09 abril 2008

Vandoma


Hoje, numa formação sobre coaching operacional, e em tom de brincadeira, lembraram-me da Feira da Vandoma como exemplo a não seguir na loja onde trabalho. Eu e a colega sentada ao meu lado fizemos uma viagem ao passado. Fomos as duas “vendedoras” na feira da vandoma.

Ia no comboio de Espinho para o Porto, era ainda escuro, montar no chão o meu estaminé, com algumas amigas. Procurava tudo o que fosse vendável e usado lá por casa. Roupa velha, livros repetidos,bandas desenhadas...

Cheguei mesmo a roubar discos aos meu pai. Naquela altura de transição para o CD (e digo isto para atenuar a minha culpa neste roubo, como se, por serem menos precisos, fossem menos valiosos para o meu pai, ou como se assim tivesse o direito de os levar sem aviso. Cheguei a levar um assinado pela cantora. Um album de fados, que por estar autografado, foi vendido mais caro que os restantes).

Foi com o dinheiro que ganhei na vandoma que comprei o meu casaco da tropa em segunda mão, com buracos nos cotovelos e todo aquele sarro que causou nojo à minha mãe. Um dia, no fim da feira, fui com a G. à Rua Escura, na Sé do Porto, comprar um casaco usado pelos tropas. Esse casaco está-me gravado na memória. É um simbolo daquilo que não posso esquecer que sou. Assim como as manhãs passadas na feira da vandoma, como a minha tatuagem, a minha roupa preta, os meus Cds de Mão Morta...

Lembram-me daquilo que não posso deixar de ser por mais institucionalizada que esteja agora em adulta. Lembram-me do meu lado alternativo. Afinal, e lá no fundo, não sou assim tão aborrecida.

1 comentário:

Anónimo disse...

Eu lembro-m bem do casaco, do dia em que apareceste com ele na escola, e principalmente do cheiro;)
Fantastico as coisas que o cerebro guarda!
angilá