Nunca percebi as pessoas que fazem viagens longas de comboio a olhar para o infinito. Não vão a dormir, não têm ninguém com quem conversar nem um livro ou revista para ler. Imagino que se lhes medissemos a actividade cerebral, o resultado era uma linha recta.
Hoje, pela primeira vez, compreendi como é possível fazer uma viagem assim. Enterrei o queixo na mão e o cotovelo no apoio de braços da cadeira. Fui 3 horas a olhar pela janela sem ver o que ia passando por mim.
O cansaço esticou a minha linha de actividade cerebral até ficar como a linha de comboio. Apenas com algumas ondulações.
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