06 Novembro 2009

Bavo Defurne - Short Sailor Movie

04 Novembro 2009

Está mal

Ontem fui buscar conforto no sofá da minha mãe. Normalmente isto acontece quando preciso de me sentir na protecção de quem me pôs no mundo e que durante tantos anos me protegeu contra as crueldades da vida. Agora que tenho que me defender sozinha, ainda sinto necessidade daquele refugio. E durante uma noite, na sala da casa de Espinho, o mundo fica mesmo lá fora.
Jantei e deitei-me no sofá a ver televisão. Quando a minha mãe se foi deitar, cobriu-me com uma manta e eu fiquei na posse do comando a fazer zapping pelos 50 canais da TVcabo. Por volta das onze da noite, parei no canal 2 e vi uma entrevista com a Sónia Tavares, um documentário sobre uma aldeia perdida algures no interior de Portugal e outro sobre direitos humanos na Nigéria. Três programas da responsabilidade de jornalistas portugueses, muito mais interessantes do que telenovelas, do que a Catarina Furtado enfiada numa mini-saia do Nuno Baltazar ou do que a Diana Chaves a mandar em paredes. E imagino que os jornalistas dos documentários da RTP2 se sintam injustiçados, porque têm muito mais a ensinar do que os programas em hora prime. Mas é o PQT - País que Temos - e vivemos assim. Ou sem TV, ou a ver os Idolos ou a dormir muito tarde para ver o que nos interessa.
É grave? Não. É injusto? Sim. Está bem? Não, está mal.

28 Outubro 2009

Facebook e Albertine Agnesplein

Descobri o facebook no dia em que fiquei doente, e na cama, fui navegando a internet.

O que é fixe no facebook é voltar a "encontrar" pessoas de quem já não ouvia falar há imenso tempo. Como por exemplo os meus room mates da Albertine Agnesplein, a Casa de Estudantes Internacional onde morei em 1997 / 1998, quando fui estudar para Groningen.

Tinhamos todos à volta de 20 anos, vinhamos de todos os países da Europa e aquela casa era uma rebaldaria. Não se dormia antes das tantas da manhã, as festas eram várias por semana e cheirava a coffee shop por todo o lado.

Fui recebendo convites destas aves raras e foi uma viagem ao passado mas...com gravatas em vez das t-shirts rotas, com fotos envelhecidas 10 anos e adultos em vez de crianças. Descobri que se deram todos bem na vida e que quase todos têm filhos. E, com um gap de 10 anos, custa-me imaginar o François, um francês que não lavava as meias e que comia massa com ketchup a quase todas as refeições com filhos e com a função de engenheiro numa multinacional qualquer, a Virginia com dois filhos e a trabalhar em Marselha. O Klaus tem na foto de perfil um bebé ao colo. Estão todos velhos. Como eu.

E fazer umas asneiras há 10 anos atrás não parece ter feito mal a nenhum deles. Provavelmente só fez bem.

19 Outubro 2009

Acordei Doente

Esta manhã acordei doente. Já me sentia em baixo há uns dias e hoje de manhã estava com febre, dores de garganta e a cabeça pesada.

Ainda me levantei para ir ao supermercado mas fiquei cansada e voltei para a cama. Comprei duas revistas e um DVD. Com o computador ao meu lado e a mão fora do edredon, ia navegando na internet com o indicador esticado, a olhar de lado para o ecran.

Li a revista Saber Viver, vi o 4º episódio do documentário Périplo, passei tempo no facebook, procurei receitas no google. Bebi muito chá e quando tinha fome arrastei-me da cama para fazer torradas e comer o bolo que a minha "sogra" me mandou no fim-de-semana. Custa-me levantar até para ir buscar lenços de papel para apanhar o ranho que me corre do nariz.

Ainda tenho a Volta ao Mundo para ler, depois do jantar que vou fazer agora: Sopa de Espinafres e Beringelas com molho de tomate.

Vou-me enrolar em roupa quentinha e vou para a cozinha.

Isto de estar doente nem era tão mau não fosse o mau-estar e as insuportáveis dores de cabeça. E hoje queria muito que o meu namorado morasse mais perto.

Morar sozinha é fixe, excepto quando estamos doentes sem ninguém para tomar conta de nós.

17 Outubro 2009

Publicidade anti-tabagica

15 Outubro 2009

Volubilis

Moulay Idriss

Vendedor de água - Méknes



Umas férias azaradas



Eu gosto de ir escrevendo no meu blog durante as férias, mas desta vez e porque não fui sozinha como é o habitual, foi mais complicado ter tempo ao final do dia para passar uma hora a actualizar as minhas crónicas. Para além disso, os teclados em árabe não ajudavam nada.
No dia 4 de outubro fui para Marrakesh e fiquei 3 noites numa Riad lindíssima, uma casa dentro da medina, renovada por um francês. As Riads são casas com patios no meio e com quartos virados para o centro. Esta Riad estava muito bem decorada, apesar de muito simples. De manhã tomava o pequeno almoço no terraço. Panquecas, iogurte, bolo e compotas, tudo caseiro, feito pela cozinheira marroquina, Radia. Estava a 5 minutos da Praça Djeema El Fna, onde de noite se pode ficar horas sentado a ver o mundo passar e a beber chá de menta. Jantava numa das barracas da praça, a nº 1 - Aicha, onde uma senhora espaçosa comandava o seu negócio e os empregados de mesa, enquanto cozinhava.

Depois de Marrakesh fui para Fez, onde desaparece a beleza de Marrakesh e onde o cor de laranja é substituido pela branco sujo e cor da terra. Entrar na Medina de Fez é uma viagem no tempo e custa a acreditar que ainda se viva e trabalhe assim.

E o azar começa quando chegamos a Fez às 3 da manhã e o hotel que devia ter o nosso quarto reservado, não o tinha, e nos deixaram ficar na rua numa cidade onde todos os hoteis estavam cheios. No dia seguinte, para variar da comida marroquina, fomos a uma pizzaria recomendada pelo lonely planet e ficamos os dois com a maior intoxicação alimentar das nossas vidas. Dois dias de cama. Quando quisemos sair de Fez e apanhamos o combóio para Méknes, distraídos, não saímos na estação certa e tivemos que esperar para voltar para trás. Apesar de Méknes ter sido interessante, e de uma visita a Volubilis e Moulay Idriss que valeu a pena, o final das férias também não foi feliz. Fomos a Rabat e Casablanca e foi uma seca. Nem um museu, um monumento, nada para ver. Em casablanca apenas muito trânsito e prédios dos anos 20, art-deco, com vidros partidos, neons, parabólicas, sujos e a cair aos pedaços.

No geral, correu mal, mas mesmo assim, vi aquilo que já há muito tinha curiosidade e valeu a pena: Marrakesh é a mais bonita cidade de Marrocos, Fez é uma viagem ao passado, e Méknes, Volubilis e Moulay Idriss uma lição de história.

Perdi a vontade de viajar outra vez de mochila às costas. Começo a perder a paciencia e falta-me a energia. Até à próxima...


Aicha - Djemaa El-Fna




Restaurantes na Djemaa El-Fna

08 Outubro 2009

Fez





05 Outubro 2009

Marrakesh




Marraquexe e' mais civilizado do que eu imaginava. Nao me sinto assediada por vendedores como imaginava; as ruas e souks sao mais limpos e organizados do que estou habituada. Fiquei alojada numa Riad - casa tradicional marroquina - lindissima, com um pequeno almoco delicioso, servido no terraco, preparado pela Radia, uma marroquina muito bonita. O teclado arabe torna a escrita quase impossivel. Amanha tento outra vez

02 Outubro 2009

Vou visitar a minha tia a Marrocos

Vou de férias. Desta vez, acompanhada, o que significa que não sei se vou ter tempo para, ao fim do dia, escrever as minhas crónicas de viagem neste blog. Vou tentar deixar umas fotos e notícias.
No Domingo, já janto em Marraquexe.

01 Outubro 2009

Anos 60


Maurice Evansky - 1969
Corte de Cabelo com pequena franja, com camadas mais longas dos lados, cobrindo a parte de trás do pescoço.

22 Setembro 2009

Quem quer casar com a Carochinha

Era mesmo bom se os namorados viessem como nós queremos, mas não vêm. Eu passo muito tempo a tentar mudar o meu, para mais tarde não me poder censurar por não ter tentado mais cedo. E mais vale ficar a saber, durante esta fase experimental, de grau de comprometimento baixo, o que vou exigir da convivência a dois, numa altura em que é muito mais dificil voltar atrás. Pelo menos já vai avisado que não vai poder deixar a toalha molhada em cima da cama, que vai ter que lavar a louça sem gastar um tanque de água, que o jornal a comprar é o Público e não o o Notícias, que há mais do que uma versão para cada história, e que a culpa não é sempre das mulheres, esses seres ingratos que devem abdicar de tudo para casar e ter filhos. É mudar hábitos, perguiças e mentalidade, para que fique mais parecido com o que eu penso. O que eu penso claro!! Como ainda não cheguei a velha (e de qualquer forma não conheço nenhuma velhinha que me saiba responder a isto), não sei se vale a pena tentar mudá-lo para poder ficar com ele para sempre sem me arreliar, se é melhor deixá-lo ser assim (como é suposto gostar dele) ou se o esforço é em vão e é melhor decidir agora se quero ficar com alguém com defeitos (porque tenho a mania que tenho sempre razão e sou perfeita). Nunca vou encontrar alguém que me agrade totalmente, nunca vou mudar alguém com esta idade toda, nunca vou tolerar certas coisas nos outros.

A verdade é que não consigo ficar calada quando assisto ou ouço algo que acho incorreto. E isso em mim não vai mudar nunca. O melhor é continuar assim e deixar que ele decida se quer ficar igual para sempre e arreliar-me, se quer mudar, o que exige um grande esforço, ou se não quer tolerar o que tento fazer com ele. Porque quem me ler agora fica a pensar que acho que a decisão é só minha.

Se me tentar mudar a mim, sabe de antemão que há coisas que não mudam. E o meu mau feitio é uma delas. É que a namorada não veio como ele queria.

Um momento musical

19 Setembro 2009

Oh Joy!

Oh alegria! Vêm aí as avaliações de desempenho. Saco de todas as técnicas de motivação e liderança, deixo alguns contentes e muitos zangados! A mania das comparações, a radio alcatifa e os boatos. E não é que eu até gosto de me sentar com as pessoas, falar sobre elas e ouvir o que têm a dizer sobre si mesmas? Gosto sim, só não gosto daqueles casos em que a mensagem não passa.
Com o dedo indicador, passo pela lista de todos os elementos da equipa: hoje, este não, hmm este fica para depois, e faço mal em deixar para depois os casos bicudos, não deixes para amanhã o que podes fazer hoje. E permito que o alfabeto resolva a questão das prioridades. Começo pelo A de Ana e acabo no Z de Zita, misturando assim os mais óbvios com os mais trabalhosos.
E quando a roda gira e os 360 graus se viram para mim, chega a minha vez de ouvir a minha sentença, e com um aceno de cabeça concordo que realmente sou tímida, para não ter que explicar que timidez se pode confundir com misantropia. E procupação com as pessoas tenho muita, mas se ninguém sabe o que penso, não se pode adivinhar.
É nesta altura do ano em que, a avaliar o desempenho dos outros, me avaliam a minha capacidade de comunicar. Porque só fica admirado com a avaliação que o seu desempenho recebe, quem não pôde ouvir ao longo do ano o que eu estava a pensar.
Chegou a altura do ano do reforço positivo e da boa disposição. Inspirar e estimular. Inspirar e expirar. Contar até 10 sempre que necessário.

12 Setembro 2009

E porque não me apetece pensar nisso...


E porque não me apetece pensar na grande burrice que possivelmente fiz esta semana, vou pensar em férias.


Este ano, por terem sido mal planeadas, as férias, ou melhor, a falta delas, foram dolorosas. Já não tenho férias há tantos meses que sinto o cérebro a dar curto-circuito, o mau-humor a tomar conta de mim em diversas situações, falta de paciência para as questões mais normais, e incapacidade para realizar tarefas complexas com a boa dose de positividade que torna a vida mais fácil.


Já tenho os bilhetes de avião marcados e o hotel para as três primeiras noites. E agora estou a fazer contagem decrescente até ao dia 4 de Outubro (faltam 22 dias). Estou quase em estado de hipnose.

Férias, férias, férias... - repetir até se tornarem realidade.

Crónica Uma Semana Emocional

De vez em quando acontecem situações que, obrigando-me a tomar decisões, fazem com que me fique a conhecer melhor. Esta semana fui confrontada com a oportunidade de voltar a ser imigrante. Com a vantagem de ir com despesas de deslocação pagas, emprego seguro, um desafio profissional, ou seja, muito diferente das minhas outras migrações de mala semi-vazia às costas e futuro incerto. E o que eu teria feito há 4 anos atrás? Nem hesitava, era mesmo o que eu queria. O que fiz eu hoje? Disse que não.
Porque me ia custar deixar o meu namorado, porque não sei se é bem isto que eu quero, porque não tenho tempo suficiente para pensar bem na mudança...mas na verdade, não foi por nada disto.
Deitei-me ontem sem saber ainda o que ia decidir e acreditei no poder de iluminação da minha almofada. Acordei de facto cheia de luz, e mesmo sem certeza nenhuma disse que não.
Não perguntei à família nem aos amigos mais próximos. Perguntei a mim mesma o que é que eu quero. E apesar de ter muito medo de me arrepender, sei uma coisa que mudou muito em mim nestes quatro anos: não tenho vontade de viver com a casa às costas, não tenho vontade de fazer amigos outra vez, não tenho vontade de estar sempre sozinha. Tenho muita vontade de comprar uma casa, casar e ter filhos. Pode ser daqui a muito tempo, mas se estou sempre a imigrar, nunca mais tenho estabilidade. E será que a estabilidade geográfica me vai trazer o que eu quero? Não sei.
Estou muito desiludida comigo própria. Eu não era assim. Cheia de medo, sem ambição, a preferir a vida pessoal à profissional. Mas não vale a pena forçar uma decisão que não me apetece tomar.
Prefiro ficar aqui a ganhar menos ao fim do mês, a fazer o mesmo trabalho mais uma porrada de anos, e sem conhecer pessoas novas, uma coisa que me agradava tanto. Prefiro poder ir jantar a casa da Angela sem avisar e chorar no ombro dela quando é preciso, prefiro ficar a fazer o jantar enquanto espero pelo barulho do carro do Cláudio a estacionar à porta de minha casa. Prefiro marcar encontros com a Sara mesmo que seja de vez em quando, ir ao Black Coffee com a Susana, lanchar em casa da mamã com os sobrinhos e a irmã, prefiro ter uma relação que um dia vai acabar e que não me dá garantias nenhumas de no futuro ter a tal casa, filho e marido que eu quero.
Prefiro as incertezas do que tenho cá, às incertezas do que posso vir a ter lá fora. E é fundamentalmente nisto que está a grande descoberta que fiz sobre mim mesma. Sou um embuste. E os sonhos que tinha de migração constante acabam aqui. Ou pelo menos enfraquecem.
Porque sabe-se lá, quando vier a proposta certa, as malas voltem a fazer-se. Por agora fico por cá. Já não sou a Cláudia que era.

04 Setembro 2009

E já me começo a aborrecer


Hoje, na revista LER, li o que disse o Miguel Sousa Tavares sobre viagens. O importante é o regresso, o que se encontra, chegar a casa...

Para mim nas viagens conta a viagem em si, a deslocação. Ir de um lugar para outro. Assim como na vida é importante saber que estou num caminho, a ir de um ponto para outro.

Nas viagens é o movimento que me distrai, e deixando-me cansada, impede-me de pensar no que não devo. Na vida seria o movimento a impedir-me de me aborrecer e poderia dar-me esperança de um dia chegar a um sítio qualquer.

Porque até hoje ainda não cheguei a lado nenhum.
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"Não se encontra o que se procura mas o que se encontra."
Miguel Sousa Tavares, sobre o que procura quando viaja.
Revista LER de Setembro 2009

24 Agosto 2009

Paz, nem que seja por 5 minutos

Estou habituada a viver rodeada por muito pouca gente. Moro sozinha e a minha família é apenas a directa e não está muito perto.
Para além disso, a minha família aprecia o silêncio, somos recatados, gostamos pouco de confusão e prezamos em demasia a nossa privacidade. Cresci num meio pouco dado a convívios em grande escala e foi isso que me moldou numa pessoa recolhida.
O meu Natal não inclui tios, primas, noras, genros, criançada nem velhotes. É o pai, a mãe, as irmãs e os cunhados. Mais recentemente, os sobrinhos. Não recebo convites de casamentos ou baptizados, a não ser de poucos amigos mais próximos. Nunca gostei de passar férias em grupo.
E é por isso que sofro quando tenho que passar muito tempo rodeada de pessoas. Almoçar em casa deste, lanchar com os amigos na praia, voltar a ir jantar a casa de amigos, dormir numa casa que não é minha e no dia seguinte repetir tudo de novo e acabar por passar dois dias seguidos com pessoas à minha volta, ter que conversar de tudo e de nada, ouvir barulho, depender de gente para sair, entrar, dormir e levantar. E no meio de tudo isto, passado algum tempo, sinto o cérebro a inchar mais do que o espaço que tenho na cabeça, e já quase a rebentar, arranjo à força, pelo menos, vinte minutos de paz. Torno-me associal, recolho-me para dentro, procuro um canto, um banco ou um jornal e escondo-me das pessoas, faço uma meditação, não ouço nem falo, não faço conversa social, e procuro que o silêncio me deixe voltar a mim mesma. E só assim sobrevivo a um mar de gente que gosta de estar sempre acompanhada por multidões.
Mas a mim deixa-me exausta e rabugenta. E quando volto para casa, parece que me tiraram do casaco de forças. Deito-me na cama ou sento-me no sofá e o silêncio faz com que volte ao meu habitat natural. Onde não tenho sempre que conversar, onde posso comer, descansar, ler, ouvir musica, tomar banho, sair ou entrar à hora que me apetece.
É que eu gosto muito de pessoas. Mas poucas de cada vez.

Fim-de-semana no Douro