Fui passar este fim-de-semana a Moledo e trouxe comigo um saco do lixo grande cheio de cartas e diários da minha infância e adolescência. Estava a ocupar espaço em casa dos meus pais e foi decidido que ia tudo arder na lareira. Queimei muitos postais de férias dos meus amigos, cartas que me enviaram quando estudava na Holanda, cartas de pen friends da Áustria, Grécia, Finlândia e muitas da Tailândia, da pen friend que tive durante mais tempo. Queimei cartas de namorados e já nem me lembrava que tinha tido tantos.
Dos três diários que trazia o saco, dois já arderam. O único que não tive coragem de queimar foi o que comecei a escrever quando tinha 7 anos. Os outros dois foram escritos entre os 13 e os 17 anos, uma época que gostava de apagar na minha vida, em que fui infeliz e muito desequilibrada. Não fui sequer capaz de reler o que tinha escrito. Eram coisas idiotas e deprimentes.
Queimar tudo isto fez-me aperceber que sempre gostei de escrever. Foi uma forma de terapia que usei desde pequena para me libertar das preocupações. Quando tinha 7 anos porque as minhas irmãs me batiam, quando tinha 13 porque não tinha amigas, aos 16 porque me sentia feia, desadaptada e muito desajeitada.
Para além do meu primeiro diário, salvei ainda das chamas bilhetes que eu trocava com a minha irmã, na altura em que partilhávamos um apartamento em Coimbra. Na época de exames, escrevíamos bilhetes com disparates e colocávamos na secretária uma da outra. Como este poema:
I don´t understand you
Because I don´t
But I like you anyway,
Because I do
We are sisters
Because we are
I hope you enjoy this
Because I do
I know this is stupid
Because it is.
Deitar coisas fora foi algo que aprendi ao mudar tantas vezes de casa. Quanto menos temos, mais fácil é pegar nas trouxas e mudar de poiso. Contou-me a minha mãe, que guarda as recordações apenas quando vale mesmo a pena (quadros, mobílias antigas ou fotos) que quando faleceram os meus avós, ela e os irmãos tiveram que queimar imensas coisas. Foram obrigados a fazer uma fogueira grande e ficaram horas a queimar coisas que não serviam a ninguém. Não vale a pena ficar agarrado ao passado. As únicas recordações que devemos guardar são as que nos ficam na memória. As outras, que precisam de suporte em papel, não podem ser assim tão importantes, senão não precisávamos delas para recordar.
Coisas velhas ocupam espaço que podemos usar para coisas novas. Acumulou-se pó e humidade, apenas para ter coisas que nunca mais ia ler. Vi-as agora pela última vez e fizeram-me rir um bom bocado. Não me vão fazer falta. De que vale guardar coisas do passado? Quando sei que apenas podemos viver o que está para vir.
Dos três diários que trazia o saco, dois já arderam. O único que não tive coragem de queimar foi o que comecei a escrever quando tinha 7 anos. Os outros dois foram escritos entre os 13 e os 17 anos, uma época que gostava de apagar na minha vida, em que fui infeliz e muito desequilibrada. Não fui sequer capaz de reler o que tinha escrito. Eram coisas idiotas e deprimentes.
Queimar tudo isto fez-me aperceber que sempre gostei de escrever. Foi uma forma de terapia que usei desde pequena para me libertar das preocupações. Quando tinha 7 anos porque as minhas irmãs me batiam, quando tinha 13 porque não tinha amigas, aos 16 porque me sentia feia, desadaptada e muito desajeitada.
Para além do meu primeiro diário, salvei ainda das chamas bilhetes que eu trocava com a minha irmã, na altura em que partilhávamos um apartamento em Coimbra. Na época de exames, escrevíamos bilhetes com disparates e colocávamos na secretária uma da outra. Como este poema:
I don´t understand you
Because I don´t
But I like you anyway,
Because I do
We are sisters
Because we are
I hope you enjoy this
Because I do
I know this is stupid
Because it is.
Deitar coisas fora foi algo que aprendi ao mudar tantas vezes de casa. Quanto menos temos, mais fácil é pegar nas trouxas e mudar de poiso. Contou-me a minha mãe, que guarda as recordações apenas quando vale mesmo a pena (quadros, mobílias antigas ou fotos) que quando faleceram os meus avós, ela e os irmãos tiveram que queimar imensas coisas. Foram obrigados a fazer uma fogueira grande e ficaram horas a queimar coisas que não serviam a ninguém. Não vale a pena ficar agarrado ao passado. As únicas recordações que devemos guardar são as que nos ficam na memória. As outras, que precisam de suporte em papel, não podem ser assim tão importantes, senão não precisávamos delas para recordar.
Coisas velhas ocupam espaço que podemos usar para coisas novas. Acumulou-se pó e humidade, apenas para ter coisas que nunca mais ia ler. Vi-as agora pela última vez e fizeram-me rir um bom bocado. Não me vão fazer falta. De que vale guardar coisas do passado? Quando sei que apenas podemos viver o que está para vir.
2 comentários:
podias sempre rir-te outra vez, daqui a umas boas palmadas de anos ;)
Olha, eu não deito fora assim tanta coisa, que a memória não é bem aquela que gostaria de ter...e senão tiver algo em papel que me abra a gaveta das recordações, muita coisa perderei, por importante que seja.
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