01 julho 2007

Viajar sozinha e estar acompanhada

Às vezes esqueço-me de como consigo travar conhecimentos com facilidade. Porque não vou de férias há muito tempo, tinha-me esquecido da minha capacidade para meter conversa com qualquer pessoa que se sente ao meu lado. Ou que esteja de pé, tanto faz.
Cheguei ao aeroporto de Murcia e dirigi-me ao balcão de informações. Queria saber se havia um autobus até ao centro ou quanto me custaria um taxi.
Quando ia a colocar a questão, um senhor faz exactamente a mesma pergunta. Só tinhamos autobus às 18h (faltavam duas horas), e o taxi custava 50 euros. Olhamos um para o outro e dissemos que não era muito. "Queres partilhar o taxi?", perguntou-me ele. E foi assim que me meti no taxi com o Gonçalo, um espanhol da região de Rioja. Olha que sorte a minha! Tinha-me metido com um especialista de vinhos que ia dar formação e fazer provas a Murcia. Fomos os 45 km da viagem a falar sobre restaurantes, a região do Douro, a região de Rioja, Portugal e Espanha. Ele desembarcou no hotel dele e eu segui para o meu.
E assim se faz uma viagem de taxi pelas paisagens aborrecidas do sul de Espanha. Passou o tempo mais depressa, pratiquei o meu castelhano pobrezinho e reinforcei a minha teoria de que há muitas pessoas interessantes neste mundo. Só não podemos ter vergonha de iniciar contacto com estranhos. Podemos estar a perder a oportunidade de conhecer pessoas assim. Que têm muitas coisas para nos ensinar.

Sem comentários: