11 outubro 2007
F****** pá! Tou com uma neura!Já falhei a um dos testes!
10 outubro 2007
09 outubro 2007
lover, you should've come over
05 outubro 2007
ÂME DJSET - Kristian Beyer (31 - Foz do Porto)
Saí de casa a sentir-me levezinha, passei uma noite levezinha e acordei levezinha. Agora vou à Fundação de Serralves beber um chá. É preciso aproveitar os poucos momentos que estou de bem com a vida.
04 outubro 2007
Cartas de Amor
02 outubro 2007
Ética Prática
Costumo usar como marcador de livro qualquer papel que encontre no local onde estou a ler. Costumam ser bilhetes de comboio, de concertos, cinema, museus ou panfletos que estão pousados nos balcões dos cafés.Desisti de ler “A Casa Verde” que me aborrecia imenso e deixei a página 114 marcada com um bilhete do metro de Lisboa com a intenção de retomar a leitura que já se arrastava há semanas, para quando tiver mais paciência para tarefas árduas. A substituição foi feita ontem pelo livro do Peter Singer “Ética Prática”. Mais uma vez, e por coincidência, deixei a página 114 deste livro marcada para retomar a leitura hoje, porque me sinto apta para leituras filosóficas ligeiras. Usei como marcador uma folha de papel higiénico.
01 outubro 2007
Actualização Dentária
Mais actualizações no dia 29, data da próxima consulta, para o diagnóstico final.
Até me sinto outra...mais levezinha de preocupações.
30 setembro 2007
These Boots Are Made for Walking
Domingo
É Domingo e estou de folga. Mas é como se não estivesse. Às vezes os nossos pensamentos arrastam-nos para sítios onde não queremos estar.
29 setembro 2007
Sábado
Para além disso fui almoçar uma salada de frango, maçã e amêndoas ao Corte Inglês e saí de lá com um par de botas geox.
Agora tenho que decidir o que fazer como sobremesa para o jantar da minha amiga logo à noite.
E é assim o meu sábado. Não muito interessante.
28 setembro 2007
O meu quarto 10/01/2003 - 25/02/2006
Cláudia no País das Maravilhas
Hoje, depois de ter acordado deprimida e de ter passado a manhã toda angustiada, chego ao trabalho de tarde e lembro-me que me tinha inscrito para fazer um workshop sobre Trabalho de Equipa. Um tipo que faz Coaching, e que o aprendeu a fazer no Estados Unidos, esteve a tentar ensinar chefias intermédias a motivar equipas e desenvolver o potencial dos colaboradores. Saí do workshop bem mais animada e até à meia noite e meia estive a trabalhar cheia de energia, a implementar regras de HACCP e a dar formação on the job. Não faço ideia (e tenho dúvidas) que esta noite tenha conseguido pôr em prática o que me ensinaram no workshop, e que tenha motivado alguém na minha equipa para desenvolver o seu potencial. Mas, porque passei o resto do dia tão frenética, a correr para trás e para a frente, para conseguir acabar a tarefa antes da meia-noite, motivei-os a pôr-me uma alcunha. A partir de agora sou o White Rabbit, da Alice no País das Maravilhas. Para uma descrição da personagem, clique aqui
27 setembro 2007
Hoje acordei deprimida
25 setembro 2007
Um Moleskine não é para ser deixado em branco
“[O Moleskine] é um pequeno caderno com capa negra que levo comigo para todo o lado, no qual escrevo os meus anseios, os meus pensamentos, dúvidas e questões do dia-a-dia. E também pequenos artigos, capítulos de romances, receitas, declarações de intenção e compromissos de que geralmente me esqueço. Numa breve cerimónia de adeus antes de iniciar um novo, releio o que escrevi e percebo que não perdi a capacidade de assombro. Relê-lo é como que um rebobinar da minha vida e vê-la, fugazmente, fotograma a fotograma.”Luís Sepulveda, escritor [Ovalle, Chile, 1949]
Um Moleskine não é para ser deixado em branco, esquecido em cima de um banco qualquer no quarto-de-banho.
23 setembro 2007
All Blacks Haka Parte II
Sem dúvida que o melhor jogo a que assiti foi Escócia - Nova Zelandia. O maior espetáculo desportivo da minha vida. Tenho a agradecer à minha amiga (entre muitas outras coisas), ter sido apresentada a um desporto um pouco ignorado em Portugal.
O entusiasmo recente pelo rugby por cá, fez-me lembrar que há muito tempo que não pegava num telefone para falar com a minha amiga, que me fez companhia na maioria dos Domingos à tarde em Edimburgo.
No dia em que vim embora da Escócia definitivamente, foi ela que me levou ao aeroporto. Mesmo antes de entrar para o voo, tirou do pescoço o colar de jade com formato de anzol que sempre usava. Um símbolo Maori que tinha pertencido ao parceiro de quase 20 anos e que morreu de leucemia. Pôs-me o colar ao pescoço no meio de muitas lágrimas.
Tenho a certeza que um dia o colar regressa à terra de onde veio, no meu pescoço, e vou poder ver a Haka em solo Neo Zelandês.
22 setembro 2007
1:20 - Cheira a sono, hora de dormir
Sou obsessiva com cheiros e esses não ficam gravados em papel. Tenho um canto especial na minha memória onde ficam alojados. Lembro-me do cheiro do meu sobrinho dias depois de nascer, do mofo da casa da minha avó, do cheiro da cozinha da minha tia, tão semelhante ao cheiro de tantas cozinhas na Holanda, a manteiga derretida, mas este com um odor especial, adicionado pela importância emocional que tem. Conheço bem o cheiro do ombro das minhas irmãs, os cremes da minha mãe antes de ir dormir, o cheiro do mar de Espinho, a peixe, da relva acabada de cortar, das algas a secar nas praias do Minho, do pescoço do N. depois de tomar banho, dos lençóis acabados de lavar em casa da minha mãe, muitos meses depois de ter estado longe deles. Lembro-me do cheiro das montanhas a arder, dos vários quartos onde dormi, e das manhãs após noites de excessos.
Não há fotografia que os possa guardar, os cheiros da minha memória.
21 setembro 2007
18 setembro 2007
.
16 setembro 2007
Rua das couves
15 setembro 2007
Nao me sei desenrascar
Quando nao consigo dormir à noite vou para a varanda ver o movimento da rua. Esta noite, em vez de ver o movimento do oitavo andar, fui para a esplanada em frente ao hotel. Fiquei alojada no bairro vermelho de Madrid, num edifício que faz esquina com a Gran Via. Estou habituada a ver as prostitutas em Espinho, na esquina da rua 41 com a Avenida 24. Muito encolhidas com as maos nos bolsos à espera que um carro pare e as leve com elas. Aqui é bem mais agressivo. Sao tantas mulheres a caminhar a rua que a clientela tem que ser disputada e angariada. É decandente ver as mulheres a puxar pelos braços dos homens que passam.
O empregado de mesa, um sul americano gordo, nao se limitou a pôr a cerveja que lhe pedi na mesa. Serviu-a no copo " Una cerveza para una chica tan guapa". Trouxe-me um prato de azeitonas e reparei que nao o fez em mais nenhuma mesa. Acabei de beber a cerveja e quando tirei a carteira para pagar, o tipo põe outra na mesa. "Ofereço-te esta". Eu tirei dez euros e disse que pagava as duas, mas ele trouxe o troco de uma só. Fiquei sem saber o que fazer e bebi a cerveja o mais rápido que pude, levantei-me e entrei na porta do edifício do hotel.
Às vezes sou tao ingénua que nao devia ir de férias sózinha.
14 setembro 2007
12 setembro 2007
Madrid
09 setembro 2007
05 setembro 2007
Emancipação das imagens da razão masculina
Por oposição, artistas como Helena Almeida, Ana Mendieta, Cindy Sherman, Francesca Woodman ou Nan Goldin, com obras que podemos ver no Centro Cultural de Belém, proporcionam um ponto de vista diferente, em paralelo com reivindicações feministas. Fugir do cliché fotográfico e dos padrões do corpo da mulher a que fomos habituados
Autonomia, no CCB
30 agosto 2007
Gostar de quem não gosta de nós

E assim acabaram as minhas mini-férias em Lisboa. Antes do previsto e com amargura. A infelicidade pós-felicidade.
It´s tough being brocolli ice cream cause nobody likes ya.
http://www.nataliedee.com/
Cartas

[2] O Berardo é um narcisista mas o Museu Colecção Berardo foi uma surpreendente revelação para mim. (Até parecia que estava no estrangeiro).
[3] Queria morar em Lisboa.
[4] Beber cerveja e apanhar sol numa esplanada da Graça, foi o melhor fim de tarde que me podiam ter proporcionado. Hoje, sinto-me feliz.
27 agosto 2007

26 agosto 2007
Ignorância
Ontem parei para ouvir o que se discutia nessa estação de rádio. Falava uma frequentadora da Igreja do Reino Universal de Deus e entre outras coisas explicava porque era importante pagar o dizimo. Dizia que vivia em função do texto da bíblia, etc etc etc, a bíblia é muito importante etc etc etc, o pastor é uma pessoa muito importante para ela e explica-lhe muitas coisas. Sim, porque nem toda a gente consegue perceber e interpretar o que diz a bíblia. Aliás, ela própria nunca tinha lido a bíblia. Por isso é que era tão importante ir à igreja e ouvir o pastor explicar o que diz a bíblia. Porque de outra forma ela não saberia…
E é assim que se manipulam as pessoas. E a senhora vive em função dos ensinamentos da bíblia. E o pastor diz sobre a bíblia aquilo que lhe apetece e convém. Porque questionar o que nos dizem, dá muito trabalho. E assim se vive em função dos ensinamentos de um livro que nunca se leu.
25 agosto 2007
24 agosto 2007
23 agosto 2007
Labregos
É curioso que nas aldeias aqui à volta, de onde vem a invasão que enche a feira de Espinho, não ensinam as regras de trânsito e o que significa um semáforo vermelho para os peões. Também não devem haver passeios, porque toda a gente caminha no meio da estrada.
Já tenho que aturar gente mal-educada o dia todo, gostava de poder viver a minha vida pós laboral, rodeada por gente com o mínimo de educação. Mas vivo aqui, e houve uma falha grave no que respeita a educação dos portugueses.
20 agosto 2007
Férias e não se fala mais nisso
Estou cansada e de mau humor. Felizmente o dia foi salvo porque comprei uma túnica (a centésima do meu guarda-vestidos) preta de seda com 50% de desconto.
Salva pelos saldos.
16 agosto 2007
Ser Adulto
Preferia quando não pensava muito no futuro e se gastasse tudo o que tinha, não perdia o sono à noite. Não gosto da vida de adulto. Não tenho feitio para isso.
15 agosto 2007
Coisas Velhas
Moledo está cheio de recordações das férias de antigamente, em caixas, escondidas nos armários e penduradas em cruzetas. Ainda bem que se guardam as coisas antigas. Servem sempre para qualquer coisa. Nem que se seja para trazer de volta memórias de outras férias.
Os Dramas do Costume
Há muitos sítios que gostava muito de conhecer mas que não são destinos para eu ir sem companhia: os açores, a Patagónia, o Cairo...
Fiz uma lista de países que gostava de visitar e eliminei muitos por motivos vários. Decidi também que devia escolher férias de cidade porque é mais fácil distrair-me sózinha em sitios com muitos museus para visitar, com cafés cheios de gente, e com muita agitação.
Na minha próxima folga vou tratar de marcar as minhas férias. As escolhas são:
1º - Nova Iorque
2º - Istambul
3ª - Marraquexe e Fez
4º - Letónia, Estónia ou um desses países para esses lados
E vou tentar não pensar mais nisso. A solidão já me tirou o sono vezes demais esta semana. Isso e a conta do dentista.
12 agosto 2007
09 agosto 2007
O Mar
No interior do país, mesmo fazendo mais calor, as vestimentas do povo são mais de campo e montanha. Lembro-me do primeiro verão que passei em Coimbra. Ao primeiro sinal de calor tórrido, pus um vestido de praia e fui para a faculdade. Senti-me deslocada. Mesmo com um calor acima dos 40º, ninguém vestia vestidos de alças às florzinhas nem trazia havaianas nos pés. Voltei para casa e troquei de roupa. Acho que foi nesse dia que me apercebi que tinha vida de mar e praia.
E a falta que me faz o mar, mesmo não sendo capaz de passar muito tempo deitada na areia. Faz falta o cheiro a peixe e algas, as roupas descontraídas, a areia no meio dos dedos dos pés, os bares e as cores dos guarda-sóis. Sou gente de à beira-mar. E de outra forma custa-me viver.
08 agosto 2007
What really matters in life and other holiday delusions
Holidays fantasies, in their place, are harmless, but that place is on holiday. It is when they are brought home and acted on that they cause problems. Sit by the pool. Dream of another life. Then have another drink and forget it. Do not, above all, introduce your fantasies into the world of reality.
06 agosto 2007
Não Faltava Mais Nada
Música para Segunda-Feira de Manhã
Vou ao dentista. Quando voltar, escrevo mais uma crónica. Para já fica uma musiquinha! (Hoje não trabalho!!)
02 agosto 2007
29 julho 2007
Se gosto de brincar com carrinhos, porque hei-de brincar com bonecas?

Quando ainda tinha o cartão de sócio do cinema mais antigo de Edimburgo, aconteceu uma vez a sessão dupla de Domingo à tarde ser sobre filmes de animação japonesa. Mostraram os filmes Akira e Ghost in the Shell.
Nessa tarde o público era um pouco diferente do habitual: 95% masculino. E eram homens com características muito particulares: com aspecto de quem tem como principal passatempo jogar playstation, a informática, coleccionar insectos, ler banda desenhada e sonhar que a Lara Croft lhes vai aparecer no quarto um dia. Cabelos compridos, um guarda-roupa raramente actualizado e t-shirts alusivas a uma banda alternativa qualquer.
Foram ao cinema em grupos. Formaram amizades baseadas nos interesses e passatempos que têm. Pergunto-me porque é que tão raramente se vê grupos de mulheres a fazer o mesmo. Parece que apenas nos juntamos quando vamos às compras ou ver filmes com o Brad Pitt. Como se os nossos únicos interesses fossem futilidades. Agimos de acordo com o que é esperado de nós. E as mulheres apenas impressionam com superficialidades. Nenhum homem vai gostar mais de nós porque gostamos de filmes de animação japonesa sobre o ano 2050 onde cyborgs têm crises existenciais. Mas se nos juntamos em grupos e temos conversas sobre bebés, decoração ou a cor do verniz que temos nas unhas, consideram que estamos a cumprir a nossa função.
É tudo sobre o que foi preconcebido como sendo o papel dos homens ou mulheres no mundo. E quando alguém se interessa por alguma coisa fora do que foi pressuposto, causa admiração.
Descobri que tenho alguns interesses e passatempos de homem. Mas, se uma menina gosta de brincar com carrinhos, porque haveria de brincar com bonecas?
28 julho 2007
Hoje senti o mesmo. Já há várias semanas que uso uma farda que rapidamente fica muito suja, uns sapatos de segurança para andar no meio das obras e o cabelo fica sempre por pentear, debaixo de um capacete branco.
Este fim-de-semana não trabalho. Até custa a acreditar que tenho dois dias seguidos de folga. Vou a um casamento. Hoje acordei, tomei banho, pintei as unhas das mãos e dos pés, estiquei o cabelo, maquilhei-me, vesti uma saia e vou sair.
Até me sinto outra.
A partir de segunda-feira começa uma semana de trabalho intenso. Não vai haver claudipédia durante uns dias. Vou aproveitar o fim-de-semana.
25 julho 2007
Porca, Feia e Má
Ainda por cima tenho um casamento e vou ter que ir assim, tipo baleia...
A farda já nem me serve. Estou a detestar-me. Nunca mais vou conseguir perder estes quilos. Vou ser gorda, feia e solitária para todo o sempre.
23 julho 2007
22 julho 2007
O consolo dos pobres de espírito
Hoje tomei o pequeno almoço na praia, dois croissants e duas meias de leite, almocei uma massa “al forno”cheia de natas, tiramisu de sobremesa, lanchei uma goluseima, comprei o CD dos Interpol, fui arranjar as unhas e depois vegetei em frente ao computador. Estou certamente mais gorda e pobre, mas pelo menos as papilas gustativas estão satisfeitas, as mãos estão mais bonitas e os ouvidos mais despertos. E se não podemos despertar assim os sentidos, se não podemos ter estes momentos de consolo, não temos mais nada.
Sugestões do Álvaro Costa
A rádio sempre me fez mais companhia que a televisão. Até porque quando estou na internet, é mais difícil prestar atenção ao ecran da TV do que à radiofonia. Quando estava em Coimbra a estudar para os exames, ouvia a antena3. E ainda hoje ouço, no carro ou a tomar banho. Nos tempos de Coimbra, o Álvaro Costa tinha um programa à noite que eu ouvia regularmente. E muita da música que ouvia, era por influência do programa dele.
Não sei se ele ainda tem um programa na rádio. Já não o ouço há muito tempo. Mas há uns dias liguei a televisão e lá estava ele. Com o bom gosto do costume, de fato escuro e camisa cor-de-rosa lustrada. Recomendou alguns albuns novos e eu fixei um que gostei muito. Hoje fui à Fnac comprar o album dos Interpol. Uma espécie de Brit Pop mas vinda de Nova Iorque.
Interpol - Slow Hands
18 julho 2007
Aviso
17 julho 2007
R. Crumb
My work is full of sweating, nervous uneasiness, which is a big part of me and everybody else. Most people don’t want to see that though, because it reminds them of inadequate parts of themselves.
Robert Crumb
15 julho 2007
14 julho 2007
Sábado Dez da Manhã
13 julho 2007
Lei da Conservação das Massas

ou
ou ainda
"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
12 julho 2007
09 julho 2007
Pensamento de final de dia
08 julho 2007
Manter a calma
Não sei, mas gosto de acreditar que mantinha a calma.
Já me aconteceu duas vezes acordar com estranhos dentro de casa. A primeira vez estava sozinha e acordei com barulho na sala às quatro da manhã. Levantei-me com o coração aos saltos e fui ver o que se passava. Tinha dois homens estranhos na minha sala. Ficaram a olhar para mim e eu a olhar para eles. Eu estava de camisa de dormir. Era verão, estava imenso calor e as minhas vestimentas eram bem reduzidas. A única coisa que me ocorreu foi olhar por mim abaixo para ver se estava decente. Depois de verificar que, apesar de ter um vestidinho bem curto, estava apresentável, perguntei muito calma o que faziam na sala de minha casa. Acabou por não ser nada de grave. Eram apenas os filhos da minha vizinha velhinha da frente, que estavam de visita no fim-de-semana. Tinham ido sair em Coimbra e estavam bastante alcoolizados. Quando regressavam a casa da mãe, encostaram-se à porta do meu apartamento e…como estava apenas encostada, abriu-se. A minha colega tinha saído ao final da tarde e “esqueceu-se” de fechar a porta. Os dois rapazes resolveram então entrar em minha casa e escrever um bilhete: “Queridas Vizinas: Era só para avisar que deixaram a porta abeta”
Eu apanhei-os na sala, quando decidiam qual o melhor lugar para afixar a nota. Acabamos por marcar um almoço para o dia seguinte.
A segunda vez foi mais assustador. Morava em Inglaterra, numa cidade horrível, no rés-do-chão de uma casa num bairro pouco aconselhável. Por volta das três da manhã acordo com um vulto que acabava de trepar pela minha janela. Mais uma vez era verão, estava muito calor e eu tinha deixado a janela aberta. Acordo com uma figura franzina ao lado da minha cama. Estava tão assustada como eu. Não devia estar à espera de encontrar alguém deitado numa cama pois o meu quarto era no local onde normalmente fica a sala de estar. Saltei imediatamente da cama, como se tivesse uma mola a impulsionar-me. A rapariga virou-se de costas e saiu outra vez pela janela. Eu aproximei-me e tivemos uma conversa. Eu do lado de dentro, ela na rua. Tentou convencer-me que pensava que estava a entrar na casa do “George”. Eu fiquei a gritar com ela durante algum tempo, a dizer que não morava ali nenhum George, que tinha que ir embora e que ia chamar a polícia. Quando ela finalmente decidiu acabar a conversa, eu fui sentar-me na cama. Não conseguia mexer-me. Não sabia se devia chamar a polícia.
Também desta vez estava com pouca roupa no corpo. Estava apenas de cuecas e uma camisola interior branca. Pode parecer que estou a contar que estava pouco vestida por brincadeira, mas a nossa casa é um local onde normalmente nos sentimos seguros. Ter alguém a violar esse espaço e a confrontar-me na minha intimidade, fez-me sentir vulnerável.
Depois de acordar com uma drogada no meu quarto (a polícia foi a minha casa no dia seguinte e disse-me que já a tentavam apanhar há algum tempo), tive dificuldades em adormecer durante três meses e tinha medo de estar sozinha em casa. Mas acho que na altura, reagi bem nestas duas situações.
A polícia enviou-me uma carta para minha casa passado uns meses a dizer que tinham apanhado a menina que trepava janelas. Já tinha tentado assaltar as casas todas do bairro!
Eu agora, quando estou sozinha em casa, durmo sempre de pijama. Com calças bem compridas.

No fim, a minha mãe foi cumprimentar o sobrinho e acabou por conhecer o Mário Laginha e a Maria João. Ela até lhe autografou o programa do concerto e escreveu o nome dela com h no fim, como deve ser.
Sempre quis ir ver a Maria João e o Mário Laginha. Ainda bem que o meu primo resolveu tocar com eles. Fez com que a família toda se organizasse para um Sábado à noite muito invulgar.
07 julho 2007

05 julho 2007
The Ninth Floor
http://www.jessicadimmock.com/Jessica Dimmock recebeu o prémio Inge Morath da Magnum que incentiva mulheres fotojornalistas, com o seu trabalho num apartamento de toxicodependentes a que ela chamou The Ninth Floor.
Vida Moderna
Eu - Dás-me um beijinho?
João - Agora não, tou muito ocupado!
04 julho 2007
Pequenos momentos de repouso
Mas hoje um telefonema inesperado quebrou esta rotina. É espantoso como um café e uma conversa de menos de uma hora é o suficiente para eu parar de pensar em trabalho, para relaxar as rugas da testa e para fazer uma coisa que já há muito não me sai muito naturalmente, sorrir. Acho até que consegui falar de trabalho menos de 80% do tempo. Uma melhoria substancial.
Há pessoas assim, que nos fazem bem. Não sei bem porquê, mas ainda bem.
Ainda bem que não sei porquê e ainda bem que são assim.
01 julho 2007
Viajar sozinha e estar acompanhada
Capacidade de Improviso
[2] Tenho grandes discussões com amigas porque tenho vergonha de ir para a praia com elas. Despir-me para pôr um bikini e assim me colocar à frente de outras pessoas deixa-me desconfortável. Raramente o faço.
[3] Fazer compras é um processo demorado e complicado. Antes de comprar alguma coisa faço uma pesquisa exaustiva ao mercado. Quando a compra envolve um fato-de-banho, a complexidade do processo agrava-se.
[4] Já não tenho tempo para ir à esteticista há dois meses. Improviso a boa condição das minhas pernas, em casa.
[5] Não tive acesso ao e-mail de trabalho durante 5 dias.
[6] Todas as reuniões ibéricas envolvem uma actividade no final do primeiro dia.
Situação de teste à minha capacidade de improviso e adaptação:
No final do primeiro dia de reunião, o formador pergunta:
“Quem tem que ir ao hotel buscar “o bañador”?”
Levantam-se três braços. Eu arregalo os olhos e pergunto ao meu colega português: “O que é um banhador???” “É um fato de banho. Não recebeste o e-mail a avisar que no final da reunião era preciso fato-de-banho e toalha de praia para a actividade?”
***Pânico***
“Eu não trouxe banhador!”
“No hay problema! Compras um numa loja”
***Pânico***Pânico***
Hmm…acho que não vou participar nesta actividade. Nem tenho toalha. Nem chinelos… não organizei nada para isto!
“Afinal o que é que vamos fazer para ser preciso fato-de-banho?”
Piscinas com águas termais. Jacuzzi, bolinhas, água quentinha e massagens no meio das montanhas do sul de Espanha.
Oh não! Eu gosto tanto de termas!
No caminho entre a reunião e o hotel, onde todos se iam vestir para ir às termas, a Cláudia hesita! O que fazer!! E foi isto o que fiz:
Fui com o grupo para as termas, fui à loja e escolhi um fato-de-banho em 2 minutos, experimentei-o no provador durante 3 minutos, fui para os balneários, vesti-me, enrolei-me na toalha que tinha “roubado” do hotel. Fui até à beirinha da piscina, pousei a toalha e fiquei enfiada na água borbulhante com os meus colegas durante uma hora a receber massagens aquáticas.
E assim num instante testei a minha capacidade de improviso e adaptação. Às vezes mais vale não perder muito tempo a pensar.
30 junho 2007
No soy aburrida, soy monotemática
25 junho 2007
Fazer a Mala
Espero que seja esta a última vez que tenho que fazer a mala. As viagens de comboio para Lisboa estão a deixar-me doida. Desta vez o destino é o aeroporto da Portela.Fiz a mala com roupa levezinha, para temperaturas acima dos 30 graus. A reunião ibérica de chefes de restaurante, este ano, é em Murcia.
Ainda não é desta que começa a dieta. Espero poder tirar umas fotos para o meu blog.
Beijinhos e até Sábado à noite.
23 junho 2007
Dias Bons
É como quando temos imensa fome. Mesmo o repasto mais simples nos parece um manjar dos deuses.
21 junho 2007
Não sei nada sobre a natureza humana
Estou farta das viagens para Lisboa
16 junho 2007
Fashion Adviser
Uma grande parte dos meus amigos é-o desde a infância. Andamos juntos na escola ou éramos vizinhos. Os anos foram passando e todos nós nos tornamos pessoas muito diferentes. Mas sempre amigos.Tenho uma amiga de longa data que, no primeiro ano que andamos juntas na escola, era muito má para mim, mas ao mesmo tempo não deixava de ser minha amiga. Fazia-me maldades na sala de aula mas depois acompanhava-me no caminho para casa. Era a miúda que fazia sucesso na escola enquanto eu era a totó. Mas mesmo assim fazíamos muitas coisas juntas.
Fiquei uns anos sem a ver enquanto estive imigrada, mas agora que voltei a Espinho, vamos algumas vezes tomar café ao Mar Bravo ou ao Bombar (normalmente ao Mar Bravo porque tem o JN!!).
Ela anda sempre toda catita e “à moda” (andar à moda é das minhas expressões preferidas! “Hoje tás toda à moda!!!”). Conhece os estilistas, o Portugal Fashion por dentro, modelos, aquelas personalidades que aparecem na Caras e que eu não faço ideia quem sejam.
Sempre que vou tomar café com ela, com aquele ar habitual de quem saiu do caixote do lixo, nota-se alguma diferença entre nós as duas.
Esta tarde estava a ver as notícias da RTP1 e lá aparece ela, toda importante ao lado da Katy Xiomara, a apresentar um novo serviço que o Dolce Vita do Porto oferece aos clientes: Consultoras de moda. Por algumas horas e alguns euros ela ajuda-nos a escolher o que devemos vestir.
Essa tarde tínhamos combinado tomar café (no Mar Bravo para lermos o JN). Quando me estava a vestir para sair, pensei duas vezes antes de me enfiar nos jeans velhos do costume com a T-shirt preta do costume. Será que a ser vista comigo lhe arruíno a carreira?? Mas em vez do meu vestido Armani, vesti mesmo a fatiota do costume.
Estas coisas não interessam nada. Amigo é amigo. E são as diferenças que tornam as amizades mais interessantes. Se ela não quer saber do meu ar desmazelado, porque haveria eu de me importar. Fico muito orgulhosa dos talentos dos meus amigos. Principalmente quando são coisas para as quais não tenho jeito nenhum, porque lhes consigo dar mais valor.
Boa sorte amiguinha e espero que ensines muita gente a vestir-se. Se alguém precisar de uma Fashion Adviser para explicar se o verde combina com o amarelo, é só dizer. Eu tenho o contacto de uma especialista.
15 junho 2007
Último Capítulo
Mas mesmo assim insisto em continuar para além do primeiro capítulo. Afinal, não é só o começo e o fim que interessam. Quem sabe as surpresas que nos presenteiam os capítulos do meio.
Gosto muito de "finais felizes". Nos livros, nos filmes e mesmo na vida real. Quando comecei a ler este livro sabia que era uma "crónica de um insucesso anunciado". Todos os críticos literários sabiam, incluindo eu que tinha começado a ler. Momentos houve em que tive esperança que o final, afinal, me surpreendesse. Mas não. Foi mesmo um "final infeliz". E quando chego à última página nem faço barulho, atirando o livro para um canto. Encolho os ombros e pouso o livro num canto qualquer exclamando: 0h! Eu já sabia!
Foi previsível, mas de qualquer forma...eu não tinha mais nada para ler...
11 junho 2007
Peço desculpa pela falta de crónicas. Esta é a última semana que passo em Lisboa. Para a próxima semana as crónicas passam a ser regulares como antigamente.
Estou de volta a casa.
Beijinhos
Cláudia
08 junho 2007
Aventuras Cor-de-Rosa - Penúltimo Capítulo
A estação do Cais do Sodré pareceu-me o local ideal para começar um capítulo cor-de-rosa.Entro sozinha no comboio para Cascais. Estou a precisar de apanhar sol mas ainda não sei onde vou sair.
Há dois dias atrás meti na mala o bikini, um vestido verde porque me iam levar a jantar fora e a toalha da praia para ir passar o feriado à Ericeira. Esta roupa afinal não vai sequer sair da mala.
Acordei de manhã sozinha, com quatro dias solitários para preencher em Lisboa. Sempre fiz tudo sozinha mas desta vez custa mais sair de casa para almoçar na praia. Passei a noite passada a lembrar o que podia estar a fazer e o restaurante onde devia ter jantado. Vou almoçar a Cascais a pensar no carro onde devia estar a ir para a Ericeira.
É assim a vida de personagem de literatura cor-de-rosa. Escolhemos mal a companhia e acabamos sempre sozinhas.
Agora estou a pensar no vestido verde que nunca vai ser usado. Não vai haver lugar para ele no último capítulo. Porque os meus romances cor-de-rosa acabam semrpe mal.
03 junho 2007
A Festa da Gigi Ou Explicação para a falta de crónicas
Nos últimos meses houve várias pessoas a falarem-me da festa da Gigi, no Triplex. Ficavam sempre admiradas por nunca lá ter ido. Este sábado decidi que tinha que ir ver porque é que toda a gente conhecia esta festa menos eu! Saí de Lisboa no comboio das 15h30 para poder chegar a casa e ainda dormir umas horas antes de sair para o Porto.
Acordei às 22h, vesti a minha roupa de Mulher que Veio do Espaço e fui conhecer a Gigi. E foi mesmo como me tinham contado. Músicas dos anos 80 que todos sabem cantar, muita gente, muitos homens observantes e muitos homens que não chateiam as mulheres, porque se "chateam" uns aos outros. Saí de lá às 6 da manhã porque a minha boleia queria ir embora. Por mim tinha ficado mais tempo a dançar ao som das musiquinhas da minha adolescência.
É bom trabalhar durante a semana e sentir que merecemos o descanço. Ultimamente aproveito muito melhor os meus dias de folga.
Apesar de oscilante, o meu índice de felicidade e boa disposição continua em alta. Só é pena não ter mais tempo para o Claudipédia. Mas são escolhas que se fazem, certo?
Nota do Tradutor
Mangache – é o natural do bairro piurano de Mangachería, que, aliás, por vezes adopta como seus, personagens oriundos de outros locais, que, por direito próprio, conquistaram o título de mangaches. A Mangachería e os seus filhos têm uma filosofia da existência e um dos seus princípios é o de que “o coração não engana”. Ao longo do romance, terá o leitor oportunidade de se familiarizar com este bairro impar da cidade de Piura.Nota do Tradutor da página 8 de A Casa Verde de Mário Vargas Llosa.
Gostava de ter antepassados do bairro de Mangachería e de ter herdado a sua filosofia da existência. Porque tenho a sensação que o meu coração não é de confiança e às vezes engana…
27 maio 2007
Por agora, esta vida basta
As personagens dos romances cor-de-rosa são criaturas previsíveis e pouco interessantes. Têm nomes como Bianca ou Wendy, são umas galdérias e têm vidas sofridas. Mas ficamos sempre com inveja das aventuras em que repetidamente se envolvem. Deve haver algum motivo para a literatura cor-de-rosa ser o género literário mais procurado pelos portugueses. É porque no fundo no fundo (mesmo bem lá no fundo!!) todos queríamos ser uma Bianca.
É verdade que a literatura cor-de-rosa, se consumida por hábito, é capaz de embrutecer culturalmente qualquer pessoa. Como dizia Fernando Pessoa, a “Literatura, como toda a Arte, é uma confissão de que a vida não basta". Infelizmente ou felizmente, ainda não sei qual, ultimamente tem-me bastado a vida estupidificante que levo de romance cor-de-rosa. Essa literatura que não é arte e que pertence a quem não pede mais da vida do que alguma emoção. Mesmo faltando autenticidade e mesmo recebendo críticas literárias pouco dignificantes, a literatura fácil da minha vida, tem-me bastado.
É boa a sensação de ser personagem de um romance cor-de-rosa. O único senão é serem de leitura rápida, de pouca duração e de no final, conseguirmos tirar-lhes pouca coisa. Têm pouco sumo e deixam pouca substância.
É uma fase Rosa. De duração limitada.
O ano passado fui à Feira do Livro e não comprei nada. Estava desempregada e em fase de contenção de despesas. Este ano fui com vontade de comprar o que me apetecesse e tive dificuldades em escolher. O ano passado, como tinha o tempo todo do mundo, fui durante a semana e pude passear à vontade pelos stands dos editores. Este ano tive que ir ao Domingo e foi uma batalha para conseguir ver os livros. Gente a mais, uma multidão à porta para entrar.É sempre assim, quando estamos desempregados temos o tempo todo do mundo e não temos dinheiro. Quando estamos a trabalhar, não temos tempo para gastar o dinheiro.
Acabei por comprar A Casa Verde do Mário Vargas Llosa. E aconselhei a minha mãe a comprar um livro do Peter Singer, que eu também quero ler. E ainda fiquei com mais dois ou três debaixo de olho. Se tiver tempo de lá voltar, trago mais alguns comigo para casa.
26 maio 2007
Trânsito
Nunca percebi os condutores nervosinhos. Que não conseguem manter-se na mesma faixa, que são impacientes, que aceleram e desaceleram e que se colam ao carro da frente. Até ao dia em que comecei a fazer o percurso para o trabalho num trânsito insuportável. Meia dúzia de viagens foram o suficiente para passar de condutora descontraída a frenética ao volante. De manhã tento manter a calma, ouço o Nuno Markl na Antena 3 e tento não me irritar com as filas de trânsito. Na viagem de regresso, irrito-me mais e transformo-me num daqueles condutores que nunca tinha compreendido. Cheia de pressa para chegar a casa, não entendo porque demoro uma hora para fazer 35 quilómetros. É um desperdício de tempo. Todos os dias entro no carro preparada para me irritar. Transformei-me num deles.23 maio 2007
As Noites do André
- Obrigada mais uma vez.
- Já sabes que não me importo.
- Mas obrigo-te sempre a acordar tão cedo…
- Não vamos falar sobre isso outra vez. Sabes que não me importo…
- Até à próxima semana.
- Porta-te bem.
- Tu também.
- Já estou com saudades...
Fecho a porta do carro com um sorriso e vou a casa tomar o pequeno almoço antes de sair para mais um dia de trabalho.
São assim as noites do André. Contamos segredos, fazemos de conta que a vida não é o que é, comemos bolachas com geleia de morango. E no fim, ficamos à espera da próxima semana. Porque há um conforto nas coisas que se repetem. E os braços do André abrem-se para mim outra vez, na segunda-feira.





















