28 outubro 2007

A Minha Galinha Teresa

Quando era pequenina, devia ter 6 anos, o meu pai foi à feira de Espinho e comprou três pintainhos. Lembro-me de ir no banco de trás do carro, com o saco de plástico que os carregava nos joelhos e sentia aquelas patinhas pequeninas nas minhas pernas. Eram amarelos e fofinhos e ficaram alojados no galinheiro da casa da minha avó.

Era uma pintainho para cada uma das irmãs. Demos-lhes nomes, demos-lhes couves de comer e vimos crescer os três pintos até se transformarem numas galinhas muito feias. Para além de um peixe vermelho que se chamava Soares (porque era fish), aquela galinha foi o único animal de estimação que eu tive.

Quando ficou velhinha demais para dar ovos, a minha avó meteu-a numa panela, com o intuíto de dar de comer aos meus primos todos, num dia de festa qualquer.

“Olha Claudinha, a tua galinha está tão velha e dura que tenho de a cozer nesta panela durante seis horas!” Eu espreitei para dentro da panela, cheia de água a ferver, onde bolhas de gordura boiavam, e vi a minha galinha depenada, a cozinhar para ficar tenrinha.

Lembro-me de a comer sem o mínimo sentimento de culpa. Não sei se me soube bem, não me recordo. Mas comer o meu animal de estimação, naquela altura, pareceu-me a coisa mais normal do mundo.

4 comentários:

noiseformind disse...

Para te aliviar eventual culpa presente deixa-me dizer que eu na 4ª classe para a "feira de talentos" onde os aldeões iam comprar as "obras" dos filhos para dar o dinheiro aos pobres fiz umas esculturas de rolas e pombos extremamente realistas. Várias pessoas ficaram admiradas com a minha destreza e pormenor e fui eleito para representar a minha freguesia a nível municipal.

Chegado lá nova vitória retumbante com o Presidente da Câmara em pessoa a perguntar-se o segredo de tão realistas estatuas. Era simples, disse eu no palco a segurar o microfone. Bastava comprar pombos e rolas, metê-los no congelador durante umas horas e depois aplicar cera líquida. Na altura acharam que a minha estatutária era demasiado realista e tiraram-me o prémio municipal... ; (((

Cláudia disse...

Olha, até ao dia de hoje, n senti culpa nenhuma...

Vespinha disse...

Sempre tive animais de estimação, desde que me lembro de ser gente... Acho que nem em condições extremas os conseguiria comer, são como família para mim... É difícil explicar, só quem tem pode perceber.

Anónimo disse...

Fiquei com muito medo do noiseformind...
S