Quando tinha 18 anos e fui estudar para Coimbra, conheci um rapaz que estava no último ano na minha faculdade e que me ia buscar a casa muitas vezes para sair. Quando me ia levar de volta insistia muito para entrar, mas eu não deixava.
Fui falar com a minha irmã e contei-lhe que não sabia se lhe devia permitir a entrada. E porque as irmãs mais velhas sabem tudo (as minhas, pelo menos) recebi um conselho que não esqueci nunca mais. “Cláudia” disse-me ela num tom muito sóbrio e incomodada pelo tema da conversa, mas sabendo que não devia ignorar os dilemas da irmã mais nova, “esse são o tipo de coisas que se fazem com pessoas de quem gostamos muito. Pessoas especiais”.
Nunca cheguei a deixá-lo entrar. E por nunca ter passado da sala, deixou de me ir buscar para sair.
Confesso que desde então, nem sempre tive em conta o conselho da minha irmã e isso só me fez aperceber quão sábias eram as palavras dela.
Mas o tempo passa e a solidão, às vezes fala mais alto que a razão. Aos 20 encontramos amor em todas as esquinas e temos apenas que descobrir se as pessoas são especiais. Aos 30 os edifícios parecem todos redondos.
Às vezes preferia não perceber nada de geometria para não saber a diferença entre o real e o amor a fazer de conta.
Fui falar com a minha irmã e contei-lhe que não sabia se lhe devia permitir a entrada. E porque as irmãs mais velhas sabem tudo (as minhas, pelo menos) recebi um conselho que não esqueci nunca mais. “Cláudia” disse-me ela num tom muito sóbrio e incomodada pelo tema da conversa, mas sabendo que não devia ignorar os dilemas da irmã mais nova, “esse são o tipo de coisas que se fazem com pessoas de quem gostamos muito. Pessoas especiais”.
Nunca cheguei a deixá-lo entrar. E por nunca ter passado da sala, deixou de me ir buscar para sair.
Confesso que desde então, nem sempre tive em conta o conselho da minha irmã e isso só me fez aperceber quão sábias eram as palavras dela.
Mas o tempo passa e a solidão, às vezes fala mais alto que a razão. Aos 20 encontramos amor em todas as esquinas e temos apenas que descobrir se as pessoas são especiais. Aos 30 os edifícios parecem todos redondos.
Às vezes preferia não perceber nada de geometria para não saber a diferença entre o real e o amor a fazer de conta.
10 comentários:
Acho que quando menos se espera é que algo acontece! É melhor nao pensar demasiado no assunto e viver um dia de cada vez.
O parágrafo dos "edifícios" está muito bem escrito! Gostei! :)
Gostei
Cada vez gosto mais da forma como ligas diferentes temas e recordações. Ficamos à espera de mais!
A verdade é que quanto mais procuras mais erras (é uma das adaptações das leis de Murphy) e quando menos espera ele - o amor - passa-te à frente dos olhos. Mesmo que não acredites em amor à primeira vista, ele volta-te a passar à frente, como se fosse a primeira :) Quanto mais procuras mais vezes serão os posts do tipo "deitados e sem falar".
hum... pois... começo a pensar que importante é não deixar que a vida nos passe ao lado... ;)
Que conselhos tão amigos! Acho que gostei mais dos comments do que do post :))
Se bem te lembrares a tua irmã não foi a primeira a dizer-te coisas dessas, qd tu eras novinha e antes de uma ida para Benidorme eu disse-te algo do género ;)
Maluca, tou com saudades tuas
Beijos
Rechena
Amor a fazer de conta não mata a solidão. E há edifícios mais redondos que outros, vais ver.
Gijas
Acho que não devemos ser condomínios fechados nem daqueles bairros antigos em que a intimidade está escancarada para todos. Mas, sei lá eu...
Rechena: Olá! Descobriste o meu blog :)
Manas: eh eh! esta metáfora dos edificios acabou por ter piada :) Eu estou tão gorda que realmente sinto-me do tamanho de um prédio! ;)
Só se for o Empire State Building.... alto e minimamente esguio! Será que os ares de rio te retiram alguns kilos?? ;)
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