12 setembro 2009

Crónica Uma Semana Emocional

De vez em quando acontecem situações que, obrigando-me a tomar decisões, fazem com que me fique a conhecer melhor. Esta semana fui confrontada com a oportunidade de voltar a ser imigrante. Com a vantagem de ir com despesas de deslocação pagas, emprego seguro, um desafio profissional, ou seja, muito diferente das minhas outras migrações de mala semi-vazia às costas e futuro incerto. E o que eu teria feito há 4 anos atrás? Nem hesitava, era mesmo o que eu queria. O que fiz eu hoje? Disse que não.
Porque me ia custar deixar o meu namorado, porque não sei se é bem isto que eu quero, porque não tenho tempo suficiente para pensar bem na mudança...mas na verdade, não foi por nada disto.
Deitei-me ontem sem saber ainda o que ia decidir e acreditei no poder de iluminação da minha almofada. Acordei de facto cheia de luz, e mesmo sem certeza nenhuma disse que não.
Não perguntei à família nem aos amigos mais próximos. Perguntei a mim mesma o que é que eu quero. E apesar de ter muito medo de me arrepender, sei uma coisa que mudou muito em mim nestes quatro anos: não tenho vontade de viver com a casa às costas, não tenho vontade de fazer amigos outra vez, não tenho vontade de estar sempre sozinha. Tenho muita vontade de comprar uma casa, casar e ter filhos. Pode ser daqui a muito tempo, mas se estou sempre a imigrar, nunca mais tenho estabilidade. E será que a estabilidade geográfica me vai trazer o que eu quero? Não sei.
Estou muito desiludida comigo própria. Eu não era assim. Cheia de medo, sem ambição, a preferir a vida pessoal à profissional. Mas não vale a pena forçar uma decisão que não me apetece tomar.
Prefiro ficar aqui a ganhar menos ao fim do mês, a fazer o mesmo trabalho mais uma porrada de anos, e sem conhecer pessoas novas, uma coisa que me agradava tanto. Prefiro poder ir jantar a casa da Angela sem avisar e chorar no ombro dela quando é preciso, prefiro ficar a fazer o jantar enquanto espero pelo barulho do carro do Cláudio a estacionar à porta de minha casa. Prefiro marcar encontros com a Sara mesmo que seja de vez em quando, ir ao Black Coffee com a Susana, lanchar em casa da mamã com os sobrinhos e a irmã, prefiro ter uma relação que um dia vai acabar e que não me dá garantias nenhumas de no futuro ter a tal casa, filho e marido que eu quero.
Prefiro as incertezas do que tenho cá, às incertezas do que posso vir a ter lá fora. E é fundamentalmente nisto que está a grande descoberta que fiz sobre mim mesma. Sou um embuste. E os sonhos que tinha de migração constante acabam aqui. Ou pelo menos enfraquecem.
Porque sabe-se lá, quando vier a proposta certa, as malas voltem a fazer-se. Por agora fico por cá. Já não sou a Cláudia que era.

5 comentários:

Gina disse...

Eu prefiro ter-te deitada na minha rede:) e continuo a ter uma desculpa para me empaturrar de gelados e coisas boas quando cá vens:)
Tive medo de perguntar-te o que tinhas decidido...

Anónimo disse...

"Já não sou a Cláudia que era"
E é tão bom continuarmos a mudar!!! As mudanças de prioridades ou mesmo caracteristicas devem ser aceites c naturalidade e como uma coisa positiva! Se calhar por agora preferes (e bem, na minha opinião) o conforto e alegrias dos "teus". Apenas deves assumir a decisão e não olhar para trás (o pior erro é pensar "e se....". Foi decidido acabou! nunca saberás o q te reservaria a outra escolha).
Isto é apenas a minha opinião - espero q ajude de qq forma...
Já não "te lia" há muito - foi uma boa surpresa ver q voltaste ao "activo".
Beijinhos
Margarete

Zezito disse...

É normal com maior idade ficamos menos avenutreiros... o tempo passa para todos - também me sinto instalado, já me custaria sair daqui, qual Reading, Qual Edimburgo :)

Anónimo disse...

Foi uma boa decisão.
Se fosses embora quem me ia ver a espancar o teu namorado a jogar basket, deitada na rede?

Beijos

Tinha saudades de te ler

NR

noiseformind disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.