06 abril 2008

Dormir Acompanhada


Ter sempre cuidado com quem divido o quarto. Há os que avançam rápido e são estes os que se devem eliminar primeiro. Os estranhos e de pouca confiança. Alguns ficam parados à espera. Mexem-se pouco e apresentam menos perigo. Não dão confiança, mostram-se pouco interessados mesmo quando querem “atacar”.


Não me deixo acompanhar por qualquer um. É preciso saber escolher. Não gosto quando têm pelos, nem quando são muito grandes. Só permito entrada aos mais normais e discretos. Assim durmo bem acompanhada. São-me familiares, já estive com eles antes, já partilhamos o sono numa outra vez qualquer, noutro quarto que não este. Não gosto dos sonhadores, com asas, qualquer que seja o tamanho do seu sonho. Nem dos que têm uma espécie de antenas que captam tudo. É bom saber que não estamos a ser estudadas.


Hoje deixei um entrar e ficar, até acordarmos juntos de manhã. Vai passar a noite comigo. É de tez escura, antenas pequenas e asas duras e não causa muito distúrbio. Está “estacionado” na parede ao lado da cama. Um estudo acautelado indica que não apresenta perigo algum.


Mas à semelhança de outras noites do passado, posso estar enganada. Ainda pode causar danos. Com insectos ou com vermes nunca temos bem a certeza.

É um risco que decidimos aceitar de vez em quando. Para não os eliminar a todos com uma pancada seca do jornal enrolado. Nem sempre eficaz, por vezes deixa marcas e não morrem à primeira.

3 comentários:

Anónimo disse...

Eh eh eh ;)
Nuno R

Anónimo disse...

Post muito interessante e bem escrito. Gosto muito do seu blog.

Sofia

Vespinha disse...

Enganaste-me durante os 2 primeiros parágrafos! ;)