Nas alturas em que estou mais em triste e em que decisões difíceis têm que ser tomadas, e independente do motivo que me deixou triste, sinto sempre necessidade de apoio. E não é apoio dos amigos ou dos pais. É de alguém que faça as coisas por mim, que me tome as decisões, que vá ao multibanco pagar as contas, que trate dos papéis, que me faça o IRS, que veja o óleo do carro, que me dê segurança se o dinheiro do salário me deixar de cair na conta ou se não conseguimos suportar uma despesa médica grande, se não consigo ir ao cinema sozinha ou se me custa ir comprar os bilhetes para um concerto. Se não me apetece conduzir o carro para ir a uma festa de anos, se não me apetece fazer o jantar mas mesmo assim tenho vontade de comer, alguém que me compre os bilhetes de avião na internet, que trate dos fundos de investimento ou que chame o electricista. Alguém que me dê o ombro como substituto da almofada, que me introduza a um escritor que ainda não conhecia, que me organize os Cds para que os consiga encontrar, que me diga que vai correr tudo bem se aos 65 anos não tiver poupanças para a reforma.
É nestas alturas, em que me sinto cansada de fazer e decidir tudo sozinha, que gostava de ter alguém que me ajudasse. Se às vezes estou bem assim, por vezes acontece não saber onde mais posso ir buscar forças para vestir um vestido e por a maquilhagem para mais uma vez ir só ao aniversário da nossa amiga onde estão todos acompanhados, de ir comprar mobília e montá-la sozinha, de pôr os estores nas janelas só com dois braços quando mais uma par fazia bastante falta.
Deito a cabeça na almofada e não durmo. Por não ter vontade de deixar entrar alguém assim na minha vida. Porque afinal, eu pago as contas, eu monto os móveis, divirto-me sozinha nas festas, conduzo o carro quando tenho que ir a algum lado, faço o meu IRS, vou ao cinema, e por vezes tenho quem me dê o ombro para encostar a cabeça em substituição da almofada.
Deito a cabeça e não durmo. Estou cansada de fazer tudo e de me preocupar sozinha com tudo. Deito a cabeça e não durmo porque não deviam ser estes os motivos para se decidir passar a vida com alguém. Deito a cabeça e não durmo porque tenho dúvidas que seja nesta idade que encontre alguem com quem queira ficar por amor, e não porque me dá jeito ter alguém que me execute as tarefas do dia-a-dia. Deito a cabeça e não durmo porque acredito que o amor só existe até aos 20 anos. Tudo o que vier depois disso, é comodismo.
3 comentários:
Não digas q só há amor até aos 20... estou à espera de encontrar o meu (the true one) no lar!!!! :-)
"Deito a cabeça e não durmo porque acredito que o amor só existe até aos 20 anos. Tudo o que vier depois disso, é comodismo."
Eu sei que estás numa fase negra mas acreditar nisto é absurdo. Até porque o que há aos 20 anos nem sempre é amor e muitas vezes é percebido como tal. Para além de o simples facto de me conheceres dever ser mais do que suficiente para saberes que isto não é verdade
Nuno R
o problema não é a idade, é o que se vai acumulando com ela e às vezes quando se vive aquele amor, que acabou, aceitar menos do que isso parece impossível. pelo menos a mim..
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