24 agosto 2009

Paz, nem que seja por 5 minutos

Estou habituada a viver rodeada por muito pouca gente. Moro sozinha e a minha família é apenas a directa e não está muito perto.
Para além disso, a minha família aprecia o silêncio, somos recatados, gostamos pouco de confusão e prezamos em demasia a nossa privacidade. Cresci num meio pouco dado a convívios em grande escala e foi isso que me moldou numa pessoa recolhida.
O meu Natal não inclui tios, primas, noras, genros, criançada nem velhotes. É o pai, a mãe, as irmãs e os cunhados. Mais recentemente, os sobrinhos. Não recebo convites de casamentos ou baptizados, a não ser de poucos amigos mais próximos. Nunca gostei de passar férias em grupo.
E é por isso que sofro quando tenho que passar muito tempo rodeada de pessoas. Almoçar em casa deste, lanchar com os amigos na praia, voltar a ir jantar a casa de amigos, dormir numa casa que não é minha e no dia seguinte repetir tudo de novo e acabar por passar dois dias seguidos com pessoas à minha volta, ter que conversar de tudo e de nada, ouvir barulho, depender de gente para sair, entrar, dormir e levantar. E no meio de tudo isto, passado algum tempo, sinto o cérebro a inchar mais do que o espaço que tenho na cabeça, e já quase a rebentar, arranjo à força, pelo menos, vinte minutos de paz. Torno-me associal, recolho-me para dentro, procuro um canto, um banco ou um jornal e escondo-me das pessoas, faço uma meditação, não ouço nem falo, não faço conversa social, e procuro que o silêncio me deixe voltar a mim mesma. E só assim sobrevivo a um mar de gente que gosta de estar sempre acompanhada por multidões.
Mas a mim deixa-me exausta e rabugenta. E quando volto para casa, parece que me tiraram do casaco de forças. Deito-me na cama ou sento-me no sofá e o silêncio faz com que volte ao meu habitat natural. Onde não tenho sempre que conversar, onde posso comer, descansar, ler, ouvir musica, tomar banho, sair ou entrar à hora que me apetece.
É que eu gosto muito de pessoas. Mas poucas de cada vez.

3 comentários:

noiseformind disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Pois eu compreendo.....mas gostava de conseguir estar mais tempo contigo...
e participar mais na tua vida....

S.P.

Vespinha disse...

Como eu te compreendo... sinto precisamente o mesmo, uma quase agorafobia...