Sou ateia e porque isso, por vezes, me causa alguma confusão, gosto de ler o que escrevem aqueles que sabem mais sobre o assunto do que eu. Costumo dizer que sou ateia porque nasci assim. Não havia religião em minha casa e eu nunca senti que me fizesse falta.
Mas sou uma ateia muito pouco coerente porque, apesar de não acreditar em deus, gosto daquilo que a religião dos outros me oferece. De outra forma não teria ido ouvir a Paixão Segundo S. Mateus, de Bach, ao Concertgebouw, em Amsterdam. Não podia ir às festas populares de Moledo do Minho, onde ponho sempre uma moeda ao santinho mais bem enfeitado. Não comemorava o Natal, a única altura do ano em que a minha família toda se junta. Não podia sonhar com a viagem que quero fazer a Roma para ver a Capela Sistina.
Hoje li um artigo muito interessante no The Guardian - The anti-God squad, que refutava aquilo em que sempre acreditei: que sem religião, não teríamos as grandes obras de arte que temos no mundo.
Mas sou uma ateia muito pouco coerente porque, apesar de não acreditar em deus, gosto daquilo que a religião dos outros me oferece. De outra forma não teria ido ouvir a Paixão Segundo S. Mateus, de Bach, ao Concertgebouw, em Amsterdam. Não podia ir às festas populares de Moledo do Minho, onde ponho sempre uma moeda ao santinho mais bem enfeitado. Não comemorava o Natal, a única altura do ano em que a minha família toda se junta. Não podia sonhar com a viagem que quero fazer a Roma para ver a Capela Sistina.
Hoje li um artigo muito interessante no The Guardian - The anti-God squad, que refutava aquilo em que sempre acreditei: que sem religião, não teríamos as grandes obras de arte que temos no mundo.
“Professor Dawkins was offended by the notion that we need religion for great art. Michelangelo was simply forced to work for whoever had the money, and when he painted the Sistine Chapel, power and wealth were firmly in the hands of the Catholic church. How sweet, he wondered, would Haydn's Evolution Oratorio or Beethoven's Mesozoic Symphony have sounded?”
O artigo começa com a seguinte pergunta:
Would we be better off without religion?
E termina com uma resposta que dou muitas vezes a quem fica admirado por ser uma pessoa "sem fé". A bondade não vem da religião. Vem de dentro de nós.
"The real question is whether the best of humanity is already inside us or whether it needs faith to bring it out. For Mr Hitchens it is possible to have the good without the faith (and hence also without the interfaith wars in Northern Ireland, Bosnia, Iraq and the rest). "It's called culture."
E termina com uma resposta que dou muitas vezes a quem fica admirado por ser uma pessoa "sem fé". A bondade não vem da religião. Vem de dentro de nós.
"The real question is whether the best of humanity is already inside us or whether it needs faith to bring it out. For Mr Hitchens it is possible to have the good without the faith (and hence also without the interfaith wars in Northern Ireland, Bosnia, Iraq and the rest). "It's called culture."
Mas a religião não fará parte da cultura? Eu sinto que a religião católica faz parte da minha, mesmo sendo ateia.
4 comentários:
Tenho uma amiga, que conheci aqui, que às vezes me surpreende (pela negativa). Ela é SUPER religiosa (nao perde uma missa e invoca sempre os valores da igreja, etc) mas parece-me que eu "espalho" mais o "bem" do que ela... Um pouco contraditório, nao?
E é por isto mesmo que concordo quando dizes que a bondade nao vem da religiao.
Eu sou uma pessoa francamente religiosa (católico, ainda que progressista), e concordo francamente com um autor protestante quando define a religião como a relação com o numinoso (leia-se transcendente fascinante, mistério da vida e das coisas, etc). Isso, mais do que uma ética ou uma escola de bons sentimentos.
Já agora atrevo-me a deixar aqui um link para um ateu (activista) que resolveu juntar-se a uma comunidade religiosa americana, metodista, e que relata aqui a sua experiência, quer pessoal, quer com a comunidade.
Obrigada pdf...vou dar uma vista de olhos :)
http://falaremterapeutica.blogspot.com/2007/01/madona-e-criana-fra-fillipo-lippi-1406.html
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