Quando a barriga começou a fazer-se notar, bem mais depressa do que que imaginei, surgiu a necessidade de informar colegas e amigos que vinha aí bebé.
Descobri, com o crescer da cria na barriga, que as pessoas mostram muito afecto às grávidas. Recebi carinho genuíno, muitos sorrisos e desejos de felicidades. Faziam-me muitas perguntas, quase sempre as mesmas, que respondia sempre muito contente por poder repetir vezes sem conta quantos meses faltam, que estava tudo bem e que me sentia super feliz. E começou a surgir também repetidamente a pergunta "preferes menino ou menina?". Estranhei a primeira vez que me fizeram a pergunta, e a segunda e a terceira e quarta...até que, depois de alguns meses de gravidez e de algumas conversas com mães (principalmente com mães e não tanto com pais), finalmente percebi porque era tão diferente para os pais ter um menino ou uma menina.
Sou pouco atenta ao que não me interessa. Sou aliás pouco atenta a tudo no geral e como a maternidade nunca foi assunto que me tivesse interessado até não o poder evitar (afinal ia ter em breve um bebé nos braços para educar), só aí me apercebi a diferença com que se educam meninos e meninas desde que nascem.
Nunca preferi nada, nem menino nem menina. Ia ser feliz com o que a natureza colocasse na minha barriga. Ia ter os mesmos sonhos para um menino e para uma menina, ia educar os dois da mesma forma, pelo menos no que diz respeito ao que gostaria que fossem como pessoas. Mas descobri que não é assim. Que o papel que supostamente temos no meio onde vivemos é definido pelos pais desde que lhes nasce um filho ou uma filha. Porque as meninas são mais sossegadas e meiguinhas e os meninos são mais traquinas e divertidos. Porque os meninos jogam à bola, gostam de construções, vão ser mais independentes e um dia chefes de família. E as meninas fazem mais companhia às mães, ajudam em casa e são carinhosas. Carinho, essa coisa de menina que se for característica de um menino ainda me sai maricas! Murros e pontapés é coisa de menino que as meninas querem-se amansadas.
Nem sabem o que perdem as mães que por aí andam a achar que é assim desde que os filhos nascem. Que se tiverem filhos não têm a amizade que uma menina lhes podia dar, essa aliada, que nos ajuda a vencer a tirania dos maridos, que não fazem nada lá em casa. Afinal, foi a mãe que o ensinou a ser assim, essa mãe que eu também sou.
Fiquei surpreendida quando pela primeira vez vi com atenção as lojas de brinquedos e não percebi porque é que os meninos brincam com dinossauros e as meninas com tábuas de passar a ferro. Os meninos fazem experiências de química e vulcões e as meninas pintam princesas.
Não me agrada esta preferência pelo menino ou menina, devíamos ficar feliz com o que deus nos pôs na barriga para educar, para ser gente boa um dia, que mostra respeito pelo próximo e que vê no afecto e carinho a melhor forma de construir uma família. Seja qual for a forma que se escolha para o mostrar. Mesmo ateia, acho que deus há-de castigar quem fica triste porque lhe saiu menino quando queria uma menina.
A Sarinha vai brincar com os comboios que imagino que vai construir com o pai, brincar com as bonecas que lhe vão oferecer, usar os vestidos que quer ou as sapatilhas sujas que lhe apetecer. Vai ser amiga da mãe e do pai se deus quiser. E o pai já prometeu que a leva a pescar. E um dia, vamos os três ao estádio do Dragão ver o FCP.
A Sarinha vai ser uma grande mulher. Que sorte tem a mãe e o pai dela!

1 comentário:
Bem se ela brincar com os comboios vai sair à Mãe que ia la para casa brincar com os carrinhos do meu irmão. ihihih
O que nós Mães queremos mesmo é que eles sejam felizes e Boas pessoas e como costumamos dizer "ter muita saude"...
Sara
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