25 novembro 2007

Ser Feminista

Um estudo da Rutgers University em New Jersey, descobriu que os homens com parceiras feministas têm relações mais estáveis e maior satisfação sexual. Descobriu-se portanto que as feministas são mais felizes no amor e na cama. (ver artigo de Libby Brooks no Guardian de 15 de Novembro).
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Desconfio sempre destes estudos até porque certamente não será dificil encontrar um outro que prova o contrário. Mas pelo menos é bom saber que há homens que não acham que uma feminista é uma mulher com pelos nas pernas, que detesta homens e que não quer cozinhar nem aspirar a casa. Como muitas vezes pensam que eu sou.
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Fico também com medo de ser confundida com uma mulher que lê a Cosmopolitan e que acha que ser feminista é ter uma carreira de sucesso, montes de bens que ela própria adquiriu, um personal trainer, e que pensa que a monogamia é coisa do passado. Tenho receio que pensem que feminismo é imcompativel com amor romântico, com uma vida a dois, muitos filhos e com a vontade de passar as tardes a fazer bolos para a família. O importante é perceber que a vontade de ter amor/filhos/uma relação, ou a vontade de ser “feminina” sem ser objectificada, não é anti-feminista e só nos fará perder poder se acharmos que só o conseguimos se perdermos outras coisas que nos valorizam como pessoas.
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Esta descrição da mulher “Cosmopolitan” é a de uma mulher que não percebeu que o feminismo era suposto melhorar a nossa vida e não complicá-la mais. Ser feminista devia começar por entender as diferenças entre os homens e as mulheres e não necessariamente querer igualdade onde talvez não possa existir. As mulheres que pensam assim são as primeiras vitimas da sociedade patriacal que eu gostava que mudasse. Uma sociedade onde se avalia o que alcançamos na vida pelo tamanho do nosso carro, pelo número de quartos do nosso apartamento de luxo e pelo degrau hiérarquico que alcaçamos na empresa onde trabalhamos. E que pensam que as mulheres só são iguais ao homens se quiserem ter uma vida sexual sem ligação amorosa. Ser feminista é acreditar que temos, desde que somos raparigas novas, a capacidade para decidir o que queremos e o que é melhor para nós. Porque a felicidade não é alcançada de igual forma por todos e porque não devia ser apenas a intolerância da comunidade onde vivemos que decide isso por nós.
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Eu auto-identifico-me como feminista (e admito a presunção) simplesmente porque acredito que na igualdade de direitos (muito para além daquilo que a legislção poderá fazer neste sentido). Acho que sou feminista porque me interesso por temas como a autonomia das mulheres, com os direitos, liberdades, tolerância, divesidade, violência doméstica, estereótipos, sexualidade, descriminação, sexismo, objectificação, patriarquismo, aborto, reprodução, controlo sobre o corpo, igualdade de salários, prostiuição e igualdade de oportunidades.
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Não estou a tentar mudar a opinião de ninguém. Não estou a tentar dizer nem criar nada de novo. Deixo isso para as intelectuais que se debruçam sobre este assunto. Para as escritoras que abordam este tema, ou para as jornalistas ou mulheres na política. Eu não sou nada disto, sou uma pessoa normal com um emprego normal e uma vida normal, que não luta para mudar o que quer que seja. Mas tenho uma opinião. E esta é a minha.

3 comentários:

Sofia sim sou eu disse...

E uma feminista que deixa de passar no ginasio para reflectir sobre coisas tão importantes é uma Mulher com M maiusculo!como poucas há...ou nenhumas...quase...

cuscavel disse...

"sou uma pessoa normal com um emprego normal e uma vida normal, que não luta para mudar o que quer que seja". POis eu acho que falar sobre, é já uma forma de luta.

Tenho, apenas, reservas quanto ao "amor romântico". É às suas custas (não exclusivamente, como é natural) que mulheres acreditam que com persistência, o sapo transformar-se-à em principe. Memso em relação à manada de filhos. Mas percebo, acho, o que queres dizer. Desde que haja partilha...

Cláudia disse...

cuscavel: quando me refiro a amor romantico quero dizer que não acho mal as mulheres prourarem o tal principe encantado...só que não precisa de ser um principe como na altura da minha avó. Agora também há principes feministas. Ou não? :)))

E também acho um bocado mau achar que todas as mulheres apaixonadas são todas submissas ao homem que amam...Prefiro acreditar que não.