30 dezembro 2007

Típico

Não fiquei chateada, nem envergonhada, nem irritada. Já me habituei a ser assim. Bato com a cabeça em candeeiros, tropeço nas escadas, esqueço-me de apertar botões de blusas... Acabei por me habituar a ser assim.
Ontem tinha uma aula no ginásio às seis da tarde e já que fica no centro comercial, aproveitei para ir às compras. Levava às costas a minha mochila. Tem três compartimentos, um grande para a roupa, um médio para a toalha e champô, e um pequeno do lado de fora para a roupa interior.
Ontem entrei e saí de lojas durante mais de um hora com o fecho do compartimento pequeno que fica o lado de fora, aberto. Com a minha roupa interior a espreitar...Sou tão totó.

26 dezembro 2007

Comparar Desgraças

Hoje tive uma conversa de comparação de desgraças com uma amiga.

- Eu não tenho vida e tu tens montes de amigos fixes no mundo todo
- mas tu tens um emprego fixe
- mas tu és magra e gira
- n sejas idiota, tu és alta
- tu acabaste de vir do Rio de Janeiro
- tu vais à Tailândia em Março!
- tu enrolas-te com montes de modelos, eu nem consigo gajos de meias brancas
- oh estúpida, qualquer mulher se enrola com modelos! Eles metem-se com as gajas todas

*em pensamento: só mesmo gajas giras acham isso, nem se apercebem que são mais bonitas que a maioria*

- sim, enrolava-me com um modelo de certeza. Se lhe desse com um pau na cabeça...

(que fique bem claro que o meu interesse não era ter uma relação com um modelo mas sim provar que a minha vida é pior que a dela)

Ainda não saí da adolescência

Hoje cheguei a casa a deitar fumo pelas orelhas. Estou farta de passar tantas horas no trânsito e de não conseguir fazer nada depois do trabalho por causa disso. Não tenho qualidade de vida, não tenho hobbies e passo os dias em casa ou no trabalho. A casa para onde devia mudar nunca mais passa a ser minha e estou farta de esperar. Para além disso ando irritada com um senhor que, quando o conheci, se mostrou muito interessado e que agora não me liga nenhuma. Ainda por cima não posso ficar chateada com ele porque ele não faz nada. A não ser que fique chateada exactamente por isso. Hoje deu-me o número de telefone dele. E eu não o guardei. O que eu queria que ele me pedisse o meu, mas os homens não percebem nada.

Mas nem tudo é mau. Na véspera de Natal fui ao café do costume e sentei-me na esplanada em frente ao mar. Quando entrei para pagar ao balcão, encontrei um ex-colega de escola. Já não o via há anos. “Ena! Deve ser Natal!” foi a única coisa que me lembrei de dizer. Blá blá blá...”Vim cá e aproveitei para ir ao dentista” “Realmente, tens a cara inchada. Eu também não tenho tido muita sorte com os dentes e tenho ido ao dentista muitas vezes”. “Eu sei” “Sabes???!!” “Sim, eu leio o teu blog”. Acho que fiquei vermelha. Mas fiquei contente. O meu blog tem o efeito desejado. Comecei a escrevê-lo para que os meus amigos soubessem o que ando a fazer. Às vezes as distâncias tornam-nos perguiçosos e não perdemos o tempo devido a mandar notícias ao amigos que estão mais longe de nós. Aposto que os meus amigos sabem mais sobre a minha vida do que eu sei da deles. Acabamos por nunca escrever e-mails a cada um deles. O meu blog permite-me fazer duas coisas que gosto: escrever e manter o contacto com as pessoas que vou conhecendo ao longo da vida.

Foi engraçado rever este colega de escola e foi bom ver que estava exactamente na mesma. Também ouço o mesmo de mim muitas vezes, normalmente de pessoas que mudaram muito. Lembro-me de andar apaixonada por ele quando eramos adolescentes mas de nunca ter contado a ninguém por que o meu melhor amigo era amigo dele também.

Agora já sabe. Quando era adolescente gostava de ti. Que estúpido, não é?

24 dezembro 2007


23 dezembro 2007

What can I do to stay cheerful amid the Christmas mayhem?

If we acknowledge that there is no such thing as the perfect family, we can also accept that there is no such thing as the perfect Christmas. Take a tender look at these, your closest relatives, and focus on each familiar face for a few moments. Remind yourself of the good times you've had and think of one thing you really love about them, then let them know it.

www.independent.co.uk
By Dr Cecilia d'Felice
Published: 23 December 2007

22 dezembro 2007

Corpulento

21 dezembro 2007

Eastern Promises


Eastern Promises se calhar merecia outro tipo de comentário, mas na verdade é bom ver um filme em que a pele que se expõe é a de um homem. De mulheres nuas nos filmes já estamos fartas.

19 dezembro 2007

Um Objecto, Muitas Memórias

Tenho recebido o refugo de várias pessoas para poder ter uma casa habitável. Muitas coisas que me vão ser muito úteis na minha casa vêm da casa de alguém que me quer ajudar a juntar o suficiente para sobreviver num lar novo e construído com um orçamento reduzido.

A minha mãe trouxe-me ontem, entre muitas outras coisas, uma panela cor-de-laranja em aço fundido. Disse-me para ter especial atenção a esta dádiva. Vem com valor sentimental agarrado. Era a panela onde a minha mãe, quando estudava em Leiden, cozinhava para as amigas. Deu-ma para que agora pudesse cozinhar para as minhas.

Esta panela faz parte das recordações da minha mãe mas também das minhas. Era onde se faziam pipocas ao sábado à tarde. Polvilhadas com açucar amarelo eram servidas numa tabuleiro redondo grande, na mesa da cozinha. Eu e as minhas irmãs punhamos os joelhos em cima dos bancos e debruçadas para alcançar o centro da mesa, ficavamos com a cara e as mãos lambuzadas e pegajosas...

Já não se fazem panelas assim. Que duram 40 anos de cozinhados e recordações.

Não trago mais garrafas de vinho tinto para jantar

A minha mãe está há mais de 15 minutos a ver as Televendas. E até me perguntou se eu queria um AeroDry...

16 dezembro 2007

Metadona

Cláudia: Mais uma vez não sei o q escrever no meu blog

Ele: Escreve que tens um amigo que está apaixonado e isso faz com que ele faça tudo o que não faz normalmente...ou então escreve que ninguem te liga nenhuma

Claudia:Ou que o único que eu quero que me ligue, não liga

Ele: Sim, sim, mas não sejas assim tão óbvia

Claudia: Porquê? Ele não lê o blog...

Ele: Se meteres que ninguem te liga vais ter uma data de gente a ligar-te. É tipo metadona. Não é a droga a sério mas ajuda.

Claudia: :)

A Walk Down Memory Lane

12 dezembro 2007

Música para Quarta-Feira à Tarde



Cassette - Sometimes

Parental Guidance ou Porque Não Posso ser Mãe


Ontem deitei-me depois das 5 da manhã. Hoje recebi a visita habitual do meu sobrinho no meu quarto, às 9h.

João – Porque é que ainda estás deitada?
Eu – porque estou cansada.
João – vou tirar os sapatos e deito-me ao teu lado...
...
João – Vamos ler um livrinho...
Eu – Hoje não me apetece Joãozinho...
João – anda lá, vamos ler um livrinho...

Tiro o portátil do chão, ligo-o e coloco-o ao lado da almofada. Vou ao site YouTube e procuro “desenhos animados”.

João - (a cantar) Hakuna Batata!! Hakuna Batata!!
Cláudia, abre os olhos! Assim não vês os desenhos animados

Eu – Estou a ver. Estou a ver...

Deitei a cabeça e fechei os olhos outra vez. Tentei descançar ao som de Joana Come a Papa, Rei Leão e Avô Cantigas. Quando estava quase a dormir comecei a ouvir a música do Looney Tunes, a voz do Bugs Bunny, tiros e explosões...

Não tive energia para me mexer e ver se os desenhos animados eram adequados para uma criança de três anos. Ouvia violência a mais. Pensei que a minha irmã não ia achar muita piada ao que eu estava a mostrar ao filho dela. Mas estava tão cansada e mal disposta que decidi continuar a dormir. “Parental Guidance” não pode ser praticado com 3 horas de sono.

09 dezembro 2007

07 dezembro 2007

Livros

Hoje fui à Fnac comprar prendas de Natal. Já aprendi há algum tempo que consigo comprar livros mais baratos se procurar as versões originais (não traduzidas). No meios dos livros em inglês, encontrei The Wind in the Willows. E fiz uma viagem ao passado.

Comecei a gostar de ler muito mais tarde do que as minhas irmãs. Só por volta dos 15 ou 16 anos comecei a passar muito tempo com os livros. E só uns anos mais tarde, já bastante mais velha do que elas li o que já tinham lido. Fiquei com pena de o não ter feito antes, quando os livros eram importantes para a minha formação e para a leitura que podia fazer do mundo. Achei que livros como Brave New World, do Aldous Huxley podiam ter tido um impacto muito diferente se os tivese lido mais nova. Numa altura em que precisava de compreender como funciona o mundo.

Comecei a ler livros infantis da Sophia de Melo Breyner, Os Cinco, Uma Aventura, mas seguiu-se um espaço de alguns anos em que não li nada, até voltar a gostar de ler, uns anos mais tarde.

Porque tenho necessidade encontrar explicação para tudo e de arranjar forma de me livrar da culpa do que fiz ou não, sempre expliquei estes anos de escuridão literária com The Wind in the Willows. Como tentativa para me pôr a ler, a minha mãe, preocupada com o meu estado de estupidificação, deu-me este livro. Pensou que me ia cativar mas acabou por me pôr nas mãos um livro entediante que me traumatizou e me tirou a vontade de voltar a ler durante alguns anos.

Nunca mais me esqueci deste livro. Era pesado e chato, tinha a capa dura e gasta nas pontas e cheirava a mofo. Nunca passei dos primeiros capítulos. Foi o culpado do meu atraso literário.

Depois de passar o trauma, o período de recuperação foi longo mas voltei a gostar de ler. Li tudo o que a minha mãe tinha nas estantes. Hoje na Fnac lembrei-me de como vivi sempre com tão pouco. Só aos 25 anos tive dinheiro para comprar os meus livros. Ia à waterstone na Princes Street em Edimburgo e comprava muitos livros. Os que eu queria ler e não os que a minha mãe gostava de ler. Descobri um mundo novo. Livros sobre o que me preocupava ou interessava.

Hoje trouxe para casa um livro do Philip Roth. Para mais uma vez poder esquecer a minha vida aborrecida e viver a vida de um personagem de ficção qualquer.

01 dezembro 2007

Não saber o que sentir

Uma tarde tocaram à campainha. A minha mãe cozinhava qualquer coisa enquanto eu desenhava na sala. Tinha sete anos e o mais provável era estar a fazer os trabalhos de casa. A minha mãe abriu a porta ouvia-a falar com a vizinha. Fechou a porta e sentou-se ao meu lado. A minha professora da escola primária tinha morrido. A minha mãe deu-me a notícia com o braço nos meus ombros, sentadas no sofá. Mas alguma coisa queimava numa panela da cozinha e ela saiu a correr.

Fiquei sozinha na sala, com as mão debaixo dos joelhos, a olhar para o chão. Não sabia se era normal ter vontade de chorar. Nunca me tinham explicado o que era suposto sentir quando se vai embora alguém de quem gostamos mas que não faz parte da família, e tive vergonha de chorar. Segurei as lágrimas, com um nó na garganta. Quando a minha mãe voltou eu continuei a olhar para o chão porque não fui capaz de mostrar que tinha vontade de chorar. Não sabia o que sentir.

Numa situação bastante diferente, voltei a sentir-me assim hoje. Sem saber o que é suposto sentir. O que sentem os outros na mesma situação. Chorei. Só consegui segurar as lágrimas até chegar à minha secretária. Fechei a porta do escritório e chorei um bocadinho. Esfreguei a testa com a ponta dos dedos, repirei fundo e continuei a trabalhar.

Agora estou em casa sentada na cama a olhar para o chão. Sou adulta, mas continuo a não saber o que sentir.

30 novembro 2007


28 novembro 2007

25 novembro 2007

Depois de uma semana de férias, amanhã volto ao trabalho


Ser Feminista

Um estudo da Rutgers University em New Jersey, descobriu que os homens com parceiras feministas têm relações mais estáveis e maior satisfação sexual. Descobriu-se portanto que as feministas são mais felizes no amor e na cama. (ver artigo de Libby Brooks no Guardian de 15 de Novembro).
...
Desconfio sempre destes estudos até porque certamente não será dificil encontrar um outro que prova o contrário. Mas pelo menos é bom saber que há homens que não acham que uma feminista é uma mulher com pelos nas pernas, que detesta homens e que não quer cozinhar nem aspirar a casa. Como muitas vezes pensam que eu sou.
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Fico também com medo de ser confundida com uma mulher que lê a Cosmopolitan e que acha que ser feminista é ter uma carreira de sucesso, montes de bens que ela própria adquiriu, um personal trainer, e que pensa que a monogamia é coisa do passado. Tenho receio que pensem que feminismo é imcompativel com amor romântico, com uma vida a dois, muitos filhos e com a vontade de passar as tardes a fazer bolos para a família. O importante é perceber que a vontade de ter amor/filhos/uma relação, ou a vontade de ser “feminina” sem ser objectificada, não é anti-feminista e só nos fará perder poder se acharmos que só o conseguimos se perdermos outras coisas que nos valorizam como pessoas.
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Esta descrição da mulher “Cosmopolitan” é a de uma mulher que não percebeu que o feminismo era suposto melhorar a nossa vida e não complicá-la mais. Ser feminista devia começar por entender as diferenças entre os homens e as mulheres e não necessariamente querer igualdade onde talvez não possa existir. As mulheres que pensam assim são as primeiras vitimas da sociedade patriacal que eu gostava que mudasse. Uma sociedade onde se avalia o que alcançamos na vida pelo tamanho do nosso carro, pelo número de quartos do nosso apartamento de luxo e pelo degrau hiérarquico que alcaçamos na empresa onde trabalhamos. E que pensam que as mulheres só são iguais ao homens se quiserem ter uma vida sexual sem ligação amorosa. Ser feminista é acreditar que temos, desde que somos raparigas novas, a capacidade para decidir o que queremos e o que é melhor para nós. Porque a felicidade não é alcançada de igual forma por todos e porque não devia ser apenas a intolerância da comunidade onde vivemos que decide isso por nós.
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Eu auto-identifico-me como feminista (e admito a presunção) simplesmente porque acredito que na igualdade de direitos (muito para além daquilo que a legislção poderá fazer neste sentido). Acho que sou feminista porque me interesso por temas como a autonomia das mulheres, com os direitos, liberdades, tolerância, divesidade, violência doméstica, estereótipos, sexualidade, descriminação, sexismo, objectificação, patriarquismo, aborto, reprodução, controlo sobre o corpo, igualdade de salários, prostiuição e igualdade de oportunidades.
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Não estou a tentar mudar a opinião de ninguém. Não estou a tentar dizer nem criar nada de novo. Deixo isso para as intelectuais que se debruçam sobre este assunto. Para as escritoras que abordam este tema, ou para as jornalistas ou mulheres na política. Eu não sou nada disto, sou uma pessoa normal com um emprego normal e uma vida normal, que não luta para mudar o que quer que seja. Mas tenho uma opinião. E esta é a minha.