28 janeiro 2015

Silêncio



Recebi hoje uma dica genial:

Tem atenção ao que te entra na boca e ao que sai de dentro dela.

E se hoje me apetece pouco escrever sobre os alimentos que meto à boca, apetece-me mais escrever sobre o discurso que sai dela.

Foi em silêncio que comecei a ouvir uma voz dentro da cabeça que não é nada simpática. Decidi que é melhor deixar de a ouvir.

É em silêncio que me apercebo da importância que o silêncio tem. Obriga-me a ouvir meus pensamentos. Causa desconforto mas traz algumas soluções.

Faz-me ter vontade de ficar em silêncio  todas as vezes que falei com os lábios demasiado perto do coração. Faz-me também vontade de ficar em silêncio quando me apercebo que tenho que ter cuidado com os meus pensamentos pois estou sempre a ouvi-los e mais importante ainda, quando falo, os outros ouvem-nos também. É o metafísico a manifestar-se no físico. Ninguém precisa de comunicação negativa. O silêncio permite-me parar antes de falar e pensar se vale mesmo a pena dizer o que estou a sentir.

O silêncio pode ser tantas coisas e servir para outras tantas. Uma vingança, a ignorância ou uma defesa. Agora é uma questão de sobrevivência. É cansaço com uma pontinha de desistência ou renúncia. Há tanto que eu não posso mudar que desisti de argumentar. Mesmo correndo o risco de ser mal interpretada.


Com grande pompa e solenidade diz-me uma voz cá dentro: "Silêncio que se vai cantar o fado!". E fico calada. Em silêncio a ouvir a dor disfarçada de alguém.

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