Nunca me deviam ter dado a carta de condução. Tenho uma incapacidade total para aprender a conduzir, para perceber a lógica das regras de trânsito e para me entender com os carros que conduzo.
Quando tinha vinte anos, inscrevi-me numa escola de condução. Depois das aulas obrigatórias não me sentia minimamente preparada para fazer o exame mas a instrutora obrigou-me a marcar a data. “Bem” – pensei eu – “se ela está assim tão convencida que eu passo no exame, é porque não devo conduzir assim tão mal”.
No dia e hora marcados, apresentei-me no local indicado para fazer o exame. Saio do parque de estacionamento, vejo uma rotunda a aproximar-se e….o tipo sentado ao meu lado trava a fundo para evitar um acidente. Fiquei a centímetros do carro que vinha da esquerda.
Obrigou-me a parar na berma da estrada e deu-me um sermão, aos gritos: “Sabe as ovelhas nas montanhas” – dizia ele aos berros – “é no meio delas que devia estar a conduzir, não na estrada!!!Ao menos nas pastagens não há outros carros!” Depois de vários minutos de insultos em voz ultra alta, mandou-me seguir. Não percebi bem porquê. Pensava que já tinha chumbado e não via motivo para continuar.
Desta vez manda-me contornar o passeio numa curva. Um passeio muito alto. Engato a marcha a trás e Scriiiiiiiiiiiiitch!! A instrutora sai do carro para ver os danos na pintura.
Acreditem ou não, depois de mais meia dúzia de berros, manda-me continuar. Vamos para umas estradas menos movimentadas de Coimbra (já devia ir com medo!!). “Ultrapasse a velocidade máxima e ponha a quinta”. Ora eu nunca tinha metido uma quinta nas aulas de condução. Depois de hesitar, olho para a maçaneta das mudanças e ponho a quinta!!!!! Ui! O senhor passou-se outra vez e depois de mais uns gritos, mandou-me de volta para o parque de estacionamento.
Foi para o escritório dele preparar a documentação que eu pensava ia ser CHUMBADA E SEM POSSIBILIDADE DE VOLTAR A TENTAR. Mas qual não foi o meu espanto quando ele me entrega o documento com um carimbo APROVADO!
Eu fiquei a olhar para o papel muito tempo, depois olhei para o senhor que me fez o exame. Ele lançava-me faíscas pelos olhos. Olhei outra vez para o papel e comecei a caminhar na direcção da minha instrutora, muito intrigada. “Deve haver um engano!!” Fale baixo e vá embora!! – responde-me ela – “Então agora vai reclamar porque a passaram no exame?”.
E eu fui.
Juro que não paguei nada por fora a ninguém. E esta história é a mais pura das verdades. E até hoje, ainda não aprendi a conduzir.
Quando tinha vinte anos, inscrevi-me numa escola de condução. Depois das aulas obrigatórias não me sentia minimamente preparada para fazer o exame mas a instrutora obrigou-me a marcar a data. “Bem” – pensei eu – “se ela está assim tão convencida que eu passo no exame, é porque não devo conduzir assim tão mal”.
No dia e hora marcados, apresentei-me no local indicado para fazer o exame. Saio do parque de estacionamento, vejo uma rotunda a aproximar-se e….o tipo sentado ao meu lado trava a fundo para evitar um acidente. Fiquei a centímetros do carro que vinha da esquerda.
Obrigou-me a parar na berma da estrada e deu-me um sermão, aos gritos: “Sabe as ovelhas nas montanhas” – dizia ele aos berros – “é no meio delas que devia estar a conduzir, não na estrada!!!Ao menos nas pastagens não há outros carros!” Depois de vários minutos de insultos em voz ultra alta, mandou-me seguir. Não percebi bem porquê. Pensava que já tinha chumbado e não via motivo para continuar.
Desta vez manda-me contornar o passeio numa curva. Um passeio muito alto. Engato a marcha a trás e Scriiiiiiiiiiiiitch!! A instrutora sai do carro para ver os danos na pintura.
Acreditem ou não, depois de mais meia dúzia de berros, manda-me continuar. Vamos para umas estradas menos movimentadas de Coimbra (já devia ir com medo!!). “Ultrapasse a velocidade máxima e ponha a quinta”. Ora eu nunca tinha metido uma quinta nas aulas de condução. Depois de hesitar, olho para a maçaneta das mudanças e ponho a quinta!!!!! Ui! O senhor passou-se outra vez e depois de mais uns gritos, mandou-me de volta para o parque de estacionamento.
Foi para o escritório dele preparar a documentação que eu pensava ia ser CHUMBADA E SEM POSSIBILIDADE DE VOLTAR A TENTAR. Mas qual não foi o meu espanto quando ele me entrega o documento com um carimbo APROVADO!
Eu fiquei a olhar para o papel muito tempo, depois olhei para o senhor que me fez o exame. Ele lançava-me faíscas pelos olhos. Olhei outra vez para o papel e comecei a caminhar na direcção da minha instrutora, muito intrigada. “Deve haver um engano!!” Fale baixo e vá embora!! – responde-me ela – “Então agora vai reclamar porque a passaram no exame?”.
E eu fui.
Juro que não paguei nada por fora a ninguém. E esta história é a mais pura das verdades. E até hoje, ainda não aprendi a conduzir.
1 comentário:
insólito, no mínimo...
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