16 dezembro 2014

40



Tenho 37 anos, ainda não tenho 40. Mas sinto-me assim, com 40. Não me sinto mais velha nem mais nova do que sou nem acho que ter 40 seja um estado em que se possa agrupar as mulheres. Não somos todas iguais de certeza. Há mulheres de 40 com 30 e mulheres de 40 com 60. Há mulheres de 40 que gostam de dormir até ao meio dia e outras que acordam às 6 da manhã. Umas gostam de ser mães e outras não. Algumas ocupam o tempo de forma completamente diferente de quando tinham 20 e outras continuam a gostar da mesma música, do mesmo ginásio e de ver televisão até às 3 da manhã.

O que é isso de ter 40? Eu sinto que tenho 40 porque trabalho com pessoas que têm menos 15 anos que eu. Começo a ter sentimentos de "mamã" em relação a quem tem 20 anos. Compreendo as dificuldades que sentem melhor (de certeza)  do que eles sabem o que é ter 40.

Aos 20 não fazemos ideia do que é ter 40. E se calhar não é assim tão diferente. Os dramas são os mesmos, só que ligeiramente adaptados à evolução da vida.

Aos 40 podemos passar pelos dramas que tínhamos com 20 anos mas com a grande vantagem de termos outra maturidade para lidar com eles (e normalmente mais dinheiro no bolso). Aos 20 podemos lidar com os mesmos dramas dos 40 com a vantagem de podermos optar por uma mudança de vida, com mais facilidade (não temos o empréstimo para pagar, nem os filhos para educar, nem somos tão comodistas para deixar tudo para trás).

Ter 40 não é melhor nem pior do que ter 20. É diferente. Não fazemos mais ou menos coisas do que quando tínhamos 20. Fazemos coisas diferentes.

Gosto imenso de ter 40. Mesmo que tenha apenas 37.

E que aos 20 ou aos 40, a nossa vida seja um olhar constante para um mar de infinitas possibilidades. Porque sonhar, querer mudar e passar por experiências diferentes, é comum a todas as idades.


Dedicado à Ana Sénica, que sem querer e sem saber me fez lembrar com era bom ter 20 e como é bom ter quase 40.

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