolfo Luxúria Canibal!!! E toca de ir a correr atrás dele para pedir autógrafo. “Sr. Adolfo, Sr. Adolfo!! Gostava de lhe oferecer uma das minhas T-shirts! Estou ali naquela barraquinha!!” E ele, com aquela voz super cool: “Eu passo lá daqui a bocado”.

E daqui a bocado, lá estava ele. Como foi na fase em que ele estava gordo como um texugo, não havia nenhuma T-shirt que lhe servisse. Eu sugeri que ele escolhesse uma que gostasse e quando eu chegasse a casa, fazia uma parecida no tamanho dele e enviava-a para casa dele. “Tens uma caneta?” – pergunta ele (sempre muito cool!!) – “aponta aí a minha morada”.

E foi assim que eu enviei, num envelope almofadado, uma T-shirt em tons de castanho, para a casa do Adolfo Luxúria Canibal.