14 março 2008

Cheiro a Mim

Quando me mudei, a minha casa acabada de alugar tinha cheiro a humidade e cimento ainda por secar, cheirava a vazio e a eco, a água parada que se corria nos canos saía fria nas torneiras. Cheirava a fios eléctricos, tinta fresca na parede e tijoleira gelada. O pátio cheirava a terra molhada e musgo.

A minha casa amarela agora cheia a mim. Aos meus cozinhados, à minha sopa de legumes, a torradas de pão de mistura com compota de morango e a chá de jasmim. O meu quarto cheira ao meu sono e às minhas roupas. Da cómoda vem o cheiro do meu perfume e das toalhas de banho lavadas. Na casa-de-banho sente-se o cheiro do meu champô e do Pato azul (tem que ser o azul!).

Às vezes cheira-me a jantares com amigos, a louça por lavar do dia anterior e a garrafas vazias. Ou a noites solitárias de sofá, livro e cobertor branco. No pátio cheira a bunganvília, rosmaninho e tulipas.

Cheira-me a tudo o que é meu e me é familiar. Cheira às coisas que eu gosto, e ao calor que antes não havia. Agora, isto tem cheiro a mim.

3 comentários:

Vespinha disse...

Viva! E vens com boa disposição! Não há nada como a nossa casinha, mesmo que a tenhamos à venda. Que pré-nostalgia que já sinto...

Anónimo disse...

Gosto do teu cheiro...e ainda mais dos teus cozinhados ;)

Nuno R

k. disse...

Que cheirinho... que bom é sentirmos as coisas como nossas!