11 outubro 2007

F****** pá! Tou com uma neura!Já falhei a um dos testes!

Hoje acordei de manhã decidida a escrever um texto sobre como me ando a sentir. Estou sentada em frente ao computador há mais de uma hora e ainda não produzi uma única frase. Não percebo nada sobre o assunto sentimentos. Sei qual é um dos problemas que me está deixar tão desconfortável com a vida e sei como o resolver. Mas não sou capaz de fazer alguma coisa para procurar casa. Estou a precisar urgentemente de mudar mas ainda não houve um único dia em que me levantasse de manhã e fosse reunir números de telefone e marcar visitas a apartamentos. Preciso também de comprar um computador e está-me a custar gastar o dinheiro. Por último, tenho que ter força de vontade para ficar sozinha e parar de procurar companhia. Este mês é um teste à minha capacidade para mudar. Tenho até ao fim do mês para mudar de casa, tenho duas semanas para comprar um computador e tenho esta semana para provar a mim própria que sei que estar sozinha é melhor do que estar mal acompanhada.
Estou com um ataque de nervos!

10 outubro 2007

09 outubro 2007

lover, you should've come over

hugh macleod
E mais uma vez tive a sensação de acordar ao lado da pessoa errada. Mas como nunca acordei ao lado da pessoa certa, não sei como isso será. Pelo menos do pequeno-almoço vou levar boas recordações. Do restante, ainda não sei. Parece que é preciso 50 anos para se escrever história de forma objectiva. Se calhar daqui a 50 anos vou ter pena de não ter acordado ao lado de mais homens errados. Mas nessa altura espero estar a acordar ao lado da pessoa certa há já muitos anos.

05 outubro 2007

ÂME DJSET - Kristian Beyer (31 - Foz do Porto)


Saí de casa a sentir-me levezinha, passei uma noite levezinha e acordei levezinha. Agora vou à Fundação de Serralves beber um chá. É preciso aproveitar os poucos momentos que estou de bem com a vida.

04 outubro 2007

Cartas de Amor






...
Hoje foi criado um e-mail de onde vão partir mensagens exclusivamente para mim.
"Cá está o e-mail dedicado, em exclusivo, a ti. [...] O ideal era poderes enviar-te a ti própria."
Esta noite vou ter sonhos bonitos. Coisas pirosas assim, deixam-me feliz.

02 outubro 2007

Ética Prática

Costumo usar como marcador de livro qualquer papel que encontre no local onde estou a ler. Costumam ser bilhetes de comboio, de concertos, cinema, museus ou panfletos que estão pousados nos balcões dos cafés.

Desisti de ler “A Casa Verde” que me aborrecia imenso e deixei a página 114 marcada com um bilhete do metro de Lisboa com a intenção de retomar a leitura que já se arrastava há semanas, para quando tiver mais paciência para tarefas árduas. A substituição foi feita ontem pelo livro do Peter Singer “Ética Prática”. Mais uma vez, e por coincidência, deixei a página 114 deste livro marcada para retomar a leitura hoje, porque me sinto apta para leituras filosóficas ligeiras. Usei como marcador uma folha de papel higiénico.


Ética Prática - Peter Singer

01 outubro 2007

Actualização Dentária

Cheguei agora do ortodontista e parece que ainda há a possibilidade de não ter que usar aparelho. Como o meu problema é psicológico, pode ser que me cure com medicamentos e com um aparelho em silicone que uso para dormir.

Mais actualizações no dia 29, data da próxima consulta, para o diagnóstico final.

Até me sinto outra...mais levezinha de preocupações.

30 setembro 2007

These Boots Are Made for Walking

Comprei umas botas e quando as calço sinto-me outra, super poderosa, e, com elas nos pés, ponho-me a dançar com uma camisolinha vermelha. É como se de repente me transformasse na Nancy Sinatra!!

Domingo

Estar lá sem de facto estar. É assim que me sinto. No meu primeiro fim-de-semana de folga telefonaram-me porque houve uma pequena emergência no trabalho. Fiquei a hesitar se devia ir trabalhar ou não e decidi não ir. Tenho os apartamentos para ir ver, e venho de oito dias de trabalho seguidos. Decidi não ir. Mas esta decisão não veio sem algum peso na consciência.

É Domingo e estou de folga. Mas é como se não estivesse. Às vezes os nossos pensamentos arrastam-nos para sítios onde não queremos estar.

29 setembro 2007

Sábado

E no meu primeiro fim-de-semana de folga eu fiz o meu primeiro telefonema para alugar uma casa. Amanhã vou ver um To e um T1.

Para além disso fui almoçar uma salada de frango, maçã e amêndoas ao Corte Inglês e saí de lá com um par de botas geox.

Agora tenho que decidir o que fazer como sobremesa para o jantar da minha amiga logo à noite.

E é assim o meu sábado. Não muito interessante.

Contagem Decrescente

Faltam três dias para a consulta no Ortodontista...
Começa agora o meu primeiro fim-de-semana sem trabalhar desde o fim de Julho. Nem sei o que fazer quando acordar amanhã...

Esperei tanto por este fim-de-semana e agora tenho vontade de ir trabalhar amanhã.

28 setembro 2007

Happy Together de Wong Kar-wai

O meu quarto 10/01/2003 - 25/02/2006


Eu continuo a defender que, ser desarrumada, não é o mesmo que ser desorganizada. Só é pena não conseguir convecencer ninguém disto...

Cláudia no País das Maravilhas

Hoje, depois de ter acordado deprimida e de ter passado a manhã toda angustiada, chego ao trabalho de tarde e lembro-me que me tinha inscrito para fazer um workshop sobre Trabalho de Equipa. Um tipo que faz Coaching, e que o aprendeu a fazer no Estados Unidos, esteve a tentar ensinar chefias intermédias a motivar equipas e desenvolver o potencial dos colaboradores. Saí do workshop bem mais animada e até à meia noite e meia estive a trabalhar cheia de energia, a implementar regras de HACCP e a dar formação on the job. Não faço ideia (e tenho dúvidas) que esta noite tenha conseguido pôr em prática o que me ensinaram no workshop, e que tenha motivado alguém na minha equipa para desenvolver o seu potencial. Mas, porque passei o resto do dia tão frenética, a correr para trás e para a frente, para conseguir acabar a tarefa antes da meia-noite, motivei-os a pôr-me uma alcunha. A partir de agora sou o White Rabbit, da Alice no País das Maravilhas.

Para uma descrição da personagem, clique aqui

27 setembro 2007

Hoje acordei deprimida

O meu sobrinho começou a ir para o infantário e está a causar-lhe alguma confusão. Hoje implorou à mãe para ir embora. Não quis lá ficar. Veio para minha casa, para a avó tomar conta dele, porque a mãe tem que ir trabalhar. Está a chorar e soluçar desalmadamente. Queria sentar-me ao lado dele a fazer o mesmo.

25 setembro 2007

Um Moleskine não é para ser deixado em branco

“[O Moleskine] é um pequeno caderno com capa negra que levo comigo para todo o lado, no qual escrevo os meus anseios, os meus pensamentos, dúvidas e questões do dia-a-dia. E também pequenos artigos, capítulos de romances, receitas, declarações de intenção e compromissos de que geralmente me esqueço. Numa breve cerimónia de adeus antes de iniciar um novo, releio o que escrevi e percebo que não perdi a capacidade de assombro. Relê-lo é como que um rebobinar da minha vida e vê-la, fugazmente, fotograma a fotograma.”

Luís Sepulveda, escritor [Ovalle, Chile, 1949]

Um Moleskine não é para ser deixado em branco, esquecido em cima de um banco qualquer no quarto-de-banho.

23 setembro 2007

All Blacks Haka Parte II

Nos anos em que vivi em Edimburgo tive a sorte de ter uma amiga da Nova Zelandia que me levou a ver o meu primeiro jogo de rugby. Depois desse, seguiram-se muitos outros, acompanhados de lições sobre regras e estratégias. Nunca gostei de futebol mas fiquei fascinada pelos jogos de rugby que via no estádio de Murrayfield. Tive também a oportunidade de ser responsável pelo alojamento e catering da equipa Escocêsa, quando os jogos internacionais eram em Edimburgo. Entrei no espírito da competição, muito mais civilizada do que num estádio de futebol. (Os adeptos das duas equipas assitem ao jogo juntos na bancada, sem confrontos).

Sem dúvida que o melhor jogo a que assiti foi Escócia - Nova Zelandia. O maior espetáculo desportivo da minha vida. Tenho a agradecer à minha amiga (entre muitas outras coisas), ter sido apresentada a um desporto um pouco ignorado em Portugal.

O entusiasmo recente pelo rugby por cá, fez-me lembrar que há muito tempo que não pegava num telefone para falar com a minha amiga, que me fez companhia na maioria dos Domingos à tarde em Edimburgo.

No dia em que vim embora da Escócia definitivamente, foi ela que me levou ao aeroporto. Mesmo antes de entrar para o voo, tirou do pescoço o colar de jade com formato de anzol que sempre usava. Um símbolo Maori que tinha pertencido ao parceiro de quase 20 anos e que morreu de leucemia. Pôs-me o colar ao pescoço no meio de muitas lágrimas.

Tenho a certeza que um dia o colar regressa à terra de onde veio, no meu pescoço, e vou poder ver a Haka em solo Neo Zelandês.

All Blacks Haka

22 setembro 2007

1:20 - Cheira a sono, hora de dormir

Gosto de fotografias que me recordem alguma coisa. Mas às vezes também é bom não tirar fotografias. É melhor ficar com as recordações da nossa memória. Que incluem mais pormenores do que a lente da câmara consegue captar. A nossa memória esquece muita coisa que uma foto pode relembrar mas por outro lado, há muita coisa na nossa memória que não pode ser arquivada por uma fotografia.

Sou obsessiva com cheiros e esses não ficam gravados em papel. Tenho um canto especial na minha memória onde ficam alojados. Lembro-me do cheiro do meu sobrinho dias depois de nascer, do mofo da casa da minha avó, do cheiro da cozinha da minha tia, tão semelhante ao cheiro de tantas cozinhas na Holanda, a manteiga derretida, mas este com um odor especial, adicionado pela importância emocional que tem. Conheço bem o cheiro do ombro das minhas irmãs, os cremes da minha mãe antes de ir dormir, o cheiro do mar de Espinho, a peixe, da relva acabada de cortar, das algas a secar nas praias do Minho, do pescoço do N. depois de tomar banho, dos lençóis acabados de lavar em casa da minha mãe, muitos meses depois de ter estado longe deles. Lembro-me do cheiro das montanhas a arder, dos vários quartos onde dormi, e das manhãs após noites de excessos.

Não há fotografia que os possa guardar, os cheiros da minha memória.

21 setembro 2007

18 setembro 2007

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Não gostos de hotéis. Não gosto da decoração impessoal, de ter alguém a abrir-me a cama e pôr um bombom na almofada. São sítios sem carácter.


Quando tinha 25 anos apercebi-me que já não suportava camaratas de pousadas da juventude. Foi em Belfast, num quarto onde dormi num beliche, partilhado com 3 gordos bebados que não lavavam as meias há vários dias. Desde essas férias, decidi que tinha que ter um quarto só para mim. Continuei a pasar férias em pousadas de juventude, com um quarto individual mas sem casa-de-banho. Foi assim em Londres e em Dublin. Mais uns anos passaram e a necessidade de sossego fez-me passar a reservar quartos em pensões.


Guardo de todas as férias recordações dos sítios onde fui dormindo. Como o quarto com carpélio azul turquesa e paredes rosa no Lake District e a coleção de memorabília da família real na Ilha de Skye. No Reino Unido encontramos as pensões mais inacreditáveis. Piroso mais piroso, não há. Mas é familiar, têm chá e bolachas em todos os quartos e senhoras gordas com caracóis louros pintados na recepção. Um toque sempre muito pessoal.


Detestei Paris e não consegui perceber porque é considerada uma cidade muito romântica. Mas os meus vizinhos de quarto de pensão de uma estrela na Rue Oberkampf, todas as noites me fizeram lembrar, através das paredes finas como folhas de papel, com sons do amor, tive que admitir que talvez eu é que estivesse errada. Só eu não tinha visto o romanticismo da cidade.


Estas pensões com preços da mesma grossura das paredes ensinam-nos muito sobre as cidades que visitamos. Como as baratas que me subiam pelos braços durante a noite em Deli no Hotel palvi, ou o cheiro a tabaco impregnado nos lençois da pensão Beira Minho na Praça da Figueira, em Lisboa.


Da janela do Hostal Luis XV vejo os telhados de Madrid se olho para cima, e as prostitutas na rua, se olho para baixo. O rapaz na recepção pergunta-me se já acabei de jantar, quando me levanto do sofá, amassando o saco de papel que embrulhava o bocadillo de jambon.
- "Sim. Já acabei"

- "Buenas noches"

- "Buenas noches"


São assim as pensões onde fico a dormir. O recepcionista faz-me companhia silenciosa enquanto janto. Ele sabe que é melhor jantar na recepção a ver os hóspedes a entrar e sair, do que sozinha no quarto.


Ainda bem que não gosto de hóteis de luxo. Porque não os posso pagar e porque há coisas que não se pagam.

16 setembro 2007

Rua das couves

Várzea de Meruge - Seia , Serra da Estrela - a população cansou-se de pedir ao presidente da Junta que reparasse o piso de uma rua. Vai daí, decidiu plantar couves nos buracos... e agradecer ao presidente.






Enviado por e-mail por FB.

15 setembro 2007

Nao me sei desenrascar

Sexta-feira à noite, depois de alguns dias de férias sozinha, comecei a sentir-me aborrecida. Decidi ir jantar uma salada e um falafel à Calle Hortaleza e depois sentar-me numa esplanada a beber cañas. Durante uma hora distrai-me a ver passar as pessoas mais estranhas na Gran Via, sempre movimentada qualquer que seja a hora do dia.

Quando nao consigo dormir à noite vou para a varanda ver o movimento da rua. Esta noite, em vez de ver o movimento do oitavo andar, fui para a esplanada em frente ao hotel. Fiquei alojada no bairro vermelho de Madrid, num edifício que faz esquina com a Gran Via. Estou habituada a ver as prostitutas em Espinho, na esquina da rua 41 com a Avenida 24. Muito encolhidas com as maos nos bolsos à espera que um carro pare e as leve com elas. Aqui é bem mais agressivo. Sao tantas mulheres a caminhar a rua que a clientela tem que ser disputada e angariada. É decandente ver as mulheres a puxar pelos braços dos homens que passam.

O empregado de mesa, um sul americano gordo, nao se limitou a pôr a cerveja que lhe pedi na mesa. Serviu-a no copo " Una cerveza para una chica tan guapa". Trouxe-me um prato de azeitonas e reparei que nao o fez em mais nenhuma mesa. Acabei de beber a cerveja e quando tirei a carteira para pagar, o tipo põe outra na mesa. "Ofereço-te esta". Eu tirei dez euros e disse que pagava as duas, mas ele trouxe o troco de uma só. Fiquei sem saber o que fazer e bebi a cerveja o mais rápido que pude, levantei-me e entrei na porta do edifício do hotel.

Às vezes sou tao ingénua que nao devia ir de férias sózinha.

14 setembro 2007

Madrid II


12 setembro 2007

Madrid

Ai que bem me estao a saber as ferias! Relaxe total. Ate ja adormeci num parque (El Retiro). Historias e Cronicas ficam para amanha. Agora tenho que ir apanhar o comboio de Toledo de volta a Madrid,

09 setembro 2007

Vou de Férias Procurar Civilização

Volto em breve.

05 setembro 2007

Emancipação das imagens da razão masculina


Francesca Woodman
Helena Almeida
Nan Goldin

As mulheres vistas pelo olhar e imaginário dos homens num blog que gosto de visitar: http://www.edeuscriouamulher.blogspot.com/. A publicidade, a moda, o cinema, mostrando a imagem comummente aceite do feminino.

Por oposição, artistas como Helena Almeida, Ana Mendieta, Cindy Sherman, Francesca Woodman ou Nan Goldin, com obras que podemos ver no Centro Cultural de Belém, proporcionam um ponto de vista diferente, em paralelo com reivindicações feministas. Fugir do cliché fotográfico e dos padrões do corpo da mulher a que fomos habituados


Autonomia, no CCB

Música para Quarta-Feira à Noite

30 agosto 2007

Gostar de quem não gosta de nós


E assim acabaram as minhas mini-férias em Lisboa. Antes do previsto e com amargura. A infelicidade pós-felicidade.

It´s tough being brocolli ice cream cause nobody likes ya.

http://www.nataliedee.com/

Cartas


[1] Publicar as cartas da Madre Teresa de Calcutá foi um grande golpe de marketing. Ainda por cima, se ela pediu para que as destruissem, era o que devia ter sido feito.

[2] O Berardo é um narcisista mas o Museu Colecção Berardo foi uma surpreendente revelação para mim. (Até parecia que estava no estrangeiro).

[3] Queria morar em Lisboa.

[4] Beber cerveja e apanhar sol numa esplanada da Graça, foi o melhor fim de tarde que me podiam ter proporcionado. Hoje, sinto-me feliz.

27 agosto 2007


Bem, toda a gente não, só eu. Pânico. Estou tão gorda que não há peça de roupa que me sirva e amanhã vou para Lisboa. Esperei tanto tempo para poder lá ir passar uns dias e agora vou estar sempre a sentir-me mal comigo própria. E quanto mais deprimida fico mais como. Já não sei o que fazer comigo própria. Nem sei o que meter na mala. Uma tenda?

26 agosto 2007

Ignorância

Comecei a fazer uma lista das vantagens de trabalhar durante a noite. Comecei a fazê-la quando ia no carro, já passava a uma da manhã. Gosto de ter o rádio ligado e, àquela hora, é até uma forma de me manter acordada. Costumo fazer os 30 km de viagem já muito cansada, ligo o rádio e abro as janelas para que o ar frio me mantenha os olhos abertos. Enquanto tentava fazer uma lista mental de vantagens, lembrei-me de uma grande desvantagem: àquela hora, não consigo ouvir nenhum programa de rádio. Costumo ir o caminho todo a fazer zapping radiofónico, acabando por nunca parar em estação nenhuma. Passa pela antena3, a RR a RFM, A Rádio Cidade, Festival, etc etc…e passa sempre por uma rádio que, apesar de nunca ter tirado mais do que uns segundos para a ouvir, pelo tom, parecia-me ser uma rádio de carácter religioso, onde vozes beatas me indicam que o tema tem que ser o amor a Jesus.

Ontem parei para ouvir o que se discutia nessa estação de rádio. Falava uma frequentadora da Igreja do Reino Universal de Deus e entre outras coisas explicava porque era importante pagar o dizimo. Dizia que vivia em função do texto da bíblia, etc etc etc, a bíblia é muito importante etc etc etc, o pastor é uma pessoa muito importante para ela e explica-lhe muitas coisas. Sim, porque nem toda a gente consegue perceber e interpretar o que diz a bíblia. Aliás, ela própria nunca tinha lido a bíblia. Por isso é que era tão importante ir à igreja e ouvir o pastor explicar o que diz a bíblia. Porque de outra forma ela não saberia…

E é assim que se manipulam as pessoas. E a senhora vive em função dos ensinamentos da bíblia. E o pastor diz sobre a bíblia aquilo que lhe apetece e convém. Porque questionar o que nos dizem, dá muito trabalho. E assim se vive em função dos ensinamentos de um livro que nunca se leu.

24 agosto 2007

Hotel Room - Edward Hopper (1931)

Há imagens pelas quais me apaixono imediatamente e que me lembram porque gosto tanto de ir a museus. Uma mulher sozinha num quarto de hotel. As malas e o horário de comboios nos joelhos tornam o quadro menos estático. Um estudo sobre a solidão urbana.

23 agosto 2007

Swedish Chef - Meatballs

Labregos

As segunda-feiras em Espinho, durante o mês de Agosto, são dias em que preferia não ter que sair de casa. Não vale regra nenhuma. Os passeios não interessam e os peões invadem a estrada. A semana passada, e já em desespero por estar parada há tanto tempo no meio da rua, sem conseguir avançar, tanta era a gente na estrada, à volta do meu carro, comecei a acelerar devagarinho e a pedir às pessoas para se afastarem. Oh menina! Olhe que ainda lhe viro o carro! – foi a única reacção à minha tentativa para circular na via que me foi destinada como condutora de veículo motorizado.

É curioso que nas aldeias aqui à volta, de onde vem a invasão que enche a feira de Espinho, não ensinam as regras de trânsito e o que significa um semáforo vermelho para os peões. Também não devem haver passeios, porque toda a gente caminha no meio da estrada.

Já tenho que aturar gente mal-educada o dia todo, gostava de poder viver a minha vida pós laboral, rodeada por gente com o mínimo de educação. Mas vivo aqui, e houve uma falha grave no que respeita a educação dos portugueses.

Estou a tentar habituar-me a trabalhar à noite e por isso não tenho energia para escrever crónicas. Tenho imensa pena porque temas não me faltam.

Peço desculpa pela ausência. E prometo que dentro em breve volto ao normal.

A gerência

PS- vou a Madrid e Toledo nas férias.

20 agosto 2007

Férias e não se fala mais nisso

Estou tão cansada de procurar voos e hotéis que decidi que não vou a lado nenhum. Fico por cá e não penso mais nisto. Já me doi a cabeça de procurar tanto na internet. Estou habituada a marcar férias a partir do Reino Unido onde os voos são baratos e directos, e com muita antecedência. Marcar férias em cima do joelho deixa-me nervosa.

Estou cansada e de mau humor. Felizmente o dia foi salvo porque comprei uma túnica (a centésima do meu guarda-vestidos) preta de seda com 50% de desconto.

Salva pelos saldos.

16 agosto 2007

Ser Adulto

Esta manhã acordei cedo e fui ao banco. Abri um plano poupança reforma, reforcei os meus fundos e pedi um cartão de crédito.

Preferia quando não pensava muito no futuro e se gastasse tudo o que tinha, não perdia o sono à noite. Não gosto da vida de adulto. Não tenho feitio para isso.

15 agosto 2007

Ibuprofeno só alivia a dor de dentes

A imaterialidade da alma faz com que a dor se manifeste nos dentes.

Coisas Velhas

Tinha já feito metade do percurso quando me lembrei que tinha esquecido o pijama e a escova de dentes. Eram duas da manhã e não podia parar em loja nenhuma para comprar o que me faltava. Mas é assim ir passar uns dias à casa de Moledo. Há sempre escovas de dente extra no armário da casa de banho e há sempre um pijama velho escondido em algum lado. E já agora uns chinelos também não tens? Ena! Tão velhinhos! Ainda me lembro deles, eram meus não eram?

Moledo está cheio de recordações das férias de antigamente, em caixas, escondidas nos armários e penduradas em cruzetas. Ainda bem que se guardam as coisas antigas. Servem sempre para qualquer coisa. Nem que se seja para trazer de volta memórias de outras férias.

Os Dramas do Costume

Passo o ano todo a sonhar com as férias e quando chegam fico sempre deprimida por não saber onde ir. Escolher um destino deférias para ir sózinha é mais complicado do que quando se tem companhia: será que me vou aborrecer, sentir insegura ou desconfortável?

Há muitos sítios que gostava muito de conhecer mas que não são destinos para eu ir sem companhia: os açores, a Patagónia, o Cairo...

Fiz uma lista de países que gostava de visitar e eliminei muitos por motivos vários. Decidi também que devia escolher férias de cidade porque é mais fácil distrair-me sózinha em sitios com muitos museus para visitar, com cafés cheios de gente, e com muita agitação.

Na minha próxima folga vou tratar de marcar as minhas férias. As escolhas são:

1º - Nova Iorque

2º - Istambul

3ª - Marraquexe e Fez

4º - Letónia, Estónia ou um desses países para esses lados

E vou tentar não pensar mais nisso. A solidão já me tirou o sono vezes demais esta semana. Isso e a conta do dentista.

12 agosto 2007

Pelos Caminhos de Portugal

95% das cabeleireiras de Portugal chamam-se Fátima.

09 agosto 2007

O Mar

Viver numa cidade com praia condiciona o nosso estilo de vida. Acordamos de manhã num dia de folga, vestimos os fatos de banho e sentamo-nos na areia, em cima de uma toalha. Ao contrário das pessoas de cidades mais longe do mar, que precisam de planear um dia de praia, para nós, é hábito rotineiro. Se descobrimos que afinal está mau tempo quando lá chegamos, basta voltar para trás e em minutos estamos outra vez em casa. Mesmo que não seja a nossa intenção pisar o areal, as roupas que vestimos para sair de casa são de praia, mostram mais pele, são mais coloridas, usamos chinelos de dedo e os homens exibem o tronco nu.

No interior do país, mesmo fazendo mais calor, as vestimentas do povo são mais de campo e montanha. Lembro-me do primeiro verão que passei em Coimbra. Ao primeiro sinal de calor tórrido, pus um vestido de praia e fui para a faculdade. Senti-me deslocada. Mesmo com um calor acima dos 40º, ninguém vestia vestidos de alças às florzinhas nem trazia havaianas nos pés. Voltei para casa e troquei de roupa. Acho que foi nesse dia que me apercebi que tinha vida de mar e praia.

E a falta que me faz o mar, mesmo não sendo capaz de passar muito tempo deitada na areia. Faz falta o cheiro a peixe e algas, as roupas descontraídas, a areia no meio dos dedos dos pés, os bares e as cores dos guarda-sóis. Sou gente de à beira-mar. E de outra forma custa-me viver.

08 agosto 2007

What really matters in life and other holiday delusions

imagem: soya bean dreams

It is that dangerous time of the year when people go on holiday, relax, lower their guards and, at the very moment when their brains are hardly functioning at all, make plans for the future. They talk about the need to take a step back, to look at the big picture. Disastrously, they might even start considering what really matters in life.

Holidays fantasies, in their place, are harmless, but that place is on holiday. It is when they are brought home and acted on that they cause problems. Sit by the pool. Dream of another life. Then have another drink and forget it. Do not, above all, introduce your fantasies into the world of reality.


Terence Blacker - The Independent

06 agosto 2007

Não Faltava Mais Nada


(Já regressei do dentista)

Para além de me sentir quase sempre gorda, feia e desajeitada, parece que agora preciso de usar aparelho nos dentes. humpf!

Música para Segunda-Feira de Manhã



Vou ao dentista. Quando voltar, escrevo mais uma crónica. Para já fica uma musiquinha! (Hoje não trabalho!!)

02 agosto 2007

Inédito

Ontem cheguei a casa e não liguei o computador. Fui directamente para a cama. Nunca visto.

29 julho 2007

Se gosto de brincar com carrinhos, porque hei-de brincar com bonecas?


A propóstio do comentário que o PJF deixou no meu post R Crumb (ler aqui):

Quando ainda tinha o cartão de sócio do cinema mais antigo de Edimburgo, aconteceu uma vez a sessão dupla de Domingo à tarde ser sobre filmes de animação japonesa. Mostraram os filmes Akira e Ghost in the Shell.

Nessa tarde o público era um pouco diferente do habitual: 95% masculino. E eram homens com características muito particulares: com aspecto de quem tem como principal passatempo jogar playstation, a informática, coleccionar insectos, ler banda desenhada e sonhar que a Lara Croft lhes vai aparecer no quarto um dia. Cabelos compridos, um guarda-roupa raramente actualizado e t-shirts alusivas a uma banda alternativa qualquer.

Foram ao cinema em grupos. Formaram amizades baseadas nos interesses e passatempos que têm. Pergunto-me porque é que tão raramente se vê grupos de mulheres a fazer o mesmo. Parece que apenas nos juntamos quando vamos às compras ou ver filmes com o Brad Pitt. Como se os nossos únicos interesses fossem futilidades. Agimos de acordo com o que é esperado de nós. E as mulheres apenas impressionam com superficialidades. Nenhum homem vai gostar mais de nós porque gostamos de filmes de animação japonesa sobre o ano 2050 onde cyborgs têm crises existenciais. Mas se nos juntamos em grupos e temos conversas sobre bebés, decoração ou a cor do verniz que temos nas unhas, consideram que estamos a cumprir a nossa função.

É tudo sobre o que foi preconcebido como sendo o papel dos homens ou mulheres no mundo. E quando alguém se interessa por alguma coisa fora do que foi pressuposto, causa admiração.


Descobri que tenho alguns interesses e passatempos de homem. Mas, se uma menina gosta de brincar com carrinhos, porque haveria de brincar com bonecas?

Mickey Mouse Song



Full Metal Jacket

28 julho 2007

Lembro-me de quando estudava para os exames e não saia de casa durante um mês e meio. Fechava-me no quarto, sempre de pijama ou com um fato-de-treino gasto, e não fazia mais nada para além de estudar, comer e dormir. No dia do último exame o que me dava mais gozo era vestir-me, maquilhar-me e sair à noite com as amigas. Acabava por ser mais divertido a preparação para sair do que a saída em sí.

Hoje senti o mesmo. Já há várias semanas que uso uma farda que rapidamente fica muito suja, uns sapatos de segurança para andar no meio das obras e o cabelo fica sempre por pentear, debaixo de um capacete branco.

Este fim-de-semana não trabalho. Até custa a acreditar que tenho dois dias seguidos de folga. Vou a um casamento. Hoje acordei, tomei banho, pintei as unhas das mãos e dos pés, estiquei o cabelo, maquilhei-me, vesti uma saia e vou sair.

Até me sinto outra.

A partir de segunda-feira começa uma semana de trabalho intenso. Não vai haver claudipédia durante uns dias. Vou aproveitar o fim-de-semana.

25 julho 2007

Porca, Feia e Má

Hoje a minha mãe disse que estava gorda. Quando isso acontece é porque cheguei a um ponto mesmo mau, em que nem mesmo ela me consegue mentir.

Ainda por cima tenho um casamento e vou ter que ir assim, tipo baleia...

A farda já nem me serve. Estou a detestar-me. Nunca mais vou conseguir perder estes quilos. Vou ser gorda, feia e solitária para todo o sempre.

23 julho 2007

Estou mais morta que vida. Naquela fase em que funciono em piloto automático e vou fazendo as coisas porque têm que ser feitas e até mesmo bem feitas. E o que tem que ser tem muita força. E trabalhamos com o que temos. E de qualquer forma, lá para a hora de almoço, os pés ficam brancos, sem circulação, e já nem sinto nada. Agora vou dormir, porque amanhã há mais e faltam três dias para a abertura teste e sete dias para a abertura a sério. E por agora é só isto. Amanhã há mais.

22 julho 2007

O consolo dos pobres de espírito

O que faz uma mulher vulgar quando acorda Domingo de manhã já cansada, e encontra uma cara assustadora no espelho da casa de banho? Vai fazer todas aquelas coisas que fazem mal ao corpo e à carteira mas que, temporariamente, fazem muito bem ao espírito.

Hoje tomei o pequeno almoço na praia, dois croissants e duas meias de leite, almocei uma massa “al forno”cheia de natas, tiramisu de sobremesa, lanchei uma goluseima, comprei o CD dos Interpol, fui arranjar as unhas e depois vegetei em frente ao computador. Estou certamente mais gorda e pobre, mas pelo menos as papilas gustativas estão satisfeitas, as mãos estão mais bonitas e os ouvidos mais despertos. E se não podemos despertar assim os sentidos, se não podemos ter estes momentos de consolo, não temos mais nada.

Sugestões do Álvaro Costa



A rádio sempre me fez mais companhia que a televisão. Até porque quando estou na internet, é mais difícil prestar atenção ao ecran da TV do que à radiofonia. Quando estava em Coimbra a estudar para os exames, ouvia a antena3. E ainda hoje ouço, no carro ou a tomar banho. Nos tempos de Coimbra, o Álvaro Costa tinha um programa à noite que eu ouvia regularmente. E muita da música que ouvia, era por influência do programa dele.

Não sei se ele ainda tem um programa na rádio. Já não o ouço há muito tempo. Mas há uns dias liguei a televisão e lá estava ele. Com o bom gosto do costume, de fato escuro e camisa cor-de-rosa lustrada. Recomendou alguns albuns novos e eu fixei um que gostei muito. Hoje fui à Fnac comprar o album dos Interpol. Uma espécie de Brit Pop mas vinda de Nova Iorque.

Interpol - Slow Hands

18 julho 2007

Aviso

Amanhã vou para Lisboa trabalhar. Fico até Sábado à noite. Domingo vou dormir o dia todo. Na próxima Quinta-feira abre o meu local de trabalho pela primeira vez (para um público reduzido).
Por estar com tanto trabalho, não esperem ter muitas crónicas na próxima semana. Entre 13 horas de trabalho por dia, 1 hora de viagens, 1 hora para me arranjar de manha, 6 horas de sono, 1 hora para jantar enquanto leio os e-mails, 1 hora para lavar louça, ir ao supermercado e passar a ferro e 1 hora sentada no sofá a sentir pena dos pés doridos, não há muito tempo para inventar histórias para crónicas.
Tenho pena. É saber viver com o que temos. Mesmo que isso implique não ter tempo para arranjar as unhas há um mês. Um drama.

17 julho 2007

R. Crumb

My work is full of sweating, nervous uneasiness, which is a big part of me and everybody else. Most people don’t want to see that though, because it reminds them of inadequate parts of themselves.

Robert Crumb

Não vale a pena

Gelado light ou cerveja sem alcóol.

15 julho 2007

14 julho 2007

Sábado Dez da Manhã

Foi já há uns anos que aprendi as vantagens de acordar cedo ao fim-de-semana. Deixei as noites de Sexta e Sábado passadas em bares cheios de fumo, com mesas cheias de copos de cerveja. Acordar cedo e sentir-me bem, subir a uma montanha, passear pelas ruas vazias ou fazer compras nas lojas que acabaram de abrir as portas.
Esta manhã acordei cedo e fui para a praia. São os hábitos do corpo que vão contra a nossa vontade. O meu, não sabe a diferença entre dia da semana ou Sábado e Domingo e às seis da manhã já não o consegui obrigar a dormir.
Cheguei a uma praia vazia e fui tomar um café e um croissant que ainda nem estava na vitrina. Era o primeiro cliente para o pequeno-almoço. Saí cedo de casa e fiquei a ver o dia acontecer. Era capaz de ficar sentada nesta cadeira, na orla da areia, até anoitecer. Ver as pessoas a chegar, a ficar e a ir. Às dez começa o dia para a maioria dos praistas. A praia agora está cheia de toalhas estendidas com cores e de vozes de crianças.
Cheguei cedo, um pouco antes do nevoeiro, e apenas depois dos surfistas, mas só agora parece ter começado o Sábado de manhã. Só agora é que comecei a sentir o cheiro do mar e o sol começou a aquecer-me os ombros.

13 julho 2007

Lei da Conservação das Massas


"Numa reação química que ocorre em sistema fechado, a massa total antes da reação é igual à massa total após a reação".


ou

"Numa reação química a massa conserva-se porque não ocorre criação nem destruição de átomos. Os átomos são conservados, eles apenas se rearranjam. Os agregados atómicos dos reagentes são desfeitos e novos agregados atómicos são formados".


ou ainda


"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".


(aka Lei de Lavoisier)


A semana passada recebi uma carta com a factura para pagar o seguro automóvel. Dois dias depois, faço uma consulta no multibanco aos movimentos da minha conta. A Direcção Geral do Tesouro depositou-me o valor que tinha a receber do IRS. O valor que tenho a pagar à seguradora é igual ao valor que tive a receber do IRS. O Lavoisier sabia muito sobre massas!!!

12 julho 2007

Cláudia, a super totó

"Ajuda os teus semelhantes a levantar a sua carga, mas não a carregues"


Pitágoras


09 julho 2007

Pensamento de final de dia

São nove e meia da noite, estou muito cansada, vou para a cama dormir a pensar num tipo que conheci há uns tempos atrás, não há muito, e vou chorar porque um gajo como aqueles nem deve reparar que gajas como eu existem.

08 julho 2007

Manter a calma

Tenho curiosidade em saber como me comportaria em situações extremas ou de catástrofe. O que faria se houvesse um incêndio em minha casa, ou num terramoto? Numa situação de guerra? Num assalto à mão armada, no banco onde me encontrava na fila para ser a atendida?

Não sei, mas gosto de acreditar que mantinha a calma.

Já me aconteceu duas vezes acordar com estranhos dentro de casa. A primeira vez estava sozinha e acordei com barulho na sala às quatro da manhã. Levantei-me com o coração aos saltos e fui ver o que se passava. Tinha dois homens estranhos na minha sala. Ficaram a olhar para mim e eu a olhar para eles. Eu estava de camisa de dormir. Era verão, estava imenso calor e as minhas vestimentas eram bem reduzidas. A única coisa que me ocorreu foi olhar por mim abaixo para ver se estava decente. Depois de verificar que, apesar de ter um vestidinho bem curto, estava apresentável, perguntei muito calma o que faziam na sala de minha casa. Acabou por não ser nada de grave. Eram apenas os filhos da minha vizinha velhinha da frente, que estavam de visita no fim-de-semana. Tinham ido sair em Coimbra e estavam bastante alcoolizados. Quando regressavam a casa da mãe, encostaram-se à porta do meu apartamento e…como estava apenas encostada, abriu-se. A minha colega tinha saído ao final da tarde e “esqueceu-se” de fechar a porta. Os dois rapazes resolveram então entrar em minha casa e escrever um bilhete: “Queridas Vizinas: Era só para avisar que deixaram a porta abeta”

Eu apanhei-os na sala, quando decidiam qual o melhor lugar para afixar a nota. Acabamos por marcar um almoço para o dia seguinte.

A segunda vez foi mais assustador. Morava em Inglaterra, numa cidade horrível, no rés-do-chão de uma casa num bairro pouco aconselhável. Por volta das três da manhã acordo com um vulto que acabava de trepar pela minha janela. Mais uma vez era verão, estava muito calor e eu tinha deixado a janela aberta. Acordo com uma figura franzina ao lado da minha cama. Estava tão assustada como eu. Não devia estar à espera de encontrar alguém deitado numa cama pois o meu quarto era no local onde normalmente fica a sala de estar. Saltei imediatamente da cama, como se tivesse uma mola a impulsionar-me. A rapariga virou-se de costas e saiu outra vez pela janela. Eu aproximei-me e tivemos uma conversa. Eu do lado de dentro, ela na rua. Tentou convencer-me que pensava que estava a entrar na casa do “George”. Eu fiquei a gritar com ela durante algum tempo, a dizer que não morava ali nenhum George, que tinha que ir embora e que ia chamar a polícia. Quando ela finalmente decidiu acabar a conversa, eu fui sentar-me na cama. Não conseguia mexer-me. Não sabia se devia chamar a polícia.

Também desta vez estava com pouca roupa no corpo. Estava apenas de cuecas e uma camisola interior branca. Pode parecer que estou a contar que estava pouco vestida por brincadeira, mas a nossa casa é um local onde normalmente nos sentimos seguros. Ter alguém a violar esse espaço e a confrontar-me na minha intimidade, fez-me sentir vulnerável.

Depois de acordar com uma drogada no meu quarto (a polícia foi a minha casa no dia seguinte e disse-me que já a tentavam apanhar há algum tempo), tive dificuldades em adormecer durante três meses e tinha medo de estar sozinha em casa. Mas acho que na altura, reagi bem nestas duas situações.

A polícia enviou-me uma carta para minha casa passado uns meses a dizer que tinham apanhado a menina que trepava janelas. Já tinha tentado assaltar as casas todas do bairro!

Eu agora, quando estou sozinha em casa, durmo sempre de pijama. Com calças bem compridas.

Follow the Songlines

Há 9 anos atrás fui ver o David Linx e o Diederick Wissels ao Guimarães Jazz, decisão que tomamos aqui em casa porque o último é da família e a minha mãe gosta de ver o sobrinho a tocar piano. Ontem, este duo tocou na Casa da Música com a Maria João, o Mário Laginha e a Orquestra Nacional do Porto. É preciso ter coragem para cantar ao lado de uma mulher que enche o palco com uma personalidade imensa, mas o David Linx estava muito bem ao lado dela. Não faço ideia a opinião que teria alguém que perceba alguma coisa de música mas eu gostei muito do concerto.

No fim, a minha mãe foi cumprimentar o sobrinho e acabou por conhecer o Mário Laginha e a Maria João. Ela até lhe autografou o programa do concerto e escreveu o nome dela com h no fim, como deve ser.

Sempre quis ir ver a Maria João e o Mário Laginha. Ainda bem que o meu primo resolveu tocar com eles. Fez com que a família toda se organizasse para um Sábado à noite muito invulgar.

07 julho 2007


A vantagem de ter um emprego que me ocupa o tempo todo é não ter oportunidade para me lembrar que estou com 70 kilos (mais seis do que há três meses atrás), que sou feia e que ninguém gosta de mim. E ainda por cima posso dar a desculpa que é por causa do trabalho. Mesmo que no fundo saiba que não é nada disso. É bom culpar outra coisa qualquer. Para não ter que me culpar a mim.

05 julho 2007

The Ninth Floor

http://www.jessicadimmock.com/

Jessica Dimmock recebeu o prémio Inge Morath da Magnum que incentiva mulheres fotojornalistas, com o seu trabalho num apartamento de toxicodependentes a que ela chamou The Ninth Floor.

Vida Moderna

Enquanto o meu sobrinho João, de dois anos e 9 meses, pinchava freneticamente no sofá:

Eu - Dás-me um beijinho?

João - Agora não, tou muito ocupado!

04 julho 2007

Pequenos momentos de repouso

Já há vários dias que me ando a queixar da vida estupidificante que levo. Saio cedo de casa, chego tarde do trabalho e vou dormir. As poucas vezes que saio com amigos chateio toda a gente porque sou monotemática.

Mas hoje um telefonema inesperado quebrou esta rotina. É espantoso como um café e uma conversa de menos de uma hora é o suficiente para eu parar de pensar em trabalho, para relaxar as rugas da testa e para fazer uma coisa que já há muito não me sai muito naturalmente, sorrir. Acho até que consegui falar de trabalho menos de 80% do tempo. Uma melhoria substancial.

Há pessoas assim, que nos fazem bem. Não sei bem porquê, mas ainda bem.

Ainda bem que não sei porquê e ainda bem que são assim.

01 julho 2007

Viajar sozinha e estar acompanhada

Às vezes esqueço-me de como consigo travar conhecimentos com facilidade. Porque não vou de férias há muito tempo, tinha-me esquecido da minha capacidade para meter conversa com qualquer pessoa que se sente ao meu lado. Ou que esteja de pé, tanto faz.
Cheguei ao aeroporto de Murcia e dirigi-me ao balcão de informações. Queria saber se havia um autobus até ao centro ou quanto me custaria um taxi.
Quando ia a colocar a questão, um senhor faz exactamente a mesma pergunta. Só tinhamos autobus às 18h (faltavam duas horas), e o taxi custava 50 euros. Olhamos um para o outro e dissemos que não era muito. "Queres partilhar o taxi?", perguntou-me ele. E foi assim que me meti no taxi com o Gonçalo, um espanhol da região de Rioja. Olha que sorte a minha! Tinha-me metido com um especialista de vinhos que ia dar formação e fazer provas a Murcia. Fomos os 45 km da viagem a falar sobre restaurantes, a região do Douro, a região de Rioja, Portugal e Espanha. Ele desembarcou no hotel dele e eu segui para o meu.
E assim se faz uma viagem de taxi pelas paisagens aborrecidas do sul de Espanha. Passou o tempo mais depressa, pratiquei o meu castelhano pobrezinho e reinforcei a minha teoria de que há muitas pessoas interessantes neste mundo. Só não podemos ter vergonha de iniciar contacto com estranhos. Podemos estar a perder a oportunidade de conhecer pessoas assim. Que têm muitas coisas para nos ensinar.

Capacidade de Improviso

[1] Gosto de ter tudo organizado com antecedência.

[2] Tenho grandes discussões com amigas porque tenho vergonha de ir para a praia com elas. Despir-me para pôr um bikini e assim me colocar à frente de outras pessoas deixa-me desconfortável. Raramente o faço.

[3] Fazer compras é um processo demorado e complicado. Antes de comprar alguma coisa faço uma pesquisa exaustiva ao mercado. Quando a compra envolve um fato-de-banho, a complexidade do processo agrava-se.

[4] Já não tenho tempo para ir à esteticista há dois meses. Improviso a boa condição das minhas pernas, em casa.

[5] Não tive acesso ao e-mail de trabalho durante 5 dias.

[6] Todas as reuniões ibéricas envolvem uma actividade no final do primeiro dia.

Situação de teste à minha capacidade de improviso e adaptação:

No final do primeiro dia de reunião, o formador pergunta:

“Quem tem que ir ao hotel buscar “o bañador”?”

Levantam-se três braços. Eu arregalo os olhos e pergunto ao meu colega português: “O que é um banhador???” “É um fato de banho. Não recebeste o e-mail a avisar que no final da reunião era preciso fato-de-banho e toalha de praia para a actividade?”

***Pânico***

“Eu não trouxe banhador!”

“No hay problema! Compras um numa loja”

***Pânico***Pânico***

Hmm…acho que não vou participar nesta actividade. Nem tenho toalha. Nem chinelos… não organizei nada para isto!

“Afinal o que é que vamos fazer para ser preciso fato-de-banho?”

Piscinas com águas termais. Jacuzzi, bolinhas, água quentinha e massagens no meio das montanhas do sul de Espanha.

Oh não! Eu gosto tanto de termas!

No caminho entre a reunião e o hotel, onde todos se iam vestir para ir às termas, a Cláudia hesita! O que fazer!! E foi isto o que fiz:

Fui com o grupo para as termas, fui à loja e escolhi um fato-de-banho em 2 minutos, experimentei-o no provador durante 3 minutos, fui para os balneários, vesti-me, enrolei-me na toalha que tinha “roubado” do hotel. Fui até à beirinha da piscina, pousei a toalha e fiquei enfiada na água borbulhante com os meus colegas durante uma hora a receber massagens aquáticas.

E assim num instante testei a minha capacidade de improviso e adaptação. Às vezes mais vale não perder muito tempo a pensar.

30 junho 2007

Murcia





No soy aburrida, soy monotemática

Às vezes basta-me mudar de perspectiva para encarar os meus problemas de outra forma.
Estou consciente que o meu único tema de conversa, nos últimos três meses, é trabalho.
Há umas semanas atrás, depois de uma noitada no Porto, uns amigos foram levar-me a casa e quando abri a porta do carro recebi um aviso: "A próxima vez que vieres sair connosco, estás proibida de falar de trabalho." Subi as escadas até casa envergonhada, com as bochechas bem coradas. "Sou maçadora. Para além de gorda, este trabalho tornou-me incrivelmente chata."
Nestes casos é bom falar com alguém que esteja na mesma situação que nós. Em Murcia tive a oportunidade, enquanto praticava o meu castelhano miserável, de partilhar experiências com colegas na mesma situação que eu. Começaram a trabalhar para a empresa há pouco tempo e vão fazer a abertura de uma loja. Concordamos todos que ultimamente o trabalho nos absorve por completo. E não me refiro a tempo real, mas sim a um tempo subjectivo, que o entusiasmo com o projecto nos faz dispender. Não perdemos uma oportunidade para falar com alguém sobre o nosso dia-a-dia de trabalho.
Com uma colega partilhei a minha preocupação de estar a chatear os meus amigos todos a falar sempre do mesmo. Ela falou-me da noite em que o marido a foi buscar ao trabalho e lhe preparou um jantar romântico. Depois de um duche, ela senta-se na mesa de jantar preparada com muito carinho pelo parceiro, sorriu e recebeu o mesmo aviso que eu. "Vamos jantar sossegados. E estás proibida de falar de trabalho."
Digo-lhe eu, depois de nos rirmos da semelhança das situações: "Acho que me transformei numa pessoa aborrecida." E responde-me ela "Aburrida! Yo no soy aburrida porque me interessan muchas cosas! Cláudia, nosotras no somos aburridas, somos monotemáticas!
Olha que bem que me parece! Monotemática!
Bem melhor do que ser chata!

25 junho 2007

Fazer a Mala

Espero que seja esta a última vez que tenho que fazer a mala. As viagens de comboio para Lisboa estão a deixar-me doida. Desta vez o destino é o aeroporto da Portela.

Fiz a mala com roupa levezinha, para temperaturas acima dos 30 graus. A reunião ibérica de chefes de restaurante, este ano, é em Murcia.

Ainda não é desta que começa a dieta. Espero poder tirar umas fotos para o meu blog.

Beijinhos e até Sábado à noite.

23 junho 2007

Dias Bons

Ontem tive um dia bom. E dias desdes, quando são precedidos por dias muito maus, ainda parecem melhores.

É como quando temos imensa fome. Mesmo o repasto mais simples nos parece um manjar dos deuses.

21 junho 2007

Não sei nada sobre a natureza humana

Sempre me custou a perceber os homens que são incapazes de dar carinho à mulher com quem passam a noite, mesmo que não gostem dela. Também não consigo perceber os homens que são afectuosos demais com mulheres por quem não estão apaixonados.
Não percebo nada.

Estou farta das viagens para Lisboa

Nunca percebi as pessoas que fazem viagens longas de comboio a olhar para o infinito. Não vão a dormir, não têm ninguém com quem conversar nem um livro ou revista para ler. Imagino que se lhes medissemos a actividade cerebral, o resultado era uma linha recta.
Hoje, pela primeira vez, compreendi como é possível fazer uma viagem assim. Enterrei o queixo na mão e o cotovelo no apoio de braços da cadeira. Fui 3 horas a olhar pela janela sem ver o que ia passando por mim.
O cansaço esticou a minha linha de actividade cerebral até ficar como a linha de comboio. Apenas com algumas ondulações.

16 junho 2007

Música a Preto e Branco para Sábado à Noite



Balla - O Fim da Luta

Fashion Adviser

Uma grande parte dos meus amigos é-o desde a infância. Andamos juntos na escola ou éramos vizinhos. Os anos foram passando e todos nós nos tornamos pessoas muito diferentes. Mas sempre amigos.

Tenho uma amiga de longa data que, no primeiro ano que andamos juntas na escola, era muito má para mim, mas ao mesmo tempo não deixava de ser minha amiga. Fazia-me maldades na sala de aula mas depois acompanhava-me no caminho para casa. Era a miúda que fazia sucesso na escola enquanto eu era a totó. Mas mesmo assim fazíamos muitas coisas juntas.

Fiquei uns anos sem a ver enquanto estive imigrada, mas agora que voltei a Espinho, vamos algumas vezes tomar café ao Mar Bravo ou ao Bombar (normalmente ao Mar Bravo porque tem o JN!!).

Ela anda sempre toda catita e “à moda” (andar à moda é das minhas expressões preferidas! “Hoje tás toda à moda!!!”). Conhece os estilistas, o Portugal Fashion por dentro, modelos, aquelas personalidades que aparecem na Caras e que eu não faço ideia quem sejam.

Sempre que vou tomar café com ela, com aquele ar habitual de quem saiu do caixote do lixo, nota-se alguma diferença entre nós as duas.

Esta tarde estava a ver as notícias da RTP1 e lá aparece ela, toda importante ao lado da Katy Xiomara, a apresentar um novo serviço que o Dolce Vita do Porto oferece aos clientes: Consultoras de moda. Por algumas horas e alguns euros ela ajuda-nos a escolher o que devemos vestir.

Essa tarde tínhamos combinado tomar café (no Mar Bravo para lermos o JN). Quando me estava a vestir para sair, pensei duas vezes antes de me enfiar nos jeans velhos do costume com a T-shirt preta do costume. Será que a ser vista comigo lhe arruíno a carreira?? Mas em vez do meu vestido Armani, vesti mesmo a fatiota do costume.

Estas coisas não interessam nada. Amigo é amigo. E são as diferenças que tornam as amizades mais interessantes. Se ela não quer saber do meu ar desmazelado, porque haveria eu de me importar. Fico muito orgulhosa dos talentos dos meus amigos. Principalmente quando são coisas para as quais não tenho jeito nenhum, porque lhes consigo dar mais valor.

Boa sorte amiguinha e espero que ensines muita gente a vestir-se. Se alguém precisar de uma Fashion Adviser para explicar se o verde combina com o amarelo, é só dizer. Eu tenho o contacto de uma especialista.
Foto: Christian Dior (1947)

15 junho 2007

Último Capítulo

Nos livros foleiros como os cor-de-rosa, conseguimos saber o final logo após o capítulo inicial. As personagens principais têm comportamentos bastante óbvios e o enredo parece ser cópia de outro livro que já lemos, também de fraca qualidade.

Mas mesmo assim insisto em continuar para além do primeiro capítulo. Afinal, não é só o começo e o fim que interessam. Quem sabe as surpresas que nos presenteiam os capítulos do meio.

Gosto muito de "finais felizes". Nos livros, nos filmes e mesmo na vida real. Quando comecei a ler este livro sabia que era uma "crónica de um insucesso anunciado". Todos os críticos literários sabiam, incluindo eu que tinha começado a ler. Momentos houve em que tive esperança que o final, afinal, me surpreendesse. Mas não. Foi mesmo um "final infeliz". E quando chego à última página nem faço barulho, atirando o livro para um canto. Encolho os ombros e pouso o livro num canto qualquer exclamando: 0h! Eu já sabia!

Foi previsível, mas de qualquer forma...eu não tinha mais nada para ler...

11 junho 2007

O cybercafé onde ia em Lisboa fechou! Não tenho onde ir à internet. Tive agora 10 minutos para escrever isto por caridade de um amigo.

Peço desculpa pela falta de crónicas. Esta é a última semana que passo em Lisboa. Para a próxima semana as crónicas passam a ser regulares como antigamente.

Estou de volta a casa.

Beijinhos
Cláudia

08 junho 2007

Mudar a cor do meu blog é agora como mudar de cor de cabelo, um vício.

Aventuras Cor-de-Rosa - Penúltimo Capítulo

A estação do Cais do Sodré pareceu-me o local ideal para começar um capítulo cor-de-rosa.

Entro sozinha no comboio para Cascais. Estou a precisar de apanhar sol mas ainda não sei onde vou sair.

Há dois dias atrás meti na mala o bikini, um vestido verde porque me iam levar a jantar fora e a toalha da praia para ir passar o feriado à Ericeira. Esta roupa afinal não vai sequer sair da mala.

Acordei de manhã sozinha, com quatro dias solitários para preencher em Lisboa. Sempre fiz tudo sozinha mas desta vez custa mais sair de casa para almoçar na praia. Passei a noite passada a lembrar o que podia estar a fazer e o restaurante onde devia ter jantado. Vou almoçar a Cascais a pensar no carro onde devia estar a ir para a Ericeira.

É assim a vida de personagem de literatura cor-de-rosa. Escolhemos mal a companhia e acabamos sempre sozinhas.

Agora estou a pensar no vestido verde que nunca vai ser usado. Não vai haver lugar para ele no último capítulo. Porque os meus romances cor-de-rosa acabam semrpe mal.

03 junho 2007

Música Cor-de-Rosa Pós-Gigi



Dead or Alive - You Spin Me Round (Like a Record)

A Festa da Gigi Ou Explicação para a falta de crónicas

Esta semana não tive tempo para muita coisa. Estive a fazer turnos das 15h – 24h todos os dias e as manhãs foram ou para dormir ou para trabalhar em casa. As crónicas são a segunda prioridade.

Nos últimos meses houve várias pessoas a falarem-me da festa da Gigi, no Triplex. Ficavam sempre admiradas por nunca lá ter ido. Este sábado decidi que tinha que ir ver porque é que toda a gente conhecia esta festa menos eu! Saí de Lisboa no comboio das 15h30 para poder chegar a casa e ainda dormir umas horas antes de sair para o Porto.

Acordei às 22h, vesti a minha roupa de Mulher que Veio do Espaço e fui conhecer a Gigi. E foi mesmo como me tinham contado. Músicas dos anos 80 que todos sabem cantar, muita gente, muitos homens observantes e muitos homens que não chateiam as mulheres, porque se "chateam" uns aos outros. Saí de lá às 6 da manhã porque a minha boleia queria ir embora. Por mim tinha ficado mais tempo a dançar ao som das musiquinhas da minha adolescência.

É bom trabalhar durante a semana e sentir que merecemos o descanço. Ultimamente aproveito muito melhor os meus dias de folga.

Apesar de oscilante, o meu índice de felicidade e boa disposição continua em alta. Só é pena não ter mais tempo para o Claudipédia. Mas são escolhas que se fazem, certo?

Nota do Tradutor

Mangache – é o natural do bairro piurano de Mangachería, que, aliás, por vezes adopta como seus, personagens oriundos de outros locais, que, por direito próprio, conquistaram o título de mangaches. A Mangachería e os seus filhos têm uma filosofia da existência e um dos seus princípios é o de que “o coração não engana”. Ao longo do romance, terá o leitor oportunidade de se familiarizar com este bairro impar da cidade de Piura.

Nota do Tradutor da página 8 de A Casa Verde de Mário Vargas Llosa.

Gostava de ter antepassados do bairro de Mangachería e de ter herdado a sua filosofia da existência. Porque tenho a sensação que o meu coração não é de confiança e às vezes engana…

27 maio 2007

Por agora, esta vida basta

Hoje apeteceu-me colorir o meu blog de tons rosa. O Claudipédia estará, nas próximas semanas, em modo “Romance Cor-de-Rosa”. Depois volta ao verde-escuro habitual.

As personagens dos romances cor-de-rosa são criaturas previsíveis e pouco interessantes. Têm nomes como Bianca ou Wendy, são umas galdérias e têm vidas sofridas. Mas ficamos sempre com inveja das aventuras em que repetidamente se envolvem. Deve haver algum motivo para a literatura cor-de-rosa ser o género literário mais procurado pelos portugueses. É porque no fundo no fundo (mesmo bem lá no fundo!!) todos queríamos ser uma Bianca.

É verdade que a literatura cor-de-rosa, se consumida por hábito, é capaz de embrutecer culturalmente qualquer pessoa. Como dizia Fernando Pessoa, a “Literatura, como toda a Arte, é uma confissão de que a vida não basta". Infelizmente ou felizmente, ainda não sei qual, ultimamente tem-me bastado a vida estupidificante que levo de romance cor-de-rosa. Essa literatura que não é arte e que pertence a quem não pede mais da vida do que alguma emoção. Mesmo faltando autenticidade e mesmo recebendo críticas literárias pouco dignificantes, a literatura fácil da minha vida, tem-me bastado.

É boa a sensação de ser personagem de um romance cor-de-rosa. O único senão é serem de leitura rápida, de pouca duração e de no final, conseguirmos tirar-lhes pouca coisa. Têm pouco sumo e deixam pouca substância.

É uma fase Rosa. De duração limitada.
Inspirado nesta entrevista.
O ano passado fui à Feira do Livro e não comprei nada. Estava desempregada e em fase de contenção de despesas. Este ano fui com vontade de comprar o que me apetecesse e tive dificuldades em escolher. O ano passado, como tinha o tempo todo do mundo, fui durante a semana e pude passear à vontade pelos stands dos editores. Este ano tive que ir ao Domingo e foi uma batalha para conseguir ver os livros. Gente a mais, uma multidão à porta para entrar.

É sempre assim, quando estamos desempregados temos o tempo todo do mundo e não temos dinheiro. Quando estamos a trabalhar, não temos tempo para gastar o dinheiro.

Acabei por comprar A Casa Verde do Mário Vargas Llosa. E aconselhei a minha mãe a comprar um livro do Peter Singer, que eu também quero ler. E ainda fiquei com mais dois ou três debaixo de olho. Se tiver tempo de lá voltar, trago mais alguns comigo para casa.

26 maio 2007

Trânsito

Nunca percebi os condutores nervosinhos. Que não conseguem manter-se na mesma faixa, que são impacientes, que aceleram e desaceleram e que se colam ao carro da frente. Até ao dia em que comecei a fazer o percurso para o trabalho num trânsito insuportável. Meia dúzia de viagens foram o suficiente para passar de condutora descontraída a frenética ao volante. De manhã tento manter a calma, ouço o Nuno Markl na Antena 3 e tento não me irritar com as filas de trânsito. Na viagem de regresso, irrito-me mais e transformo-me num daqueles condutores que nunca tinha compreendido. Cheia de pressa para chegar a casa, não entendo porque demoro uma hora para fazer 35 quilómetros. É um desperdício de tempo. Todos os dias entro no carro preparada para me irritar. Transformei-me num deles.

23 maio 2007

As Noites do André

No quarto do André entro cansada e saio refeita. E de manhã, enquanto procuro as roupas espalhadas pelo chão, vou despertando como preparação para o mundo que fica do outro lado da porta.

- Obrigada mais uma vez.
- Já sabes que não me importo.
- Mas obrigo-te sempre a acordar tão cedo…
- Não vamos falar sobre isso outra vez. Sabes que não me importo…
- Até à próxima semana.
- Porta-te bem.
- Tu também.
- Já estou com saudades...


Fecho a porta do carro com um sorriso e vou a casa tomar o pequeno almoço antes de sair para mais um dia de trabalho.

São assim as noites do André. Contamos segredos, fazemos de conta que a vida não é o que é, comemos bolachas com geleia de morango. E no fim, ficamos à espera da próxima semana. Porque há um conforto nas coisas que se repetem. E os braços do André abrem-se para mim outra vez, na segunda-feira.

20 maio 2007

Pensamento do Dia

O crescimento da minha felicidade é directamente proporcional ao crescimento do meu traseiro.

(ontem cometi o erro de me pesar e descobri que desde que mudei de emprego engordei 3 quilos)

19 maio 2007

Sérgio Godinho no Teatro Maria Matos

Quarta-feira fui ao Maria Matos. Quando for grande quero ser como o Sérgio Godinho e saber muito sobre a vida.

Irmã mais nova

Fui a irmã mais nova durante tanto tempo que me esqueci que nesta idade já se perderam as regalias inerentes a esta condição.
Quando na segunda-feira o meu pai se aleijou no ombro, tive que chamar uma ambulância. Os bombeiros decidiram que tinham que o levar para o hospital de Gaia. A minha mãe foi com ele e disse que alguém tinha que ir atrás de carro para os trazer de volta.
Eu imediatamente fiz o mesmo que tinha feito a minha vida toda e telefonei à minha irmã mais velha. Porque foi sempre ela a resolver tudo. Ela atendeu e disse que tinha um exame na manhã seguinte, bem cedo "Mas se tiver que ser, eu vou..."
Era tarde, eu tenho carta de condução, 30 anos e nenhuma limitação física ou mental. Fiquei a a sentir-me mal por ter feito o telefonema.
Peguei no carro, pedi direcções a um vizinho para chegar ao hospital de Gaia, esperei na sala das urgências e ao fim da noite trouxe os meus pais de volta.
Complicado? Não. Porque é que eu pedi à minha irmã para ir lá ela? Porque foi o que sempre aconteceu no passado.
A Cláudia é a irmã mais pequena e não se sabe orientar. Ou sabe. Sei agora e sabia antes. Mas quem tem irmãs mais velhas apoia-se nelas para tudo.
É bom regressar depois de uns anos de ausência, e sentir que nos sentimos e que nos tratam como adultos.
Acho que para sempre me vou sentir "a irmã mais nova". Mas se não me engano, foi o Oscar Wilde que disse que depois dos 25, temos todos a mesma idade. A diferença de idades entre mim e as minhas irmãs, que tant ose fez sentir quando eramos pequenas, já não faz diferença agora.