Quando era pequenina, devia ter 6 anos, o meu pai foi à feira de Espinho e comprou três pintainhos. Lembro-me de ir no banco de trás do carro, com o saco de plástico que os carregava nos joelhos e sentia aquelas patinhas pequeninas nas minhas pernas. Eram amarelos e fofinhos e ficaram alojados no galinheiro da casa da minha avó.
Era uma pintainho para cada uma das irmãs. Demos-lhes nomes, demos-lhes couves de comer e vimos crescer os três pintos até se transformarem numas galinhas muito feias. Para além de um peixe vermelho que se chamava Soares (porque era fish), aquela galinha foi o único animal de estimação que eu tive.
Quando ficou velhinha demais para dar ovos, a minha avó meteu-a numa panela, com o intuíto de dar de comer aos meus primos todos, num dia de festa qualquer.
“Olha Claudinha, a tua galinha está tão velha e dura que tenho de a cozer nesta panela durante seis horas!” Eu espreitei para dentro da panela, cheia de água a ferver, onde bolhas de gordura boiavam, e vi a minha galinha depenada, a cozinhar para ficar tenrinha.
Lembro-me de a comer sem o mínimo sentimento de culpa. Não sei se me soube bem, não me recordo. Mas comer o meu animal de estimação, naquela altura, pareceu-me a coisa mais normal do mundo.
Era uma pintainho para cada uma das irmãs. Demos-lhes nomes, demos-lhes couves de comer e vimos crescer os três pintos até se transformarem numas galinhas muito feias. Para além de um peixe vermelho que se chamava Soares (porque era fish), aquela galinha foi o único animal de estimação que eu tive.
Quando ficou velhinha demais para dar ovos, a minha avó meteu-a numa panela, com o intuíto de dar de comer aos meus primos todos, num dia de festa qualquer.
“Olha Claudinha, a tua galinha está tão velha e dura que tenho de a cozer nesta panela durante seis horas!” Eu espreitei para dentro da panela, cheia de água a ferver, onde bolhas de gordura boiavam, e vi a minha galinha depenada, a cozinhar para ficar tenrinha.
Lembro-me de a comer sem o mínimo sentimento de culpa. Não sei se me soube bem, não me recordo. Mas comer o meu animal de estimação, naquela altura, pareceu-me a coisa mais normal do mundo.
4 comentários:
Para te aliviar eventual culpa presente deixa-me dizer que eu na 4ª classe para a "feira de talentos" onde os aldeões iam comprar as "obras" dos filhos para dar o dinheiro aos pobres fiz umas esculturas de rolas e pombos extremamente realistas. Várias pessoas ficaram admiradas com a minha destreza e pormenor e fui eleito para representar a minha freguesia a nível municipal.
Chegado lá nova vitória retumbante com o Presidente da Câmara em pessoa a perguntar-se o segredo de tão realistas estatuas. Era simples, disse eu no palco a segurar o microfone. Bastava comprar pombos e rolas, metê-los no congelador durante umas horas e depois aplicar cera líquida. Na altura acharam que a minha estatutária era demasiado realista e tiraram-me o prémio municipal... ; (((
Olha, até ao dia de hoje, n senti culpa nenhuma...
Sempre tive animais de estimação, desde que me lembro de ser gente... Acho que nem em condições extremas os conseguiria comer, são como família para mim... É difícil explicar, só quem tem pode perceber.
Fiquei com muito medo do noiseformind...
S
Enviar um comentário