01 março 2008

Sukhothai

De acordo com o meu guia, Sukhotai so vale a pena pelo parque historico, sendo a cidade pouco interessante. Depois de mais uma daquelas viagens que s'o lembra 'a Claudia (4 horas de Pai a Chiang Mai e 5 e meia ate aqui), nao cheguei a tempo de ir visitar a area que a UNESCO considerou patrimonio mundial. Fica a visita para amanha.
Perguntei no hotel o que fazer e sugeriram dar um passeio pelo mercado. E foi a surpresa total. Pela primeira vez desde que estou aqui vejo um mercado para Tailandeses em vez de mercado para turistas. Adorei. Ver as frutas, os peixes, as roupas, as tralhas para casa. Entrei em mercados escuros e sujos. Entrei num que me chamou pelo cheio nauseabundo. Era o mercado da carne. Nem consigo descrever o cheio pestilento que saia daquele buraco escuro onde se viam cabecas de porcos, galinhas cortadas aos pedacos e entranhas. Tudo a ser abanado por uns abanicos feitos de folhas de uma qualquer planta, para afastar as moscas. Refrigeracao, que e' isso!!!?? Um nojo...um nojo!
Pedi para tirar algumas fotos mas devem estar escuras. E ja agora fica aqui tambem o bungalow onde vou dormir esta noite. Todo so para mim! (proximo post)

29 fevereiro 2008

Hoje nao ha' cronica, so programa de festas

Hoje tinha duas hipoteses, (a) ia numa excursao ver as mulheres pescoco de girafa (b) ficava nesta terrinha. Escolhi a opcao (b), sem nada para fazer. Entao toca de arrnjar coisas para me entreter. Tomei o pequeno almoco (panqueca com mel e lassi de manga), aluguei uma bicicleta chunga (sou mesmo burra, escolhi a pior), dei uma passeio de hora e meia debaixo de calor torrido, tive que parar porque a asma assim mandou, tirei montes de fotos de vacas, vim ver os emails. Agora vou fazer uma massagem. Estou so a escolher um sitio com ar limpinho. Tambem tenho que escolher se quero massagem Tailandesa, com oleo, aos p'es ou com ervas.

Ai vida dura esta!!

Amanha vou a Sukotai (antiga capital do Siao) e depois vou tentar arranjar um voo que me leve para a praia. Isto se ainda tiver tempo.

Nao ponho mais fotos porque descobri que as fotos que ponho aqui a partir da maquina fotografica, desaparecem dando File Error. Agora estou com medo de por mais fotos e ficar sem elas.

Beijinhos, vou voltar a pedalar no meu chasso com nome de bicicleta.

PS - maezinha, continuo bem de saude, ainda nao fiz asneirs (a nao ser andar de mota sem capacete mas isso nao conta) e estou a descancar muito. Diverte-te em Londres

28 fevereiro 2008

Claudia, A Teimosa

Depois do mergulo nas cascatas do rio Kwai, depois de ver uma das escavacoes feitas pelos prisioneiros de guerra para a linha de caminhos de ferro que os Japoneses queriam construir entre Tailandia e Burma, depois de andar no comboio que vai sobre tal caminho e depois de duas fotos 'a Death Bridge, uma daquelas ideias tipicas da Claudia veem ao ar!!!
E se eu assim de repente apanhasse o autocarro das 18h de volta para Bangkok (eram 17h30), e apanhasse o autocarro da noite para Chiang Mai (norte da Tailandia)?
Sem tomar banho, pego na mala, vou para a estacao de autocarro compro o bilhete, compro um pao e um leite com chocolate e enfio-me no autocarro de volta a bangkok. Se tudo corresse bem e a viagem durasse duas horas como previsto, ainda apanhava o ultimo autocarro para Chiang Mai. Mas houve um atraso de 30 minutos. E eu cheguei 'a estacao sul de Bangkok atrasada. E o autocarro para Chiang Mai era na estacao Norte. Meto-me num taxi toda stressada, com um condutor todo Zen a ouvir musica Tailandesa e chego 'a estacao norte dez minutos antes do ultimo autocarro sair para Chiang Mai. Apanhei o das 21h30.
10 horas de viagem num autocarro VIP que so' descrito! Bancos quase camas, cobertores, almofadinhas, cortinadinhos na janela...tudo muito Kitch e com rendinhas. Um funcionario vai distribuindo agua, um caixinha com bolinhos, mais tarde uns toalhetes refrescantes e de manha, um cafe. Mas que luxo. Fez-se bem a viagem apesar de ter pago um bocadinho mais do que queria.
Ora ja somava 13 horas de viagem e chegando a Chiang Mai decido ir directamente para Pai. Depois de perguntar em varios das centenas de guichets onde podia comprar um bilhete, descobri que uma carrinha saia para Pai 'as 7h30 da manha. 134 km que demoraram 4 horas porque era uma estrada serpente. Chego a Pai mais morta que viva e vou procurar hotel. O primeiro nao me agradou. Muito escuro. O segundo...super relax!!! Tenho um quarto enorme com almofadas no chao, um jardim cheio de tapetes para relaxarmos debaixo das arvores...so visto. Tudo isto na margem do rio.
Dormi um bocadinho no jardim, ate acabarem de me limpar o quarto, tomei banho e fui comer um green curry e beber um mango lassi. Ja com mais algumas forcas, decido que quero ir ver um templo no cimo da montanha. E forcas nas pernas??? Nao havia. Perguntei numa agencia de excursoes como havia de fazer. O senhor chamou uma mota-taxi, e la fui eu de mota, com um tailandes simpatico a levar me ao templo e a uma aldeia muito pitoresca Valeu mais o passeio de mota que o destino. Foi divertido, fresquinho (porque quase se morre de calor) e agora nao consigo pentear o cabelo.
Desconfio que o cansaco me vai atacar em breve. Ja estou a sonhar com o colchao debaixo da arvore no jardim do meu hotel.
Vou deitar-me. Mais uma vez o calor esta a moer-me o corpo. Amanha vou fazer uma massagem.
PS - para quem perguntou sobre as mulheres girafa, decidi que nao vou ve-las. Nao me apetece ir a um jardim zoologico humano.

Erawan Waterfalls - Desejo Numero 1 Realizado




26 fevereiro 2008

E 'ha vezes que parece que l'a de cima querem que descance

'Esta manha, meti-me na mini van que me ia trazer para Ranchanaburi. Dormi a maior parte da viagem. O que nao admira porque ando sempre com sono, ja comeca a chatear.
Sai' da carrinha depois de duas horas de viagem e, estando na rua mais turisitica pus-me 'a procura de um hotel que viesse mencionado no lonelyplanet. 'E sempre uma escolha segura porque mesmo sendo maus, nunca sao assim tao maus que nao se consiga la dormir. Andava 'a procura de um hotel que se chamava Bamboo house e que ficava mesmo em cima do rio Kwai. Mas mal comecei a caminhar vi uma seta para o Jolly frog cuja descricao do lonelyplanet era algo assim: o melhor relvado com vista para o rio apesar dos quartos serem pouco limpos, assim como os backpackers que l'a ficam a dormir.
Resolvi entrar e ...tcharam...relvado paraiso com arvores cheias de flores, quartos todos virados para o patio e cadeiras de praia espalhadas por todo o lado. Pedi para ver o quarto antes de me comprometer em ficar no Jolly Frog. Ok, a casa de banho de facto nao e das mais limpas e vou ter que usar o meu lencol-cama para onseguir dormir, porque os lencois que estao na cama...enfim...certamente que os clientes que la dormiram antes nao se queixaram (nao sei se se lembram desta anedota).
E foi assim que...mal pousei a mochila no chao, vesti o bikini e apanhei um solzinho maravilha com vista para as montanhas que rodeiam Kanchnaburi e que servem de pano de fundo para o rio Kwai. So fui perturbada pelas folhas que caiam das arvores e pelos barcos que passavam de vez em quando.
Ainda decidi caminhar um pouco pela cidade e tentar chegar a estacao de autocarro para pedir informacoes. Mas depois de uma hora a caminhar sob sol torrido, e de ter a blusa de linho colada ao corpo, pedi ajuda a dois hippies americanos que me arranjaram um riquex'o que me levou 'a estacao e depois ao cemiterio dos POW.
Amanha vou nadar nas tais cataratas de que vos falei, depois vou ver um museu sobre prisioneiros de guerra na segunda grande guerra e depois vou andar de comboio e passar por cima da ponte!!!
Depois vou fazer uma coisa super estupida. Vou-me meter num autocarro de volta para Bangkok, sem tomar banho nem nada, para tentar depois apanhar o ultimo autocarro para Chiang Mai, que fica a 10 horas de Bangkok. Quero fazer a viagem durante a noite. Mas digo vos ja que o mais provavel e chegar a bangkok e ter que arranjar um sitio para dormir ja bem tarde, e acabar por fazer a viagem de manha. Mas quem nao arrisca, nao petisca. E eu tou com vontade de fazer coisas assim. Arriscar um bocadinho e preocupar-me apenas com o que 'e realmente importante.
Esta' sempre tanto calor. Que ultimamente a minha melhor amiga e' a garrafa de agua.
T'as a ver maezinha, ando a tirar dias para descancar como te tinha prometido e nao ando para aqui feita doida a fazer coisas. Hoje ja tirei duas sonecas no relvado do hotel e uma no meu quarto. E agora meus caros...vou dormir outra vez. Amanha acordo cedo e o calor moi-me o corpo.

25 fevereiro 2008

A Ilusao das Ferias - 15 dias em que podemos deixar de ser nos.

Vir de ferias sozinha pareceu para muita gente algo anormal. Pois a verdade e' que sabia que nao me ia arrepender. Escolhi bem o destino. Um pais cheio de gente simpatica, organizado, talvez pagando se um pouco mais para ter a tal organizacao, mas valendo a pena.
Para quem estava preocupado com seguranca: Nunca senti perigo nenhum, e' tudo muito pacato, desde que se tenha uma boa dose de bom senso.
Para quem tinha medo que deprimisse com a solidao: ainda nao comi uma refeicao sozinha com a excepcao do noite em que cheguei ca. Ontem passei o dia com o Eric, do Quebec, e hoje fiz uma excursao e conheci uma holandesa e uma canadiana que convidaram para jantar no final da excursao.
Estou a conhecer pessoas simpaticas, normais, interessantes, estou a comer super bem, o tempo esta bom, os tailandeses sao simpaticos, os tuc tuc sao todos novinhos, ja vi mais de um milhao de budas em todas as posicoes possiveis, e ja percebi o fascinio dos homens com as tailandesas. Tem sempre um sorriso e em vez de caminhar, bamboleiam o corpo delgado e fragil. A unica altura em que se acaba a delicadeza e' quando nos torcem todos nas massagens (sim, estou viciada, mas a 5 euros por hora, qualquer um ficaria).
Nao vos consigo explicar porque gosto tanto da Tailandia. Nao ha nada que seja absolutamente "breath taking". Talvez seja por ter vindo com expectativas tao baixas e ter apanhado uma enorme surpresa. Talvez seja porque nao me estou a preocupar com nada, apenas no que vou fazer a seguir....e mesmo assim...
Amanha parto para Kanchanaburi, para ver a ponte que inspirou um dos meus filmes preferidos (The Bridge on the River Kwai) e cheia de esperanca de conseguir um guia que me leve a nadar numa queda de agua com sete cataratas.
E e' este o meu objectivo para amanha. Nadar debaixo de quedas de agua. E continuar a sentir-me feliz.

20 fevereiro 2008

No Sábado

Aconteceu muita coisa esta semana. Estive sempre a sentir-me cansada, com alguma coisa para fazer. Tão ocupada estive que ainda nem tive tempo para começar a fazer a mala para ir para a Tailândia. Sexta-feira saio do aeroporto de Lisboa. No Sábado estou em Bangkok.

11 fevereiro 2008

O Maior Drama da Humanidade

Na opinião de D. José Policarpo, "o ateísmo e a indiferença em relação a Deus constituem o maior drama da humanidade".
Cá eu acho que ele devia fazer umas férias a um campo de refugiados num país longe daqui mas de qualquer forma, sinto me importante por saber que contribuo para um drama desta dimensão. É um bocado como fazer parte do elenco de uma telenovela da noite.
O D. Policarpo diz-nos ainda que "um descrente não pode imaginar o que é viver com Deus." E realmente tem toda a razão. Já vivi com um Sueco e a experiência foi boa. Agora moro sozinha e acho que ainda é melhor, com a desvantagem de não ter com quem dividir as contas. Tenho um quarto vago na minha casinha. Se deus não se importar de pagar metade da renda, terei todo o gosto em recebê-lo. Também gostava de saber como é viver com deus. Deve ser arrumadinho. E aposto que põe a tampa da sanita para baixo.

09 fevereiro 2008

Sempre muita coisa


Sentir alguma coisa forte constantemente. Emoções que me impeçam de pensar, que me ocupem o tempo, não ter tempo para parar, preocupar-me sempre com algo, preocupar-me, stressar, sentir muita coisa, fazer muitas coisas ao mesmo tempo, ter sempre medo, sensações novas, que me façam sentir bem ou que me façam sentir mal, mas que me façam sentir. Ir onde não conheço, fazer o que nunca fiz, ir para casa por uma rua escura, arriscar e mudar muitas vezes. Ter peso na consciência porque não era suposto gostar, ter preconceito contra mim mesma porque foi bom, ou foi mau, mas foi qualquer coisa, sentir-me mais desperta, mesmo sentindo-me pior, sentir-me bem assim, sentir-me culpada, com medo de me arrepender de o fazer, de me arrepender se não o tivesse feito, com medo que fiquem a saber. Que me sinto bem, que me sinto mal, que penso demais, que é tudo pesado, que foi bom, que me senti bem e depois mal mas bem no final. Sentir desejo para não sentir mais nada. Sentir desejo porque prometi não sentir mais além e contentar-me com isso. Nao querer mais afinal. Ter vontade de muita coisa, de saber e de ver mais, do que vem a seguir, não ter medo de ter medo, não deixar de fazer nada por o ter, saber que nunca é tão mau como antecipamos. Afinal não foi assim tão mau. Chegou até a ser bom e valeu a pena. Fizeste-me sentir desejo.

08 fevereiro 2008

"I heard an old religious man
But yesternight declare
That he had found a text to prove
That only God, my dear,
Could love you for yourself alone
And not your yellow hair."

William Butler Yeats

07 fevereiro 2008

Música para Quinta-Feira à Noite



Don't you know that I'll be around to guide you

Through your weakest moments to leave them behind you

Returning nightmares only shadows

We'll cast some light and you'll be alright for now

Crosses all over, heavy on your shoulders

The sirens inside you waiting to step forward

Disturbing silence darkens your sight

We'll cast some light and you'll be alright for now

Crosses all over the boulevard

The streets outside your window overflooded

People staring they know you've been broken

Repeatedly reminded by the looks on their faces

Ignore them tonight and you'll be alright

We'll cast some light and you'll be alright

05 fevereiro 2008

Morar na Aldeia

Através do Google Earth, vejo todas as piscinas das casas da vila onde moro. A vista de cima, ao longe, mostra apenas aquilo que normalmente queremos ver. Prosperidade e conforto, um mundo igual ao nosso . Esconde-se a realidade que preferimos não conhecer, escondida atrás de portas onde não entram satélites.

Quando espreito para dentro das casas de porta aberta, vejo interiores escuros, quase lúgrubes. Paredes por pintar, roupas a secar no quintal de terra batida, crianças despenteadas, velhinhos sentados em bancos e mulheres a quem não sei adivinhar a idade.

Hoje, enquanto tentava abrir a fechadura ferrugenta da caixa de correio, a minha vizinha da frente veio falar comigo. Perguntou “vai mudar-se para essa casa?”. Respondi que já me tinha mudado há umas semanas. “Casa grande..:” Sim, é grande para uma pessoa. “Mora sozinha?? Pensei que tivesse marido. Eu também estou sozinha. Estou divorciada. Moro com os meus dois filhos."

Os dois miúdos olhavam para mim, do lado de fora do portão.

Então não mora sozinha, tem os dois filhos. Sempre tem mais que eu.

“É verdade. Mas a minha casa dava era para sí. Um quarto, a sala e a cozinha. Pago 35 contos. A sua deve ser mais cara. Sabe, agora estou desempregada. Recebo o fundo de desemprego. Até há pouco tempo trabalhava e ainda trazia 80 contos para casa. Agora trago um bocadinho menos. Mas então mora aí sozinha...numa casa tão grande...Estamos as duas sozinhas. Eu ainda tive um namoro mas ele não me tratava muito bem. Ainda me manda mensagens de vez em quando. Mas eu...sabe como é. A senhora é que deve ganhar bem, que essa casa ainda deve ser cara para um pessoa. Onde é que trabalha? Aaah, conheço. Pois, aí devem pagar bem.

Fiquei sem saber como se chamava. Disse que se precisasse de alguma coisa podia bater-me à porta, agora que já me conhecia. Não quis saber mais do que já tinha aprendido. Também eu queria ver só as casas com piscina. E não queria que as vidas dos outros entrassem na minha.

Quando comecei a ter vontade de ir embora para outro país, há já muitos anos e porque Portugal sofre de pobreza económica e de espírito, porque as mentalidades são estreitas e porque as oportunidades são poucas, a minha mãe disse que talvez fosse minha obrigação ficar. Em vez de fugir a isto devia fazer alguma coisa para mudar. Voltei e continuo a saber que não vou mudar nada. Mas fico contente por conhecer vários sítios e agora esta aldeia. Porque ficamos a saber e vemos de mais perto, que as vidas dos outros são diferentes das nossas. Às vezes para melhor, às vezes para pior e outras simplesmente diferentes. Não tento mudar nada, mas descrevo o que vejo. E cada um que retire daqui a mensagem que quiser. Sei que não vou ensinar nada a ninguém.

30 janeiro 2008


25 janeiro 2008

Auto-Estima

Lembro-me de quando tinha dez anos e, sempre que algo se passava no mundo dos adultos que eu não compreendia, de me sentar num canto do meu quarto entalada entre a parede e o armário. Ficava à espera que passasse, com a esperança que alguém me viesse explicar o que estava a acontecer. Mas nunca veio ninguém.
Às vezes ainda sinto que estou enfiada nesse canto, às escuras, com os olhos fechados, a tentar perceber o que devo fazer para os conseguir abrir. Agora já sei não é suposto vir alguém.

22 janeiro 2008

Optimismo

Be kind to me or treat me mean, I make the most of it, I'm an extraordinary machine.

Fiona Apple
Feliz por ir às compras escolher o detergente para a roupa, por ter de aspirar, escolher o que vou jantar, pendurar cortinas, por ter muitos cantos vazios mas os cheios estarem cheios de coisas minhas, por ter tulipas a crescer no canteiro ao lado do portão, por ter tempo para ler antes de dormir, por ter louça para lavar, roupa para estender, por sentir falta de um jornal em cima da mesar, por poder deixar a toalha no chão da casa de banho, por acordar com os pássaros a cantar e por ter que me lembrar de levar as chaves para entrar.

19 janeiro 2008

Vou ficar sem computador três semanas por motivo de avaria.

Não prometo muitas actualizações do blog nos próximos tempos.

15 janeiro 2008

Embrutecida


Quero ler um livro, ir ao cinema, ir jantar com amigos, falar com quem tenha alguma coisa interessante para dizer, aprender alguma coisa nova, desapaixonar-me, ter tempo para não fazer nada, adormecer no sofá, ser mais moderada, ir ao teatro, passar uma tarde no café a beber chá, ver um concerto, beber uma garrafa de vinho e ler o jornal ao fim-de-semana.

11 janeiro 2008

Nunca hei-de chegar a presidente da junta...

Keeping a low profile
Artigo do Guardian, 11 de Janeiro

Aqui está algo que me preocupa...

Mãos no ar quem acha que o meu blog devia ser anónimo.

10 janeiro 2008

Rejeição Nº 14938

Arrependo-me mais das coisas que não fiz. Foi a pensar nisso que resolvi ser honesta e ir directa ao assunto. Perguntei-lhe se devia desistir de tentar chamar-lhe a atenção. Mudou de assunto, disse algumas piadas. Mas eu queria mesmo ter a certeza. Para saber se não estava a desistir só por um mal entendido. Mas acabei por ser rejeitada. Mais uma vez. “Tenho medo que queiras algo mais se se passar alguma coisa entre nós. Estou sozinho, gosto de estar assim e não quero uma namorada. Como és uma rapariga séria, não me parece que seja isto que procuras.”
Tive vontade de lhe responder: "O único motivo porque tentei chamar a tua atenção é porque me parecias um rapaz muito pouco sério que de bom grado passaria a noite comigo sem querer namorar no dia seguinte. Estou sozinha, estou bem assim até encontrar alguém de quem goste de verdade e não quero namorar contigo.”

Mas as mulheres querem sempre namorar com os homens com quem se envolvem. Principalmente as mulheres com mais de trinta. E ainda mais as mulheres de aparência normal. Querem ver que vou ter que começar a usar mini-saias, baton vermelho, decotes e pintar o cabelo de louro? Será este o perfil de uma mulher menos séria?

Não respondi o que queria. Disse-lhe que certamente ele preferia uma mulher casada ou uma estrangeira. Porque no dia seguinte não estava lá para o chatear. Ele concordou. E eu concordei com ele. Sou uma rapariga séria. Mas mesmo assim tive vontade de passar algum tempo com um rapaz que não ia querer namorar comigo. Demorou alguns anos para eu entender. Mas querer isto faz com que muita gente ache que sou uma rapariga pouco séria. Logo eu. Que levo as coisas realmente importantes da vida tão a sério.

Ausência

Mais uma vez venho aqui explicar a minha ausência com excesso de trabalho, desta vez juntando-se também cansaço da mudança de casa.
Ainda não estou lá a morar e começa-me a irritar demorar tanto a pôr uma casa em estado habitável.
Ando irritada. Muito irritada.
Ah! Hoje comprei o colchão. Falta montar a cama e comprar o frigorifico e fogão. E aí sim. Posso ir dormir a primeira noite à minha casa nova.

06 janeiro 2008

Terapia Gigi

E foi assim que depois de ter enviado um pedido de companhia para Sábado à noite, fui parar à noite da Gigi no Triplex. É uma festa tão absurda e disparatada que serviu para eu me esquecer do motivo da minha neura. Quando acordei hoje ao meio-dia voltei a lembrar-me dela. Mas não se pode ter tudo. Ontem à noite o que não tive mesmo foi fumo. Nem nos Maus Hábitos, nem no Tropical Burger onde fui comer uma tropical vegetariano às 3 da manhã, nem no Triplex. O que também não tive de manhã foi ressaca nem dores nos pulmões.
Uma noite sem fumo nem alcool. E descobri que é possível divertir-me assim até às 7 da manhã.

05 janeiro 2008

Habemos Casam




04 janeiro 2008

Candidatos

Preciso de alguém que me leve a sair. Pode ser jantar, beber um copo, dançar, jantar. Qualquer coisa.

Urgente. Para sair deste estado catatónico. E para estrear as minhas botas novas.

Desloco-me a qualquer zona do país.

Relembro que sábado é noite de Gigi no triplex.

claudia_antunes@hotmail.com


Obrigada.
Cláudia

03 janeiro 2008

Com uma nuvem negra em cima da cabeça

Quando era pequena esquecia-me sempre das chaves de casa. A minha mãe ficava furiosa porque estava sempre a ter que me abrir a porta. Ainda por cima acontecia muitas vezes avariar o intercomunicador e era preciso descer as escadas do prédio para eu poder entrar. Ralhou imenso comigo. Até que um dia em que me esqueci mais uma vez, a minha mãe abre-me a porta furiosa: “Esta rapariga deve ser masoqusita! Começo a achar que não levas as chaves de propósito para eu te ralhar!” Lembro-me de ter ficado muito perturbada porque fiquei a achar que era masoquista. Fui para o quarto com lágrimas nos olhos. Era masoquista e fazia tudo para me ralharem, o que me causava muita ansiedade.

Continuo a achar que sou assim. Tenho um gosto mórbido pelo sofrimento e apesar de saber algumas coisas que posso fazer para o evitar, não o faço. Isto causa-me ansiedade e stress. Nervosa já eu sou que baste, não precisava de me torturar mais.

A maior parte das vezes a ansiedade é causada por um adiar constante do que tenho para fazer. Outras vezes porque tenho muita dificuldade em tomar decisões, e porque a mudança me assusta mas ao mesmo tempo sinto falta dela. Também tenho tendência para sofrer por antecipação. Sofrer pelo sofrimento que tenho receio de vir a ter. Sabendo ou não se de facto o vou sentir.

Não faz muito sentido ter necessidade de estar sempre a mudar (de casa, de emprego, de país, de ginásio...) se isso me causa tanta ansiedade. Não faz sentido e é contraditorio.

Ainda não percebi se gosto tanto de mudança pela mudança em si ou se estou a tentar fugir de mim própria. Não gosto de ser como sou, pessimista, negativa, tímida, introvertida, desajeitada e complexada. Durante muitos anos tive esperança que a mudar de cidade ou de país, podia recomeçar de novo. Ser diferente, fazer menos asneiras e relacionar-me melhor com as pessoas. Mas já me apercebi que mesmo mudando geograficamente, eu continuo na mesma.

Sei que estou melhor do que era. Já não espero sempre o pior, sei que quando faço uma asneira, as consequências nem sempre são tão más como eu imagino, e também sei que mesmo quando me sinto gorda e feia, não posso esconder-me em casa ou debaixo da túnica do Demis Roussos. Há mesmo quem goste de mim assim. Mesmo com estas melhorias, começo a ver os cabelos brancos e as rugas que o estado constante de ansiedade me estão a causar. São raros os momentos em que me sinto descontraída e abstraída da minha própria presença desconfortável.

O último dia do ano passei-o a lembrar-me de todas as coisas que correram mal. Mesmo que as coisas boas fossem em maior quantidade. Passei o primeiro dia do ano a pensar em todas as coisas que podiam correr mal em vez de me lembrar das coisas que certamente vão correr bem. Sou masoquista e tenho medo de deixar de sentir medo.

01 janeiro 2008

Bridges Of Madison County

30 dezembro 2007

Típico

Não fiquei chateada, nem envergonhada, nem irritada. Já me habituei a ser assim. Bato com a cabeça em candeeiros, tropeço nas escadas, esqueço-me de apertar botões de blusas... Acabei por me habituar a ser assim.
Ontem tinha uma aula no ginásio às seis da tarde e já que fica no centro comercial, aproveitei para ir às compras. Levava às costas a minha mochila. Tem três compartimentos, um grande para a roupa, um médio para a toalha e champô, e um pequeno do lado de fora para a roupa interior.
Ontem entrei e saí de lojas durante mais de um hora com o fecho do compartimento pequeno que fica o lado de fora, aberto. Com a minha roupa interior a espreitar...Sou tão totó.

26 dezembro 2007

Comparar Desgraças

Hoje tive uma conversa de comparação de desgraças com uma amiga.

- Eu não tenho vida e tu tens montes de amigos fixes no mundo todo
- mas tu tens um emprego fixe
- mas tu és magra e gira
- n sejas idiota, tu és alta
- tu acabaste de vir do Rio de Janeiro
- tu vais à Tailândia em Março!
- tu enrolas-te com montes de modelos, eu nem consigo gajos de meias brancas
- oh estúpida, qualquer mulher se enrola com modelos! Eles metem-se com as gajas todas

*em pensamento: só mesmo gajas giras acham isso, nem se apercebem que são mais bonitas que a maioria*

- sim, enrolava-me com um modelo de certeza. Se lhe desse com um pau na cabeça...

(que fique bem claro que o meu interesse não era ter uma relação com um modelo mas sim provar que a minha vida é pior que a dela)

Ainda não saí da adolescência

Hoje cheguei a casa a deitar fumo pelas orelhas. Estou farta de passar tantas horas no trânsito e de não conseguir fazer nada depois do trabalho por causa disso. Não tenho qualidade de vida, não tenho hobbies e passo os dias em casa ou no trabalho. A casa para onde devia mudar nunca mais passa a ser minha e estou farta de esperar. Para além disso ando irritada com um senhor que, quando o conheci, se mostrou muito interessado e que agora não me liga nenhuma. Ainda por cima não posso ficar chateada com ele porque ele não faz nada. A não ser que fique chateada exactamente por isso. Hoje deu-me o número de telefone dele. E eu não o guardei. O que eu queria que ele me pedisse o meu, mas os homens não percebem nada.

Mas nem tudo é mau. Na véspera de Natal fui ao café do costume e sentei-me na esplanada em frente ao mar. Quando entrei para pagar ao balcão, encontrei um ex-colega de escola. Já não o via há anos. “Ena! Deve ser Natal!” foi a única coisa que me lembrei de dizer. Blá blá blá...”Vim cá e aproveitei para ir ao dentista” “Realmente, tens a cara inchada. Eu também não tenho tido muita sorte com os dentes e tenho ido ao dentista muitas vezes”. “Eu sei” “Sabes???!!” “Sim, eu leio o teu blog”. Acho que fiquei vermelha. Mas fiquei contente. O meu blog tem o efeito desejado. Comecei a escrevê-lo para que os meus amigos soubessem o que ando a fazer. Às vezes as distâncias tornam-nos perguiçosos e não perdemos o tempo devido a mandar notícias ao amigos que estão mais longe de nós. Aposto que os meus amigos sabem mais sobre a minha vida do que eu sei da deles. Acabamos por nunca escrever e-mails a cada um deles. O meu blog permite-me fazer duas coisas que gosto: escrever e manter o contacto com as pessoas que vou conhecendo ao longo da vida.

Foi engraçado rever este colega de escola e foi bom ver que estava exactamente na mesma. Também ouço o mesmo de mim muitas vezes, normalmente de pessoas que mudaram muito. Lembro-me de andar apaixonada por ele quando eramos adolescentes mas de nunca ter contado a ninguém por que o meu melhor amigo era amigo dele também.

Agora já sabe. Quando era adolescente gostava de ti. Que estúpido, não é?

24 dezembro 2007


23 dezembro 2007

What can I do to stay cheerful amid the Christmas mayhem?

If we acknowledge that there is no such thing as the perfect family, we can also accept that there is no such thing as the perfect Christmas. Take a tender look at these, your closest relatives, and focus on each familiar face for a few moments. Remind yourself of the good times you've had and think of one thing you really love about them, then let them know it.

www.independent.co.uk
By Dr Cecilia d'Felice
Published: 23 December 2007

22 dezembro 2007

Corpulento

21 dezembro 2007

Eastern Promises


Eastern Promises se calhar merecia outro tipo de comentário, mas na verdade é bom ver um filme em que a pele que se expõe é a de um homem. De mulheres nuas nos filmes já estamos fartas.

19 dezembro 2007

Um Objecto, Muitas Memórias

Tenho recebido o refugo de várias pessoas para poder ter uma casa habitável. Muitas coisas que me vão ser muito úteis na minha casa vêm da casa de alguém que me quer ajudar a juntar o suficiente para sobreviver num lar novo e construído com um orçamento reduzido.

A minha mãe trouxe-me ontem, entre muitas outras coisas, uma panela cor-de-laranja em aço fundido. Disse-me para ter especial atenção a esta dádiva. Vem com valor sentimental agarrado. Era a panela onde a minha mãe, quando estudava em Leiden, cozinhava para as amigas. Deu-ma para que agora pudesse cozinhar para as minhas.

Esta panela faz parte das recordações da minha mãe mas também das minhas. Era onde se faziam pipocas ao sábado à tarde. Polvilhadas com açucar amarelo eram servidas numa tabuleiro redondo grande, na mesa da cozinha. Eu e as minhas irmãs punhamos os joelhos em cima dos bancos e debruçadas para alcançar o centro da mesa, ficavamos com a cara e as mãos lambuzadas e pegajosas...

Já não se fazem panelas assim. Que duram 40 anos de cozinhados e recordações.

Não trago mais garrafas de vinho tinto para jantar

A minha mãe está há mais de 15 minutos a ver as Televendas. E até me perguntou se eu queria um AeroDry...

16 dezembro 2007

Metadona

Cláudia: Mais uma vez não sei o q escrever no meu blog

Ele: Escreve que tens um amigo que está apaixonado e isso faz com que ele faça tudo o que não faz normalmente...ou então escreve que ninguem te liga nenhuma

Claudia:Ou que o único que eu quero que me ligue, não liga

Ele: Sim, sim, mas não sejas assim tão óbvia

Claudia: Porquê? Ele não lê o blog...

Ele: Se meteres que ninguem te liga vais ter uma data de gente a ligar-te. É tipo metadona. Não é a droga a sério mas ajuda.

Claudia: :)

A Walk Down Memory Lane

12 dezembro 2007

Música para Quarta-Feira à Tarde



Cassette - Sometimes

Parental Guidance ou Porque Não Posso ser Mãe


Ontem deitei-me depois das 5 da manhã. Hoje recebi a visita habitual do meu sobrinho no meu quarto, às 9h.

João – Porque é que ainda estás deitada?
Eu – porque estou cansada.
João – vou tirar os sapatos e deito-me ao teu lado...
...
João – Vamos ler um livrinho...
Eu – Hoje não me apetece Joãozinho...
João – anda lá, vamos ler um livrinho...

Tiro o portátil do chão, ligo-o e coloco-o ao lado da almofada. Vou ao site YouTube e procuro “desenhos animados”.

João - (a cantar) Hakuna Batata!! Hakuna Batata!!
Cláudia, abre os olhos! Assim não vês os desenhos animados

Eu – Estou a ver. Estou a ver...

Deitei a cabeça e fechei os olhos outra vez. Tentei descançar ao som de Joana Come a Papa, Rei Leão e Avô Cantigas. Quando estava quase a dormir comecei a ouvir a música do Looney Tunes, a voz do Bugs Bunny, tiros e explosões...

Não tive energia para me mexer e ver se os desenhos animados eram adequados para uma criança de três anos. Ouvia violência a mais. Pensei que a minha irmã não ia achar muita piada ao que eu estava a mostrar ao filho dela. Mas estava tão cansada e mal disposta que decidi continuar a dormir. “Parental Guidance” não pode ser praticado com 3 horas de sono.

09 dezembro 2007

07 dezembro 2007

Livros

Hoje fui à Fnac comprar prendas de Natal. Já aprendi há algum tempo que consigo comprar livros mais baratos se procurar as versões originais (não traduzidas). No meios dos livros em inglês, encontrei The Wind in the Willows. E fiz uma viagem ao passado.

Comecei a gostar de ler muito mais tarde do que as minhas irmãs. Só por volta dos 15 ou 16 anos comecei a passar muito tempo com os livros. E só uns anos mais tarde, já bastante mais velha do que elas li o que já tinham lido. Fiquei com pena de o não ter feito antes, quando os livros eram importantes para a minha formação e para a leitura que podia fazer do mundo. Achei que livros como Brave New World, do Aldous Huxley podiam ter tido um impacto muito diferente se os tivese lido mais nova. Numa altura em que precisava de compreender como funciona o mundo.

Comecei a ler livros infantis da Sophia de Melo Breyner, Os Cinco, Uma Aventura, mas seguiu-se um espaço de alguns anos em que não li nada, até voltar a gostar de ler, uns anos mais tarde.

Porque tenho necessidade encontrar explicação para tudo e de arranjar forma de me livrar da culpa do que fiz ou não, sempre expliquei estes anos de escuridão literária com The Wind in the Willows. Como tentativa para me pôr a ler, a minha mãe, preocupada com o meu estado de estupidificação, deu-me este livro. Pensou que me ia cativar mas acabou por me pôr nas mãos um livro entediante que me traumatizou e me tirou a vontade de voltar a ler durante alguns anos.

Nunca mais me esqueci deste livro. Era pesado e chato, tinha a capa dura e gasta nas pontas e cheirava a mofo. Nunca passei dos primeiros capítulos. Foi o culpado do meu atraso literário.

Depois de passar o trauma, o período de recuperação foi longo mas voltei a gostar de ler. Li tudo o que a minha mãe tinha nas estantes. Hoje na Fnac lembrei-me de como vivi sempre com tão pouco. Só aos 25 anos tive dinheiro para comprar os meus livros. Ia à waterstone na Princes Street em Edimburgo e comprava muitos livros. Os que eu queria ler e não os que a minha mãe gostava de ler. Descobri um mundo novo. Livros sobre o que me preocupava ou interessava.

Hoje trouxe para casa um livro do Philip Roth. Para mais uma vez poder esquecer a minha vida aborrecida e viver a vida de um personagem de ficção qualquer.

01 dezembro 2007

Não saber o que sentir

Uma tarde tocaram à campainha. A minha mãe cozinhava qualquer coisa enquanto eu desenhava na sala. Tinha sete anos e o mais provável era estar a fazer os trabalhos de casa. A minha mãe abriu a porta ouvia-a falar com a vizinha. Fechou a porta e sentou-se ao meu lado. A minha professora da escola primária tinha morrido. A minha mãe deu-me a notícia com o braço nos meus ombros, sentadas no sofá. Mas alguma coisa queimava numa panela da cozinha e ela saiu a correr.

Fiquei sozinha na sala, com as mão debaixo dos joelhos, a olhar para o chão. Não sabia se era normal ter vontade de chorar. Nunca me tinham explicado o que era suposto sentir quando se vai embora alguém de quem gostamos mas que não faz parte da família, e tive vergonha de chorar. Segurei as lágrimas, com um nó na garganta. Quando a minha mãe voltou eu continuei a olhar para o chão porque não fui capaz de mostrar que tinha vontade de chorar. Não sabia o que sentir.

Numa situação bastante diferente, voltei a sentir-me assim hoje. Sem saber o que é suposto sentir. O que sentem os outros na mesma situação. Chorei. Só consegui segurar as lágrimas até chegar à minha secretária. Fechei a porta do escritório e chorei um bocadinho. Esfreguei a testa com a ponta dos dedos, repirei fundo e continuei a trabalhar.

Agora estou em casa sentada na cama a olhar para o chão. Sou adulta, mas continuo a não saber o que sentir.

30 novembro 2007


28 novembro 2007

25 novembro 2007

Depois de uma semana de férias, amanhã volto ao trabalho


Ser Feminista

Um estudo da Rutgers University em New Jersey, descobriu que os homens com parceiras feministas têm relações mais estáveis e maior satisfação sexual. Descobriu-se portanto que as feministas são mais felizes no amor e na cama. (ver artigo de Libby Brooks no Guardian de 15 de Novembro).
...
Desconfio sempre destes estudos até porque certamente não será dificil encontrar um outro que prova o contrário. Mas pelo menos é bom saber que há homens que não acham que uma feminista é uma mulher com pelos nas pernas, que detesta homens e que não quer cozinhar nem aspirar a casa. Como muitas vezes pensam que eu sou.
...
Fico também com medo de ser confundida com uma mulher que lê a Cosmopolitan e que acha que ser feminista é ter uma carreira de sucesso, montes de bens que ela própria adquiriu, um personal trainer, e que pensa que a monogamia é coisa do passado. Tenho receio que pensem que feminismo é imcompativel com amor romântico, com uma vida a dois, muitos filhos e com a vontade de passar as tardes a fazer bolos para a família. O importante é perceber que a vontade de ter amor/filhos/uma relação, ou a vontade de ser “feminina” sem ser objectificada, não é anti-feminista e só nos fará perder poder se acharmos que só o conseguimos se perdermos outras coisas que nos valorizam como pessoas.
...
Esta descrição da mulher “Cosmopolitan” é a de uma mulher que não percebeu que o feminismo era suposto melhorar a nossa vida e não complicá-la mais. Ser feminista devia começar por entender as diferenças entre os homens e as mulheres e não necessariamente querer igualdade onde talvez não possa existir. As mulheres que pensam assim são as primeiras vitimas da sociedade patriacal que eu gostava que mudasse. Uma sociedade onde se avalia o que alcançamos na vida pelo tamanho do nosso carro, pelo número de quartos do nosso apartamento de luxo e pelo degrau hiérarquico que alcaçamos na empresa onde trabalhamos. E que pensam que as mulheres só são iguais ao homens se quiserem ter uma vida sexual sem ligação amorosa. Ser feminista é acreditar que temos, desde que somos raparigas novas, a capacidade para decidir o que queremos e o que é melhor para nós. Porque a felicidade não é alcançada de igual forma por todos e porque não devia ser apenas a intolerância da comunidade onde vivemos que decide isso por nós.
...
Eu auto-identifico-me como feminista (e admito a presunção) simplesmente porque acredito que na igualdade de direitos (muito para além daquilo que a legislção poderá fazer neste sentido). Acho que sou feminista porque me interesso por temas como a autonomia das mulheres, com os direitos, liberdades, tolerância, divesidade, violência doméstica, estereótipos, sexualidade, descriminação, sexismo, objectificação, patriarquismo, aborto, reprodução, controlo sobre o corpo, igualdade de salários, prostiuição e igualdade de oportunidades.
...
Não estou a tentar mudar a opinião de ninguém. Não estou a tentar dizer nem criar nada de novo. Deixo isso para as intelectuais que se debruçam sobre este assunto. Para as escritoras que abordam este tema, ou para as jornalistas ou mulheres na política. Eu não sou nada disto, sou uma pessoa normal com um emprego normal e uma vida normal, que não luta para mudar o que quer que seja. Mas tenho uma opinião. E esta é a minha.

24 novembro 2007

Retro Feminism



-“Eu sou o homem desta casa, por isso, a partir de amanhã, eu quero que tenhas pronta uma refeição quente e deliciosa para mim, no segundo em que eu entro por aquela porta...
Depois, enquanto vejo TV e relaxo no sofá, vais trazer-me os chinelos e depois preparas-me um banho. E quando eu tiver acabado de tomar banho, adivinha quem me vai vestir e pentear o meu cabelo?


- “O agente funerário.”

22 novembro 2007

Uma Repetida Para o Natal Que se Aproxima

Crónica Prendas

Como se está a aproximar o Natal, lembrei-me que tinha que começar a pensar nas prendinhas que quero oferecer aos meus entes queridos. Adoro comprar prendas e pensar no que vou dar a cada uma das pessoas na minha lista. Também gosto de receber prendas claro. Acho este dar/receber prendas uma actividade muito interessante. Principalmente quando me ponho a imaginar as pessoas a comprá-las!!
Um amigo meu ofereceu-me recentemente um dromedário de peluche que trouxe da Tunísia. Não consigo parar de rir cá para dentro a imaginar este verdadeiro macho latino num souk de Gabés a negociar a compra de um boneco felpudo!!
Também foi muito giro o Natal em que o meu pai ofereceu uma camisa de dormir à minha mãe. A reacção inicial das manas Antunes foi silencio por alguns segundos e depois aposto que nos deu vontade de rir a todas (eh eh pensei eu)!! Não consigo mesmo imaginar o meu pai, esse senhor tão conservador e guardião das intimidades da sua vida, numa das lojas de roupa interior antiquadas daqui da Aldeia, a comprar uma camisa de dormir com estilo de velhota para a minha mãe.
Mas cómico mesmo foi quando fui a uma dessa lojas bafientas de roupa interior aqui da terra, na semana a seguir ao Natal, altura em que se trocam muitas prendas indesejadas. Estava eu na Bela Meia, loja do centro da cidade que não muda de aspecto desde os anos 70 e onde trabalham as mesmas senhoras desde que me lembro, quando ouço a conversa dos clientes que estavam à minha frente. Era um casal no final dos 40, com meio metro de altura e meio metro de largura que tentava trocar a langerie que o marido tinha oferecido à esposa, no tamanho errado. E dizia-lhes a senhora baixota da loja: "Pois, este tipo de lingerie não é muito confortável, mas também não é para usar no dia-a-dia. É mesmo só para ocasiões especiais". E mostrava em cima do balcão algumas peças de roupa interior sexy (dependendo do gosto de cada um!!). Eu assim a modos que fiquei meia mal disposta uns segundos a imaginar aquelas peças rendadas e reduzidas em tamanho, numa senhora tão baixa e gorda. Depois deu-me vontade de rir e depois…fiquei enternecida e até me senti culpada por ter rido.
Espero que daqui a 20 ou 30 anos haja algum senhor que, apesar de eu já não ter a forma física que tinha aos vinte, me compre prendas assim e que ainda goste de olhar para mim vestida com uma lingerie vermelha, com renda em nylon.

21 novembro 2007

De volta

Foi como se a cidade não quisesse que eu partisse desiludida. Na última noite, como é costume nas minhas viagens, fui jantar bem e fazer mais uma última caminhada pelas ruas iluminadas.

Sentei-me num banco alto na “barra” da Taverna de La Reina” e comi as melhores tapas de sempre. De uma vitrina ia tirando o que me apetecia comer e iam-me servindo cervejas em copos pequenos. No fim contavam-se os palitos que ficavam no prato e pagava-se a conta. Fui ainda comer churros com chocolate quente na esplanada de uma praça antiga.

20 de Novembro é o aniversário da morte de Franco. Uma manifestação dos ultras fazia-se ouvir, com tambores e palavras de ordem. Descemos juntos pela Calle de La Paz até eu chegar ao hotel.

Sentei-me no bar e bebi mais uma cerveja. Quando estou feliz é mais fácil deitar a cabeça na almofada. Fui dormir.

Agora estou de volta a Espinho. Decidi alugar a casa isolada que fui ver há umas semanas atrás. Descobri que gosto de estar sozinha. É assim que me sinto melhor e há pessoas que não foram feitas para estar no meio de outras.

20 novembro 2007

Institut Valencià d'Art Modern



Tono Sanmartín - a lla manière del segle XVIII

19 novembro 2007

Férias Em Época Baixa

Ir de férias no Inverno é óptimo. Com sorte nao chove. Os hóteis estao pouco cheios (acabei por partilhar o meu qurto para 8 apenas com uma mexicana), as ruas sossegadas e nao há filas para os museus.
Nao consigo parar de me espantar com sujidade dos cafés em Espanha. E eu que sou tao dada à leitura nos cafes durante as ferias. Adoro as árvores de Valencia, principalmente as palmeiras. Hoje nao fiz mais nada para além de caminhar. Parei agora porque tenho bolhas nos pés. Comprei um sumo de ananás e umas tostas e vou tentar arranjar um sofá no bar da pousada.
Estou a ler mais um livro do Houellebecq. Com uma companhia destas, nao me consigo aborrecer.

Valencia II




18 novembro 2007

Valencia

Já estou cá. Com pouca vontade e pouco impressionada. Cheguei já estava escuro por isso dou o benefício da duvida. Pode ser que à luz do dia a cidade me pareca diferente.

Estou no bar do hostel onde decidi ficar. Tem internet muito barata. Um ponto a favor. A mobilia e da ikea. Um ponto a desfavor. Devo ser o hóspede mais velho. Um ponto a desfavor. Divido o quarto com mais 7 meninas e fiquei com a cama de cima. Muitos pontos a desfavor. AS coisas estupidas que me lembro de fazer...já nao tenho idade para isto.

Nem paciencia para escrever com um teclado com mais de metade das letras apagadas pelo uso.

Mas como vim só para arejar as ideias, vao ser uns dias agradáveis. Nem que para isso tenha que beber muita cerveja e comer muitas tapas.

Uma noite nesta pousada certamente me vai dar ideias para crónicas. Volto amanha.

15 novembro 2007

Escrever sobre nada

Não consigo escrever sobre nada. Podia escrever sobre as folhas das árvores e como ficam coloridas no Outono, ou sobre como a máquina de lavar a louça no restaurante avariou e eu lavei tantos tabuleiros à mão que nessa noite sonhei com riscas brancas e cinzentas, ou sobre como ando a dormir 10 horas por dia e não consigo ir ao ginásio por causa da asma, ou as taças de louça de Sacavém que eu resolvi coleccionar, ou sobre a casa que nunca mais vou ter apesar de já saber toda a mobília que lhe quero pôr dentro, sobre os dias que vou passar a Valencia porque ando com um ataque forreta e escolhi a viagem mais barata que encontrei na Ryanair, sobre o aparelho para os dentes que vou ter que usar todas as noites, sobre a preocupação que sinto por estar cada vez mais gorda e mesmo assim não consigo ter força de vontade para comer melhor, sobre como me acomodei à vida estúpida que levo, a falta de vontade de mudar as rotinas a que me habituei, sobre como o meu carro não passou na inspecção e, de acordo com um amigo, é mesmo coisa que só acontece às mulheres, sobre o casaco de inverno que comprei há uns meses atrás mas que ainda não consegui usar porque está calor demais, o meu trabalho que gosto cada vez mais, a viagem de 60 km diária para lá chegar que cada vez gosto menos, ou sobre como lendo este texto me apercebo que tenho uma vida muito normal.

13 novembro 2007

Não gosto de ficar tanto tempo sem escrever mas estou a trabalhar 7 dias seguidos à noite e o resto do tempo estou à procura de casa. Esta combinação de factores não me deixa muito tempo para pensar em crónicas.

Amanhã escrevo qualquer coisa. Prometo.

07 novembro 2007

O meu retrato por John Kenn Mortensen

John Kenn Mortensen, um dinamarquês que realizou o filme Fishing With Spinoza, exibido no Cinanima - Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, viu-me por lá hoje e decidiu fazer o meu retrato. Eu hoje acordei a sentir-me assim. Deve ser porque estou constipada, barriguda e a precisar de aparelho nos dentes.

Roubado do blog Colectivo Feminista

Espinafres

Já há muito tempo que me apercebi que o mundo não foi desenhado para os solteiros. Apercebi-me disso quando comecei a ter que comer espinafres ou agriões durante vários dias seguidos para não ter que os deitar fora. No Sainsbury´s onde fazia as compras em Edimburgo, os sacos de legumes frescos eram grandes e as doses pensadas para uma família. E sacos de espinafres pequenos, não há? hmm, entendido! Tenho que comer espinafres durante três dias.


Hoje tive um ataque de mau humor, depois de uma tarde passada com uma senhora de uma imobiliária e de umas horas a fazer simulações de crédito à habitação. "Esta casa é ideal para um casal em início de vida". Então e uma casa para uma pessoa sozinha em início de vida, não há? Início de vida?? E eu a pensar que a minha vida já tinha começado há muito.


Não quero comer espinafres vários dias e não quero alguém para partilhar a prestação da casa. Mas o mundo não foi feito para gente assim. E também há quem diga que os espinafres se podem congelar.


03 novembro 2007

Conversas Matinais

S diz: vou tomar cafe. que senao nao funcemino
Claudia diz: vais onde? eu queria uma meia de leite e uma torrada
S diz: queres bire? anda comigo
Claudia diz: opá, ainda não tomei banho... e tou toda remelosa
S diz: e? ...eu também nao tomei. Lavei a cara...
Claudia diz: e???? experimenta trabalhar num restaurante treze horas, chegar a casa, ir para a cama sem tomar banho e dormir doze horas com dois edredons
S diz: tu ÉS TAO EXAGERAQDA. SABES DISSO NAO SABES?
Claudia diz: EU CHEIRO A BATATA FRITA!
S diz: O BOMBAR É AO AR LIVRE!
Claudia diz: NÃO INTERESSA! CHEIRO A BATATA FRITA AO AR LIVRE!
S diz: VOU SAIR
Claudia diz: CIAO!
S diz: SE FOSSES RAPIDA IA TE BUSCAR
Claudia diz: VOU TOMAR BANHO
S diz: te foda! parece uma velha. sempre ah e tal, tenho q fazer isto e isto e isto...grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
Claudia diz: Pareço uma velha PORQUE GOSTO DE TOMAR BANHO?

How Women get Away With Farting



What´s that smell...what´s that awful smell?

01 novembro 2007

Constipação de Homem



Man Stroke Woman

30 outubro 2007

Sorriso Metálico Só Para o Ano

Depois de ver montes de fotos minhas no consultório da ortodontista, de ver o molde dos meus dentes, de os achar muito bonitos e de descobrir que não tenho nenhuma cárie, acabou o suspense. Aparelho só para o próximo ano. Para já tenho um tratamento de quatro meses para me tirar as dores.

800 euros é o orçamento para este ano. Depois há mais.

Desde que signifique que a partir de agora consiga dormir de noite sem dores...e desde que consiga esquecer a quantidade de coisas que vou ter que deixar de fazer...

28 outubro 2007

A Minha Galinha Teresa

Quando era pequenina, devia ter 6 anos, o meu pai foi à feira de Espinho e comprou três pintainhos. Lembro-me de ir no banco de trás do carro, com o saco de plástico que os carregava nos joelhos e sentia aquelas patinhas pequeninas nas minhas pernas. Eram amarelos e fofinhos e ficaram alojados no galinheiro da casa da minha avó.

Era uma pintainho para cada uma das irmãs. Demos-lhes nomes, demos-lhes couves de comer e vimos crescer os três pintos até se transformarem numas galinhas muito feias. Para além de um peixe vermelho que se chamava Soares (porque era fish), aquela galinha foi o único animal de estimação que eu tive.

Quando ficou velhinha demais para dar ovos, a minha avó meteu-a numa panela, com o intuíto de dar de comer aos meus primos todos, num dia de festa qualquer.

“Olha Claudinha, a tua galinha está tão velha e dura que tenho de a cozer nesta panela durante seis horas!” Eu espreitei para dentro da panela, cheia de água a ferver, onde bolhas de gordura boiavam, e vi a minha galinha depenada, a cozinhar para ficar tenrinha.

Lembro-me de a comer sem o mínimo sentimento de culpa. Não sei se me soube bem, não me recordo. Mas comer o meu animal de estimação, naquela altura, pareceu-me a coisa mais normal do mundo.

27 outubro 2007

26 outubro 2007

Sexta-Feira às compras


Recebi um e-mail que terminava assim:

"Quando parares de te queixar, tornas-te mais atraente."

Eu achei mais fácil ir comprar um vestido novo.

25 outubro 2007

Quinta-Feira à Tarde



Hoje fui à Baixa do Porto, e passei pelo mercado do Bolhão. Fui lembrar-me de como realmente Portugal é. Um mercado sujo e velho mas onde as frutas e legumes estão reluzentes e bem arrumadas. O tempo esqueceu-se de por lá passar . Vendem-se batas e aventais, flores, galos de Barcelos, chouriços e malagetas penduradas aos fios onde foram cosidas para secar. As pombas guardam a entrada e as velhas sentadas em banquinhos conversam. Fui ouvindo frases soltas enquanto passava pelas bancas, de mãos nos bolsos:



(uma senhora cabisbaixa e um outra reconfortando-a, colocando-lhe a mão no ombro)
- Oh Mulher! Não digas isso que Deus não gosta!!


(três velhotas sentadas à volta dos legumes)
- Precisamos de um homem com boas pernas!
- O Aurélio...
- O Aurélio tem pernas jeitosas?
- Não sei, sempre que o vi, estava de calças.



(enquanto varria o chão)
-(*suspiro comprido*) Ai! Nunca mais morremos!



Na baixa do Porto só ficaram as velhotas que já lá moram há muitos anos. As ruas estão cheias de gente que lá pertence. O resto são estudantes a ver montras, parolos do Porto a caminho de algum lado, pedintes e drogados com ar esgazeado. Passeei-me no meio deles como se não estivesse lá, pelas montras das lojas de miudezas, das sapatarias, mercearias, vestidos de noiva e vendedores de castanhas.



São estas coisas que me lembram a Baixa do Porto. Que fantástico sería se pudesse lá morar. Num prédio de fachada imunda, numa rua mal estimada qualquer.

Citações para quando não sei o que escrever

Il y a des choses qu´on peut faire, et d´autres qui paraissent trop difficile. Peu à peu, tout devient trop difficile; c´est à cela que se résume la vie.

Michel Houellebecq - Plateforme

23 outubro 2007

Não compreender o funcionamento da vida em sociedade

Escher (Relativity, 1953)


Hoje disseram-me que me falta um módulo da vida.

Explica muita coisa.

22 outubro 2007

Porque é que eu não gosto de férias?

Ter que acordar e inventar qualquer coisa para fazer. Pelo menos quando não estou de férias sei que de manhã tenho que tomar banho, vestir-me e meter-me no carro para ir trabalhar.

Ter tempo demais para pensar em coisas inúteis e ficar deprimida. Pelo menos quando tenho que trabalhar, penso em trabalho e acabo o dia tão cansada que não tenho tempo para deprimir.

Ter que gastar dinheiro para me entreter. Pelo menos quando tenho que trabalhar não gasto, ganho.

Ter que me lembrar de carregar o telemóvel porque me podem telefonar do trabalho. Pelo menos quando estou a trabalhar, não me ligam do trabalho porque…eu estou lá.

Ter que fazer as coisas que não fazemos quando estamos a trabalhar porque não temos tempo, como por exemplo, lavar o carro. Pelo menos quando tenho que trabalhar, tenho uma desculpa para ter o carro nojento.
Ter que inventar desculpas para não ir ao ginásio. Pelo menos quando estou a trabalhar, sempre posso dizer que não cheguei à aula a tempo porque tinha muito que fazer.

Ter que responder à pergunta “Estás a gostar das férias?” e (a) ter que mentir ou (b) dizer que não gosto de férias e que preferia estar a trabalhar e correr o risco de parecer doida. Pelo menos quando estou a trabalhar e me perguntam “Estás a gostar do trabalho?” eu posso responder (a) Estou a gostar ou (b) Quem me dera estar de férias, e qualquer uma destas respostas parece normal à maioria das pessoas.

21 outubro 2007

Música para uma tarde com a minha irmã



Cocteau Twins - Lorelei

20 outubro 2007

Pimenta na boca dos outros, para mim é refresco

Ser solteira e querer deixar de o ser torna-se cada vez mais complicado. Não me parece que quem teve sorte de se apaixonar aos 20 perceba o conflito interior das mulheres solteiras com mais de 30.

Acabo sempre por me sentir amoral por tentar procurar alguém para me fazer companhia. Admitir que não estamos bem assim não nos fica bem. Temos que procurar contentamento nos amigos, no trabalho, nas aulas do ginásio ou de pintura ou de fotografia. Uma mulher actual não se sente sozinha mas sim realizada. São as mulheres independentes. Não querer estar sozinha é fraqueza. Andamos tantos anos a tentar provar que não precisávamos de casar e ter filhos para sermos felizes portanto não se pode admitir esta grande fraqueza. Ainda por cima, são poucos os homens que querem o mesmo.

Já aprendi há muito tempo que não posso deixar de fazer o que gosto por falta de companhia. Viajo, vou ao cinema, faço compras e tomo todas as decisões sozinha. E faço-o muito bem.

Acabei por entrar num estilo de vida que não foi o que a minha educação me ensinou. Gosto de sair à noite, de beber até ficar levezinha, gosto que alguém me convide para jantar sem querer conhecer a minha família e gosto de ter alguém que me aqueça os pés à noite. Mesmo que seja só aquela noite porque mais sei que não vou ter.

Tenho a certeza que não sou a única mulher confusa com o que é esperado de nós. Mas acho que os homens também andam desorientados. Esqueceram-se de lhes explicar as consequências de se passar uma noite com uma mulher. Ou pelo menos esqueceram-se de lhes ensinar como lidar com a situação de forma correcta. Abandonam-se os filhos, espalham-se doenças e causam-se mossas emocionais. Também não foram avisados que nem todas as mulheres querem casar depois de uma noite de sexo. Mas uma palavra simpática no dia seguinte fica sempre bem. E depois disto tenho vontade de pedir a alguém que tenha escrito algo como “Boas Maneiras à Mesa” para escrever “Boas Maneiras nas Relações de Curta Duração”. Parece-me ser uma necessidade dos dias que correm.

Também ainda tenho esperança de um dia conhecer um homem que tenha a coragem de assumir as consequências de ter partilhado, de forma irreflectida, intimidade com uma mulher apaixonada. É sempre mais fácil ignorar, porque a dor dos outros não nos perturba. Pimenta na boca dos outros, para mim é refresco.

19 outubro 2007

Algo Estranho se Passa no Reino Claudipédia

Hoje fui ver duas casas para alugar. Fui com expectativas muito baixas porque sei que o que posso pagar não me vai dar direito a um grande palácio.
Acabei por ter uma surpresa. A primeira casa era razoavelmente grande mas muito velha e mal cuidada. Fiquei de dar resposta porque gostei da localização.
A segunda casa era exactamente o que eu estava à procura: a localização, o espaço, a idade, o chão..tudo!!! Até tinha o meu nome escrito na porta!! (Bem, na minha imaginação, tinha). Depois dizem-me que há uma pessoa interessada em comprar e que por isso tem prioridade. Snif snif!! Mas, mas, mas ..eu quero muito a casa! É a minha cara!! "Sim, eu percebo. No Domingo já lhe dizemos qualquer coisa. Se o comprador desistir, o apartamento é seu." Mas mas mas ...eu dou-lhe os dois meses de renda na segunda-feira! "PErcebe que temos que esperar uns dias" Mas mas mas e o meu nome na porta? Não quer dizer que a casa é para mim?? (Ok, esta parte não disse, que eu ainda sei quando tenho que esconder a minha insanidade.)
Decidi que vou ficar em casa dos meus pais mais uns meses. Vou esperar que apareça outra casa com o meu nome na porta. De outra forma não vale a pena.
Ultimamente as minhas prioridades mudaram. Já não quero pensar na próxima migração, nem em não assumir compromissos com alguma coisa que implique ficar no mesmo sítio mais que dois anos. Quero uma casa só para mim. Quero comprar uma máquina de lavar a roupa, um sofá, um aspirador e cortinados. Imaginem lá que para a próxima semana vou usar um dia das minhas férias para ir ao banco fazer uma simulação para um crédito à habitação. Algo de estranho se passa comigo. Para quem me conhece, nem preciso explicar muito. Acho que ninguém esperava que eu tivesse estes desejos tão cedo. Quem não me conhece, basta ler os posts que escrevia há um ano atrás.
Não me sinto a mesma. Mas não me sinto pior. Tenho medo.

O Fenómeno do Bule de Chá nos Cafés de Portugal

Sou bebedora viciada de chá. À noite em casa, faço um bule de um litro e bebo-o facilmente sozinha em duas horas, em frente ao computador. Gosto de beber chá preto de manhã e um chá mais levezinho de noite, Jasmim, Gunpowder Green, ou Gorreana por exemplo.

Raramente bebo café e quando me sento numa esplanada, peço um chá para acompanhar a leitura. Normalmente são chás de má qualidade, nada que se compare a um Twinings ou Jackson´s of Picadilly. Mas um Tetley, quando tem que ser, ainda se tolera.

O que não se tolera são aqueles frasquinhos metálicos onde nos trazem uma quantidade mínima de água quente e que sempre, mas sempre, entornam o chá por todo o lado. Tento com a tampa aberta, com a tampa fechada, com o bule mais cheio ou menos cheio, mas metade da água vai para cima da mesa, ou do pires, ou do livro que estou a ler.

Os bules não são todos iguais. São semelhantes mas nota-se que vêm de fornecedores diferentes. Todos partilham esta característica de falta de funcionalidade. Será que os fabricantes de bules para chá dos cafés de Portugal competem para ver quem produz o mais disfuncional bule de todos? Não consigo perceber este fenómeno e parece-me que estou destinada a sair dos cafés (que gosto tanto de frequentar), com pingas de chá nos sapatos e de ficar com marcas castanhas nas páginas dos livros.

Apelo a todos os donos de cafés para visitarem este site e abandonem o mau design para sempre. Obrigada.

18 outubro 2007

Novo Look

O meu blog tem um novo look dourado. No cabeçalho temos A Noiva Judia, do Rembrant (ou pelo menos uma parte do quadro) e as cores tentam fazer com que o blog seja mais fácil de ler.

Acabei por me divertir umas horitas para conseguir pôr o meu diário virtual com este ar de esperança. Gosto muito de dourado e gosto muito dos quadros do Rembrant.

Hoje já me sinto mais animada. Já decidi qual o laptop que vou comprar, já consultei o saldo bancário e amanhã vou à loja de informática e trago um amigo novo para casa.

Esta tarde estive a fazer um orçamento para mobilar a casa nova (que ainda não tenho mas que hei-de conseguir) e já me doi o bolso. Por outro lado, é óptima a sensação de poder comprar todas estas coisas apenas com o que foi ganho com o suor do meu rosto.

Ter vontades de adulto sai caro e implica fazer alguns sacrifícios. Mas às vezes sabe bem.

Asneira parte II

Já consegui por isto melhorzinho. Mas já estou cansada. Amanhã há mais. Agora vou fazer as coisas a que me comprometi nestas férias. Tudo coisas importantes: cortar o cabelo, alugar uma casa (já tenho duas visitas a apartamentos marcadas!), comprar um laptop e ir muitas vezes ao ginásio.

Vou começar com a ida ao cabeleireiro. Até já.

17 outubro 2007

Asneira!

Hoje, ao tentar mudar ligeiramente o meu blog, fiz uma grande asneirada e mudei tudo. Já estou com os olhos em bico, de tanto tentar pôr o blog como estava antes. Para já fica assim, sem muita piada, mas amanhã volto a pôr as mãos à obra. Já sei que as cores e as margens não estão bem, mas amanhã prometo que fica melhor. É que agora, já me doi a cabeça.

15 outubro 2007

Violência Doméstica

Lo que Dios ha unido que no lo separe el hombre.

Cinzento Escuro

E mais uma vez decidi mudar os tons do blog de acordo com o meu estado de espírito. Acaba sempre por ser piroso, mas a vida ganha cor com uma certa dose de pirosice. Já esteve cor-de-rosa, amarelo e verde mas desta vez perdeu a cor. Estou numa fase muito escura.

Sinto-me estranha e estranho também é ter tido vontade de publicar uma foto minha. Mas esta, lembra-se um dia em que estava feliz. E de vez em quando preciso de me lembrar de dias assim. Nem que aconteçam só uma vez cada cinco anos.


Ele - Foto gira!
Eu - Obrigada. Já tem pelo menos um ano. Foi tirada num dia em q estava feliz
Ele - Pareces, embora não dê para ver muito bem, mas pareces.

Eu - Não sou nada fotogénica, mas fico sempre melhor nas fotos quando estou feliz.
Ele - Anyway, hapiness is overrated

14 outubro 2007

Francesco Furini - Lot e as suas Filhas, 1635

Museu do Prado, Madrid

12 outubro 2007

Sensação de vazio

Hoje tive um daqueles dias em que trabalhei tanto e tantas horas que quando cheguei a casa a sensação de vazio e de vida sem rumo se mostrou com mais força. Amanhã tenho folga e mais uma vez preferia ter que ir trabalhar.
Um colega da minha equipa tem a mãe muito doente. Estavamos os dois a queixar-nos por termos tanto que fazer no trabalho. Eu respondi-he que pelo menos assim, não tinhamos tempo para pensar na vida. Rimos-nos por uns segundos os dois juntos. Sou capaz de jurar que os meus problemas desaparecem com o volume do trabalho enquanto os dele...não lhe saem do pensamento. Estava-lhe escrito no rosto.
Às vezes as dificulades da vida de um rapaz novo são suficiente para amenizar aquilo a que chamo a dor da minha vida.
Sou sentimenal em tudo o que faço e tomo todas as decisões seguindo o que me diz o coração. Até no trabalho sou assim. Até ao dia de hoje, tive muitas desilusões. Mas nenhuma foi capaz de descompensar as satisfações que me trouxeram as minhas escolhas.

Apeteceu-me partilhar isto com vocês

Saí de casa esta manhã a pensar num milhão de coisas. Meti-me no carro e quando já estava no cimo da rua 19, apercebi-me que não tinha gasolina, o ponteiro bem no fundo no vermelho. Viro na bomba de gasolina da BP, saio do carro, ponho 30 euros de gasolina sem chumbo 95, volto a entrar no carro e arraco pela rua acima.

Que vergonha!!!!!!!!!!!!!!!!!! Esqueci-me de pagar!!!!!!!!!!!!!!

Uns metros depois apercebi-me do que tinha feito. Parei o carro numa rua qualquer e fui a correr para pagar a dívida. Já estava o segurança a tratar da ocorrência.

Se não tivesse já saído de tantos cafés sem pagar a conta até ficava admirada. Numa bomba de gasolina foi a primeira vez...

11 outubro 2007

F****** pá! Tou com uma neura!Já falhei a um dos testes!

Hoje acordei de manhã decidida a escrever um texto sobre como me ando a sentir. Estou sentada em frente ao computador há mais de uma hora e ainda não produzi uma única frase. Não percebo nada sobre o assunto sentimentos. Sei qual é um dos problemas que me está deixar tão desconfortável com a vida e sei como o resolver. Mas não sou capaz de fazer alguma coisa para procurar casa. Estou a precisar urgentemente de mudar mas ainda não houve um único dia em que me levantasse de manhã e fosse reunir números de telefone e marcar visitas a apartamentos. Preciso também de comprar um computador e está-me a custar gastar o dinheiro. Por último, tenho que ter força de vontade para ficar sozinha e parar de procurar companhia. Este mês é um teste à minha capacidade para mudar. Tenho até ao fim do mês para mudar de casa, tenho duas semanas para comprar um computador e tenho esta semana para provar a mim própria que sei que estar sozinha é melhor do que estar mal acompanhada.
Estou com um ataque de nervos!

10 outubro 2007

09 outubro 2007

lover, you should've come over

hugh macleod
E mais uma vez tive a sensação de acordar ao lado da pessoa errada. Mas como nunca acordei ao lado da pessoa certa, não sei como isso será. Pelo menos do pequeno-almoço vou levar boas recordações. Do restante, ainda não sei. Parece que é preciso 50 anos para se escrever história de forma objectiva. Se calhar daqui a 50 anos vou ter pena de não ter acordado ao lado de mais homens errados. Mas nessa altura espero estar a acordar ao lado da pessoa certa há já muitos anos.

05 outubro 2007

ÂME DJSET - Kristian Beyer (31 - Foz do Porto)


Saí de casa a sentir-me levezinha, passei uma noite levezinha e acordei levezinha. Agora vou à Fundação de Serralves beber um chá. É preciso aproveitar os poucos momentos que estou de bem com a vida.

04 outubro 2007

Cartas de Amor






...
Hoje foi criado um e-mail de onde vão partir mensagens exclusivamente para mim.
"Cá está o e-mail dedicado, em exclusivo, a ti. [...] O ideal era poderes enviar-te a ti própria."
Esta noite vou ter sonhos bonitos. Coisas pirosas assim, deixam-me feliz.

02 outubro 2007

Ética Prática

Costumo usar como marcador de livro qualquer papel que encontre no local onde estou a ler. Costumam ser bilhetes de comboio, de concertos, cinema, museus ou panfletos que estão pousados nos balcões dos cafés.

Desisti de ler “A Casa Verde” que me aborrecia imenso e deixei a página 114 marcada com um bilhete do metro de Lisboa com a intenção de retomar a leitura que já se arrastava há semanas, para quando tiver mais paciência para tarefas árduas. A substituição foi feita ontem pelo livro do Peter Singer “Ética Prática”. Mais uma vez, e por coincidência, deixei a página 114 deste livro marcada para retomar a leitura hoje, porque me sinto apta para leituras filosóficas ligeiras. Usei como marcador uma folha de papel higiénico.


Ética Prática - Peter Singer

01 outubro 2007

Actualização Dentária

Cheguei agora do ortodontista e parece que ainda há a possibilidade de não ter que usar aparelho. Como o meu problema é psicológico, pode ser que me cure com medicamentos e com um aparelho em silicone que uso para dormir.

Mais actualizações no dia 29, data da próxima consulta, para o diagnóstico final.

Até me sinto outra...mais levezinha de preocupações.