02 abril 2007

Quem vê blogs não vê corações

Li um artigo escrito por Pedro Mexia no Diário de notícias sobre o livro da Maria Filomena Mónica – Bilhete de Identidade:

“Nada tenho contra a literatura intimista (muito pelo contrário) e não me considero especialmente puritano. Mas creio que (como dizia o outro) não havia necessidade de alguns comentários íntimos que aqui encontramos [..]

O intimismo em causa própria é inteiramente legítimo o intimismo que implica terceiros é terreno mais melindroso. Tenho por isso alguma pena que este desassombrado testemunho seja um sucesso de vendas pelas razões mais básicas: porque as pessoas querem saber quem dormiu com quem (e como correu).”

Não me estou a tentar comparar com a Maria Filomena Mónica, nem a comparar o meu blog com um livro que é um sucesso de vendas. Mas acho que me exponho demais e às pessoas que conheço. Acho também que, se alguém que não me conhecesse pessoalmente lesse o meu blog, ficava com a ideia errada.

Apenas cerca de 15 pessoas lêem o Claudipédia, e só o escrevo porque é uma forma de passar o tempo. Mas mesmo assim, se calhar chegou a altura de parar de escrever disparates e coisas que não interessam a ninguém (a não ser a mim mesma). Se calhar devia arranjar outro passatempo, devia parar de passar uma imagem de mim que não corresponde à realidade.
Espero que ninguém se esqueça que quem vê blogs não vê corações.

6 comentários:

G disse...

Sim, é verdade que quem vê blogs não vê corações, não vê o espirito, mas vê conteudos com profundidade (depende do blog), vê opinões, comentários.
Podendo ver o blog e podendo ver a "personagem" ao vivo, aí a combinação é mais garantida para conheceres a pessoa (porque se ela não se conhecer, o blog não é 100% verdadeiro).

Por mim, voto sim à continuação dos teus desabafos, crónicas, "disparates".

Anónimo disse...

Sinceramente fico muito triste de deixares de escrever os teus pensamentos.
De algum modo sinto-me mais proxima de ti ao ler o teu blog....

Não desistas....

Ricardo disse...

Cada um de nos escreve aquilo que quer, uns com mais interesse que outros. Claro que ninguem pode afirmar que nos conheçe so pelo que lê, quem pensar isso é um pessoa idiota. Espero que continues a escrever. Bjs

Anónimo disse...

Tudo depende se escreves porque te apetece ou se escreves a pensar nas 15 pessoas que leem o teu blog. E quem nao quer nao le! Ca eu continuo a ler...

Eva Antunes disse...

O retrato de cada um é o resultado das ambiguidades entre o real, o imaginário e o que é representado para os outros.

Um blog é uma coisa supérflua e o seu pretexto é ser apreciado, não a procura da verdade. Quando os críticos divergem o artista está em consonância consigo próprio. O pensamento e a linguagem são instrumentos de uma arte.

Fazer da vida uma obra de arte é representá-la. O original e a imitação influenciam-se mutuamente – criticam-se, interrogam-se e seduzem-se.

Bjs. ;)

Cláudia disse...

Eu não vou deixar de escrever no blog. E a Sara lembrou-me do motivo porque criei este blog: para os meus amigos saberem o que ando a fazer e para nos sentirmos mais perto.

Ainda bem que me lembrei. E daqui para a frente, é nisso que vou pensar quando escrever qualquer coisa.

Infelizmente, não me parece que nos próximos tempos tenha muita oportunidade para escrever e para responder aos comentários que aqui deixam! mas já vou escrever sobre isso.

Beijinhos