30 junho 2007

No soy aburrida, soy monotemática

Às vezes basta-me mudar de perspectiva para encarar os meus problemas de outra forma.
Estou consciente que o meu único tema de conversa, nos últimos três meses, é trabalho.
Há umas semanas atrás, depois de uma noitada no Porto, uns amigos foram levar-me a casa e quando abri a porta do carro recebi um aviso: "A próxima vez que vieres sair connosco, estás proibida de falar de trabalho." Subi as escadas até casa envergonhada, com as bochechas bem coradas. "Sou maçadora. Para além de gorda, este trabalho tornou-me incrivelmente chata."
Nestes casos é bom falar com alguém que esteja na mesma situação que nós. Em Murcia tive a oportunidade, enquanto praticava o meu castelhano miserável, de partilhar experiências com colegas na mesma situação que eu. Começaram a trabalhar para a empresa há pouco tempo e vão fazer a abertura de uma loja. Concordamos todos que ultimamente o trabalho nos absorve por completo. E não me refiro a tempo real, mas sim a um tempo subjectivo, que o entusiasmo com o projecto nos faz dispender. Não perdemos uma oportunidade para falar com alguém sobre o nosso dia-a-dia de trabalho.
Com uma colega partilhei a minha preocupação de estar a chatear os meus amigos todos a falar sempre do mesmo. Ela falou-me da noite em que o marido a foi buscar ao trabalho e lhe preparou um jantar romântico. Depois de um duche, ela senta-se na mesa de jantar preparada com muito carinho pelo parceiro, sorriu e recebeu o mesmo aviso que eu. "Vamos jantar sossegados. E estás proibida de falar de trabalho."
Digo-lhe eu, depois de nos rirmos da semelhança das situações: "Acho que me transformei numa pessoa aborrecida." E responde-me ela "Aburrida! Yo no soy aburrida porque me interessan muchas cosas! Cláudia, nosotras no somos aburridas, somos monotemáticas!
Olha que bem que me parece! Monotemática!
Bem melhor do que ser chata!

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