19 setembro 2009

Oh Joy!

Oh alegria! Vêm aí as avaliações de desempenho. Saco de todas as técnicas de motivação e liderança, deixo alguns contentes e muitos zangados! A mania das comparações, a radio alcatifa e os boatos. E não é que eu até gosto de me sentar com as pessoas, falar sobre elas e ouvir o que têm a dizer sobre si mesmas? Gosto sim, só não gosto daqueles casos em que a mensagem não passa.
Com o dedo indicador, passo pela lista de todos os elementos da equipa: hoje, este não, hmm este fica para depois, e faço mal em deixar para depois os casos bicudos, não deixes para amanhã o que podes fazer hoje. E permito que o alfabeto resolva a questão das prioridades. Começo pelo A de Ana e acabo no Z de Zita, misturando assim os mais óbvios com os mais trabalhosos.
E quando a roda gira e os 360 graus se viram para mim, chega a minha vez de ouvir a minha sentença, e com um aceno de cabeça concordo que realmente sou tímida, para não ter que explicar que timidez se pode confundir com misantropia. E procupação com as pessoas tenho muita, mas se ninguém sabe o que penso, não se pode adivinhar.
É nesta altura do ano em que, a avaliar o desempenho dos outros, me avaliam a minha capacidade de comunicar. Porque só fica admirado com a avaliação que o seu desempenho recebe, quem não pôde ouvir ao longo do ano o que eu estava a pensar.
Chegou a altura do ano do reforço positivo e da boa disposição. Inspirar e estimular. Inspirar e expirar. Contar até 10 sempre que necessário.

12 setembro 2009

E porque não me apetece pensar nisso...


E porque não me apetece pensar na grande burrice que possivelmente fiz esta semana, vou pensar em férias.


Este ano, por terem sido mal planeadas, as férias, ou melhor, a falta delas, foram dolorosas. Já não tenho férias há tantos meses que sinto o cérebro a dar curto-circuito, o mau-humor a tomar conta de mim em diversas situações, falta de paciência para as questões mais normais, e incapacidade para realizar tarefas complexas com a boa dose de positividade que torna a vida mais fácil.


Já tenho os bilhetes de avião marcados e o hotel para as três primeiras noites. E agora estou a fazer contagem decrescente até ao dia 4 de Outubro (faltam 22 dias). Estou quase em estado de hipnose.

Férias, férias, férias... - repetir até se tornarem realidade.

Crónica Uma Semana Emocional

De vez em quando acontecem situações que, obrigando-me a tomar decisões, fazem com que me fique a conhecer melhor. Esta semana fui confrontada com a oportunidade de voltar a ser imigrante. Com a vantagem de ir com despesas de deslocação pagas, emprego seguro, um desafio profissional, ou seja, muito diferente das minhas outras migrações de mala semi-vazia às costas e futuro incerto. E o que eu teria feito há 4 anos atrás? Nem hesitava, era mesmo o que eu queria. O que fiz eu hoje? Disse que não.
Porque me ia custar deixar o meu namorado, porque não sei se é bem isto que eu quero, porque não tenho tempo suficiente para pensar bem na mudança...mas na verdade, não foi por nada disto.
Deitei-me ontem sem saber ainda o que ia decidir e acreditei no poder de iluminação da minha almofada. Acordei de facto cheia de luz, e mesmo sem certeza nenhuma disse que não.
Não perguntei à família nem aos amigos mais próximos. Perguntei a mim mesma o que é que eu quero. E apesar de ter muito medo de me arrepender, sei uma coisa que mudou muito em mim nestes quatro anos: não tenho vontade de viver com a casa às costas, não tenho vontade de fazer amigos outra vez, não tenho vontade de estar sempre sozinha. Tenho muita vontade de comprar uma casa, casar e ter filhos. Pode ser daqui a muito tempo, mas se estou sempre a imigrar, nunca mais tenho estabilidade. E será que a estabilidade geográfica me vai trazer o que eu quero? Não sei.
Estou muito desiludida comigo própria. Eu não era assim. Cheia de medo, sem ambição, a preferir a vida pessoal à profissional. Mas não vale a pena forçar uma decisão que não me apetece tomar.
Prefiro ficar aqui a ganhar menos ao fim do mês, a fazer o mesmo trabalho mais uma porrada de anos, e sem conhecer pessoas novas, uma coisa que me agradava tanto. Prefiro poder ir jantar a casa da Angela sem avisar e chorar no ombro dela quando é preciso, prefiro ficar a fazer o jantar enquanto espero pelo barulho do carro do Cláudio a estacionar à porta de minha casa. Prefiro marcar encontros com a Sara mesmo que seja de vez em quando, ir ao Black Coffee com a Susana, lanchar em casa da mamã com os sobrinhos e a irmã, prefiro ter uma relação que um dia vai acabar e que não me dá garantias nenhumas de no futuro ter a tal casa, filho e marido que eu quero.
Prefiro as incertezas do que tenho cá, às incertezas do que posso vir a ter lá fora. E é fundamentalmente nisto que está a grande descoberta que fiz sobre mim mesma. Sou um embuste. E os sonhos que tinha de migração constante acabam aqui. Ou pelo menos enfraquecem.
Porque sabe-se lá, quando vier a proposta certa, as malas voltem a fazer-se. Por agora fico por cá. Já não sou a Cláudia que era.

04 setembro 2009

E já me começo a aborrecer


Hoje, na revista LER, li o que disse o Miguel Sousa Tavares sobre viagens. O importante é o regresso, o que se encontra, chegar a casa...

Para mim nas viagens conta a viagem em si, a deslocação. Ir de um lugar para outro. Assim como na vida é importante saber que estou num caminho, a ir de um ponto para outro.

Nas viagens é o movimento que me distrai, e deixando-me cansada, impede-me de pensar no que não devo. Na vida seria o movimento a impedir-me de me aborrecer e poderia dar-me esperança de um dia chegar a um sítio qualquer.

Porque até hoje ainda não cheguei a lado nenhum.
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"Não se encontra o que se procura mas o que se encontra."
Miguel Sousa Tavares, sobre o que procura quando viaja.
Revista LER de Setembro 2009

24 agosto 2009

Paz, nem que seja por 5 minutos

Estou habituada a viver rodeada por muito pouca gente. Moro sozinha e a minha família é apenas a directa e não está muito perto.
Para além disso, a minha família aprecia o silêncio, somos recatados, gostamos pouco de confusão e prezamos em demasia a nossa privacidade. Cresci num meio pouco dado a convívios em grande escala e foi isso que me moldou numa pessoa recolhida.
O meu Natal não inclui tios, primas, noras, genros, criançada nem velhotes. É o pai, a mãe, as irmãs e os cunhados. Mais recentemente, os sobrinhos. Não recebo convites de casamentos ou baptizados, a não ser de poucos amigos mais próximos. Nunca gostei de passar férias em grupo.
E é por isso que sofro quando tenho que passar muito tempo rodeada de pessoas. Almoçar em casa deste, lanchar com os amigos na praia, voltar a ir jantar a casa de amigos, dormir numa casa que não é minha e no dia seguinte repetir tudo de novo e acabar por passar dois dias seguidos com pessoas à minha volta, ter que conversar de tudo e de nada, ouvir barulho, depender de gente para sair, entrar, dormir e levantar. E no meio de tudo isto, passado algum tempo, sinto o cérebro a inchar mais do que o espaço que tenho na cabeça, e já quase a rebentar, arranjo à força, pelo menos, vinte minutos de paz. Torno-me associal, recolho-me para dentro, procuro um canto, um banco ou um jornal e escondo-me das pessoas, faço uma meditação, não ouço nem falo, não faço conversa social, e procuro que o silêncio me deixe voltar a mim mesma. E só assim sobrevivo a um mar de gente que gosta de estar sempre acompanhada por multidões.
Mas a mim deixa-me exausta e rabugenta. E quando volto para casa, parece que me tiraram do casaco de forças. Deito-me na cama ou sento-me no sofá e o silêncio faz com que volte ao meu habitat natural. Onde não tenho sempre que conversar, onde posso comer, descansar, ler, ouvir musica, tomar banho, sair ou entrar à hora que me apetece.
É que eu gosto muito de pessoas. Mas poucas de cada vez.

Fim-de-semana no Douro




17 agosto 2009

Um desabafo sobre o que me causa ansiedade

Sou consumista e causa-se alguma ansiedade viver assim porque ainda não sei quanto é suposto gastar com o quê.
Habituada a não poder consumir muito, eis que chego aos 30 com um pouco mais de dinheiro do que o habitual. E sabe bem poder comprar coisas que me fazem sentir bem, mesmo estando longe de serem bens essenciais. E estas "coisas" tanto me fazem sentir bem como sentir mal. Porque na realidade não preciso delas para sobreviver, e o que gasto bem podia estar guardado para assegurar dias mais difíceis que podem vir. Mas sabe bem poder escolher os livros que vou ler, em vez de ler o que está na estante do corredor da casa dos meus pais. Que são escolhas de outras pessoas e que não me matam a curiosidade sobre o que quero aprender. E é bom ter vários pares de sapatos para calçar, e uma moldura na sala para pendurar e uma máquina fotográfica para me entreter nas férias que uma vez por ano me dou ao luxo de tirar.
Mas tudo isto não vem sem sentimento de culpa e principalmente sem muito medo. De ficar sem nada, de não ter poupado para o que é realmente importante, de me fazer falta um dia e de olhar em volta e ver todas as coisas fúteis em que resolvi hipotecar o meu futuro.
Tento compensar o que gasto em livros, férias e vestuário com uma casa modesta, um telemóvel velhinho, uma sala sem TV nem aparelhagem. Mas mesmo assim sinto-me insegura sempre que vou à fnac ou à amazon emagrecer a minha conta bancária.
Imagino-me um dia a viver sem nada, sem emprego, sem poupanças no banco, sem poder pagar a renda ao fim do mês, rodeada de memórias amargas de todas as coisas em que gastei aquilo que devia ter guardado.
Deve ser bom poder dormir sossegada de noite. A mim a ansiedade não me deixa descançar. Porque não sei é agora ou depois que devo aproveitar.

12 agosto 2009

Animal de Estimação

Descobri que a máquina fotográfica pode ter a mesma função que um cão que faz companhia a quem passa muito tempo sozinho.

Posso ir de férias, ou passar o dia sozinha a passear por sítios com mais ou menos gente, que me sinto acompanhada, com a cara enfiada atrás da máquina. A tirar fotos que apago a seguir.

Com a vantagem de não largar pêlo, não precisar de atenção, não comer. Só precisa que me lembre de carregar as baterias de vez em quando.

Fim-de-semana na praia




28 julho 2009

Arbeit macht frei


"Nós [CDS/PP] acreditamos no valor do trabalho. Nós acreditamos que o trabalho liberta(...)Nós acreditamos que o trabalho melhora a condição de vida das pessoas. Nós acreditamos que o trabalho é a forma das pessoas legitimamente subirem na vida»

Paulo Portas, falando sobre o Dia do Trabalhador, na Madeira, Maio 2007



"Fomos feitos para servir e saímos com defeito. O maior de todos eles é o de, ao contrário dos deuses, ainda hoje pensarmos que o trabalho liberta."

Miguel Portas, in Périplo, pag. 59, Maio 2009

22 julho 2009

21 julho 2009

LER


"os momentos de leitura são as únicas ocasiões em que durante umas horas tenho o sentimento de viver num mundo de perfeição."

Vasco Pulido Valente - Revista LER

17 julho 2009

02 julho 2009

Comunicação/Anti-Comunicação


Diário de Um Mau Ano
de J.M. Coetzee
Páginas: 248
Editor: Dom Quixote
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Diário de Um Mau Ano
de C. Antunes
Páginas: poucas
Editor: blogger.com

Diário de Um Mau Ano

O meu diário não serve para maus anos. Se escritas são páginas para ser queimadas e se possível, deixo-as ficar em branco. É bom recordar as coisas boas ou as menos más que não deixam mossas. As outras não precisam de ficar registadas. Pelo menos não no meu diário, que o registo esse fica cá sempre, para não deixar esquecer e porque se aprende com o que já se passou.
Propositadamente, não registo aquilo de que não gosto, e o tempo que já passou não consigo lembrar. Um ano, ou dois, já não sei. Decidi agora que acabou um Mau Ano, mesmo não sendo Dezembro e mesmo não tendo a certeza de quantos meses passaram. Foi um Mau Ano e o meu Diário ficou em branco. Neste último ano o meu cérebro adormeceu e começa agora a acordar. Às custas do sono constante do corpo, deixo de passar os dias a dormir, sinto a engrenagem a começar a funcionar. Reactivação das máquinas em curso.
É como quando deixei de ir ao ginásio e custou a voltar a ficar em forma, quando regressei. Como quando deixamos de andar de bicicleta durante alguns anos e queremos voltar a fazê-lo. Não esquecemos como se faz, mas os movimentos são torpes. Acontece-me o mesmo agora com tudo o que gostava de fazer antes do Mau Ano começar. Sei do que gosto, e sei como fazê-lo. Só não sei bem como me equilibrar.
Mas chegou ao fim o Diário de Um Mau Ano. Começa agora o Diário Sem Dormir. Não tem número de páginas definido, não tem prazo nem data para acabar.

25 junho 2009

12 junho 2009

Cinfães do Douro + Panasonic FX28 Nova



Colecção 30 anos Fantasporto


Depois de um ano quase que adormecida por uma depressão, parece que começo a voltar a fazer o que gostava. Comecei a voltar a reparar nas coisas que me interessam. E, um pouco tarde, mas não demais, descobri a colecção 30 anos Fantasporto. Já não sobram muitos filmes na Fnac, mas ainda vou a tempo de conseguir alguns. Ontem comprei Amigo, de Kyung-Tack Kwak. Mas há muitos mais. Vindos da Ásia. Mais um motivo para arruinar a conta bancária, mas, serve também para me mostrar que afinal, há mais coisas que posso fazer para além de dormir tardes inteiras para não ter que pensar na vida.

05 junho 2009

Dia Mundial do Ambiente

World Environment Day was established by the UN in 1972 to give a human face to environmental issues. But as these images show, developing countries suffer the worst effects of waste and pollution. Here, a trash-covered creek in Manila, Philippines, where slums often adjoin rubbish dumps. The country's poorest sift through the garbage to find discarded objects they can sell on or re-use, or even scraps of food to eat
Photograph: Francis R. Malasig/EPA

The Guardian

29 maio 2009

No Reino da Bicharada

Chegou sexta-feira e o calor. E chegaram também os mosquitos, as moscas e mosquinhas, as aranhas. Vivo no mundo da bicharada. Eles entram por baixo da porta, pelas janelas abertas, pelo portão da garagem, pelo telefone, por e-mail. Passeiam pelo sotão, não me deixam dormir, não me deixam querer estar acordada. Não há livro que me valha nem filme que me faça companhia. Eles pousam-me nos braços, mordem-me as pernas, zumbem ao ouvido. Não valeu a pena tirar as teias, fechar as janelas ou sair de casa no fim-de-semana. Eles estão aí ao virar da esquina, já de volta na segunda-feira.