17 março 2008

Sobre Ler

"There is only one way to read, which is to browse in libraries and bookshops, picking up books that attract you, reading only those, dropping them when they bore you, skipping the parts that drag - and never reading anything because you feel you ought , or because it is part of a trend or a movement. Remember that the book which bores you when you are twenty or thirty will open doors for you when you are forty or fifty - and vice-versa. Don´t read a book out of it´s right time for you."
Doris Lessing

16 março 2008

Atitude Nim

Atitudes nim são aquelas que nem não nem sim. Dão um bocadinho, depois tiram mais do que esse bocadinho, mas fica sempre um finzinho que se pode ir puxando, com a pontinha das unhas, aquela última esperança de se poder agarrar com força algo que nos contínua a fugir das mãos. E vamos tentando, usam-se várias técnicas e instrumentos. É quase como tentar tirar com uma pinça o pêlo que nasce debaixo da pele. Sentimos que o agarramos, mas ele não sai. Teimoso, está cá fora, mostra-se mas não vem ter connosco. Diz que não e nunca que sim. Nunca diz definitivamente que não, porque nunca se sabe, ainda vai haver um dia que talvez seja sim. Hoje não porque isto, amanhã também não porque há o outro, depois também não sei ao certo. Mas um dia vais ver, ainda acaba por acontecer. E até lá é Nim. Nem não, nem sim.

14 março 2008

Cheiro a Mim

Quando me mudei, a minha casa acabada de alugar tinha cheiro a humidade e cimento ainda por secar, cheirava a vazio e a eco, a água parada que se corria nos canos saía fria nas torneiras. Cheirava a fios eléctricos, tinta fresca na parede e tijoleira gelada. O pátio cheirava a terra molhada e musgo.

A minha casa amarela agora cheia a mim. Aos meus cozinhados, à minha sopa de legumes, a torradas de pão de mistura com compota de morango e a chá de jasmim. O meu quarto cheira ao meu sono e às minhas roupas. Da cómoda vem o cheiro do meu perfume e das toalhas de banho lavadas. Na casa-de-banho sente-se o cheiro do meu champô e do Pato azul (tem que ser o azul!).

Às vezes cheira-me a jantares com amigos, a louça por lavar do dia anterior e a garrafas vazias. Ou a noites solitárias de sofá, livro e cobertor branco. No pátio cheira a bunganvília, rosmaninho e tulipas.

Cheira-me a tudo o que é meu e me é familiar. Cheira às coisas que eu gosto, e ao calor que antes não havia. Agora, isto tem cheiro a mim.

12 março 2008

Ondas Cerebrais

Ondas Alfa - Férias na Tailândia
Ondas Beta - Depois de três dias de trabalho

05 março 2008

Peixinhos

Vi peixinhos mesmo ao meu lado. Peixinhos coloridos, que brilham ao sol, pequeninos em cardumes, grandes com pintas fluorescentes, algas, corais, plantas que dancam ao sabor da corrente do mar. E nadei ao lado de tudo isto, com estes seres todos quase a tocar-me.
Depois comi num restaurante em cima do mar a ouvir boa musica, dormi e acordei com o som das ondas a bater nas pedras da praia em frente ao meu quarto. Abri a janela e fiquei deitada a olhar para o mar.
E senti-me mesmo feliz por estar numa ilha cor de pistachio com mar quente e muito azul. Mesmo tendo partilhado o quarto de noite com um lagarto verde e castanho do tamanho de um jacare!!!
Aproveitem as cronicas bem humoradas. Domingo voltamos ao negrume haitual.

03 março 2008

Κοh Ταο

E a prenda de aniversario para mim propria sao 4 dias na ilha de Koh Tao. Acho que e das mais pequenas e nao ha nada para fazer a nao ser praia e mergu;ho. Como nao posso fazer mergulho, vou fazer snorkeling, que tambem da para ver peixinhos! E passa a ser este o terceiro e final desejo destas ferias.

Comeco a pensar na vida pos ferias o que e mau. No trabalho, no dinheiro que gastei e que talvez me faca falta....

Espero que nada disto afecte os ultimos dias de ferias. Ja comeco a sentir um tom mais negro nas minhas palavras e nos meus pensamentos. Ainda por cima ontem conheci um alemao que me convenceu ir comer a um Night Market (stands de rua) e pela primeira vez desde que estou ca, estou mal da barriga :(

Mas como diz a minha Mae, tudo passa. E nunca nada e tao mau como parece.

02 março 2008

Old Sukhothai

E o desejo numero dois foi realizado: passear de bicicleta no parque historico de Sukhothai. Sai do hotel as 8 da manha, apanhei um transporte que demorou meia hora a chegar l'a, aluguei um bicicleta e estive a bicicletar ate as 15h, quando as pernas me pediram para parar. Apanhei o transporte de volta ao hotel e agora estou a tentar decidir que autocarro apanho para Bangkok. Chegam la todos a meio da noite e tenho medo. Nao sei o que fazer.

Quanto ao passeio, adorei, fartei-me de tirar fotos e foi ate agora o que de mais bonito pus a vista em cima. Paisagens lindissimas, com templos esplalhados por todo o lado.

Estou super cansada. Vou pedir 'a dona do hotel para ficar no restaurante 'a espera da hora do autocarro (ainda falta imenso).

Vou escrever postais.

01 março 2008

Sukhothai II

Mercado - chillies

Mercado - legumes frescos

Mercado - vendedora de peixe

O meu bungulow para esta noite

Sukhothai

De acordo com o meu guia, Sukhotai so vale a pena pelo parque historico, sendo a cidade pouco interessante. Depois de mais uma daquelas viagens que s'o lembra 'a Claudia (4 horas de Pai a Chiang Mai e 5 e meia ate aqui), nao cheguei a tempo de ir visitar a area que a UNESCO considerou patrimonio mundial. Fica a visita para amanha.
Perguntei no hotel o que fazer e sugeriram dar um passeio pelo mercado. E foi a surpresa total. Pela primeira vez desde que estou aqui vejo um mercado para Tailandeses em vez de mercado para turistas. Adorei. Ver as frutas, os peixes, as roupas, as tralhas para casa. Entrei em mercados escuros e sujos. Entrei num que me chamou pelo cheio nauseabundo. Era o mercado da carne. Nem consigo descrever o cheio pestilento que saia daquele buraco escuro onde se viam cabecas de porcos, galinhas cortadas aos pedacos e entranhas. Tudo a ser abanado por uns abanicos feitos de folhas de uma qualquer planta, para afastar as moscas. Refrigeracao, que e' isso!!!?? Um nojo...um nojo!
Pedi para tirar algumas fotos mas devem estar escuras. E ja agora fica aqui tambem o bungalow onde vou dormir esta noite. Todo so para mim! (proximo post)

29 fevereiro 2008

Hoje nao ha' cronica, so programa de festas

Hoje tinha duas hipoteses, (a) ia numa excursao ver as mulheres pescoco de girafa (b) ficava nesta terrinha. Escolhi a opcao (b), sem nada para fazer. Entao toca de arrnjar coisas para me entreter. Tomei o pequeno almoco (panqueca com mel e lassi de manga), aluguei uma bicicleta chunga (sou mesmo burra, escolhi a pior), dei uma passeio de hora e meia debaixo de calor torrido, tive que parar porque a asma assim mandou, tirei montes de fotos de vacas, vim ver os emails. Agora vou fazer uma massagem. Estou so a escolher um sitio com ar limpinho. Tambem tenho que escolher se quero massagem Tailandesa, com oleo, aos p'es ou com ervas.

Ai vida dura esta!!

Amanha vou a Sukotai (antiga capital do Siao) e depois vou tentar arranjar um voo que me leve para a praia. Isto se ainda tiver tempo.

Nao ponho mais fotos porque descobri que as fotos que ponho aqui a partir da maquina fotografica, desaparecem dando File Error. Agora estou com medo de por mais fotos e ficar sem elas.

Beijinhos, vou voltar a pedalar no meu chasso com nome de bicicleta.

PS - maezinha, continuo bem de saude, ainda nao fiz asneirs (a nao ser andar de mota sem capacete mas isso nao conta) e estou a descancar muito. Diverte-te em Londres

28 fevereiro 2008

Claudia, A Teimosa

Depois do mergulo nas cascatas do rio Kwai, depois de ver uma das escavacoes feitas pelos prisioneiros de guerra para a linha de caminhos de ferro que os Japoneses queriam construir entre Tailandia e Burma, depois de andar no comboio que vai sobre tal caminho e depois de duas fotos 'a Death Bridge, uma daquelas ideias tipicas da Claudia veem ao ar!!!
E se eu assim de repente apanhasse o autocarro das 18h de volta para Bangkok (eram 17h30), e apanhasse o autocarro da noite para Chiang Mai (norte da Tailandia)?
Sem tomar banho, pego na mala, vou para a estacao de autocarro compro o bilhete, compro um pao e um leite com chocolate e enfio-me no autocarro de volta a bangkok. Se tudo corresse bem e a viagem durasse duas horas como previsto, ainda apanhava o ultimo autocarro para Chiang Mai. Mas houve um atraso de 30 minutos. E eu cheguei 'a estacao sul de Bangkok atrasada. E o autocarro para Chiang Mai era na estacao Norte. Meto-me num taxi toda stressada, com um condutor todo Zen a ouvir musica Tailandesa e chego 'a estacao norte dez minutos antes do ultimo autocarro sair para Chiang Mai. Apanhei o das 21h30.
10 horas de viagem num autocarro VIP que so' descrito! Bancos quase camas, cobertores, almofadinhas, cortinadinhos na janela...tudo muito Kitch e com rendinhas. Um funcionario vai distribuindo agua, um caixinha com bolinhos, mais tarde uns toalhetes refrescantes e de manha, um cafe. Mas que luxo. Fez-se bem a viagem apesar de ter pago um bocadinho mais do que queria.
Ora ja somava 13 horas de viagem e chegando a Chiang Mai decido ir directamente para Pai. Depois de perguntar em varios das centenas de guichets onde podia comprar um bilhete, descobri que uma carrinha saia para Pai 'as 7h30 da manha. 134 km que demoraram 4 horas porque era uma estrada serpente. Chego a Pai mais morta que viva e vou procurar hotel. O primeiro nao me agradou. Muito escuro. O segundo...super relax!!! Tenho um quarto enorme com almofadas no chao, um jardim cheio de tapetes para relaxarmos debaixo das arvores...so visto. Tudo isto na margem do rio.
Dormi um bocadinho no jardim, ate acabarem de me limpar o quarto, tomei banho e fui comer um green curry e beber um mango lassi. Ja com mais algumas forcas, decido que quero ir ver um templo no cimo da montanha. E forcas nas pernas??? Nao havia. Perguntei numa agencia de excursoes como havia de fazer. O senhor chamou uma mota-taxi, e la fui eu de mota, com um tailandes simpatico a levar me ao templo e a uma aldeia muito pitoresca Valeu mais o passeio de mota que o destino. Foi divertido, fresquinho (porque quase se morre de calor) e agora nao consigo pentear o cabelo.
Desconfio que o cansaco me vai atacar em breve. Ja estou a sonhar com o colchao debaixo da arvore no jardim do meu hotel.
Vou deitar-me. Mais uma vez o calor esta a moer-me o corpo. Amanha vou fazer uma massagem.
PS - para quem perguntou sobre as mulheres girafa, decidi que nao vou ve-las. Nao me apetece ir a um jardim zoologico humano.

Erawan Waterfalls - Desejo Numero 1 Realizado




26 fevereiro 2008

E 'ha vezes que parece que l'a de cima querem que descance

'Esta manha, meti-me na mini van que me ia trazer para Ranchanaburi. Dormi a maior parte da viagem. O que nao admira porque ando sempre com sono, ja comeca a chatear.
Sai' da carrinha depois de duas horas de viagem e, estando na rua mais turisitica pus-me 'a procura de um hotel que viesse mencionado no lonelyplanet. 'E sempre uma escolha segura porque mesmo sendo maus, nunca sao assim tao maus que nao se consiga la dormir. Andava 'a procura de um hotel que se chamava Bamboo house e que ficava mesmo em cima do rio Kwai. Mas mal comecei a caminhar vi uma seta para o Jolly frog cuja descricao do lonelyplanet era algo assim: o melhor relvado com vista para o rio apesar dos quartos serem pouco limpos, assim como os backpackers que l'a ficam a dormir.
Resolvi entrar e ...tcharam...relvado paraiso com arvores cheias de flores, quartos todos virados para o patio e cadeiras de praia espalhadas por todo o lado. Pedi para ver o quarto antes de me comprometer em ficar no Jolly Frog. Ok, a casa de banho de facto nao e das mais limpas e vou ter que usar o meu lencol-cama para onseguir dormir, porque os lencois que estao na cama...enfim...certamente que os clientes que la dormiram antes nao se queixaram (nao sei se se lembram desta anedota).
E foi assim que...mal pousei a mochila no chao, vesti o bikini e apanhei um solzinho maravilha com vista para as montanhas que rodeiam Kanchnaburi e que servem de pano de fundo para o rio Kwai. So fui perturbada pelas folhas que caiam das arvores e pelos barcos que passavam de vez em quando.
Ainda decidi caminhar um pouco pela cidade e tentar chegar a estacao de autocarro para pedir informacoes. Mas depois de uma hora a caminhar sob sol torrido, e de ter a blusa de linho colada ao corpo, pedi ajuda a dois hippies americanos que me arranjaram um riquex'o que me levou 'a estacao e depois ao cemiterio dos POW.
Amanha vou nadar nas tais cataratas de que vos falei, depois vou ver um museu sobre prisioneiros de guerra na segunda grande guerra e depois vou andar de comboio e passar por cima da ponte!!!
Depois vou fazer uma coisa super estupida. Vou-me meter num autocarro de volta para Bangkok, sem tomar banho nem nada, para tentar depois apanhar o ultimo autocarro para Chiang Mai, que fica a 10 horas de Bangkok. Quero fazer a viagem durante a noite. Mas digo vos ja que o mais provavel e chegar a bangkok e ter que arranjar um sitio para dormir ja bem tarde, e acabar por fazer a viagem de manha. Mas quem nao arrisca, nao petisca. E eu tou com vontade de fazer coisas assim. Arriscar um bocadinho e preocupar-me apenas com o que 'e realmente importante.
Esta' sempre tanto calor. Que ultimamente a minha melhor amiga e' a garrafa de agua.
T'as a ver maezinha, ando a tirar dias para descancar como te tinha prometido e nao ando para aqui feita doida a fazer coisas. Hoje ja tirei duas sonecas no relvado do hotel e uma no meu quarto. E agora meus caros...vou dormir outra vez. Amanha acordo cedo e o calor moi-me o corpo.

25 fevereiro 2008

A Ilusao das Ferias - 15 dias em que podemos deixar de ser nos.

Vir de ferias sozinha pareceu para muita gente algo anormal. Pois a verdade e' que sabia que nao me ia arrepender. Escolhi bem o destino. Um pais cheio de gente simpatica, organizado, talvez pagando se um pouco mais para ter a tal organizacao, mas valendo a pena.
Para quem estava preocupado com seguranca: Nunca senti perigo nenhum, e' tudo muito pacato, desde que se tenha uma boa dose de bom senso.
Para quem tinha medo que deprimisse com a solidao: ainda nao comi uma refeicao sozinha com a excepcao do noite em que cheguei ca. Ontem passei o dia com o Eric, do Quebec, e hoje fiz uma excursao e conheci uma holandesa e uma canadiana que convidaram para jantar no final da excursao.
Estou a conhecer pessoas simpaticas, normais, interessantes, estou a comer super bem, o tempo esta bom, os tailandeses sao simpaticos, os tuc tuc sao todos novinhos, ja vi mais de um milhao de budas em todas as posicoes possiveis, e ja percebi o fascinio dos homens com as tailandesas. Tem sempre um sorriso e em vez de caminhar, bamboleiam o corpo delgado e fragil. A unica altura em que se acaba a delicadeza e' quando nos torcem todos nas massagens (sim, estou viciada, mas a 5 euros por hora, qualquer um ficaria).
Nao vos consigo explicar porque gosto tanto da Tailandia. Nao ha nada que seja absolutamente "breath taking". Talvez seja por ter vindo com expectativas tao baixas e ter apanhado uma enorme surpresa. Talvez seja porque nao me estou a preocupar com nada, apenas no que vou fazer a seguir....e mesmo assim...
Amanha parto para Kanchanaburi, para ver a ponte que inspirou um dos meus filmes preferidos (The Bridge on the River Kwai) e cheia de esperanca de conseguir um guia que me leve a nadar numa queda de agua com sete cataratas.
E e' este o meu objectivo para amanha. Nadar debaixo de quedas de agua. E continuar a sentir-me feliz.

20 fevereiro 2008

No Sábado

Aconteceu muita coisa esta semana. Estive sempre a sentir-me cansada, com alguma coisa para fazer. Tão ocupada estive que ainda nem tive tempo para começar a fazer a mala para ir para a Tailândia. Sexta-feira saio do aeroporto de Lisboa. No Sábado estou em Bangkok.

11 fevereiro 2008

O Maior Drama da Humanidade

Na opinião de D. José Policarpo, "o ateísmo e a indiferença em relação a Deus constituem o maior drama da humanidade".
Cá eu acho que ele devia fazer umas férias a um campo de refugiados num país longe daqui mas de qualquer forma, sinto me importante por saber que contribuo para um drama desta dimensão. É um bocado como fazer parte do elenco de uma telenovela da noite.
O D. Policarpo diz-nos ainda que "um descrente não pode imaginar o que é viver com Deus." E realmente tem toda a razão. Já vivi com um Sueco e a experiência foi boa. Agora moro sozinha e acho que ainda é melhor, com a desvantagem de não ter com quem dividir as contas. Tenho um quarto vago na minha casinha. Se deus não se importar de pagar metade da renda, terei todo o gosto em recebê-lo. Também gostava de saber como é viver com deus. Deve ser arrumadinho. E aposto que põe a tampa da sanita para baixo.

09 fevereiro 2008

Sempre muita coisa


Sentir alguma coisa forte constantemente. Emoções que me impeçam de pensar, que me ocupem o tempo, não ter tempo para parar, preocupar-me sempre com algo, preocupar-me, stressar, sentir muita coisa, fazer muitas coisas ao mesmo tempo, ter sempre medo, sensações novas, que me façam sentir bem ou que me façam sentir mal, mas que me façam sentir. Ir onde não conheço, fazer o que nunca fiz, ir para casa por uma rua escura, arriscar e mudar muitas vezes. Ter peso na consciência porque não era suposto gostar, ter preconceito contra mim mesma porque foi bom, ou foi mau, mas foi qualquer coisa, sentir-me mais desperta, mesmo sentindo-me pior, sentir-me bem assim, sentir-me culpada, com medo de me arrepender de o fazer, de me arrepender se não o tivesse feito, com medo que fiquem a saber. Que me sinto bem, que me sinto mal, que penso demais, que é tudo pesado, que foi bom, que me senti bem e depois mal mas bem no final. Sentir desejo para não sentir mais nada. Sentir desejo porque prometi não sentir mais além e contentar-me com isso. Nao querer mais afinal. Ter vontade de muita coisa, de saber e de ver mais, do que vem a seguir, não ter medo de ter medo, não deixar de fazer nada por o ter, saber que nunca é tão mau como antecipamos. Afinal não foi assim tão mau. Chegou até a ser bom e valeu a pena. Fizeste-me sentir desejo.

08 fevereiro 2008

"I heard an old religious man
But yesternight declare
That he had found a text to prove
That only God, my dear,
Could love you for yourself alone
And not your yellow hair."

William Butler Yeats

07 fevereiro 2008

Música para Quinta-Feira à Noite



Don't you know that I'll be around to guide you

Through your weakest moments to leave them behind you

Returning nightmares only shadows

We'll cast some light and you'll be alright for now

Crosses all over, heavy on your shoulders

The sirens inside you waiting to step forward

Disturbing silence darkens your sight

We'll cast some light and you'll be alright for now

Crosses all over the boulevard

The streets outside your window overflooded

People staring they know you've been broken

Repeatedly reminded by the looks on their faces

Ignore them tonight and you'll be alright

We'll cast some light and you'll be alright

05 fevereiro 2008

Morar na Aldeia

Através do Google Earth, vejo todas as piscinas das casas da vila onde moro. A vista de cima, ao longe, mostra apenas aquilo que normalmente queremos ver. Prosperidade e conforto, um mundo igual ao nosso . Esconde-se a realidade que preferimos não conhecer, escondida atrás de portas onde não entram satélites.

Quando espreito para dentro das casas de porta aberta, vejo interiores escuros, quase lúgrubes. Paredes por pintar, roupas a secar no quintal de terra batida, crianças despenteadas, velhinhos sentados em bancos e mulheres a quem não sei adivinhar a idade.

Hoje, enquanto tentava abrir a fechadura ferrugenta da caixa de correio, a minha vizinha da frente veio falar comigo. Perguntou “vai mudar-se para essa casa?”. Respondi que já me tinha mudado há umas semanas. “Casa grande..:” Sim, é grande para uma pessoa. “Mora sozinha?? Pensei que tivesse marido. Eu também estou sozinha. Estou divorciada. Moro com os meus dois filhos."

Os dois miúdos olhavam para mim, do lado de fora do portão.

Então não mora sozinha, tem os dois filhos. Sempre tem mais que eu.

“É verdade. Mas a minha casa dava era para sí. Um quarto, a sala e a cozinha. Pago 35 contos. A sua deve ser mais cara. Sabe, agora estou desempregada. Recebo o fundo de desemprego. Até há pouco tempo trabalhava e ainda trazia 80 contos para casa. Agora trago um bocadinho menos. Mas então mora aí sozinha...numa casa tão grande...Estamos as duas sozinhas. Eu ainda tive um namoro mas ele não me tratava muito bem. Ainda me manda mensagens de vez em quando. Mas eu...sabe como é. A senhora é que deve ganhar bem, que essa casa ainda deve ser cara para um pessoa. Onde é que trabalha? Aaah, conheço. Pois, aí devem pagar bem.

Fiquei sem saber como se chamava. Disse que se precisasse de alguma coisa podia bater-me à porta, agora que já me conhecia. Não quis saber mais do que já tinha aprendido. Também eu queria ver só as casas com piscina. E não queria que as vidas dos outros entrassem na minha.

Quando comecei a ter vontade de ir embora para outro país, há já muitos anos e porque Portugal sofre de pobreza económica e de espírito, porque as mentalidades são estreitas e porque as oportunidades são poucas, a minha mãe disse que talvez fosse minha obrigação ficar. Em vez de fugir a isto devia fazer alguma coisa para mudar. Voltei e continuo a saber que não vou mudar nada. Mas fico contente por conhecer vários sítios e agora esta aldeia. Porque ficamos a saber e vemos de mais perto, que as vidas dos outros são diferentes das nossas. Às vezes para melhor, às vezes para pior e outras simplesmente diferentes. Não tento mudar nada, mas descrevo o que vejo. E cada um que retire daqui a mensagem que quiser. Sei que não vou ensinar nada a ninguém.